Sábado, 20 de Julho de 2013
por Alexandre Poço

No ponto 1.1.1 do documento de propostas para o "compromisso de salvação nacional", o PS reafirma a sua oposição aos cortes de 4.7 mil milhões de euros exigidos pela troika até ao final de 2014. "Parar com os cortes de 4,7 mil milhões de euros acordados entre o Governo e a troica na sétima avaliação", lê-se. O PS além de não querer dimininuir a despesa pública, pretendendo "parar com os despedimentos na função pública, com mais cortes nas pensões atuais, com a “contribuição de sustentabilidade do sistema de pensões” e com a redução de vencimentos" (Ponto 1.1.1), propôs ainda um conjunto de medidas que aumentam a despesa pública. Esta atitude assemelha-se à do indivíduo que, já estando à beira do coma alcoólico, quer continuar a beber whisky. O Partido Socialista propõe portanto um aumento "das pensões mais baixas e a extensão do subsídio social de desemprego por mais seis meses" (Ponto 1.1.2), "reposição dos níveis de proteção social assegurados pelo complemento social para idosos e pelo rendimento social de inserção" (Ponto 6, alínea 4) ou ainda a criação de um "programa de reabilitação urbana como prioridade para a eficiência energética" (Ponto 1.4.7). Se a estas medidas somarmos os cortes de impostos também defendidos, chegamos à conclusão de que o PS esqueceu-se por completo dos compromissos assumidos com a troika em termos de défice orçamental. Outro ponto interessante é o facto de todas as medidas que aumentam a despesa pública não estarem quantificadas. Apenas vemos manifestações de interesses, do jeito de panfleto eleitoral. Na prática todo o documento parece um sumário executivo de um programa eleitoral, o que mostra bem qual a prioridade de António José Seguro e dos seus compagnons socialistas. O défice do Estado situou-se em 2012, não contando com medidas extraordinárias, nos 10.6 mil milhões de euros. A dívida pública ronda os 127% do PIB. O país encontra-se sob assitência financeira, sendo a troika a financiar o défice. Perante este cenário, qual a resposta do PS? Gastar, gastar, gastar. 2 anos depois (ou melhor, 39 anos depois), o PS ainda não aprendeu a lição. 


tiro de Alexandre Poço
tiro único | comentar | gosto pois!

2 comentários:
De kelly a 21 de Julho de 2013 às 12:03
Luís Valadares Tavares apelou ao respeito pela Administração Pública e defendeu que o Estado pode ser mais eficiente e mais barato «com melhores governantes» e investindo na melhoria das «competências governativas».

O especialista em administração pública chamou ainda a atenção para o facto de o Estado ter diminuído fortemente a despesa pública, muito à custa da diminuição da massa salarial das administrações, mas paralelamente aumenta a despesa na contratação de bens e serviços, uma rubrica que ascende quase a 20 mil milhões de euros, cerca de 12% do Produto Interno Bruto.

Se a esta realidade se juntar o «mistério» das transferências para os Fundos e Serviços Autónomos do Estado, há um «total de 18% do PIB em despesa pública descontrolado» e deveria ser para aí que uma reforma do Estado deveria começar por olhar.

...

Suzana Toscano, antiga secretária de Estado da Administração Pública, e oradora no mesmo evento, alertou para uma reforma das funções do Estado que destrua os «parâmetros de progresso» e, portanto, de «competitividade», alcançados pelo país em resposta às exigências da União Europeia e OCDE, os espaços económicos e políticos a que aderiu e em relação aos quais se comprometeu.

«Muitas das políticas» que hoje traduzem o nosso Estado, acrescentou Toscano, «não resultaram só de opções ideológicas», mas sim «da nossa integração no espaço europeu», onde estão definidos parâmetros de progresso» com os quais o país se comprometeu, e em relação aos quais não pode agora «eximir-se de responsabilidades», porque «são fatores de competitividade».

«Cortar por cortar torna qualquer reforma indiferente», sublinhou a ex-ministra da Educação socialista, Maria de Lurdes Rodrigues, defendendo que «a diminuição do Estado não nos permitira resolver a maior dos problemas estruturais» do país, que, para a antiga governante, é o das desigualdades sociais.

Uma reforma a olhar unicamente para a despesa, «para além de nos afastar do modelo social europeu, não resolveria os nossos problemas estruturais», sublinhou.
...

Manuela Ferreira Leite defende, citada pela Lusa, defende que o debate justifica uma discussão «aprofundada», não pode ficar refém de um «guião» e quando se evoca a proposta de reforma do Estado que deveria estar concluída a 15 de julho, «está-se a falar de despesa e a reforma do Estado não é isso. Isso não tem a ver com a reforma do Estado».

Ferreira Leite, defende mesmo que muitos dos aspetos que neste momento se traduzem apenas em corte de despesa «têm a ver com alterações estruturais do funcionamento da nossa economia, do Estado e da nossa sociedade», pelo que devem ser encarados com ponderação.

...
Bagão Félix lembra que “temos de ter em conta que o Estado social, que é uma conquista civilizacional que não deve ser posta em causa, bem pelo contrário, também não constitui um dogma de fé”.

Mas, sublinha, “se a discussão é no sentido de cortes contabilísticos pouco humanizados, pouco ligados à conquista personalizada do Estado social, enfim, isso parece-me incorrecto”.


De kelly a 21 de Julho de 2013 às 12:16
Não se trata do gastar gastar gastar nem do "não pagamos", trata-se apenas gastar naquilo que se DEVE gastar e não em coisas como militares, apoios a mil e uma associações, observatórios e institutos que não tivessem funções de apoio social, bancos falidos, pareceres a escritórios de advogados(nas univ. a coisa fica gratis), PPP's, rendas de electricas e afins, despesas extras de ministros e afins, etc.
Não deixava de gastar em saúde, educação e seg. social.


comentar tiro

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds