Sexta-feira, 19 de Julho de 2013
por Carlos Faria

Não vou culpar o partido A ou B, nem o Presidente da República, nem o passado. O problema financeiro e económico que Portugal enfreta hoje, independentemente de quem nos colocou aqui, deveria ser resolvido pelos políticos de hoje, tivessem ou não cometido erros no passado.

Infelizmente tenho uma elevada certeza de que do desacordo hoje anunciado entre as partes envolvidas na busca de uma solução consensual para enfrentar a nossa quase bancarrota só vem piorar a situação atual de Portugal e vai ser sobre o Povo que cairão os espinhos e os azedumes que deste desentendimento irão resultar.

Tenho quase a certeza que vamos a caminho da Grécia e que ninguém nos dará a mão para nos aliviar do fardo de um novo resgate ou bancarrota e alguns dos que hoje se regozijam, mais tarde também se lamentarão. Temo pela qualidade de vida das próximas gerações que nem gozou e aproveitou o passado  nas condições de juventude e de grande parte da vida adulta da minha geração, nem terá acesso aos direitos adquiridos de alguns.

Oxalá esteja enganado... mas prevejo tempos bem piores para os Portugueses.

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5 comentários:
De Kelly a 20 de Julho de 2013 às 13:46
Ora aqui está o famoso caderno de encargos do Passos Coelho : http://static.publico.pt/DOCS/politica/compromisso_psd.pdf

Tirando os floreados retóricos, onde está a mudança e a "flexibilização" a um novo acordo?
É que está tudo igual ao antigamente...


De Kelly 2 a 20 de Julho de 2013 às 13:48
Perante tanta demagogia da Direita mais vergonhosa de que há memória em Portugal, sou obrigado a vir defender o PS, algo que nunca pensei vir a acontecer.
Não foi o PS que governou desdizendo tudo o que prometera em campanha eleitoral. Foi o PSD e o CDS.
Não foi o PS que governou para além da Troika e que exigiu muitos mais sacrifícios ao povo português do que aqueles que estavam no Memorando. Foi o PSD e o CDS.
Não foi o PS que não conseguiu cumprir um único resultado positivo em termos de indicadores económicos e sociais. Foi o PSD e o CDS.
Não foi o PS que apresentou Orçamentos sucessivamente inconstitucionais. Foi o PSD e o CDS.
Não foi por causa do PS que se demitiu o Ministro das Finanças Vítor Gaspar.
Não foi por causa do PS que a Srª Swap foi nomeada para substituí-lo.
Não foi por causa do PS que se demitiu o Ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas.
Não foi por causa do PS que o Presidente da República não aceitou a remodelação do Governo.
Não foi no PS que o Presidente da República perdeu a confiança. Foi no PSD e no CDS. E se o Presidente da República não tem confiança no PSD e no CDS, por que razão haveria o PS de ter?
O povo português foi muito claro em 2011. O PS não devia governar. Quem é o Presidente da República, o PSD ou o CDS para dizerem que o PS deve fazer algo para o qual não foi mandatado pelo povo português?


De Carlos Faria a 20 de Julho de 2013 às 15:44
Uma coisa é certa... pessoas como você nunca poderiam conduzir um acordo entre adversários, foram comportamentos desses de lavar uns e culpar outros, para ficar bem na foto e recolher votos a curto prazo, que levaram Portugal ao estado a que chegou.
O PS para o estado da nação em que Portugal chegou em 2013 tem tantas culpas como o PSD, o CDS, pois a situação em 2013 é de um acumular de erros de décadas e não foi apenas este governo que cometeu erros graves.


De kelly a 21 de Julho de 2013 às 14:08
A análise que o Adriano Moreira fez das negociações foi magistral.
Começou logo por apodar de esdrúxula a pretensão
de uma "salvação nacional".

Depois, pôs o dedo na ferida: -- Não podem partidos de concepções
tão distintas alcançar um entendimento sem coparticipação
de uma entidade supra-partidária comummente aceite.

Note-se que a alusão do PR a uma personalidade de prestígio
foi logo recebida com o mais expectante silêncio
de quem ela seria! Antes de Cavaco
a ter dispensado, os partidos
mantiveram-se à "espera".

Após o que,
nenhum entendimento seria possível.


De Kelly a 21 de Julho de 2013 às 11:57
Claro que poderíamos continuar a andar para trás e falar dos 10 anos de cavaquismo, em que o défice cresceu como cresceu à custa do eleitoralismo de quem queria ganhar eleições, da mesma forma que a força produtiva do país ia desaparecendo.
Ou recuando mais ainda, poderíamos falar dos 800 anos de Monarquia, forma de governo profundamente ridícula e essa sim responsável pelo país que temos hoje.
Mas é a actual crise política que está em causa. Mais do que a crise económica e financeira.

Por muito que te custe, a actual crise política não tem nada a ver com o PS. A coligação PSD – CDS anda às turras há 2 anos. Passos Coelho diz uma coisa e Paulo Portas vem dizer outra. Passos Coelho anuncia medidas e Paulo Portas vem dizer que não aceita. Passos Coelho apresenta o rumo do Governo e Paulo Portas, no CDS, apresenta um rumo diferente.
Foi aí que começou a actual crise política. Que continuou com a demissão de Vítor Gaspar. E com a nomeação da nova Ministra das Finanças sem que Passos Coelho se dignasse a dar cavaco dessa decisão ao seu parceiro de coligação. E que teve um novo episódio com a demissão de Paulo Portas. E que culminou com a não-aceitação da remodelação por parte do Presidente da República. Que culpa é que o PS tem de tudo isto?
Se o PS cometeu algum erro na actual crise política, foi quando aceitou iniciar negociações com o Governo. Não o devia ter feito. Fazendo-o, permitiu que agora a Direita venha dizer coisas como as que tu dizes. Ditas como se nós fossemos todos burros.


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