Sábado, 22 de Setembro de 2012
por Alexandre Poço

Para lá de qualquer manobra política ou indicador económico, fica o sentimento de que muito dificilmente se conseguirão realizar as ditas "reformas estruturais" daqui para a frente. Que a realidade me desminta doravante, pois seria para o bem de Portugal, mas será difícil efectuar alterações que rompam com o establishment nacional. Não se deve atirar a toalha ao chão, mas sendo realistas, somos forçados a constatar que eventuais alterações em grandes áreas da nossa vida colectiva terão sempre de respeitar os dictâmes da ideologia e cultura socialista vigentes, pelo que ficaremos sempre por alterações pontuais e não, pelas necessárias redefinições globais. O recuo por parte do governo na questão da Taxa Social Única (TSU) não significa apenas o abandonar de uma proposta, significa o início da renúncia a todo um programa que pretendia transformar de forma substancial a sociedade e o Estado, bem como, a forma de relacionamento entre ambos. 

 

PS - Cada vez acredito mais que o problema foi termos ficado apenas pela "pré-bancarrota" e nunca se ter batido verdadeiramente no fundo em Maio/Junho de 2011, como previa o então Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos. Talvez tudo tivesse sido diferente daí para a frente. 


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10 comentários:
De eirinhas a 22 de Setembro de 2012 às 19:36
Meu caro Alexandre,o governo errou desde o primeiro dia em que dividiu a Sociedadede Portuguesa.Tivesse criado um imposto progressivo em que,a partir de um patamar adequado,quem mais tinha mais pagava,cortasse as gorduras que conhecia e veria que não estava nas condições em que se encontra hoje,incapaz de,dêem-lhe as voltas que quiserem,fazer qualquer reforma digna desse nome.


De Alexandre Poço a 23 de Setembro de 2012 às 02:49
Eirinhas, o governo manteve a progressividade dos impostos e cortou em algumas gorduras, como as fundações, se bem que isso não resolve o problema da despesa pública. Nessas áreas, os ganhos mais do que económicos são simbólicos e morais, porém, cortar verdadeiramente na despesa significa cortar na despesa que pesa na dívida portuguesa - são 70% de despesa em salários e pensões. Porém, mais do que cortes temporários, o que falta fazer é uma redefinição das funções do Estado para tornar a poupança permanente. Para tal, é preciso coragem, pois significa romper totalmente com o paradigma vigente e aquilo que constato é que, se o governo nem uma alteração nas contribuições sociais dos salários dos trabalhadores consegue alterar ou fazer aprovar, então muito menos conseguirá no que toca a cortar despesa pública e alterar o modo como actua nos sistemas sociais.


De eirinhas a 23 de Setembro de 2012 às 10:01
Caro Alexandre
Os argumentos que apresenta levar-nos-iam a uma prolongada discussão.
Para começar, devo dizer que votei neste governo,votei mesmo,melhor,votei no Partido Social Democrata,repito Partido Social Democrata,como,aliás,tenho feito.
Seria fastidioso enumerar aqui onde deveria cortar:
nº de deputados,empresas públicas,câmaras,freguesias,parcerias,rendas excessivas,fundações,foi só uma cosmética,assessores,novinhos, que me dizem sem currículo,lucros da Banca,vencimentos que ofendem a dignidade,etc,etc,etc,...
Diz-me que o governo nem sequer conseguiu ajustar à segurança social o salário dos trabalhadores.Então não estava na cara que este princípio de robin dos bosques ao contrário,e foi este princípio que transvasou o copo que levou ao levantamento popular,não podia resultar?Felizmente que o povo,que, às vezes,ensandeceu ,deixando que nos arrastassem para a pré-banca rota,como diz,desta vez esteve atento e procurou relembrar a este governo que foi eleito para moralizar e não para continuar com os mesmos defeitos do anterior,nalguns casos,pior,como seja a divisão da Sociedade com esbulho dos aposentados,alguns no fim da vida que já não esperam colher os frutos do seu sacrifício,se alguma vez voltar algum fruto.E com a agravante,inserida na tal divisão da Sociedade,de um aposentado,como eu,com uma pensão de 1500 euros,ver passear ao lado um outro com quatro ou cinco mil,ou vinte mil, que não desconta patavina porque teve de não trabalhar para o Estado que ,no meu tempo,apesar de tudo,não indiciava proceder deste modo.
PS.Não sei se o senhor é novinho como os membros do governo.Eu,como compreenderá,sou mais velho e sinto-me no dever de exercer alguma pedagogia sobre esses senhores.Muito mais haveria a dizer. Passe muito bem.


De Alexandre Poço a 24 de Setembro de 2012 às 23:12
Não concordo com muito do que o que afirma, mas entendo que a frustação que sente no que toca ao caso pessoal deva ser do tamanho de um oceano. Enganaram-nos com a lengalenga dos "direitos adquiridos" e esta ideia, mesmo nesta situação, ainda persiste e continua em voga. É difícil fazer entrar na cabeça de muita gente a noção de "direitos decorrentes"... Decorrentes, por exemplo, do estado das finanças do país e do crescimento (ou falta dele) económico.


De eirinhas a 25 de Setembro de 2012 às 12:30
Caro Alexandre
Penso que não está a pretender confundir-me com essa coisa dos dos direitos de correntes não sei de quê...?,porque essa coisa só se aplicou e só houve coragem e sentimentos para o fazer em relação aos funcionários e a alguns aposentados.Os restantes continuam como dantes.Já no tempo do outro,correram aos dividendos antes que acabasse o ano e os direitos foram intocados!
Mas,o que me move não é o ter de contribuir para que Portugal se endireite.Faço-o com gosto,sentindo,evidentemente, o pesar da sua necessidade.O que revolta é a não aplicação do princípio.O princípio é tudo.E foi o mesmo princípio,e não tanto o ter de contribuir,que levou o Povo,finalmente,a dizer de sua Justiça.Enquanto o governo não entender isto,não vai,certamente,ter descanso e levará,mesmo,à bancarrota para mal de todos nós,aqui,sim,vão mesmo ser todos e acabam-se os direitos decorrentes não sei de quê!!!


De Marão a 23 de Setembro de 2012 às 12:16
Em 21 de Abril de 2011 seguiu este escrítico para ver se os anjinhos do PSD percebiam:
Meus Senhores, vocês tem gente inteligente. Arranjem maneira de não libertar Sócrates antes de ele se atolar até ao pescoço. Dilatem-lhe o prazo para o estertor final por auto flagelação. Deixem-no escorregar por mais 1/2 dúzia de semanas para a estocada fatal, que aí sim não lhe sobrará hipótese de retorno . Estão misericordiosamente a prepara-lhe a fina cama de vítima por que ele tanto anseia, como única escapatória á vala comum do entulho apodrecido.


De Alexandre Poço a 24 de Setembro de 2012 às 23:09
Sou forçado a admitir que a bancarrota talvez tivesse sido, no nosso caso, virtuosa, pois permitia uma verdadeira regeneração do sistema. Talvez, uma grande parte do nosso povo compreendesse que não é possível adoptar a mesma receita que nos trouxe a este estado de coisas para sair dele.


De eirinhas a 23 de Setembro de 2012 às 16:53
Correcção - é assim que quero escrever - ao meu comentário desta manhã onde se lê transvasar,deve ler-se transvazar;onde se lê teve de não trabalhar,deve ler-se teve a sorte de não trabalhar.


De zepaulosilva a 24 de Setembro de 2012 às 00:08
Caro Alexandre, lamento ter de discordar da sua análise.
Este governo não fez, nem acho que tenha intenção de fazer, aliás, qualquer reforma estrutural.
Ou melhor, até talvez quisesse fazer umas coisitas mas acontece que não sabe para mais.
Limitou-se a baixar salários, a aumentar impostos e a privatizar.
Tudo o mais são coisas sem importância, tais como, as viagens dos membros do governo em 2ª classe e outras parvoíces.
Também, convenhamos, o que se podia esperar de um grupo de miúdos cuja formação foi feita nas universidades de verão da JSD?


De Alexandre Poço a 24 de Setembro de 2012 às 23:07
Não concordo com a sua análise, embora reconheça que as "reformas estruturais", ou demoram a aparecer ou lentamente vão sendo enfiadas - uma a uma - na gaveta. Mas também o que se pode fazer num país onde qualquer ideia que fuga um pouco ao status quo é logo rotulada de "experimentalismo"?


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