Segunda-feira, 12 de Março de 2012
por Sérgio Azevedo

Perguntavam há dias a uma notável do nosso país se tinha orgulho em ser portuguesa. A resposta, peremptória, foi que não.

Talvez eu, como os da minha geração, que nunca assisti a grandes momentos de superação nacional, tivesse motivos para não ter orgulho em ser português. Quando mais não seja porque somos nós, talvez, os mais prejudicados e os mais impotentes face à crise estrutural que Portugal atravessa.

Dificilmente houve outro momento na história da nossa democracia em que a nossa soberania estivesse tanto em risco. Percebemos hoje, e da pior maneira, que o maior ataque à nossa soberania está no peso excessivo da dívida e que a única maneira de o combatermos é libertando a sociedade dos bloqueios ao exercício da cidadania e da livre iniciativa.

Defender a nossa soberania é, mais do que nunca, reformar o Estado e voltar a crescer sustentavelmente.

Só através de um pacto inter-geracional entre portugueses e com um imenso programa reformista seremos capazes de construir uma sociedade de liberdades.

Mas a questão da Reforma do Estado é complexa e dupla. Por um lado, apresenta o desafio de perceber com precisão quais as reformas prementes e cruciais para o seu sucesso e, por outro, mais político, o desafio de promover uma transformação radical na organização do sistema público e de toda uma organização burocrática sedimentada ao longo do tempo.

E, para isso, só com maiorias políticas estáveis e simultaneamente arrojadas capazes de assegurar a execução consistente da mudança.

Portugal tem hoje uma oportunidade única de vencer este desafio. Tem estabilidade política, mas acima de tudo tem a clarividência governativa suficiente para perceber que temos mesmo de mudar de vida.

São prova disso as reformas estruturais que o governo tem apresentado. Uma Reforma Administrativa profunda que reforce o municipalismo e a descentralização administrativa mas que traga ganhos de eficiência na gestão e afectação de recursos públicos, um novo mapa judiciário e uma justiça que simplifique a organização judiciária e que dê resposta eficaz às expectativas sociais e económicas, a promoção da concorrência com leis modernas que traduzam maturidade e capacidade de investimento, uma reforma laboral que permita mais competitividade aliada a uma concertação social que seja um verdadeiro pacto de confiança entre patrões e trabalhadores, constituem o compromisso deste governo com a modernidade e com o futuro.

Este é um compromisso imprescindível à mudança.

Vai ser difícil. Muito difícil. Mas vai valer a pena e talvez daqui por um tempo a entrevistada do outro dia recupere o orgulho nas suas gentes e no seu país.

Artigo de opinião publicado hoje no Jornal I.


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3 comentários:
De João André a 13 de Março de 2012 às 09:08
Tanta palavra para uma resposta que deveria ser simples: Não tenho orgulho porque não escolhi onde nascer. Só quem tem/teve a possibilidade de mudar de nacionalidade deveria ter possibilidade, de forma inequívoca, de dizer que tem orgulho na sua nacionalidade. E mesmo nesse caso apenas em comparação com aquela(s) que poderia ter.

Claro que cada um poderá dizer que nunca trocaria a sua nacionalidade por outra, mas isso tanto poderá ser tanto um reflexo do orgulho como de ignorância de outras possibilidades.

De forma clara. Não tenho nenhum orgulho em especial por ser português. Mas entre ser português ou da outra nacionalidade que posso ter (holandesa), vou-me mantendo como estou.


De Sérgio Azevedo a 13 de Março de 2012 às 10:13
Agradecendo o comentário apenas digo que o artigo é um pouco mais do que palavrass sobre nacionalidades ou orgulhos.


De hcl a 13 de Março de 2012 às 17:30
Está demonstrado que este governo não tem, nem a coragem, nem a ideologia necessária para reformar seja o que for.

Sim, vai acabar com serviços no interior.
Sim, vai acabar com ½ dúzia de freguesias (nas câmaras nem toca com medo).
Sim, vai acabar com algumas fundações, direcções, cargos de chefia.

O objectivo não é reformar o sistema é tentar sustentar o sistema tal como está.

De resto vai continuar a recorrer a aumentos de impostos mais ou menos encapotados para tentar baixar o deficit.
Basta olhar para a famosa PL118 que PSD e CDS aprovaram em comissão e que cria uma espécie de IVA.
A proposta de lei de financiamento do cinema que tenta criar outra espécie de IVA.
Em ambos os casos, o financiamento não passa pelo orçamento de estado e é convertido em “imposto cobrado por instituições”.

Temos a DGCI a cobrar multas de portagens.
Uma enorme confusão entre as empresas do regime e o regime numa tentativa desesperada de cobrar.

No fundo, fica tudo como está, e está insustentável, de modo que daqui a 5/6 anos o País está irremediavelmente falido.

Nota: A demissão do Sec.Estado da Energia.


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