Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
por João Gomes de Almeida

 

A nova lei do tabaco não é simplesmente má, mas absolutamente idiota. Poderia agora, sem acrescentar muito ao debate, discorrer um longo e interminável discurso sobre a estupidez de dinheiro que o estado vai perder em impostos com a diminuição da venda de cigarros, ou ainda, referir que não me parece muito inteligente aumentarmos os impostos à restauração e ainda por cima penalizarmos os empresários que gastaram rios de dinheiro a equiparem os seus estabelecimentos com extractores de fumo.

 

Se quisesse ser mais dramático, poderia também falar dos postos de trabalho que se irão perder na Tabaqueira e por fim do número imenso de cidadãos como eu que simplesmente vão deixar de jantar fora ou ir beber um copo, para não serem perseguidos pelos púdicos ASAE's, todos eles condecorados com a Grã-Cruz da Sagrada Ordem Rosa Coutinho, certamente presidida pelo Supremo Juiz Grau 69 do Incentivo à Dieta, o inefável e inenarrável Francisco George.

 

Acontece que esta lei também não é apenas idiota, mas sim um grave atentado a dois direitos fundamentais da pessoa humana num estado democrático. O primeiro deles é o direito a fazermos aquilo que quisermos com a nossa saúde, sem termos que gramar com uma terrível perseguição legislativa por parte de um ridículo gnomo de barbicha, que por ausência de vida própria parece perder demasiado tempo a julgar a vida dos outros - e preparem-se, estes fundamentalistas da rúcula e do agrião começaram pelo tabaco, mas de hoje para amanhã vão estar a querer legislar sobre o número de alheiras e amêndoas doces de Portalegre que podemos ingerir, por causa da calamidade na saúde pública que é o colesterol em excesso. 

 

O segundo direito claramente atentado por esta cambada de puritanos, é o direito de iniciativa privada. Retirando o poder a cada empresário de decidir se no seu estabelecimento - o qual paga impostos para estar aberto - quer ter fumadores ou não. Mais uma vez, o estado paizinho de todos nós arroga-se do supremo direito de mandar no nosso negócio e se tal não bastasse, também no nosso corpo.

 

Por fim, resta-me dizer: não votei num governo de direita para isto. Ponham os olhos no nosso vizinho Rajoy e vejam as alterações que a lei do tabaco vai sofrer em Espanha. Como podem uns fanáticos como o Francisco George e o seu gangue, mandar mais que o Primeiro Ministro, o líder do CDS, o Ministro da Saúde e o Ministro da Economia juntos? É triste, muito triste meus amigos.

 

Só espero que os deputados do PSD e do CDS chumbem estas alterações à lei, próprias de regimes pouco democráticos e que nada têm haver com o liberalismo ideológico que pensava ver a primeira vez representado no espírito de uma maioria governamental.

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21 comentários:
De Maria a 12 de Janeiro de 2012 às 13:14
concordo na parte que os proprietários deviam poder decidir se querem que o restaurante seja para fumadores ou não fumadores (sendo que devia ser obrigatória haver sempre, em determinada área) um de fumadores. Mas não posso, de modo algum, concordar com a frase:

"o direito a fazermos aquilo que quisermos com a nossa saúde"

Sim tem o direito relativamente à VOSSA saúde! acontece que o fumo do tabaco não é engolido por inteiro por vós (se assim fosse tudo bem) e afecta todos aqueles que estejam à vossa volta e ninguém tem o direito de prejudicar a saúde alheia para seu bel prazer! Além disso se exigem o direito de ficarem doentes o que pensariam se o Estado recusasse pagar os tratamentos das doenças associadas ao tabaco?! afinal de contas todos nós pagamos esses tratamentos!... por isso não me parece que esse seja um bom argumento... Querem fumar, fumem no VOSSO espaço onde não afectam a saúde dos OUTROS.


De Ricardo Vicente a 12 de Janeiro de 2012 às 13:50
Exacto. O direito a fumar não é comparável ao direito a comer quantas alheiras de Mirandela por semana (ou por dia) um tipo ou uma tipa quiser. Ou melhor, é comparável e da comparação só pode resultar uma conclusão: são direitos diferentes.

Numa perspectiva liberal, a minha liberdade acaba quando começa a liberdade dos outros. Numa perspectiva liberal, quem suja, limpa. Numa perspectiva liberal, quem recebe benefícios deve também arcar com os custos. Numa perspectiva liberal, quem tem o prazer de fumar não pode exigir aos outros que se acomodem a esse prazer. Numa perspectiva liberal, não faz sentido tornar sociais ou colectivos os custos de uma actividade que só gera benefícios privados.

Liberdade de gerir a minha própria saúde: sim. Liberdade de gerir o meu restaurante: também sim mas com restrições (o liberalismo É favorável à defesa do consumidor). Liberdade de emporcalhar o ar dos outros: não.


De pocaracas a 12 de Janeiro de 2012 às 15:22
Com que então todos temos o direito a fazermos o que quizermos com a nossa saúde?
Se assim fosse, todas as drogas eram permitidas em Portugal... no entanto, há umas que são ilegais. Porque será?


De Ricardo Vicente a 12 de Janeiro de 2012 às 15:54
Porque o consumo privado das drogas gera custos sociais: é por isso que até um liberal pode estar contra a liberalização das drogas.


De pocaracas a 12 de Janeiro de 2012 às 16:06
Exacto!! Gera custos sociais. E fumar não gera? E fumar ao pé de outros não gera ainda mais?


De Manuel Bruschy Martins a 12 de Janeiro de 2012 às 18:08
Meu caro,

Tem toda a razão: fumar gera custos sociais. Porém, existem elementos adicionais a considerar:

1) O efeito químico que fumar tabaco gera, no imediato, não é comparável ao de drogas ilegais, não fosse o poder alguém fumar e estar socialmente enquadrado, trabalhar, guiar e, enfim, fazer tudo ou praticamente tudo o que faria sem fumar;

2) A verdade é que até há muito pouco tempo, fumar sempre foi unanimente aceite socialmente (por vezes, e em tempos não muito remotos, até incentivado), o que quer dizer que a maior parte dos fumadores começou a fumar sem ser alvo de qualquer tipo de estigma social, sentindo-se para isso livre (ainda que pudesse estar consciente dos malefícios do tabaco), implicando isto que um choque anti-tabágico, levado ao extremo, poderá resultar numa efectiva perda de qualidade de vida dos fumadores (e estou apenas a constatar um facto, não a menosprezar os direitos daqueles que queiram evitar o fumo);

3) Existem inúmeros espaços de restauração (eventualmente até a maioria) em que não é permitido fumar, podendo assim qualquer escolher os sítios que frequenta com base nesta diversidade, razão pela qual é demagógico, estando já garantido que um não fumador pode frequentar estabelecimentos de restauração sem ser importunado pelo fumo, impedir um fumador de frequentar um espaço que, ele como todos os outros, sabe já à partida ter fumo e onde, portanto, quem o frequenta está já avisado e fará já essa escolha em liberdade;

4) Os impostos sobre o tabaco são altíssimos, pelo que qualquer custo gerado com o tratamento da saúde de pessoas que, por fumarem, ficarem doentes, terá já de ter em conta que essa mesma pessoa enriqueceu os cofres públicos, largamente e em adição ao que teria sfeito se não fumasse, com a sua própria atitude danosa; por outro lado, não creio que seja legítimo levar o argumento dos custos com a saúde pública ao extremo, ou corremos o risco de deixar de comparticipar o tratamento de, por exemplo, pessoas obesas, só porque as mesmas comeram em excesso sabendo dos riscos, ou mesmo de pessoas que padeçam de doenças sexualmente transmissíveis pela via sexual adquirida, só porque adoptaram comportamentos de risco.

De facto, viver em sociedade representa ter de lidar com escolhas alheias com as quais não concordamos. Mas não é por uma pessoa usar um perfume enjoativo que terá de ficar confinada a ficar em casa, por muito que isso me incomode, não é por ter uma voz irritante que deve ser silenciada, não é por não tomar banho que deve ser enjaulada, enfim, não é por me incomodar que tem de ser posta de parte. E sabe o que é maravilhoso: se eu estiver num restaurante em que está uma pessoa com características ou comportamentos incomodativos eu posso, pura e simplesmente, porque tenho o direito à escolha, não ficar naquele restaurante e escolher um outro que me agrade mais!

Talvez fiar-me na ilusão de que os dias em que o Estado paternalista me diz tudo o que devo fazer e pensar seja um erro, claramente haverão sempre muitos que, quem sabe por não conseguirem tomar as rédeas da própria vida, estão sempre prontos a condenar e a querer dirigir as dos outros.


De pocaracas a 12 de Janeiro de 2012 às 21:23
Um odor nauseabundo não se compara à vontade incontrolável de tossir que o fumo de tabaco produz em alguém que não fuma. Se o meu próprio corpo me diz que essa substância é nociva, eu não vou permanecer num local onde posso estar sujeito a isso.
O que SEMPRE me fez confusão é como é que é possível alguém começar a fumar e insistir na coisa até se tornar um vício. Duvido seriamente que tenha sido um prazer.


De António Sousa Leite a 14 de Janeiro de 2012 às 19:32
Discordo só num ponto: as pessoas com perfumes enjoativos ou por qualquer outra razão tresandem devem ser mandadas para uma ilha deserta


De Pedro a 12 de Janeiro de 2012 às 17:30
Sim minha querida, quer a menina queira quer não TODOS tem o direito de fazer com a SUA saúde o que realmente quiserem, e quanto aos tratamentos médicos depois exigidos também TODOS tem os direito de os exigir pois descontaram para o poder exigir, quer fumadores quer não fumadores.
Faça um favos á sociedade e a si própria não seja fascista , está já tão fora de moda!!!!!


De Paulo Sousa a 12 de Janeiro de 2012 às 14:23
Na adolescência para alinhar com os colegas tentei fumar. Deus sabe o que eu me esforcei, mas nunca consegui gostar. Era o único num grupo alargado o que fazia de mim um tótó, mas as coisas são como são e com o tempo o facto de eu não fumar tornou-se normal.
Mais tarde, quando os meus colegas já tentavam reduzir o caudal de nicotina consumido, acompanhei-os com nas cigarrilhas e às vezes charutos. Até nem era  mau e cheguei mesmo a andar com uma caixa de cigarrilhas. Mas esquecia-me sempre de as acender e acaba sempre por perder a caixa já amolgada e com pouca cor, mas quase cheia.
Desde que as leis anti-tabaco ultrapassaram o que eu considero bom-senso, pois o Estado pretendeu o pudor e quer substituir o cidadão nas suas decisões mais pessoais, que voltei a sentir a necessidade de ser fumador.
Estou a pensar no cachimbo, mas não conheço ninguém que me possa dar formação nesta área. Gostava que alguém me ajudasse a até aproveitava este comentário para o fazer, mas temo represálias. O longo braço da justiça falha na perseguição aos corruptos mas estou certo que puniria exemplarmente tal crime. O melhor será pedir auxilio nos classificados da Bola, ao lado das ofertas de companhia e ternuras.
Mas não tenho dúvidas. Serei fumador. Com sorte talvez fique viciado.

PS: Os puritanos controleiros dos hábitos dos cidadãos deviam perder a vergonha finalmente assumir que pretendem classificar o tabaco como produto estupefaciente.


De Maria a 12 de Janeiro de 2012 às 14:46
Há muitas Marias na terra....eu sou Maria , já fui fumadora , não suporto este homem, detesto fundamentalistas


De Tou farto a 12 de Janeiro de 2012 às 18:18
O argumento de que o tratamento das doenças associadas ao tabaco (doença comportamental) é perfeitamente idiota. É que por essa ordem de ideias, não deviam ser comparticipados os tratamentos das doenças associadas à obesidade, a diabetes tipo 2, a Sida, doenças venéreas, melanomas...


De Vicente de Lisboa a 12 de Janeiro de 2012 às 18:51
Também sou contra esta lei, acho que a actual era equilibrada e de aplicação mostly pacifica, não vejo razão para mexer.

Dito isto, poupem-me às cruzadas contra a ASAE e ao choradinho dos fumadores-vitimas.


De tamém sou contra a 12 de Janeiro de 2012 às 23:06
quero um transplante de 250.000 da pulmonaria

e de quando em vez umas algálias para os tumores associados

taxa de sobrevivência de 60% dos ex-fumadores
fica cara

30% de sobreviventes poupa 400 milhões


De Eduardo a 13 de Janeiro de 2012 às 01:10
Este tipo e mesmo 1 verme, preocupa-se com os fumador em segunda mao, porque e que ele nao se preocupa com os fumos poluentes dos automoveis que circulam nas cidades.
Nao me digam que ele tambem vai acabar com os carros e os combustiveis??
Nao fumo e nao vou contra os fumadores, a saude e deles
cada um faz o que quer.
Sera que o ser humano so adquir a liberdade quando morre ???


De José Tomaz de Mello Breyner a 13 de Janeiro de 2012 às 10:53
Caro João Gomes de Almeida,

Ás vezes concordo consigo, e esta é uma dessas vezes. Apoiado


De Dédé a 13 de Janeiro de 2012 às 14:02
Mais um a fingir que não sabe que a lei é feita para proteger os não fumadores deste tipo de fumadores, que acha que os outros teem a obrigação de engolir o seu fumo.

Se há exageros na lei, aponte-os e critique-os, mas deixe-se desta retorica arrogante e de profundo desprezo pelos direitos dos outros.

EH PÁ, FECHA LÁ A MERDA DA JANELA, QUE EU APAGO O CIGARRO.
http://bit.ly/wvB0Ha


De Tiago a 14 de Janeiro de 2012 às 14:24
A legislacao, tal como esta' neste momento, e' complicada, ridiculamente ineficaz e injusta. A unica solucao e' simplesmente proibir o fumo em recintos fechados. Defender o direito de fumar em recintos publicos e' defender o indefensavel. Entao e o que acontece com os empregados de bares, discotecas etc por esse pais fora? Ou aguentam o fumo dos outros, ou entao rua com eles! Isto vai claramente contra mais de 150 anos de legislacao sobre higiene e seguranca no trabalho.

A sua posicao e' claramente a posicao de uma minoria de pessoas. Nunca conheci um fumador que fosse a favor do direito de fumar em bares e restaurantes. Ninguem gosta de comer num lugar empestado pelo fumo.


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