Quinta-feira, 4 de Julho de 2013
por Maurício Barra

 

 

A soberba dos proprietários e do Comandante do Titanic encontrou um parceiro à sua dimensão, muitos anos depois, na irresponsabilidade de outro comandante, o do Costa Concordia.

Ambos naufragaram os seus navios. Quando o poderiam ter evitado. Foram ( são ) homens que não estão à altura das suas responsabilidades e, no momento em que não podiam falhar, revelaram as piores características do seu carácter. A soberba infalível de um, o diletantismo irresponsável no outro.

Paulo Portas juntou os dois defeitos num só acto.

Depois da esquerda de Sócrates deixar-nos no primeiro resgate, Paulo Portas não se importa de levar-nos à beira do segundo. O tacticismo dos seus interesses ( que hoje passaram de reais a imaginários, porque nunca mais ninguém aceitará um CDS dirigido por Paulo Portas como parceiro), são, para a personagem, superiores às suas obrigações nacionais. É um homem que põe os seus quereres conjunturais acima dos seus deveres e da sua palavra, um homem que prefere destruir caminhos se sente que a pose que construiu para si próprio não está devidamente ilustrada no momento que passa.

Politicamente será mais uma figura especialista em golpes de rins, com sucessivos cinco minutos de fama no mundo dos espertos, mas autodestrutiva, sem credibilidade, sem grandiosidade e sem lastro histórico, uma figura igual a tantas outras, tão típicas da desastrada Iª Republica, cujos efeitos os nossos avós sofreram na pele.

Do resto a pequena história tratará.

Porque, homens brilhantes sem carácter, que no jogo das aparências escondem a falta de pundonor e a ausência de dignidade, com birras e inconstâncias pintadas de enfant terrible, sempre foram e serão actores menores, reconhecíveis nas personagens que Eça de Queiroz com ironia nos brindou, fogos-fátuos de um Portugal que querem permanentemente transformar num Portugalzinho reduzido à dimensão das suas ambições.

Tal como quer reduzir o seu partido, o que já foi de Adelino Amaro da Costa, a um grupo de indefectíveis que não têm existência para além da sua figura de dandy da política portuguesa.


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