Quinta-feira, 11 de Julho de 2013
por Pedro Correia

 

Em tempos de turbulência política aparecem sempre os mesmos a defender um executivo de salvação nacional, dando ênfase a estas duas palavras, como se produzissem efeitos mágicos. São poucos, mas parecem muitos porque falam imenso nas televisões - noite após noite. Sugerindo que é uma maçada ir a votos, que a Europa vê isso com maus olhos, que dá despesa, que o resultado é incerto.
Já vi este filme. E não gosto dele.

De génios em abstracto está a política portuguesa mais que cheia. Grande parte deles já "salvou" o País. A falar. Escuto um desses enquanto escrevo estas linhas.

O Governo - todos os governos - deve sair do voto livre dos portugueses, não de arranjos palacianos. E deve congregar um apoio parlamentar claro, sem depender da tutela majestática do Chefe do Estado.

Quem queira governar o País terá de cumprir algumas formalidades, eventualmente maçadoras. Candidatar-se. Ganhar o partido. Concorrer a eleições. Ganhar as eleições. Formar governo a partir dessas eleições.

Claro que é muito mais fácil alcançar isto nos debates televisivos do que na vida real. Mas o tempo em que o salvador da pátria chegava a Lisboa montado num cavalo branco já passou.

Imagem: desfile das tropas de Sidónio Pais em Lisboa (1918)


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2 comentários:
De l. rodrigues a 11 de Julho de 2013 às 14:35
Por uma vez, um post sobre política em que concordo consigo de uma ponta à outra.


De Pedro Correia a 11 de Julho de 2013 às 16:49
Aleluia. Passados tantos anos...


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