Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012
por Eurico de Barros

José Afonso era um defensor da revolução armada, da ditadura do proletariado e dos princípios perigosamente lunáticos da esquerda mais radical, glorificando a acção política violenta em várias das suas canções, nas quais propunha, por exemplo, "atirar aos fascistas de rajada". Empenhou-se no PREC ao ponto de se afastar da vida musical e andou envolvido nas demenciais campanhas de "dinamização cultural" do MFA. Cantou no RALIS na noite do 11 de Março, defendeu as arbitrariedades e ilegalidades da Reforma Agrária, esteve com os pára-quedistas de Tancos no 25 de Novembro, apoiou Otelo Saraiva de Carvalho e os presos terroristas do PRP. Só para recordar, agora que se assinalam os 25 da sua morte e muita gente vai associar a palavra "liberdade" ao nome de José Afonso.

tags:

tiro de Eurico de Barros
tiro único | comentar | gosto pois!

55 comentários:
De AMD a 22 de Fevereiro de 2012 às 19:43
Canta camarada canta
canta que ninguém te afronta
que esta minha espada corta
dos copos até à ponta

Cada um escolhe a barricada, tu com saudades de Salazar eu de Zeca Afonso.


De Supertramp a 24 de Fevereiro de 2012 às 11:53
Amigo. E Culture Club, aqui alguém curte?


De Filipe Matos a 24 de Fevereiro de 2013 às 00:12
Continua a surpreender-me o estado de alienação a que as pessoas chegaram mesmo quando têm preocupações políticas. Esta democracia precisa de levar uma volta, um bom abanão. Barricadas? Então mas o pessoal comunista ainda anda com estas manias? Eu compreendo, a ditadura do proletariado está-vos na génese. Mas acham mesmo que aquilo que nós, a classe operária, hoje precisamos de vós é o mesmo que precisávamos há cento e tal anos?
Além disso, as incongruências do comunismo começam logo na raíz. Advogam o fim da exploração do homem pelo homem, mas parecem ignorar que o homem é, na verdade, explorado por si próprio ao basear toda a sua acção no "ter". Aliás o ideal comunista parece ter como motivação principal a igualdade no "ter", estando por isso, principalmente à luz dos nossos dias, perfeitamente desenquadrado. Isto bastaria para questionar o ideal comunista, mas vou mais longe. Um homem, por mais inteligente que seja é apenas um, e a interpretação que faz da sociedade é apenas a dele, por mais fundamentada que seja e por mais apoio que tenha. Não sou sociólogo nem coisa que o pareça, mas tentar fazer passar estudos socio-filosoficos por descobertas científicas exactas e universalmente verdadeiras é no mínimo pretensioso. Por isso mesmo, o comunismo é impossível (Proudhon e Marx se já fizeram as pazes não vão achar muita piada a isto).
Por fim, devo dizer que, seja qual for a mudança social que se pretende levar a cabo, a via da revolução é quase sempre mais destrutiva e é sempre mais ineficaz que a da evolução. Para mudar uma sociedade são precisas pelo menos três gerações e se há pouca coisa que não se poderá decretar, substituir uma nação inteira é uma delas.
Mesmo para terminar, deixo a minha homenagem ao Zeca Afonso, um grande artista. Ah! e tanto quanto sei o Zeca não ia muito nessa coisa de partidos políticos, portanto parem de tentar colar-se ao Zeca. Tentar moldar a história é uma coisa feia.


De Pedro Carvalho a 22 de Fevereiro de 2012 às 20:47
Subscrevo inteiramente. E junto mais duas. No 1º aniversário do PPD cantámos "Grândola Vila Morena", no dia(s) seguinte(s) Zeca "liberdade" Afonso disse que não nos dava autorização (aos fascistas) de cantar ... liberdade. Anos mais tarde quando da luta para o regresso das tradições académicas a Coimbra (suspensas contra o antigo regime) o mesmo democrata voltou a nos chamar nomes e participou naquilo que foi o "espectáculo" contra. A festa da flor (se a memória não me atraiçoa). Com as "suas" músicas de protesto. Anos mais tarde estava a reeditar os seus , belos, fados de Coimbra que tanto criticara termos levado de novo à Sé Velha. Por mim continuo a cantar "Grândola" e "depois do adeus" quando me apetece e para relembrar esse grande dia de Liberdade. As tradições Académicas essas foi o POVO de Coimbra que melhor deu resposta.


De Samuel a 23 de Fevereiro de 2012 às 13:18
Pedro Carvalho:

Tadinhos!!! Os "valentim-loureiros" queriam, ao mesmo tempo, cantar a Grândola e andar a pôr bombas e a incendiar sedes de sindicatos e centros de trabalho do PCP... e o malvado do Zeca Afonso não deixou!

Deixe lá... para compensação, os comunistas prometem nunca abrir ou fechar um congresso a cantar o hino da Mocidade Portuguesa. :-) :-)


De Alexandre Carvalho da Silveira a 24 de Fevereiro de 2012 às 11:47
Não é que muitos comunistas não se tenham farto de cantar o "lá vamos cantando e rindo". Antes de assaltarem e incendiarem os arquivos da mocidade portuguesa, para não lhes verem as fichas com as fotografias, está claro.
Não sou de esquerda, sempre gostei da musica do Zeca Afonso, mas nunca gostei da pessoa. Foi sempre para mim um misterio porque é que alguem que escreveu tantos hinos à Liberdade, optou politicamente pela ideologia mais hedionda, juntamento com o Nazismo, que vitimou e oprimiu centenas de milhões de pessoas. Um paradoxo!


De Samuel a 24 de Fevereiro de 2012 às 21:50
Pensou isso tudo pela sua cabeça, ou leu numa T-shirt? :-)


De Antonio Cunha a 26 de Fevereiro de 2012 às 22:12
Sim ele viu isso numa t-shit daquelas do che guevara que dizia assim:

"O comunismo matou 100 milhoes de seres humanos e só ganhei esta t-shirt"


De João José Cardoso a 23 de Fevereiro de 2012 às 15:43
Pedro Carvalho, contar a História à nossa maneira não a muda. A Festa da Flor não foi um espectáculo contra, quanto muito foi uma festa alternativa de final do ano lectivo (a "Semana Académica" também não foi uma Queima das Fitas). E nem é verdade que o Zeca tenha criticado a primeira serenata na Sé Velha, onde por acaso esteve gente como o Almeida Santos a cantar, e que por acaso foi organizada por uma DG da UEC.
Quanto ao facto de no seu último concerto em Coimbra José Afonso ter cantado baladas (e não fados, que em Coimbra são cantados por futricas) de Coimbra, e ter publicamente defendido a canção coimbrã, contra a vontade dos que como eu não andavam para aí virados, também convinha não o omitir.
Quanto ao post nem comento, vindo de quem vem é um belo elogio fúnebre.


De AEfetivamente a 22 de Fevereiro de 2012 às 20:54
Bem...eu adoro a música de Zeca Afonso. Amo, mesmo. Entra pela alma adentro. Sem falar aqui em política, porque não quero ir por aí, é possível amar música de quem depois nos desilude a nível pessoal (não estou a dizer que é o caso, atenção, nem que não). Adoro a música de Oliver Shanti, que se tornou pedófilo. Michael Jackson era genial no tempo de Thriller e depois... E tantos outros. Viva o 25 de Abril e viva Zeca Afonso, ou melhor, a sua música.


De José Felgueiras a 22 de Fevereiro de 2012 às 23:50
Mal...

Adorar a música de Oliver Shanti.
Achar genial Michael Jackson no tempo de Thriller.
Adorar a música do Zeca, até mesmo amar.

O que haverá de comum nas músicas destes três autores?
Nada que se veja, ou melhor que se ouça!

O que haverá de comum nestes músicos?
Dos três, pelo menos dois revelaram-se pedófilos!

Espero não ser este o elo de ligação?

Que seria do amarelo!!!


De AEfetivamente a 23 de Fevereiro de 2012 às 17:21
Por momentos fiquei assustada no Hotmail - pensava que tinha sido o autor do texto a responder assim. Felizmente que não. Ele, de certeza, podendo discordar, entendeu o que quis dizer. E seria mais elegante na resposta, sem dúvida. Siga.


De HC a 24 de Fevereiro de 2012 às 18:16
Como é que alguém pretende expressar uma opinião assente em pleonasmos? Talvez depois de superares esse problema reflexivo possas ter algo a dizer sobre o Zeca, até lá tem vergonha.


De Samuel a 22 de Fevereiro de 2012 às 22:27
Serei um deles!

Associarei a José Afonso a Liberdade!
Associarei a este post miserável, insolente e porco o esterco salazarista!


De Miguelista a 25 de Fevereiro de 2012 às 17:34
Porco sei eu bem quem é

Respeito ! asshole!


De Zeca sempre! a 23 de Fevereiro de 2012 às 13:13
Pelo destino do meu comentário anterior, vejo que além de porco e "afascistado"... é também muito sensível.


De Samuel a 23 de Fevereiro de 2012 às 14:30
Pronto... retiro o que disse! Não é "muito sensível". :-) :-)


De berto a 23 de Fevereiro de 2012 às 15:06
É precisamente pelos "defeitos" que aponta a Zeca Afonso que ele foi e continua a ser digno do meu respeito e admiração. Para além de ser um criador musical de excepção, coisa que você não refere no texto, limitando-se a falar do seu "afastamento" da vida musical. José Afonso esteve onde devia estar, defendeu o que devia defender, lutou o que devia lutar, sacrificando uma possível vida regalada à custa dos sucessos musicais como outros o fizeram. Poucos conseguem ser tão coerentes e generosos até ao fim, o Zeca foi e por isso é recordado com saudade. Se não gosta não estrague, fique lá com os seus quim barreiros e câmaras pereiras.


De José Baleiras a 23 de Fevereiro de 2012 às 17:39
Só para recordar...se tivessem dependurado algumas cabeças, que, provavelmente, fizeram a tua hoje terias mais respeito por quem sempre mostrou coerência e dignidade.


De João Távora a 23 de Fevereiro de 2012 às 20:06
A formiga no carreiro ia em sentido contrário... pertinente texto, Eurico. Parabéns!


De PT a 23 de Fevereiro de 2012 às 23:08
Já não há pachorra para aturar as pieguices dos comunas (vulgo fásssistas vermelhos) mais as suas efemérides de apologistas dos fuzilamentos preventivos. Perdemos uma oportunidade de ouro no 25 de Novembro...


De joaquim azevedo a 24 de Fevereiro de 2012 às 01:48
É natural que um vampiro não aprecie o Zeca.


De Eurico de Barros a 24 de Fevereiro de 2012 às 20:27
Folgo em constatar que a esquerda fica piursa quando se dizem as verdades sobre as suas vacas sagradas, e que continua tão intolerante, totalitária e de desbocada como no tempo do PREC. (E obrigado, João Távora, a ideia é essa...).


De antónio pedro pereira a 25 de Fevereiro de 2012 às 00:22
Senhor Eurico de Barros:
Folgo em constatar que certa Direita fica piursa quando é criticada pelo ódio que sistematicamente destila. Continua tão intolerante, totalitária e de desbocada como sempre foi, apesar de, por oposição aos ateus imorais da Esquerda, se proclamar católica cristã.
Farisaica, é o que ela é.
Portanto, a Oeste nada de novo...


De joaquim azevedo a 26 de Fevereiro de 2012 às 15:32
Ao contrário do que você pensa, a minha esquerda não tem vacas sagradas - tem Homens com todos os defeitos e virtudes próprios da condição humana. Mas, para os maniqueístas, isto deve ser algo de incompreensível. Particularmente nos dias actuais em que a direita empurra a maior parte da população mundial para a miséria. E os escribas de serviço estão ávidos de mostrar serviço à espera da recompensa. Tristes bajuladores...


comentar tiro

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds