Quinta-feira, 18 de Julho de 2013
por Pedro Correia

Mário Soares governou duas vezes aliado com partidos à direita do PS. Enquanto foi primeiro-ministro, viu Portugal sob intervenção do Fundo Monetário Internacional nessas duas vezes: a primeira originou aliás um célebre disco de José Mário Branco, intitulado FMI. Em 2011, segundo ele próprio admitiu, teve uma intervenção decisiva junto de José Sócrates para que o Governo socialista solicitasse uma intervenção externa de emergência destinada a salvar as malogradas finanças nacionais. Lá veio o FMI pela terceira vez a Lisboa, desta vez partilhando a tutela do resgate com a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu.

Este extenso currículo, espantosamente, não inibe agora o fundador do PS de alertar António José Seguro contra o risco de "uma cisão" no partido caso o secretário-geral socialista estabeleça um acordo com o PSD e o CDS. Com uma sobranceria que nenhum notável do PS lhe transmitiu quando ele se entendeu em 1977 com o CDS de Diogo Freitas do Amaral e em 1983 com o PSD de Carlos Mota Pinto.

Soares nunca resistiu à tentação de condicionar as lideranças de todos os secretários-gerais que lhe sucederam no Largo do Rato - de Vítor Constâncio a Sócrates. A deselegante ameaça que hoje deixou no ar constitui um excelente teste para Seguro. Este só pode agradecer-lhe a oportunidade que o fundador do partido acaba de lhe proporcionar para demonstrar a sua efectiva capacidade de liderança.


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10 comentários:
De Bento Norte a 19 de Julho de 2013 às 08:50
Temo bem que se trate de um teste decisivo ao que tem sido a sua falta de liderança. Tenho para mim que a reboque ou ao empurrão ele anda a ser dirigido por gatilho armado. Ou segues as instruções ou sais, até parece que é a senha.


De Pedro Correia a 19 de Julho de 2013 às 16:50
Se não se liberta de tutelas internas agora, como conseguirá mais tarde bater o pé a outros adversários, muito mais fortes e muito mais influentes?
It's now or never - como cantava o Elvis.


De José a 19 de Julho de 2013 às 12:06
"Este só pode agradecer-lhe a oportunidade que o fundador do partido acaba de lhe proporcionar para demonstrar a sua efectiva capacidade de liderança." Qual capacidade de liderança? Pessoalmente eu suspeito que António José Seguro só está no cargo em que está porque não tem essa capacidade, por outras palavras, é um carneirinho fácil de manobrar.
Ou seja, numa hipotética situação de aliança com a direita, Seguro não teria metade da capacidade de Soares para manter o país em pé (e o mais provável seria uma fuga de elementos do PS para o PCP e o BE).


De Pedro Correia a 19 de Julho de 2013 às 16:48
Mas que fuga para o PCP e o BE? Isso é um tigre de papel. As fugas, à esquerda, processaram-se sempre no sentido inverso. Ou seja, da extrema-esquerda para o PS. Quer que lhe faça a lista? Estarei aqui a escrever nomes até segunda-feira.


De José a 20 de Julho de 2013 às 08:42
Não precisa de as enunciar, aliás, as fugas, à esquerda,vão não só para o PS, como para o PSD (veja-se o caso de Durão Barroso, outrora militante do MRPP, um perigoso militante, agora, no cargo que ocupa, na UE, a condenar muitas vezes a esquerda portuguesa.
No entanto, acredito que pode ocorrer o processo inverso, uma vez que ainda há pessoas honestas no PS, que certamente se preocupam quando vêm o seu partido mais preso aos ideais democratas-cristãos do que ao socialismo. Isto poderá acontecer, principalmente, se o BE avançar mesmo para uma política "socialista", onde muitos socialistas do PS passariam para um partido que os representasse.


De Pedro Correia a 20 de Julho de 2013 às 13:26
Esse é um desafio decisivo para o BE. Mas julgo que há muita divisão entre os bloquistas nessa matéria: pode funcionar em Bloco noutras questões, mas nesta não.


De Naçao Valente a 19 de Julho de 2013 às 18:04
Seguro meteu-se numa guerra que não lhe diz respeito. Não é responsável pela política falhada deste governo, como reconheceu Gaspar. Não é responsável pelas diatribes de Paulo Portas que quer um poder que não corresponde ao seu peso eleitoral. Não se deve responsabilizar pela incapacidade do PR em tomar e em assumir decisões. Não cabe a Seguro limpar a "porcaria" que este governo fez durante dois anos, premiando-o com a continuidade de mais do mesmo. Se o fizer presta um mau serviço à sua liderança, mas principalmente ao país.

PS-não me parece correcto comparar a actualidade com as situações referidas do passado. São contextos completamente diferentes, que não cabe explicitar no âmbito deste comentário.


De Pedro Correia a 19 de Julho de 2013 às 21:41
Não lhe parece correcto comparar coligações? Não lhe parece correcto comparar a situação actual com as outras duas em que o país esteve sob intervenção financeira externa?
A política vive de comparações. E devemos comparar o que é comparável.
Desta crise fica para já bem evidente que a liderança de Seguro no PS é muito frágil. Ele tornou-a mais frágil ainda ao ser confrontado sem um sussurro com as sonoras pressões dos 'senadores' do partido, autênticas figuras tutelares.
Alguém imagina Soares, quando era secretário-geral do partido, aceitando ultimatos à sua liderança da parte de militantes em declarações aos órgãos de comunicação social?


De david Menezes a 19 de Julho de 2013 às 20:08
Quanto mais velho devia ser mais sabio, mas neste caso e mais arrogante, mais estupido e mais vaidoso. Quanto ao fundo monetario pela terceira vez entrar no pais a mao dos socialistas diz bem das capacidades de governacao desses senhores. Porque razao ha socialistas neste pais, fizeram sempre tao mal ao pais!


De Pedro Correia a 19 de Julho de 2013 às 21:43
Se a intenção de Soares era manifestar a fragilidade de Seguro, conseguiu esse intento.


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