Terça-feira, 22 de Maio de 2012
por Judite França
O líder do Syriza, Alexis Tsipras, veio avisar que não negoceia com o inferno, mas o inferno já mandou dizer que negoceia com qualquer partido eleito na Grécia. Mesmo que seja contra o programa de assistência.
Ou seja, o devedor falido recusa-se a negociar com o «inferno». O credor, o tipo que emprestou o guito e que tem os salários dos funcionários públicos gregos nas mãos [desde polícias a enfermeiros], está disposto a sentar-se às mesas das negociações, mesmo se o governo eleito quiser rasgar de alto a baixo o contrato assinado.
Parece que alguma coisa está do avesso. Deve ser o mundo.
De
jfd a 22 de Maio de 2012 às 13:12
O meu título favorito para posts do género:
Quando o céu e a terra trocaram de lugar
Fui feita sem veias poéticas. Só das outras. E tenho saudades do «Às Avessas» do VPV. Uso sempre que posso.
É claro que aquele Grego falido quer negociar a dívida. O que não é negociável é a continuidade do memorando que já demonstrou inviabilizar o pagamento da dívida.
Entre negociar a dívida, negociar o programa, explicar aos senhores que ajustamentos em 2 ou 3 anos são impossíveis, quando para trás estão erros de 30... bom, isso é uma coisa - faz sentido e é plausível: bem diferente é rasgar o documento e partir a loiça. Não nos esqueçamos quem deve e quem paga.
Cumps.
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