Quarta-feira, 19 de Junho de 2013
por Luís Naves

O Governo francês reagiu com indignação a um comentário do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que acusou de “reaccionária” a posição francesa sobre a excepção cultural, no âmbito das negociações de liberalização comercial entre europeus e americanos.
Compreendo que não gostar de Durão Barroso seja um útil passatempo nacional (Santos da casa...) mas muitas das críticas apressadas revelam desconhecimento sobre os mecanismos da Europa.

Os termos usados pelo Presidente da Comissão são inteiramente justos e a França teve uma posição intransigente, contrariando os seus parceiros. Paris optou por uma linha proteccionista e reaccionária, que poderá comprometer o acordo comercial. Este tinha vantagens imediatas, pois permitia relançar a economia numa altura de dificuldades. Os franceses ficaram isolados e exerceram o direito de veto, para irritação dos outros governos.


O mais certo é que as negociações já estejam comprometidas, pois do mandato dos negociadores ficou excluído o sector audiovisual e os americanos dificilmente aceitarão esse resultado. Na melhor das hipóteses, por causa do cinema francês, que ninguém na Europa vê, os europeus terão de fazer cedências em outras áreas.
O Presidente da Comissão limitou-se a repetir em voz alta a frustração de vários Estados membros. Achar que se tratou de um delírio ou que os franceses vão conseguir a cabeça de Barroso ilude a questão essencial: alguns países, com a Alemanha na vanguarda, estão a perder a paciência com as contradições e a lentidão reformista de François Hollande.

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