Sábado, 22 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

Para fazer meio quilo de seda natural é necessário assassinar barbaramente entre dois e três mil bichos-da-seda. Por aqui já se vê que, para confeccionar um elegante vestido de Verão, daqueles que devastam corações ou que usa a senhora Christine Lagarde, estamos a falar de verdadeiros genocídios.

 

Os bichos em questão, quando terminam o seu processo de transformação em insectos, têm o desagradável hábito de perfurarem os casulos para se porem na senhora da alheta, e esta perniciosa tendência estraga algumas valiosas fibras. Daí que os criadores, com oportunista prudência, cozam os casulos, com as lagartas lá dentro, em água fervente.

 

Isto gela o coração: os pobres animais indefesos, os ocelos (ou lá o que é) arregalados de pavor, revendo num instante as suas até aí confortáveis vidas, e os quilos de folhas de amoreira que devoraram. Ai credo!, que se tivesse aqui à mão um formulário, não sei se não era desta que me inscrevia no budismo ou no PAN.

 

Mas para as (e os) elegantes com um coração de esquerda (esta modernice dos seres sencientes e não sei quê é, como quase todas as causas, uma coisa de esquerda e de lunáticos, com perdão da redundância), há a alternativa da seda da paz: o insecto Eri vai à vida e os locais recolhem os casulos vazios, com os quais confeccionam à mão uma seda extremamente compassiva.

 

Se porém ainda isto for demais, há uns filamentos de uma árvore, e umas sementes de uma erva - também dão seda, sobre cuja qualidade o artigo, infelizmente, diz nada.

 

Já estou por tudo, desde que não se estenda o amor pela Natureza até às bactérias maléficas e aos vermes nojentos, e se deixe Braga em regime de extra-territorialidade.

 

É que hoje encaro a hipótese de jantar arroz de lavagante na cidade dos Arcebispos, num estabelecimento cujo nome não divulgo. E é claro que não tenciono inquirir de que forma, exactamente, se deu o falecimento do infeliz animal.

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3 comentários:
De Tiro ao Alvo a 22 de Junho de 2013 às 21:16
Caro Meireles Graça, saiba que ao tentar ler o artigo que lincou (será assim que se escreve?), recebi a seguinte mensagem do meu antivírus: "Tem a certeza de que pretende ir para lá? (...) poderá ser arriscado. Quando visitámos este site, encontrámos um ou mais comportamentos arriscados".
E a minha questão é esta: será que o Meireles anda por maus caminhos? Ou andará em má companhia?
Seja como for, coitado do lavagante!


De José Meireles Graça a 23 de Junho de 2013 às 17:14
Vejo esse site quase todos os dias (é dedicado a causas) e nunca tive problemas, Tiro.


De Luís a 24 de Junho de 2013 às 22:54
Aqui a esquerdalha já sabe defender os indefesos "fetos"...


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