Quarta-feira, 31 de Outubro de 2012
por Filipe Miranda Ferreira

 

Da Tática:

 

Este governo por vezes parece um navio à deriva, sem rumo certo, avançando e recuando consoante os ventos dominantes. Os últimos dois meses têm mostrado uma inquietude exasperante para o observador externo. Estes avanços e recuos a serem uma estratégia de comunicação política e de aferição da realidade por parte dos partidos que compoem o Governo são um erro crasso. Demonstram fraqueza e tibieza. Caso estes avanços e recuos sejam meramente casuisticos então ainda pior... parecem amadorismo. O recente apelo de Passos Coelho a uma "refundação" do Estado, sem nenhum enquadramento prévio, sem nenhum spin por parte dos comentadores próximos do Governo, sem nenhum comprometimento político por parte dos membros do executivo parece uma operação política com tudo para correr mal à partida.

 

Da Estratégia:

 

António José Seguro e o PS podem perder uma oportunidade de ouro para terem uma vitória tática e estratégica. Vitória tática porque sempre poderiam argumentar que foi a sua estratégia que forçou o Governo a ajoelhar-se e a negociar nos seus termos, aliviando futuras despesas adicionais aos portugueses já tão fustigados ao nível fiscal. Vitória estratégica porque sem esta "refundação" do Estado, que só pode ser feita com o apoio do PS, o país entrará muito provavelmente em incumprimento das metas do memorando de entendimento, podendo mesmo vir a chegar a um 2.º pacote de ajuda externa com todas as óbvias implicações ao nível do aumento da austeridade. Basta olhar para a Grécia. Caso isto aconteça, o PSD e o CDS já têm a narrativa certa para as eleições legislativas.

 

O país está dependente da capacidade de António José Seguro e do PS de não cometerem este erros. Táticos e Estratégicos.

Deus nos ajude.

tags: , ,

tiro de Filipe Miranda Ferreira
tiro único | comentar | gosto pois!

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds