Sexta-feira, 19 de Julho de 2013
por Maurício Barra

Doeu muito fazer um acordo de compromisso que garante, seja a quem for que ganhe as eleições, que terá uma plataforma de objectivos de política económica em banda larga que não impedem a expressão própria das opções políticas de cada partido ?

Doeu muito colocarem os interesses do bem comum dos portugueses à frente de obsessões destrutivas ?

Doeu muito optarem por assegurar que Portugal seja um país com os dois pés dentro da Europa e do Euro?

Doeu muito aumentarem a capacidade negociadora de Portugal nas difíceis circunstâncias económicas e financeiras que actualmente vivemos ?

Doeu muito fazerem o que 80% dos portugueses queriam que fizessem ?

 

Claro que não doeu.

A pergunta, que em todo o Portugal de faz, é porque isto não foi feito há mais tempo.

Ter-nos-ia salvo da bancarrota.

 

Mas vou dizer-lhes a quem doeu.

Doeu ao PC e ao BE, que viram em duas semanas quebrar-se o controlo ideológico que sempre pretenderam exercer sobre o PS, através de “benevolentes” companheiros de estrada.

Doeu aqueles que defendem a tese da extrema-esquerda marxista de que “esquerda” é a esquerda que não aceita a democracia representativa, a integração na Europa, a integração no Euro e a participação na NATO.

Doeu a Sócrates e aos seus bobby’s, que, para justificar o seu governo, tem de estar contra tudo o que signifique a solução dos sarilhos em que nos deixou metidos.

Doeu a Mário Soares e Manuel Alegre, que em 2013 querem reviver a irresponsabilidade instável da Iª Republica.

Doeu àqueles comentadores que, na imprensa e televisões, têm como objectivo ser porta-vozes de uma agenda política minoritária, e doeu a uns tantos outros responsáveis editoriais e jornalistas, artistas da manipulação da informação e da pequena política, que viram as suas narrativas ultrapassadas pela realidade.

 

E sei a quem não deve doer.

Não deve doer aos portugueses mais do que tem doído. Com a bancarrota e com o remédio que tivemos de engolir para a resolver.

Se aquele pequeno Portugal rancoroso e mesquinho que mata um vizinho por causa de um rego de água, o mesmo que cercou José António Seguro durante toda esta semana, impedir este acordo que a grande maioria dos portugueses desejam, podemos esperar que a com a dor que vão infligir aos portugueses virá o ódio, um ódio profundo a quem os devia representar mas não os representa.

Se isso acontecer, podemos começar a escrever o epitáfio do regime desta IIIª República.


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2 comentários:
De Alexandre P a 19 de Julho de 2013 às 11:36
Bravo!


De jo a 19 de Julho de 2013 às 13:27
Pensava que se tinha feito um acordo de compromisso quando se assinou o memorando da troika. No entanto dois anos depois são os próprios ministros do governo que saltaram (ou tentaram) saltar do barco.
E agora dizem que é imprescindível um novo acordo porque os acordos são essenciais.
O facto de o primeiro não ter servido para nada e os resultado económicos terem sido desastrosos está esquecido.
Quem não viva cá e oiça esta gente pensará que o ministro das finanças que se dimitiu e o líder do CDS que tentou fugir foram forçados pela oposição.


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