Segunda-feira, 17 de Junho de 2013
por Maurício Barra

 

 

Recorro a um artigo de Martim Avillez Figueiredo no Expresso para discorrer sobre o assunto.

(…) Davis Osborne, que promoveu a reforma da administração pública no Governo Clinton, esteve em Lisboa numa conferência em que abordou o sistema de ensino português. Mencionou que o sistema português não premeia a concorrência entre as escolas ( e, por inerência, entre os bons e os maus professores ) nem oferece liberdade de escolha aos pais dos alunos .

Simulou a nosso sistema de educação à restauração: imaginem que teríamos de comer no restaurante mais próximo de casa, e apenas nesse – apesar de todos os outros serem iguais uma vez que as ementas, os cozinheiros e empregados são distribuídos centralmente - , as portas estariam abertas apenas nove meses por ano, a ementa evoluía com a idade do comensal, as refeições eram grátis pagas pelos contribuintes e os salários do  pessoal dependiam dos anos de serviço e não do seu mérito. Finalmente os restaurantes funcionariam mesmo que os consumidores não gostassem deles. E o sistema não existe assim porque é financiado pelo Estado: na Suécia, em que todas as escolas têm financiamento público e integram o sistema público de formação, as escolas, públicas ou privadas, têm liberdade de escolha dos seus projectos educativos e de contratar os professores que melhor de adequem ao que pretendem e o Estado, no final, avalia as escolas baseado nos resultados dos exames finais, acompanhadas de inspecções frequentes para garantir que  as escolas não tenham só bons alunos.(…)

 

Em Portugal os pais não têm liberdade de escolher a escola para os seus filhos no sistema público, os manuais escolares são iguais para todos e escolhidos por uma entidade que considera as crianças pobres selvagens que devem evoluir naturalmente sem que o ensino as impeça de fazer o que lhes apetece, e até recentemente não havia exames nem chumbos em parte dos anos lectivos para todos serem iguais. Iguais aos que não estudavam.

O nosso modelo de educação pública, nos últimos trinta e nove anos, tem sido um modelo de tendência sovietóide que não deve ser muito diferente do que se pratica actualmente em Cuba. Sempre sob pressão e/ou controlo de sindicatos comunistas, que, excedendo largamente o que o seu âmbito de actuação, ou seja, defender profissionalmente os professores, têm intervindo no próprio modelo de formação e nos conteúdos formativos, obstaculizando sistematicamente a liberdade docente e curricular que permitiria escolha dos pais dos alunos baseada no mérito de formação, ferindo gravemente a qualidade do futuro dos alunos que recorrem ao ensino público, precisamente incluindo os mais desprotegidos e com menos recursos económicos.

Isto funcionou até ao momento em que este Governo tomou posse, e, com ele, o melhor e mais esclarecido Ministro de Educação que temos nesta IIIª República. Centrou a educação nos alunos e não nos direitos adquiridos dos professores, melhorou os conteúdos formativos e criou sistemas que poderão permitir aos pais escolherem as escolas dos seus filhos, transformando o ensino público em escolas que realmente ensinam e não em fábricas de horários ocupacionais de grande parte dos jovens portugueses.

A greve dos professores em dia de exames, precisamente no dia de exames, depois de o Ministro da Educação ter cedido no horários de trabalho e na mobilidade e mostrar disponibilidade para mudar a data de exames desde que o sindicato não marcasse greve para a nova data, é a instrumentalização dos professores, angustiados pela reforma em curso no sector público, por parte do PC para os utilizar como carne de canhão contra os alunos, contra os pais dos alunos e, sobretudo, contra eles próprios, obrigando-os a abdicar de um acto essencial da sua profissão de ensinar para servilmente servirem um modelo ideológico que não respeita os direitos dos alunos.

No fundo, tenho pena dos professores: estão entre a parede das circunstâncias que hoje obrigam à reforma da dimensão do Estado, e a espada da minoria comunista que durante trinta e nove anos criou as circunstâncias em que agora se encontram. 

 

Em tempo:

“depois de terem marcado a greve para dia de exames, alegando a defesa da escola pública, sindicalistas e grevistas queixam-se que se os exames não forem adiados, os alunos do privado são beneficiados porque os professores dos colégios privados não fazem greve”.

Pois é !

E também em relação aos alunos do ensino público que puderam fazer os exames.

 

Entretanto, hoje, dia de greve, às 16,00 hrs:

O MInistro da Educação, Nuno Crato, em conferência de imprensa, fez ainda um balanço desta greve, apontando dados provisórios do Júri Nacional de Exames: “mais de 70% dos alunos realizaram os seus exames e 73% das escolas com exames marcados realizaram-nos a 100%”.

Posto isto, Nuno Crato deixou uma palavra de “apreço” pela “grande responsabilidade de directores e professores que puseram acima de tudo o interesse dos seus alunos”.


E às 19,00 hrs:

O líder da Fenprof, perante o falhanço do que pretendia, garante que a greve não era contra os exames, era uma greve de professores. A sério ? Então porque a fez no dia de exames ?

Registe-se a lamentável falta de probidade profissional de parte da imprensa, com destaque para a SICn e o Público, que tomaram como suas as justificações comunistas da Fenprof.



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1 comentário:
De jo a 17 de Junho de 2013 às 16:14
Isto de comparar escolas com restaurantes demonstra alguma ignorância.
Primeiro, um restaurante serve algumas dezenas de refeições por dia num espaço geográfico onde vivem milhares de pessoas. Há assim vários restaurantes a servir a mesma zona. É muito duvidoso que seja possível ter escolas eficientes em todos os graus de ensino numa escala tão pequena (talvez por isso as escolas muito pequenas particulares sejam exclusivamente do 1º ciclo), logo a concorrência é muito menor.
Segundo, o principal concorrente de um restaurante não é o restaurante do lado é a cozinha de cada um. Se o serviço for mau as pessoas não o usam e cozinham em casa. São muito poucas as pessoas que têm tempo e conhecimentos para se substituírem a uma escola secundária por exemplo. Logo a concorrência entre restaurantes é sempre muito maior do que entre escolas.
Terceiro, uma coisa é escolher entre hambúrguer e bife a cavalo outra entre duas maneiras diferentes de ensinar Física, Mesmo tendo uma educação superior se me fosse dito que era eu que teria de apreciar o currículo da escola do meu filho eu não o saberia fazer para a maior parte das matérias.
Quarto, comem-se muitas refeições durante a vida e se uma corre mal compensa-se na seguinte, mas não posso dar dez educações ao meu filho para ele escolher a que lhe convém melhor. Este é um dos casos em que quando se falha não se pode recomeçar e ter como último controlo o mercado é insuficiente.
Quinto embora todos sejamos diferentes todos nos temos de entender e escolas com currículos a pedido iam fazer com que ninguém se entendesse. O facto de um aluno ter o ensino secundário não quereria dizer que soubesse fazer contas de somar ou que saberia ler, só queria dizer que tinha andado algures.
Em Portugal os pais têm liberdade de escolher a escola que querem para os filhos, isso não quer dizer que a consigam ter. São sobejamente conhecidas as filas de pais durante as noites que antecedem as matrículas nos colégios da moda, os que não conseguem colocar os filhos sentem-se injustiçados mas não podem dizer que não puderam escolher.
No ensino público um pai também pode inscrever um filho na escola que quiser, desde que haja vaga. O que acontece é que as melhores escolas das zonas mais populosas não têm vagas para todos e, como não podem selecionar os alunos, dão preferência aos que moram mais perto, mas se quiser inscrever um filho seu numa escola de uma zona problemática ou da província a lei não o impede e a escola aceita-o de certeza.


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