Terça-feira, 9 de Julho de 2013
por Luís Naves

O autor do post imbecil deve colocar-se num patamar intelectual superior ao do antagonista, por exemplo, chamando “maduro” a quem deseje insultar.
O autor do post imbecil nunca deve discutir matérias de facto. Onde o opositor tiver usado informação, deve usar a desinformação.
O autor do post imbecil tentará denegrir a reputação do opositor, lembrando que é um cavaleiro imaculado da verdade, enquanto o crítico não passa de um mercenário ao serviço de interesses (não importa quais). Quando não há certezas, bastam as insinuações. Na dúvida, deve evitar-se entrar em detalhes sobre a vida actual do adversário, não vá este responder que anda em busca de trabalho, destruindo a argumentação.
O autor do post imbecil tem de ser especialista em adjectivos. Não deve haver poupança nesta matéria. Colocam-se os adjectivos dentro do canhão e é fogo à peça. Usem-se também lugares comuns expressivos. “Velhinhos exangues”, por exemplo, é muito bom. 
O autor do post imbecil tentará atingir amigos e próximos do opositor. É um método infalível de silenciamento, de preferência com insinuações e alusões crípticas baseadas nas mais recentes boatarias das redacções. Evite-se a realidade e não se mencionem as falhas e as múltiplas interpretações erradas do opositor.
Sobretudo, o autor do post imbecil deve colocar-se sempre, mas sempre, num elevado patamar de moralidade, partindo do princípio de que não discute política, mas fé.
O autor do post imbecil deve considerar-se um intelectual extraordinário. Seja tremendista e definitivo. Sobretudo nunca deve comparar a sua obra com a do opositor, pois pode ficar mal na fotografia. E use um anónimo qualquer para transmitir esse recado a quem tiver o atrevimento de o criticar. A sua prosa é a melhor do mundo e os adversários escrevem ao estilo dos cabeludos. Um cabeludo, em princípio, é também bruto, besta e mal-educado.
Finalmente, o autor do post imbecil tem de evitar qualquer relacionamento com a realidade. Deve impor o seu mundo virtual gritando a plenos pulmões. À sua volta, só há maduros. E, antes de terminar com a citação de uma pessoa que pense (infalível, isto de outros pensarem por nós), deve avisar logo que não vai à refrega, pois não tem tempo para réplicas.
E o opositor, arrasado, vai pensar: ainda bem.


tiro de Luís Naves
tiro único | comentar | gosto pois!

4 comentários:
De Cobarde a 9 de Julho de 2013 às 18:42
Ó Naves lá por ter comentado o seu post (linkando a resposta do seu alvo), ser leitor do Luís M. Jorge e de outros bloggers e não gostar do que você escreve não significa que eu seja o Luís Jorge.
Agora, sff corrija o que escreveu ou tenho de lhe enviar o meu IP e uma foto tipo passe para provar que eu não o outro?


De Luís Naves a 10 de Julho de 2013 às 11:35
Rejeitei um comentário. Há comentadores que nao entendem que o blogue e dos autores e que estes tem controlo.


De falcão a 10 de Julho de 2013 às 13:45
A censura é uma das vossas ferramentas democráticas...


De Luís Naves a 10 de Julho de 2013 às 14:22
Este blogue pertence aos seus autores, não é propriedade dos comentadores. As pessoas, como o senhor, que não gostam dos autores que aqui escrevem, não devem ler este blogue. Existe democracia quando os comentadores que não respeitam os autores abrem os seus próprios blogues e escrevem lá o que bem entenderem. Censura seria alguém cortar textos dos autores, algo que não sucede aqui.


comentar tiro

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds