Sexta-feira, 28 de Junho de 2013
por Pedro Correia

Um homem mata a mulher, de quem estava separado, e uma amiga dela, suicidando-se a seguir. Escassas semanas depois, a tragédia repete-se - com outro assassino e outras vítimas.

Aconteceu recentemente em Portugal.

Como já previa, não tardaram os depoimentos televisivos a desresponsabilizar os actos criminosos. Há sempre teses socialmente correctas para justificar os actos mais repugnantes.

Um canal generalista abordou o assunto, com a seguinte legenda em letras maiúsculas: "Crise e problemas financeiros explicam depressão social". Enquanto a voz da jornalista procurava configurar a situação desta forma: "Um futuro sem esperança para um presente em crise".

Os crimes concretos, com vítimas concretas, diluem-se nesta amálgama de frases destinadas a "explicar" a inadmissível violência homicida por factores sociais e até políticos. E nestas ocasiões nunca faltam psiquiatras a conferir um atestado de respeitável validade à tese implícita de que o gatilho é premido pela "sociedade" e não pelos assassinos.

"Numa sociedade deprimida há uma grande falta de esperança, as pessoas não têm perspectiva de futuro. Esta desesperança pode levar algumas pessoas a atentar contra si e contra outros", explicava um psi.

"As situações de crise, com desemprego e endividamento, são fundamentais na saúde mental dos portugueses", justificava outro.

A voz da jornalista insistia: "O consumo de antidepressivos aumentou, os casos de depressão também."

Pasmo com tudo isto - incluindo a sugestão de relação directa entre o consumo de antidepressivos e a morte de mulheres às mãos de maridos e companheiros. Pasmo com a pseudo-modernidade a pretender "contextualizar" os mais bárbaros atavismos com palavras de compreensiva condescendência. Pasmo com este cíclico jogo de passa-culpas dotado de um pretenso aval científico.

Como se os algozes fossem vítimas e estas, para merecerem um mínimo de respeito público, tivessem de ser assassinadas segunda vez.

 

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6 comentários:
De Portal SAPO a 29 de Junho de 2013 às 10:18
Bom dia/boa tarde/boa noite
O seu post está em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.

Atenciosamente




De Pedro Correia a 30 de Junho de 2013 às 22:27
Muito grato, Sapo.


De Maria Vilaca a 29 de Junho de 2013 às 12:42
Pois é verdade!

Dizer que um assassino é um deprimido, é MAU.
Um assassino é um criminoso.

Mata-se outra pessoa (nas circunstancias em apreço quando se é MAU).

O deprimido, no máximo suicida-se.

E então quando matam filhos, são pessoas mesmo más.


De Pedro Correia a 30 de Junho de 2013 às 22:29
Não pode haver crime mais repugnante.


De Gil a 30 de Junho de 2013 às 04:01
O assassino está lá. As circunstâncias revelam-no. Infelizes vítimas de tudo isto.


De Pedro Correia a 30 de Junho de 2013 às 22:29
Transformar o criminoso em vítima, esquecendo as verdadeiras vítimas, é inaceitável.


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