Quinta-feira, 20 de Junho de 2013
por Luís Naves

Recentemente, entrei em simpático debate com Shyznogud, autora de Jugular, e tentei explicar uma realidade que julgo compreender bem, a situação política interna na Hungria. Argumentei que esta questão não é a preto e branco. O verdadeiro perigo na Hungria não está no primeiro-ministro Viktor Órban ou no partido conservador Fidesz, mas na extrema-direita do Jobbik, formação anti-semita e anti-cigana que inclui uma ala puramente fascista (querem, por exemplo, formar um grupo parlamentar anti-sionista).
Órban tem maioria de dois terços no parlamento e faz com os europeus uma espécie de dança de dois passos para a frente e um passo para trás. Este jogo permitiu-lhe até agora impedir a subida do Jobbik nas sondagens. Por isso, a dureza europeia em relação a Órban é sobretudo retórica. Julgo que isso explica a ausência de sanções no relatório de Rui Tavares. Nas recomendações incluem-se aliás emendas sugeridas pela direita húngara e o relatório é sobretudo útil para Órban dizer em casa que bate o pé aos europeus, fazendo depois o devido recuo de um passo (que coincidência, o Presidente recusou promulgar uma das leis contestadas por Bruxelas, sobre a transparência da administração).

 

Vou repetir-me: o problema na Hungria é a ascensão da extrema-direita, não é a existência de um PM que actua segundo a sua personagem. Órban é um dos construtores da democracia húngara e dominou a política do País nos últimos 25 anos. Falar dele como se fosse uma “criatura” desprezível é uma tontaria. Um autor do Le Monde, Yves-Michel Riols, explicou este conflito muito melhor do que eu poderia fazer, num texto que gerou grande polémica. O jornalista foi insultado pelos leitores, tentou responder com paciência, mas a força dos mitos é terrível. Incluo aqui um link para este texto, que julgo ser dos melhores que li sobre o tema, exceptuando o título exagerado. (Googlando o título é possível ler o texto completo).

 

Aproveito para incluir dados da mais recente sondagem Ipsos na Hungria (as eleições são daqui a dez meses). O Fidesz, no poder, subiu para 49% do eleitorado que não tem dúvidas sobre onde vai votar, mas tem menos de metade dos indecisos que votam certamente, o que baixaria ligeiramente a percentagem final. Os socialistas têm 27% dos que votam, e os outros partidos de esquerda 14%, mas dois deles arriscam-se a ficar fora do parlamento. O Jobbik baixou: tem agora 12% dos eleitores e proporção semelhante nos indecisos.
Em resumo, se as eleições fossem agora, o Fidesz teria maioria absoluta, para a qual devem bastar 38%. Com a economia a melhorar, o desemprego a baixar e a actuação firme durante as cheias, Órban tem grandes hipóteses de vencer, mas não repete os dois terços. Não havendo frente de esquerda, alguns pequenos partidos do centro-esquerda podem estar a sonhar em fazer uma coligação de governo com um Fidesz que não atinja estes resultados. E, claro, Jobbik em queda é excelente notícia. O Fidesz já disse várias vezes que jamais se coligará com o Jobbik.


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3 comentários:
De makarana a 20 de Junho de 2013 às 17:13
O Jobbik está em queda, porque as suas politicas teem sido praticadas pelo Fidesz,esvaziando a extrema direita.Viktor Orbán não passa de uma versão magiar de Putin ou Assad


De Luís Naves a 20 de Junho de 2013 às 18:15
Depois aparecem estas sentenças definitivas. E assim tão difícil acreditar no autor da prosa? Orban nao tem qualquer semelhança com os dois dirigentes que cita.


De makarana a 20 de Junho de 2013 às 22:33
Sim Luis, há coisas como esta em que é dificil acreditar.É como dizer que o Pai Natal e os extraterrestres existem.Não há mitos nenhums,as pessoas é que não são estúpidas e ignorantes, como alguns julgam! Factos são Factos.Orbán,se não anda a matar a população como faz Assad,pelo menos aniquila a liberdade como faz Maduro ou Morales


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