Segunda-feira, 8 de Outubro de 2012
por Pedro Correia

«Um aluno universitário, escudado na 'coragem' da turba, achou-se no direito de dizer ao primeiro-ministro, de visita à sua Faculdade: "vai para casa, filho da puta!". Depois, deu entrevistas, como um herói estudantil, gabando-se da sua coragem e dizendo estar pronto a repetir. Após curta ponderação, a Faculdade deu-lhe a pena disciplinar de "advertência", a mais baixa. Já sabia dos largos critérios científicos exigidos em algumas universidades, agora fiquei elucidado sobre os seus critérios disciplinares e cívicos. Se insultar assim um primeiro-ministro apenas merece uma advertência, o que seria necessário para a pena máxima de exclusão - que ele matasse o PM e esquartejasse o cadáver em público? A Faculdade em causa, o ISCSP, veio assim juntar-se à maralha dos que, a coberto do anonimato impune da net, insultam, ofendem, inventam, mentem e difamam livremente quem quer que desempenhe funções públicas.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso de sábado


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15 comentários:
De Marão a 8 de Outubro de 2012 às 23:10

Faz muitos anos, li num jornal de que não recordo nem origem nem autor, uma peça de que guardei o recorte, achado já amarelecido em operação de limpeza caseira. Sacudido o pó, além de o poupar ao caixote do lixo pela actualidade que sugere, pelo abanão que provoca e pela reflexão que impõe, não resisto á tentação de o propor para transcrição:
"O POVO QUE TEMOS - Quem tiver paciência, e oportunidade, de ler e consultar os jornais de há 60 ou 70 anos, e mais, e se der ao trabalho de comparar o que então se dizia e fazia, com o que actualmente se diz e faz, não pode deixar de se surpreender com o paralelismo flagrante de situações e de oratória política. Com efeito, dando mostras do mesmo congénito sinal de incapacidade entre a manifestação da vontade e a capacidade de traduzir a mesma em actos positivos, o português, cada vez mais aferrado a hábitos de calaceirice e indolência mental, propõe mas não actua, perora e denuncia mas, para tanto prefere sempre o anonimato, projecta mas não realiza, e sem verdadeiro e autêntico sentido de humor, fabrica piadas ou faz anedotas. No capítulo físico , é teso, mas quanto a valentia, que é aceitação racional e calculada dos riscos e do perigo, vai-se contentando com os "brandos costumes", e a crença do que é preciso é sorte e dinheiro para gastos. De modo que, a par das pseudo-soluções em que é fértil, consente, perfeitamente à vontade, o crime, a desonestidade, a violação do Direito, e o "gamanço", a que chama "esperteza". Verborreico e superficial, por atavismo, não possui qualquer sentido dramático da existência - e aqui se diferencia basicamente do espanhol - e é capaz de misturar, facilmente, o heroísmo com a cobardia. Saudavelmente, porém, diante do pior drama, faz pilhéria. É este o Povo que temos".


De Pedro Correia a 9 de Outubro de 2012 às 17:31
Fez bem em guardar o recorte, Marão.


De Judite França a 9 de Outubro de 2012 às 17:45
Belo excerto da crónica do MST.


De Pedro Correia a 9 de Outubro de 2012 às 19:04
Merece aplauso.


De Rodrigo Saraiva a 9 de Outubro de 2012 às 19:02
estava com saudades de concordar com um parágrafo do MST


De Pedro Correia a 9 de Outubro de 2012 às 19:05
Este encheu-me as medidas, porque expressou exactamente o que eu penso sobre este assunto.


De Cobarde a 9 de Outubro de 2012 às 22:11
O Sr. Miguel Sousa Tavares, uma vez num programa de televisão, insultou os meus avós que deixaram tudo quanto cá tinham e foram trabalhar para as antigas colónias. Disse ele que as pessoas como os meus avós só lá tinham ido para se encherem (mais ou menos isto). Resta dizer que os meus avós foram ensinar nas missões laicas da república, viveram em cubatas e apanharam doenças no fígado que provocariam, anos mais tarde, a morte de um deles, devido à água que bebiam.
Quanto a difamações a quem exerce cargos públicos, só se for para rir que o Sr. Miguel Tavares se sinta impressionado.
Que o Sr Miguel Tavares se preocupe com o que diz um estudante a um membro do governo é que a mim me espanta. Se fosse uma pessoa culta, saberia que os estudantes, desde a idade média, nunca foram exemplos nem de virtudes nem de compostura. Basta ler as cartas de Abelardo, um doutor de Paris do século XII.


De Pedro Correia a 9 de Outubro de 2012 às 23:56
Devo portanto deduzir do seu eruditíssimo comentário o seguinte:
a) insultar os seus avós é mau;
b) insultar um primeiro-ministro de visita à faculdade a convite da direcção do próprio estabelecimento é "porreiro".


De xico a 10 de Outubro de 2012 às 00:16
Não, não é porreiro. E o epíteto de cobarde é o quê?


De Pedro Correia a 10 de Outubro de 2012 às 00:28
Cobarde deve ser auto-ironia. Só isso. Até tem graça.


De xico a 9 de Outubro de 2012 às 22:22
Já agora, Miguel de Sousa Tavares também escreveu sobre os insultos aos membros do governo que o capelão das Forças Armadas proferiu na televisão?


De Pedro Correia a 9 de Outubro de 2012 às 23:57
Para isso não chegaria uma edição inteira do 'Expresso'.


De Francisca Prieto a 9 de Outubro de 2012 às 22:47
Um par de estalos no puto, pespegados pela mãezinha, não estaria nada mal.


De Pedro Correia a 10 de Outubro de 2012 às 00:00
Qualquer imbecil que diga duas alarvidades e três palavrões atinge hoje o estatuto de celebridade, Francisca. Estamos a criar um caldo de cultura que há-de ter belíssimos resultados. Com o inestimável contributo destas direcções universitárias politicamente correctas, incazes de censurar quem confunde uma Faculdade com o mercado do Bolhão.


De Cobarde a 10 de Outubro de 2012 às 00:38
No mercado do Bolhão o primeiro ministro pode ser insultado?


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