Domingo, 13 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

Berlusconi foi eleito pelos italianos. Eleito. E por mais do que uma vez. Há uma grande, grande onda de hipocrisia a perpassar toda a Itália nestas horas em que se celebra a saída de Berlusconi. Li no Facebook que Berlusconi era um jogador. Pois era e é mas está muito longe de ser o maior gambler ou o que mais determina, neste momento, o destino da União Europeia.

 

Esta onda anti-Berlusconi que se estende e se faz celebrar em tantos outros países da Europa lembra-me o quanto os europeus adoram odiar os políticos americanos [em especial os da direita (?)] ao mesmo tempo que poupam e protegem olimpicamente os líderes em que eles próprios votam e que elegem.

 

Neste momento, os big gamblers da Europa não são nem Berlusconi, nem os mercados, nem o Obama, nem os chineses (que já começam a ser uma espécie de novos judeus: não há dia em que não oiça um europeu criticá-los). Os verdadeiros big gamblers da Europa são Sarkozy e Merkel.

 

Soluções verdadeiras para a crise têm sido e continuarão a ser adiadas até depois das eleições na França e na Alemanha tudo porque aqueles dois têm medo de que, se implementarem agora as medidas necessárias para travar a crise, não consigam ser reeleitos.

 

Mas okay, em vez de se falar em Sarkozy e Merkel (e, já agora, Putin/Medvedev e Medvedev/Putin), embora lá continuar a dizer que o Berluconi era um jogador e que o povo italiano nunca teve nada a ver com o assunto Berlusconi.

 

P.S.: A propósito do tópico italiano, ler e compreender este excelente post do melhor blogger português (que, por acaso, não escreve em nenhum blog mas sim em papel).

Berlusconi was elected by Italians. ELECTED. More than one time. There's a big, big hipocrisy going on in Italy these days. As for gambling, Berlusconi is far from being the one who gambles the most. This Berlusconi thing reminds me how Europeans love to hate American leaders while sparing the leaders they themselves (Europeans) vote for and elect. At present, the big gamblers in Europe are Sarkozy and Merkel. True solutions to the crisis are being postponed until after the elections in France and Germany because those two are afraid that, in case they implement the necessary measures, they won't be reelected. But okay, instead of talking about Sarkozy and Merkel let's keep saying that (1) Berlusconi is a gambler and (2) Italian people itself has nothing to do with him.


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50 comentários:
De José Filipe Sepúlveda da Fonseca a 13 de Novembro de 2011 às 12:01
Caro Ricardo Vicente,

Felicito-o pela análise objectiva e oportuna que fez sobre a demissão imposta a Sílvio Berlusconi .

Fiquei particularmente agradado com a seguinte passagem: "...lembra-me o quanto os europeus adoram odiar os políticos americanos [em especial os da direita (?)] ao mesmo tempo que poupam e protegem olimpicamente os líderes em que eles próprios votam e que elegem."

Infelizmente, o antiamericanismo na Europa já tem algumas décadas. Daí, muitos sectores políticos de esquerda, e não só de esquerda, odiarem visceralmente certos movimentos conservadores norte-americanos cuja acção em termos políticos e sociais é extremamente eficaz.

Parece-me que vai ficando claríssimo aos olhos de muitos europeus que o futuro a médio prazo dos países que integram a Comunidade Europeia será cada vez menos democrático, com decisões impostas a partir de Bruxelas, em desrespeito daquilo que deveria ser a vontade soberana dos povos.

A meu ver, uma situação dessas tenderá a criar tensões dos vários povos da Europa face aos eurocratas de Bruxelas, podendo, no limite, dar origem a situações mais complicadas, como por exemplo algum conflito militar.


De PALAVROSSAVRVS REX a 13 de Novembro de 2011 às 12:15
Depende dos líderes e da qualidade e sensibilidade que evidenciarem.


De carlos a 13 de Novembro de 2011 às 16:28
"Daí, muitos sectores políticos de esquerda, e não só de esquerda, odiarem visceralmente certos movimentos conservadores norte-americanos cuja acção em termos políticos e sociais é extremamente eficaz."

EFICAZ? Por favor explique. Já alguma vêz viveu nos Estados Unidos?


De Ricardo Vicente a 21 de Novembro de 2011 às 18:48
Eu dou uma ajuda: o Tea Party tem sido eficaz a influenciar o Partido Republicano. Para a vitória deste nas últimas eleições para a câmara baixa do Congresso muito contribuiu aquele movimento.


De Ricardo Vicente a 21 de Novembro de 2011 às 18:28
Obrigado. A União Europeia traz oportunidades a todos os países mas é preciso saber negociar muito bem com Bruxelas. Bem negociar e com perseverança. Abraços!


De PALAVROSSAVRVS REX a 13 de Novembro de 2011 às 12:07
Sim, é estranho um Povo eleger e reeleger Berlusconi, um gambler. Mas o que eu digo é que a democracia, tal como o aleatório morto do Euromilhões, estão à mercê respectivamente do dinheiro e de um mega-hiper-super-sistema informático.


De Ricardo Vicente a 21 de Novembro de 2011 às 18:31
A democracia é uma competição. Uma forma de ter vantagem nesse jogo é prometer muito aos eleitores. Essas promessas depois (ou antes, no caso dos favores) têm de ser pagas. Uma forma menos visível de obter receita é através do endividamento. O endividamento ganha visibilidade quando fica quase a rebentar.

Não é portanto a democracia que está à mercê do dinheiro. O dinheiro é que está disponível para um certo tipo de políticos e de eleitorados.


De Pois...Pois. a 13 de Novembro de 2011 às 13:39
Há mais de 65 anos que não há nenhuma guerra na Europa.
Caramba, tá na hora de andar tudo à "xapada" !


De catocensor a 13 de Novembro de 2011 às 14:34
Exmo.Sr Vicente,

Quem lhe està a escrever é um eleitor de Italia que se sentiu profundamente ofendido com o seu comentario acerca da hipocrisia dos eleitores italianos. Co esta sua leviana afirmaçao, o senhor se referia também a mim que, desde a época de "maos limpas", sempre me manifestei um ferrenho opositor de Silvio Berlusconi e dos seus lacaios, votando, quer nas eleiçoes para as legislativas, quer nas autarquicas, no maior partido de oposiçao, o Partido Democratico, hoje em dia liderado por Pier Luigi Bersani. Em 2008, Berlusconi ganhou porque teve também o apoio da Liga Norte, ibrido movimento politico, sem tradiçao historica nem cultural, que, se de um lado proclama "aperis verbis" a independencia do Norte da Italia, a inesistente "Padània", por outro lado, envia ao Parlamento Nacional Italiano (Senado e Camara dos Deputados) os seus representantes fartamente pagos por todos nos contribuites (cerca de 20 mil euros por mes). Mais, a Liga Norte manteve no Governo Berlusconi Ministros da Republica Italiana que juraram fidelidade e respeito da Constituiçao (e nao da Padania!), entre os quais o importantissimo e delicado Ministério do Interior (que é o Ministério da Policia), sempre fartamente pagos por nos contribuintes. Saiba, estimado senhor Vicente, que 35, 38% do eleitorado italiano votou contra Berlusconi e sempre manifestou, pelas vias democraticas, seu desagrado para com as linhas de politica-economica deste individuo que acabou por envergonhar um pais que foi co-fundador da Uniao Europeia, da Nato e que abertamente apoiou os dois paises ibéricos, Espanha e Portugal, para a entrada deles na Uniao, entrada esta que se concretizou em 1986. O seu comentario feriu-me profundamente, quer como cidadao italiano, como cidadao membro da mesma Comunidade Internacional e, por fim, como lusitanista. Nunca, repito, nunca senhor Vicente, ter-mei-ia permitido de criticar as posiçoes politicas de Portugal, quer as de hoje (Governo Passos Coelhos), assim como as do passado (Governos Socrates, Santana Lopes, Durao Barroso, Guterres, etc.). Desde sempre, desde que Portugal conquistou em 1974 a democracia, sempre respeitei as opçoes dos eleitores Portugueses, plenamente soberanos em seu Pais. Passe bem, senhor Vicente!


De Pedro Morais a 13 de Novembro de 2011 às 17:05
Caro Catocensor,

Não poderia de deixar de partilhar a mesma opinião e sentimento que o senhor, mas como jovem cidadão português com enorme afecto para com (e de) Itália.

Eles não sabem sobre o que falam: "Li no Facebook". Sinceramente, só por essa... nem é digno de ler!

Exmo. Sr. Vicente, do mesmo ponto de vista do senhor, pode afirmar que grande parte dos nossos eleitores portugueses se comportaram do mesmo modo como hipócritas quando votaram no ex-primeiro ministro, Sr. José Sócrates, por duas vezes consecutivas!? Já tinham mostrado descontentamento mas tornaram a votar. E no final, nas últimas eleições, muitos desses que votaram no mesmo anteriormente pareciam festejar por ter ido embora.

As notícias que nos chegam a Portugal sobre Itália, são feitas de um modo hilariante sobre declarações proferidas e comportamentos (tristes, e nunca detalhados) que envolvem o primeiro-ministro italiano Sr. Silvio Berlusconi em casos judiciários. As verdadeiras notícias sobre aquilo que fez não nos são contadas, como por exemplo, prostitutas que fê-las tornarem-se deputadas, alguém que tentou mudar a constituição italiana, e alguém que estabeleceu que não poderia ser punido juridicamente por ser quem é.

Além disso, não se sentiria enganado por saber que o primeiro-ministro é detentor dos medias e que as notícias não poderiam afectar o seu estatuto? Por exemplo, o que aconteceu na TVI quando houve interesses do Governo e o caso do afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes onde durante uns tempos ouvimos muitos dizer que foi um atentado à liberdade de expressão na nossa democracia... Isso não poderia acontecer num canal televisivo, estação de rádio, ou periódico que pertencesse ao Governo Italiano.

Por fim, antes de fazer qualquer objecção procure fazer uma introspectiva.


De Ricardo Vicente a 21 de Novembro de 2011 às 18:42
Gente que votou em Sócrates, queixou-se e voltou a votar Sócrates? Hipocrisia? Sem dúvida!!

As verdadeiras notícias (prostitutas, constituição e tantos outros etceteras) não são contadas? Como não? Qualquer jornal online trata desses assuntos!

O caso de um primeiro-ministro ser detentor de meios de comunicação social importantes: claro que não acho bem, leia sff um dos meus posts anteriores.

Acho que não sabe o que quer dizer introspecção.


De Ricardo Vicente a 21 de Novembro de 2011 às 18:44
Caro Senhor, o objectivo do meu post não é ofender ninguém; agora, eu não posso deixar de exprimir opiniões com medo de ferir susceptibilidades; neste caso concreto nem sequer fui especialmente contundente.

Berlusconi:
1994: 46,3% dos votos, o mais votado
1996: 43.2% dos votos, segundo lugar
2001: 45,4% dos votos, o mais votado
2006: 49,7% dos votos, o mais votado
2008: 46,8% dos votos, o mais votado

Um português pode criticar o eleitorado italiano, um italiano pode criticar o eleitorado português e um finlandês pode criticar o eleitorado maltês. Tudo isto se chama liberdade de expressão.

Agradeço-lhe o comentário mas nada do que o Senhor escreveu me faz alterar uma linha do que eu escrevi.


De grazgraz a 21 de Novembro de 2011 às 22:50
Ex.mo sr. Vicente
no 2006 o Berlusconi nao foi o mais votado. Foi o Prodi, que de facto venceu e formou o seu governo que, infelizmente, caducou dois anos depois.
Além disso nao està correcto disparar todas essas percentagens que nao se referem ao partido do Berlusconi (Forza Italia, Casa delle libertà ou Popolo delle libertà), mas sim à sua coligaçao, onde aparecem mais quatro o cinco partidos. O seu partido sempre rondou o 20-25%, muito longe de ser portanto escolhido pela esmagadora maioria dos italianos.
Portanto, por favor, o sr. forneça dados com objectividade, nao conforme à analise que pretende fazer. Isso nao é o que se chama de honestade intelectual.
Obrigado


De Ricardo Vicente a 22 de Novembro de 2011 às 01:07
Pois não, foi o segundo mais votado. Lapso meu. Mas a percentagem está certa.

Quanto às percentagens: Então eu decido não votar no partido de Berlusconi mas sim num dos outros partidos da sua coligação e que já garantiram que apoiam Berlusconi para presidente do conselho. Voto por exemplo na Lega. Posso depois dizer "ah mas eu não votei no Berlusconi, eu nunca votei no Berlusconi"?? Quem disser tal coisa é hipócrita!

Votar em partidos coligados com o de Berlusconi e que já decidiram que Berlusconi será o líder da coligação É VOTAR em Berlusconi. Dizer o contrário é que é desonestidade intelectual. As percentagens que apresento são pois, correctas, honestas e as mais relevantes.

"O seu partido sempre rondou o 20-25%": FALSO! 37,38% em 2008. http://it.wikipedia.org/wiki/Risultati_delle_elezioni_politiche_italiane_del_2008
Ver também os resultados de 2001.


De grazgraz a 27 de Novembro de 2011 às 10:41
ò sr. Vicente, como pode ver no seu link, 37% e tal do 2008 sao 13 milhoes e tal, como jà lhe escrevi num comentàrio. Adocionados com os votos da Liga Norte e do MPA sao 17 milhoes. Portanto, ficam 43 milhoes em 60 que nao votaram para o B. nem para os seus aliados. Desonestidade intelectual nao é minha. E depois, mesmo se votou para o B o 50% ou 60% ou 70% dos votantes (e nao dos que tem direito de voto - o sr. sabe que hà uma diferença, nao é?) quer dizer que quando ele caiu os outros que nao votaram, mesmo que fossem sò dez milhoes, e que festejaram foram hipocritas?
Sr, reconheça: naquele dia que em escreveu este "artigo" tinha mesmo de escrever por contracto mas estava com falta de assuntos!
Pode acontecer. O melhor é reconhecé-lo.


De Ricardo Vicente a 27 de Novembro de 2011 às 14:26
Assumir que todos os que se abstiveram são categoricamente contra Berlusconi é que é desonestidade intelectual.

O grazgraz está a tentar convencer-me de que o Berlusconi representa uma minoria e que tem uma popularidade reduzida. Ora isso é um absurdo: Berlusconi é o presidente do conselho de ministros que esteve mais tempo no poder na Itália após a Segunda Guerra Mundial.

É PRECISAMENTE por causa de eu ter testemunhado tantas vezes uma atitude como a sua ("Berlusconi?? Nós italianos não temos nada a ver com isso...") é que eu escrevi este post. Eu não escrevo a contrato.

O grazgraz não reconhece que Berlusconi tem sido extremamente popular de Norte a Sul da Itália quando estamos a falar do primeiro ministro que esteve mais tempo no poder!!! Isto é que com tanta a propriedade se chama hipocrisia. E é contra essa mesma hipocrisia que escrevi. E quanto mais o grazgraz insiste no absurdo de que Berlusconi não tem uma popularidade enorme mais o meu post tem razão de ser.


De fernando j s ferreira a 13 de Novembro de 2011 às 13:59
antes de mais me desculpe Ricardo por servir-me do seu comentario para "botar" palavra ,vivo em peru america do sul vai para algum tempo, quando vivia por ai,pouco ou nada lia sobre "civis" que se permitiam fazer analises de actualidades,sinceramente me parecia um desproposito e uma actitude petulante!parece que tenho que dar a mao a palmatoria e felicitar-los.Mas se me permitem gostaria de deixar uma ou duas palavras. e um facto que todos criticamos a quem esta "por baixo" e ainda mais sendo estrangeiro! o que lamento e que sempre se use a palavra "povo" para justificar.....


De Ricardo Vicente a 21 de Novembro de 2011 às 18:50
??? Em Portugal os "civis" botam opinião há já dezenas de anos. É sempre bem-vindo aqui para botar a sua! Abraços


De Planeta Cultural a 13 de Novembro de 2011 às 14:28
Sim, aqui está um post/ 100% bem elaborado, e do qual, eu concordo com todo o seu conteúdo!

Já agora, quero dar as boas vindas ao Blog Forte Apache

Se assim o desejarem, visite o meu blog http://planetacultural.blogs.sapo.pt/


De Ricardo Vicente a 21 de Novembro de 2011 às 18:52
Muito obrigado pelas suas amáveis palavras e pelo seu convite. Abraços!


De grazgraz a 13 de Novembro de 2011 às 15:49
hipocrisia a perpassar a Itàlia? Por favor! Nao escreva bobagens! As opinioes tem de ser baseadas em factos, nao em impressoes. No seu caso, o sr., tao empenhado em aparecer "analista", nao chegou a perceber que nòs italianos festejàmos simplesmente porque quem levou o nosso paìs à beira da catàstrofe finalmente saiu, e porque se ele ficasse mais uns dias no governo as consequencias na Itàlia, na Europa e no mundo jà se sabe quais teriam sido. Mas festejàmos também pelo alegado fim da poluiçao moral berlusconiana nas instituiçoes, que nas ùltimas duas décadas envenenou o debate polìtico e social no nosso Paìs, tornando-o um lugar sem esperanças donde fugir quanto antes. E depois (os factos, nao as opinioes), lembre-se que nas ùltimas eleiçoes Berlusconi nao foi votado por 60 milhoes de italianos, mas por 13,5 milhoes. Portanto ficam 46,5 milhoes a festejarem.


De Ricardo Vicente a 21 de Novembro de 2011 às 18:57
Celebrar a saída de Berlusconi como se este, de todas as vezes que ganhou eleições, o tivesse conseguido por causas naturais (talvez relacionadas com o clima e com os vulcões) e não com uma decisão - o voto - das pessoas é hipocrisia. Quanto a percentagens, veja os valores acima num dos comentários anteriores.


De grazgraz a 21 de Novembro de 2011 às 22:56
Se calhar, mas isto deve ser difìcil de compreender para alguém, quem celebrou nao foi quem votou. Isto é, quase trinta milhoes de pessoas. Dà para fazer uma grande festa, nao é?
Quanto às percentagens, veja os valores acima num dos comentários a um comentàrio anterior.
Aliàs: http://it.wikipedia.org/wiki/Elezioni_politiche_italiane_del_2006


De Ricardo Vicente a 22 de Novembro de 2011 às 01:14
Veja a resposta ao seu comentário anterior quanto às percentagens. O grazgraz quer convencer-me de que quem vota no Berlusconi é uma minoria. Isso não é verdade.

Aliás, quanto mais o grazgraz insiste mais eu sinto a razão e a necessidade de ter escrito o post que escrevi. É extraordinário que um italiano, como diz ser o seu caso, possa ainda tentar minimizar a popularidade que Berlusconi sempre teve na Itália. É extraordinário mas não me surpreende: é uma atitude que conheço e que também me levou a escrever este post.


De grazgraz a 27 de Novembro de 2011 às 11:00
Sr. Vicente, aqui ninguém està a minimizar a popularidade do B.
Se calhar o sr. ainda nao percebeu como funciona o voto: votam milhoes de pessoas, nao um povo com um sò voto. Percebe? Nao foi a eleitora Italia que votou o B. Foram alguns milhoes de italianos, com as suas cabeças, as suas ideias e as suas atitudes. Em Portugal também acontece assim, nao é?
Os outros que NUNCA votaram ao longo destes 17 anos para o B., isto é por volta de 35 milhoes di italianos, tiveram todo o direito de festejar sem ter de ser acusados de hipocrisia.
E depois, deixe-me comentar a sua ùltima frase: "é uma atitude que conheço e que também me levou a escrever este post". Sabe como respondemos na hipòcrita Italia (que noutros aspectos de facto é hipòcrita, mas nao nisso) a quem tem esse jeito de acreditar que tem a verdade no bolso? "Pà, por favor, desce dessa pereria!".

Atenciosamente
grazgraz


De Ricardo Vicente a 27 de Novembro de 2011 às 14:39
Não está a minimizar a popularidade de Berlusconi? Não parece.

Em qualquer país, não se pode assumir que os que se abstiveram não teriam votado neste mas sim naquele. Dos que se abstêm na Itália, não é possível dizer nem que apoiam nem que deixam de apoiar Berlusconi. Em qualquer país, há eleitores que alteram o partido em que votam de eleição em eleição. Em qualquer país, há partidos e políticos cuja popularidade é superior aos seus votos e também acontece o seu contrário: políticos detestados mas que rendem muitos votos. Em qualquer país, há gente que vota numa coisa sem admitir que votou. Em qualquer país, há gente que vota naquele que espera ser o mais votado, que se congratula com a eleição deste e que, mais tarde, se congratula ainda mais quando aquele cai do poder. Em qualquer país há gente coerente, gente que muda de opinião e gente hipócrita.

Confrontando a popularidade de Berlusconi, eleitoral e não só, com as actuais celebrações de repúdio face a Berlusconi, a minha opinião é que existe em Itália muita hipocrisia. Não lhe posso apresentar um número para a hipocrisia, tal como o grazgraz também não me pode provar que a Itália é um país desprovido de hipocrisia. Mas tendo em conta o que directamente e indirectamente tenho testemunhado, hipocrisia é o que não tem faltado a respeito de Berlusconi. Aliás, nem em relação a Berlusconi nem em relação a tanta outra coisa.


De grazgraz a 27 de Novembro de 2011 às 22:27
Muito bem, se o sr. quiser continuar a pensar que TODOS os italianos (povo pelo qual nao tenho simpatia nenhuma apesar de eu fazer parte) sao hipòcritas, muito bem, faça à vontade, nada muda na nossa vida. O sr. trepou os espelhos (como nòs hipòcritas dizemos) para dimostrar uma ideia bastante absurda se nao ridicula: o sr. desconhece as dezenas de manifestaçoes que tiveram lugar ao longos destas décadas contra o B, que reuniram centenas de mihares de pessoas: hipòcritas, claro! desconhece que hà muitos jornais, como La Repubblica e outros, que deram voz à deslumbrante "minoria" dos que nunca votaram ao B, e que houve sempre um debate muito sério em toda a comunicaçao social - dominada pelo B - sobre a "anomalia" italiana, etc: toda coisa de hipòcritas, claro!
Mas lembre-se que dizer que todos os italianos sao hipòcritas ("generalizar" é a palavra certa, nao é?) é como dizer que todos os alemaes sao nazi, todos os judeus sao forretas, todos os "pretos" tem o ritmo no sangue, todos os chineses cheiram a cebola e ainda assim.
Muito intelectual, nao é?

Parabéns pelas suas analises atrevidas.
Os meus melhores cumprimentos


De Ricardo Vicente a 28 de Novembro de 2011 às 16:12
Onde é que eu disse que "todos" os italianos eram hipócritas? Onde? Onde? Não disse em lado nenhum que "todos" eram isto ou aquilo. Não usei a palavra "todos" e também não usei a palavra "nenhuns". Disse que havia. Havia e há. Não são todos nem são nenhuns. São alguns. E disse também que não lhe posso oferecer um número.


De frederico veloso a 13 de Novembro de 2011 às 16:30
os votantes da esquerda radical no caso portugues PCP e BE sempre tiveram o condão de não respeitar a vitoria dos adversarios politicos.
para eles so existe democracia quando eles ganham.


De Ricardo Vicente a 21 de Novembro de 2011 às 18:58
Idem, idem para o PS.


De Tó Zé a 13 de Novembro de 2011 às 16:34
Gostaria de comentar esta pouco brilhante intervenção por falar de uma organização relativamente conhecida no mundo que atualmente controla grande parte da alta finança na Europa e nos EUA, organização essa conhecida por máfia. É certo que para tomar decisões não basta ser a terceira economia europeia, também se deve ter uma organização poderosa por trás. Infelizmente, quando há algumas décadas atrás a itália era o unico país da Europa Ocidental com um regime comunista, várias instituições entre as quais o Vaticano, a máfia, a maçonaria, e o governo de uma grande potência tentaram fazer uma conspiração para derrubar o poder em Itália, é também necessário dizer que um dos presentes nessa reunião era Berlusconi, e que esse homem é hoje um dos políticos mais influentes da Europa.
Gostaria igualmente de comentar a sua intervenção sobre as críticas sem fundamento aos políticos norteamericanos. Políticos esses que deixam desaparecer nalgumas empresas os fundos de pensões dos quadros médios e baixos mantendo apenas os dos executivos (apoio vivamente um livro sobre este tema lançado à uns meses atrás), políticos que permitem a falência de bancos em prole do liberalismo económico, políticos que permitem que dez milhões de pessoas não tenham acesso à saúde, porque não têm seguro, uma vez que são poucos os estados que aderiram ao sistema de saúde público.
Para terminar acho que substimar o poder de Itália dentro do sistema financeiro mundial é estar a menosprezar o maior poder económico da Europa, que como foi dito anteriormente é a máfia.


De knx a 13 de Novembro de 2011 às 16:43
a Itália e o pais mais rico do mundo ,so não quer e utilizar o dinheiro do Vaticano lololo


De grazgraz a 13 de Novembro de 2011 às 17:38
infelizmente é exactamente o contràrio: é a Itàlia que, graças ao Berlusconi, dà dinheiro ao Vaticano (que por sinal é outro estado). Como? Financiamento às escolas catòlicas e cortes à escola estatal italiana, corte nos impostos imobiliàrios da santa sé em territòrio italiano, mesmo os que sejam actividades comerciais (hotéis, lojas, etc.), entre os inùmeros benefìcios pagos pelos cidadaos italianos. Sao milhares de milhoes de euros por anos. Por isso a Igreja nunca disse nada sobre a conduta do PM.


De Tó Zé a 13 de Novembro de 2011 às 17:45
Não quero ser mal interpretado e que pensem que o Vaticano é Itália, referi-me ao Vaticano apenas devido à conspiração realisada para derrubar o governo italiano há alguns anos atrás. Mas como micro-estado que o Vaticano é apoia-se na economia mais próxima (Itália) e é verdade que Itália favorece demasiado o Vaticano, desculpem o mal entendido.


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