Quinta-feira, 11 de Julho de 2013
por Pedro Correia

Escutei hoje com atenção a Antena Aberta, da RTP N. Escutei hoje com atenção a Opinião Pública, da SIC Notícias. Foi quanto bastou: adquiri a certeza de que o país está salvo.

Ouvi frases de esclarecidos "populares" como esta: "Um país tão pequeno com tantos deputados é um caos total." Ou esta: "Depois do 25 de Abril os políticos venderam o País completamente." Ou ainda esta: "É preciso um governo que faça recolher os partidos e os sindicatos às cavernas durante vinte anos!"

Com tal caldo de cultura - abençoado por uma certa intelectualidade lisboeta que não esconde o seu imeeeeenso horrrrrrror pela existência de estruturas partidárias - não admira que se multipliquem ocorrências deste género, sem encontrarem a resposta adequada dos que deviam figurar na primeira linha da defesa das instituições democráticas.

Quem grita "fascismo nunca mais" na Assembleia da República parece desconhecer que o primeiro passo de todos os fascismos é descredibilizar os parlamentos. O segundo é encerrá-los.

 

Nos fóruns da "democracia televisiva", os "populares" foram designando sem rodeios nomes de putativos chefes de um governo de "salvação nacional", correspondendo ao aparente desígnio do Presidente da República.

Fui anotando esses nomes, com minuciosa reverência: Bagão Felix, Adriano Moreira, Jorge Miranda, Vital Moreira, Silva Peneda, Guilherme Oliveira Martins, Rui Rio, Marcelo Rebelo de Sousa.

Pelo menos estes foram mencionados. Mas admito que haja muitos outros. Freitas do Amaral, que também poderia figurar nesta lista, aludiu num recente serão televisivo a "pelo menos quinze ou vinte".

 

Ditosa pátria que tantos salvadores tem.

 


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2 comentários:
De Bento Norte a 12 de Julho de 2013 às 19:42
Triste povo que tais figuras faz. A democracia da gritaria é para se fazer na rua, mas tem gente com assento parlamentar que ocupa os dois palcos com igual e elevada desfaçatez. Mais triste ainda é palpitar que muitos dos furiosos ditos populares, que a soldo lá se vão agrupando para onde os mandam, seriam mesmo nossos carrascos ou lacaios ajudantes, se os deixassem na espontaneidade dos fretes para onde e quando lhes pagam a excursão com farnel aviado. As saudades do cerco ao parlamento ainda ocupam muitas cabeças que se valem da democracia para a tentar enterrar.


De Pedro Correia a 14 de Julho de 2013 às 01:53
Alguns dos derrotados de 1975 ainda não desistiram de se desforrar da história.


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