Sábado, 29 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

O jornalista conta uma história às três pancadas, não fala com toda a gente, não investiga, não consulta especialistas. Nunca trabalhei em jornais, admito que contar um incidente com princípio, meio e fim, fique caro, e suponho que por estes dias recursos é o que os jornais têm de menos.

 

Mas isto irrita, ler uma notícia sobre um fait-divers e sobrarem dúvidas:

 

i) Um tipo está num café e decorre um jogo de bingo, mas não está a jogar. Vem a GNR e leva-o "apenas" para interrogatório no posto, mas "sem ficar detido em cela". Perguntas: A polícia não pode no local fazer as perguntas pertinentes? Se não pode, por que razão não pode? Porque não notifica a testemunha, ou lá o que é, para comparecer no Posto à hora xis? Em Tribunal, leva uma multa de 150 Euros e "três meses de pena suspensa". Como?! Mas a suspensão de três meses é para a "pena" dos 150 aéreos ou para pena de prisão?

 

ii) Os celerados criminosos britânicos tinham entre 23 e 76 anos. O senhor dos 76 anos também foi na ramona? E esteve quanto tempo no Posto, dado que a operação policial se iniciou por volta das 23H00 e "só depois das 3h da manhã puderam sair do posto"?

 

iii)  A legislação que regula estas coisas é de quando? E as molduras penais são como, mínimos e máximos? Porque se, como o texto insinua, houve uma pena de três meses por "testemunho de jogo ilegal", então, se o jogo não fosse a biscoitos e fosse por exemplo roleta, podemos razoavelmente supor que a pena poderia ser, sei lá, cem chibatadas no pelourinho local.

 

Seja a legislação assim ou assado, em tudo isto há abuso, desmedida, falta de senso e lesão de um interesse económico relevante, que é o turismo, para já não falar da hospitalidade. E que a GNR, numa região famosa pela criminalidade violenta contra residentes, se tenha dado ao trabalho de enviar adiantadamente dois agentes "à paisana" para o local do crime, e tenha remetido mais doze para deter a maralha, justificaria que o jornalista nos tivesse inteirado dos nomes e declarações do comandante da força, de quem decidiu a operação, e do Juiz.

 

Para que lhes pudéssemos dar razão, se a história não tiver sido exactamente como foi relatado, ou pudéssemos colar as fotografias de todos estes guardiães da Lei e da Ordem num alvo do jogo de dardos - se não for ilegal.


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