Não conhecia a peça, nem de nome. Mas tendo lido: "O Secretário de Estado da Agricultura defende a proibição do uso de galheteiros, diz ser uma medida com impacto positivo e considera que seria 'positivo' alargar a decisão a toda a União Europeia" - fui ver quem era o intrometido.
Mais um iluminado albardado de diplomas, cuja biografia na wikipédia diz que "fez o curso de formação avançada no programa de doutoramento de Alterações Climáticas e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Nova de Lisboa, com a colaboração da Universidade de East Anglia (2010)".
Uma formação temível, doutorado em fantasias. E este é o burocrata local, que sabe o que convém aos produtores de azeite, aos donos dos restaurantes e aos clientes deles.
Já o burocrata Capoulas, europeu de nacionalidade, que é o relator do Parlamento Europeu para a reforma da Política Agrícola Comum, considera o recuo de Bruxelas nesta matéria "tão absurdo quanto seria a declaração de obrigatoriedade da venda de whisky a granel".
Absurdo, é, Rastapopoulos? Pois olha, a tua comparação não faz sentido, porque invocas uma inexistente obrigatoriedade para justificar uma proibição, embora, por ínvios caminhos, tenhas razão num ponto: são ambas inadmissíveis numa sociedade livre, onde o Estado não se senta à mesa, não se deita na cama, e não regula relações entre cidadãos senão na exacta medida do necessário para defender interesses legítimos da comunidade ou de terceiros, ou dos próprios apenas quando seja razoável supôr que o legislador sabe o que o cidadão ignora.
Queres fazer trabalho útil, Rasta, para compensar a fortuna que o contribuinte gasta contigo e os outros parasitas bruxelenses? Dedica-te a revogar legislação - um quarto de quilo ao ano já seria precioso.
A vossa pesporrência, ó legisladores da bugalha, não tem limites: um cidadão íntegro tem direito aos seus gostos, às suas escolhas e à sua liberdade, que não consiste apenas no direito de dizer o que lhe vem à cabeça ou ir passear pelas ruas com tachos e panelas a protestar a favor da sobrevivência da raposa do Ártico, em risco por causa do aquecimento global, ou contra a legislação laboral, por causa de Abril.
Consiste também em deixar espaço para aqueles, mesmo que sejam poucos, que reservam para a opinião dos outros respeito mas indiferença, e para a própria modéstia mas independência. E que, confrontados com uma garrafa de azeite balsâmico e um livrinho a explicar as maravilhas da iguaria, de um lado, e um galheteiro sem livrinho nem petulância, do outro, provam primeiro do galheteiro.
O Governo de Passos Coelho não tem sido fértil em medidas de crescimento económico, aspeto que foi aproveitado pelo PS de Seguro para usar a bandeira do crescimento como estratégia política.
Infelizmente, Seguro parece usar esta bandeira apenas como objetivo eleitoral, pois logo que surge uma medida vinda do Governo para apoio à economia, o imediato comportamento do PS é desvalorizar o impacte dessa medida, como acontece mais uma vez com os benefícios fiscais ao investimento em Portugal anunciados ontem.
Se a injeção de dinheiro nos consumidores pode ser uma ferramenta para o crescimento, pelo que a austeridade tem efeitos recessivos, (diferente do Estado ter mesmo de cortar nas despesas apesar de os socialistas não querem falar disto) a esperança não é uma ferramenta menor, mas já se percebeu que se for necessáriao confiança dos investidores, credores e consumidores em Portugal nada pior que este PS, logo que surge uma medida ou um indicador positivo este só pensa em destruir os seus potenciais efeitos na economia sem se preocupar com o crescimento.
O PS age neste domínio contra o crescimento económico, esquecendo-se que em primeiro lugar deve estar o País e não a estratégia eleitoral do líder da oposição e nisto Passos Coelho já deu provas que é muito mais estadista que José Seguro.
Apesar da maioria da opinião publicada e comentada em Portugal, por ser controlada e formatada à esquerda (repetindo até à exaustão, todos os dias, variações das teses do PC, BE e dos amigos do Mário Soares), criar e divulgar narrativas antidemocráticas de derrube do Governo com o objectivo de impedir o ajustamento orçamental e a reforma do Estado que lhes retirará acesso ao Estado sobredimensionado que têm ocupado ao longo desta IIIª República, a verdade é que o tempo não pára e a realidade desmente os seus desejos.
Ontem, Vítor Gaspar decretou o fim do primado da consolidação orçamental. Realizado o ajustamento externo e conquistado o regresso aos mercados, o Governo quer iniciar uma nova fase de investimento, crescimento e criação de emprego.
E como é no sector privado que está a solução para sairmos das dificuldade económicas em que estamos, para começar, a estrela do pacote de medida é um "supercrédito fiscal", um novo passo da nova fase que irá caracterizar os próximos dois anos da legislatura: relançamento do investimento e à criação de emprego, sobretudo para os jovens.
As medidas aprovadas incluem incentivos fiscais ao investimento, o Crédito Fiscal Extraordinário ao Investimento (CFEI) que poderá, no limite, reduzir a taxa efectiva de IRC para 7,5% face aos atuais 25% a que são tributadas as empresas. O ministro anunciou ainda um novo Reforço do Regime Fiscal de Apoio ao Investimento, o Alargamento dos Benefícios Fiscais ao Investimento de Natureza Contratual, Redução do Prazo de Resposta de Informações Vinculativas e a Criação do Gabinete Fiscal do Investidor Internacional, tudo medidas que faziam parte do plano apresentado há um mês por Álvaro Santos Pereira e que representam "um incentivo fiscal ao investimento sem precedentes em Portugal".
Depois de depois anos de austeridade, aproximam-se dois anos de investimento e criação de emprego, mantendo o défice controlado.
De facto, para a nossa imprensa conservadora de esquerda, a realidade é reaccionária.
«Nada contribui tanto para evitar um acordo como um emaranhado de pequenas rendições.»
Chesterton
"Nós começámos como macacos e acabámos a construir aeroportos..." Raquel Varela na apresentação do seu livro "Quem paga o Estado Social em Portugal?"

OXFAM não é, a despeito das aparências, o nome de um medicamento para correcção de algumas afecções do trato intestinal, ou para regular o exsudato nasal. E menos ainda para combater a influência deletéria dos fungos nos espaços interdigitais. Nada disso: O que a OXFAM combate é a fome e a injustiça no Mundo. E para tanto tem delegações na Nova Zelândia ou em Espanha, nos Estados Unidos, Hong Kong e em muitos outros lugares. No seu corpus de embaixadores arrola gente como Baaba Maal, que não sei quem seja, mas também Scarlett Johansson, Colin Firth e outras luminárias do espectáculo, cujos méritos ninguém desconhece. Aparentemente, não tem Portugueses nos seus quadros dirigentes, uma grande injustiça em relação a Jorge Sampaio, que dava um presidente de comité ou embaixador de primeiríssima água.
Como não podia deixar de ser, as alterações climáticas são uma preocupação central, quer porque quando a água falta as pessoas morrem à sede, quer porque correm o risco de morrer afogadas na ocorrência de inundações. E os poderes públicos, entregues a si próprios, nem promovem a instalação de canalizações nem se certificam de que as fábricas de canos se abstêm de poluir, donde estas grandes desgraças.
Pois a OXFAM garante que "taxar paraísos fiscais daria para acabar com pobreza extrema no mundo". Com efeito, "contas desta organização não-governamental dizem que há 14 biliões de euros escondidos, que representariam uma receita fiscal de 120 mil milhões de euros".
A notícia não esclarece de que forma é que se podem taxar paraísos fiscais sem acabar com a soberania do Luxemburgo, Andorra ou Malta, só na Europa, por exemplo, e criar controlos de circulação de capitais em todo o mundo sem prejudicar o comércio e o investimento; como é que essas receitas fiscais chegariam aos pobres sem ficar mais de metade pelo caminho, em agências internacionais, e boa parte do resto na mão das oligarquias dos países pobres; como se evitaria a destruição de incipientes economias locais, obrigadas a concorrer com produtos a custo zero; e como é que 120 mil milhões resolvem de vez o problema da pobreza extrema, dado que, uma vez pilhados, os evasores fiscais não poderão continuar a produzir evasão, por diminuição de recursos e por não serem masoquistas.
Mas a ideia é bonita, o internacionalismo simpático, a companhia agradável e - vamos lá a ver, todos precisamos de viver - as gratificações decentes.
Agora falta passar à prática. E não referi Jorge Sampaio por acaso: é de uma pessoa assim, com rasgo, imaginação e discursos grandiloquentes em bom Inglês, que a organização precisa.
Com a Scarlett Johansson de um lado, e Colin Firth do outro, ouvintes não haveriam de faltar. E não é impossível imaginar que um mínimo de três toneladas de alimentos sempre haveriam de chegar aos pretinhos do Darfur, juntamente com uma revista da OXFAM a explicar em banda desenhada os malefícios das alterações climáticas e do capitalismo desregulado.
Primeiro sabemos que o digníssimo senhor liderou a revolta no Conselho de Estado. Agora vem falar de “questões mortais”, sobre eleições antecipadas.
Aí está o nosso D. Quixote em acção. O ponderado e sério. Sempre digno e respeitoso. É ele Jorge Fernando Branco de Sampaio!
Mas mais extraordinário que esta vedeta vir falar, é puxar pela cabeça e lembrar-me dos seus grandes feitos como político. Destaco três obras do que de mais relevante fez e que indubitavelmente marcou a sociedade portuguesa.
Ora vejamos: Venceu em Lisboa, contra o mergulho do ano, apesar de ninguém se lembrar do que fez como Presidente de Câmara em Lisboa...
E como Presidente de “todos os Portugueses” sabemos que... andou num lufa lufa com o pântano de Guterres e demitiu um Governo com uma maioria absoluta no Parlamento, por questões de regular funcionamento das instituições.
Acções? Obra? Doutrina? Não. Vazio completo e voz de ressonância bem embalada na capa dos “sérios do regime”.
Sabíamos que havia mais vida para além do défice, sabíamos que gostava muito dos compinchas do Partido sempre pronto a acudir, entre o pântano e o na altura menino de oiro, mas agora sabemos que é mesmo fetiche isto de eleições antecipadas para tão nobre figura.
«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
Ortega y Gasset
A proposta de lei do Governo que isenta de IRS os bombeiros voluntários que prestem serviço durante o período de férias e descanso no combate aos incêndios florestais no verão vai ser hoje discutida no Parlamento.
O diploma vai ser apresentado pelo ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, e contará com a presença de bombeiros voluntários nas galerias da Assembleia da República.
Segundo a proposta de lei aprovada em Conselho de Ministros, os bombeiros voluntários que prestam serviço durante o período de férias e descanso, no âmbito do dispositivo especial de combate a incêndios, vão deixar de estar sujeitos a tributação em sede de IRS.
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/isencao-de-irs-p
Ora vejamos . . .
. . .“equilíbrio entre disciplina financeira, solidariedade e estímulo à actividade económica" foi uma aparente decisão sensata do Conselho de Estado
O Presidente da Republica quer.
O Governo agora também quer, mas até ontem o Vítor Gaspar só queria disciplina financeira.
O PS não quer disciplina financeira à custa da solidariedade, e o estímulo económico que quer é só o público, o tal que só cria mais dívida pública.
O PC quer uma solidariedade social soviética e nacionalizar a actividade económica.
O BE quer ver se dá a volta ao PS para Portugal sair do Euro, afastando o país da Europa e das suas regras.
Enquanto uns querem procurar soluções e resolver os problemas estruturais da nossa economia, outros querem continuar a fazer de conta que, se não estamos em bancarrota, é porque os nossos credores nos estão a financiar, e, se não sairmos da bancarrota, é porque, apesar de ajudados, queremos continuar a gastar o que não temos em vez de reformarmos os custos sobre-dimensionados do Estado.
Fazer o que se faz em qualquer outro pais europeu ( como recentemente a Itália ), sentarem-se à volta de uma mesa , analisarem o que podem acordar em comum e colocarem os interesses nacionais acima dos interesses do seu grupo, isso não.
Isto é Portugal. À custa uns dos outros, uns vão bem outros mal.
«Toda a pessoa é rica ou pobre segundo o grau em que possa disfrutar das coisas necessárias, convenientes e agradáveis da vida.»
Adam Smith
Ontem o FC Porto foi campeão. Muitos portistas e outros tantos benfiquistas (estes, por força dos seis milhões talvez o tenham feito em maior quantidade) dedicaram-se a trocar uns mimos, naquilo que é já um clássico nas coisas da bola. Piadas, graças, muito humor e insultos à mistura. Sem cumprirem os mínimos no nosso costumeiro "politicamente correcto". Um deles foi o Carlos Abreu Amorim.
E o que disse o Carlos? Chamou, como muito bem recorda no Aventar o Carlos Osório, "escurinho" ao Lima? Ou "filho da p...." a um dirigente do Benfica? Não. Chamou "magrebinos" aos adeptos do Benfica. Permitam-me que cite o excelente posto do Carlos Osório:
E quando é a sério, chamar “escurinho” a um Senhor da troika? Ou dizer que “por muito menos que isto foi morto o rei D.Carlos”? Ou na mesma plataforma (twitter), uma jornalista chamar FdP a um Ministro? Ou atentar contra o estado de Direito ao defender revoluções? Nã! Isso não tem qualquer relevância. Não tem qualquer importância. São coisitas e só por má fé é que podem fazer disso um caso.
Pois. Porém, o problema é outro. O Carlos Abreu Amorim escreveu no twitter exactamente a mesma coisa que já tinha escrito no ano passado e no anterior. A mesma coisa. Com uma diferença. No ano passado (e no anterior) não teve um "fake" a partilhar o seu tweet por mais de duas dezenas de páginas de adeptos do clube rival. Não teve um conjunto interessante de "facebookers" funcionários de uma determinada empresa a partilhar o dito. Pois, o Carlos Abreu Amorim já era deputado da nação. Só não era candidato a uma câmara municipal. Nem isso seria/será motivo para tanto zelo na divulgação do tal tweet. Porque será?
O que o Carlos Amorim escreveu é diferente do que escrevem outros deputados, outros políticos em matéria de futebol? No caso dos adeptos do politicamente correcto, até pode ser. Os que apelidam os adeptos do Benfica de Mouros não interessam para o caso. Os que chamam "corruptos" ou "FC Porco" também não devem interessar. É a chamada escolha selectiva. O problema é outro: o alvo. E o Carlos Abreu Amorim passou, desde o dia seguinte à sua apresentação oficial (20 de Abril), a ser um alvo a abater. E para isso, vale tudo. Mesmo tudo. O problema é que esses senhores se esqueceram de um pormenor, aliás, pormaior, a malta não é parva. Até somos provincianos, só não somos é parvos. Nem lorpas. E, sobretudo, somos assim um pouco meio mal acabados e quando nos tentam atirar às pernas ou enfiar um tiro no meio dos olhos, o melhor, mesmo, é não falhar. Mas falharam. Por isso, aconteça o que acontecer, a partir de agora é guerra. Daquela a sério, em que ninguém ganha mas não fica apenas um lado a perder. Fica dado o primeiro recado.
(as minhas desculpas aos meus colegas de blogue e à esmagadora maioria dos leitores por usar este espaço para deixar um recado direccionado)
«No fim do verdadeiro amor, existe a morte, e só o amor no fim do qual existe a morte é o amor.»
Milan Kundera
Recebi no telemóvel uma mensagem informando-me que até ao dia xis o meu carro teria que ir à inspecção periódica.
Embirro com esta modernice pateta: a ideia de que os automóveis podem ter condições deficientes das quais os condutores não se apercebem mas um mecânico apressado e distraído, cuja consulta é obrigatória, sim. Excluo o caso de uma minoria de senhoras e cavalheiros de idade provecta, em geral portadores de chapéu, que regra geral não fazem a menor ideia de condução, segundo análises empíricas que o tempo consagrou.
Há por certo automóveis que circulam com pneus em condições deficientes ou os travões em mau estado. Mas isso tem que ver com a idade dos veículos e a falta de recursos dos proprietários, não com a falta de desvelo do Estado a impôr inspecções, fiscalizações, conselhos e multas. E o que custa toda essa parafernália de controlos, papeletas e inspecções teria melhor uso no bolso dos contribuintes, que não são nem suicidas nem tão estúpidos quanto o legislador e as associações de consumidores os fazem.
Cidadão moderadamente cumpridor, sobretudo em havendo a perspectiva de multas terroristas, pedi a um colaborador (cujas funções nada têm que ver com automóveis, numa pequena manifestação concreta daquela gestão abusiva que é a marca d'água de alguns pequenos gestores) que levasse à cerimónia da revisão o veículo em questão.
Assim foi. Mas - ó desgosto! - no regresso o funcionário vinha pávido, e disse-me cavamente, ao mesmo tempo que me apontava uma linha num papel verde: pode circular mas puseram reservas.
Baixei os olhos para os dizeres e lá vinha, como uma condenação ao degredo: Código 840 - Matrículas - Materiais deformados ou deteriorados.
Mas que p. de merda é esta? - berrou a minha costela popular do Vale do Ave. E a resposta veio, cortante: o fundo amarelo na indicação do ano na matrícula está descolorido. Se não substituir as matrículas e for apanhado parece que a multa não é pequena.
A indicação do ano de registo nas matrículas serve apenas para denunciar aqueles que importam carros usados, protegendo abusivamente os concessionários locais; o fundo amarelo não é mais do que a manifestação do gosto piroso de um qualquer legislador com a mania que é designer; e o fundo azul e as estrelinhas na outra ponta são propaganda europeísta.
São grandes, as matrículas portuguesas. E precisam: para nelas caber tanta asneira.
Ordem de Trabalhos do Conselho de Estado
1. o risco da política de ajustamento seguida por este Governo não prosseguir no próximo.
2. fomentar o crescimento económico e a criação de emprego.
3. preparar a renegociação do período pós-troika.
Ordem de Trabalhos do PS
“ O país não deveria discutir o além” José Sócrates
“ Crise de regime no horizonte de Portugal “ A.J Seguro
«A grandeza necessita de mistério. Admiramos mal o que conhecemos bem.»
Charles de Gaulle
As redes sociais são sobretudo utilizadas por pessoas das chamadas elites nacionais e estas andaram nos últimos dias numa lufa-lufa em torno da co-adopção por casais homossexuais. Pronunciei-me no passado sobre o tema, mas os argumentos que utilizei (contrários) não fazem a partir de agora grande sentido, pois a co-adopção leva necessariamente à adopção.
Qualquer obstáculo à expansão do universo seria discriminatório e absurdo. A lei agora aprovada beneficia potencialmente as crianças já adoptadas por um dos membros do casal. Terá essa criança óbvias vantagens em caso de morte súbita do pai ou da mãe, por exemplo. Se eu fosse deputado, teria votado a favor desta lei, que tem pelo menos este elemento de justiça.
O parlamento decidiu e o post não é sobre a co-adopção, mas sobre a forma das discussões. O que mais me impressionou desta vez foi a ausência de debate e a crispação das diferentes posições, incluindo insultos, rasgar de vestes, retórica sobre alegados avanços civilizacionais, um rebuliço impróprio para cardíacos, homofobia acompanhada pela intolerância oposta.
Sendo este um assunto lateral na vida da maior parte dos portugueses, surpreende a tensão revelada pela fúria da maioria das posições. Os dois campos recusam-se a ouvir a argumentação do outro lado (e há bons argumentos dos dois lados).
A crítica tornou-se impossível. Alguém que escreva uma tontaria e seja criticado por isso, sai à luta com duas pedras na mão. Isto é válido para qualquer debate, do insignificante ao decisivo.
Portugal vive numa espécie de desassossego, que terá certamente raízes na crise financeira, mas não apenas aí. Sobre os assuntos verdadeiramente importantes, a discussão tornou-se nula. Os factos são inutilidades. A comunicação social parece ter perdido o norte, embrulhada na verdadeira espiral recessiva, a da seriedade, onde cada notícia má tem de ser pior ainda.
«Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Tudo o resto é publicidade.»
George Orwell
Primeiro foram os abortos grátis, depois os divórcios na hora, seguiu-se o casamento gay, agora a cu adopção.
Esta gente não se limita a destruir-nos financeiramente, quer também a nossa alma.
E a alma de qualquer sociedade é a Família.
«A vida, na sua essência, na sua estrutura, é projecto e risco.»
Francesco Alberoni
O Governo da Venezuela resolveu promover a indústria de louças sanitárias, em particular o bidé, aproximar os cidadãos da natureza e da higiene, recomendando o consumo de água e sabão, e preservar as florestas, poupando no papel.
É este o significado da escassez de papel higiénico naquele país, que a bloga nacional tem verberado com piadas de gosto duvidoso, que além do mais deixam no ar suspeitas sobre a brancura de alguma roupa interior de muito blogger prestigiado.
Mas não apenas entre nós: o Guardian declara solenemente que "First milk, butter, coffee and cornmeal ran short. Now Venezuela is running out of the most basic of necessities – toilet paper".
A mais básica das necessidades?! Só se for para vós, ó filhos da Ilha! Que um verdadeiro cavalheiro ou uma verdadeira senhora não acham o rolo de papel absolutamente indispensável nem dele fazem grande uso, excepto se tiverem o azar de aterrarem em instalações mal equipadas, caso em que o risco é grande de se entupirem os esgotos.
Contudo, não é destes assuntos escatológicos que me quero ocupar, mas do salário mínimo: este senhor acha que a falta de papel deriva do controle de preços, e que, tal como o preço máximo ignorando o mercado provoca escassez, o salário mínimo provoca desemprego.
A mim convenceu-me, embora converter convertidos não requeira grandes esforços de argumentação.
Num dos jantares com bloggers enquanto candidato, Pedro Passos Coelho falou sobre a questão da adopção por casais do mesmo sexo. Já não tenho a certeza se a pergunta foi feita pela Ana Matos Pires se por outro blogger. Tenho ideia que terá sido a AMP. Na altura, PPC, para surpresa geral, em vez de fugir à pergunta como é natural nos políticos nestas alturas e neste tipo de questões, deu a sua opinião (julgo que a mesma apareceu, na altura, na revista Sábado) que foi algo do género: "entendo que neste tipo de questões deve existir liberdade de voto dentro dos partidos" e mostrou não ser contra se cumpridos todo um conjunto de medidas de defesa dos interesses da criança. Não me esqueço da polémica que deu uma das suas frases: "a questão não é se o casal é do mesmo ou de diferente sexo, a questão deve ser sempre o superior interesse da criança, por isso, em tese, não me oponho". Quando os deputados forem votar esta matéria, independentemente da decisão que tomarem, espero que a blogosfera de esquerda e defensora da proposta do PS, se recorde destas palavras de PPC.
Hoje, na AR, os deputados vão votar duas propostas nesta matéria. Uma do PS e outra do BE. Aos deputados do PSD foi dada liberdade de voto. A forma como esta matéria está a ser discutida com tranquilidade, sem dramas e sem se entrar numa discussão estilo "Porto-Benfica", é um enorme sinal de maturidade. E um exemplo tendo em conta o passado recente em matérias ditas "fracturantes". Ainda bem!
Hoje, como ontem, faço minhas as suas palavras: salvaguardado o superior interesse da criança e tendo presente que é sempre melhor adoptar uma criança e lhe dar a oportunidade de ter uma família do que o contrário, não me oponho.
«Tudo quanto aumenta a liberdade, aumenta a responsabilidade.»
Victor Hugo