Domingo, 13 de Janeiro de 2013
por Carlos Faria

Acabou há momentos o XX congresso do PSD-Açores, na sequência do qual foi eleito pela primeira vez em eleições regionais e ratificado em congresso, o projeto de um líder do partido sem ser das duas principais ilhas do Arquipélago: Duarte Freitas, natural e residente na ilha do Pico.

Duarte Freitas entra com uma vontade de uma renovação profunda e de tal modo que nenhum elemento eleito na nova Comissão Politica Regional é repetente. Aprovou uma moção global estratégica "Reestruturar, Reformar e Renovar" e promoveu a uma alteração dos estatutos que não só diminui o peso das inerências como reduz o número de elementos nos órgãos do PSD-Açores. Embora assuma não cortar com os históricos.

No discurso final do congresso foi evidente que as relações partidárias regional e nacional não vão ser fáceis. Sendo o PSD-Açores uma estrutura autónoma e, como tal, com uma estratégia própria, as diferenças não são de estranhar. Contudo, sendo os Açores uma região pequena e arquipelágica o papel interventivo do governo sempre foi muito significativo na economia regional, o que tornou desde o início o PSD-Açores muito menos liberal do que no Continente e estando há mais de 16 anos seguidos na oposição, área onde em Portugal se tende a ser muito mais à esquerda do que no poder, é normal que nos Açores as simpatias na família laranja sejam mais próximas da social-democracia pensada em 1974 do que na atual estrutura liderada por Passos Coelho.

No encerramento as diferenças ideológicas nos discursos de Duarte Freitas e do líder nacional ficaram bem patentes. Mais: embora o líder regional tenha deixado claro que muito pelo que estamos a passar resulte dos erros socialistas em Lisboa e no Arquipélago e de ter assumido a necessidade de se respeitar o compromisso com a troika, assinado no governo de Sócrates, também não deixou de salientar que apesar do memorando entre o Governo dos Açores e o da República reforçar compromisso internacional de redução do diferencial de impostos de 30 para 20% entre a Região e o Continente, ele, líder do PSD-Açores, discorda.

Passos Coelho, tentou rebater alguns mitos sobre as vias alternativas e os insucessos da sua política e deixou claro que não se deixa demover na sua estratégia, apesar das vontades insulares. A nova Lei de Finanças Regionais será o primeiro combate com Duarte Freitas, ficando por definir qual a margem entre a solidariedade interna do PSD-Açores com a estrutura nacional e a autonomia das decisões para defender os interesses regionais, sabendo-se ainda que o PS-Açores, por dificuldades financeiras, assinou de cruz e sem discutir na Região a aceitação das imposições de Lisboa, mas inunda a comunicação social com discursos contrários ao acordado e culpa sempre o Continente de todos os seus erros e compromissos impopulares.


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3 comentários:
De Flic Flac a 13 de Janeiro de 2013 às 22:45
Estive lá e o Carlos Faria consegue fazer um excelente resumo. Contudo, não será de esquecer que Duarte Freitas deu um mote de separação entre a social democracia, tal como ele a vê, e aquela que poderá resultar, por confusão de famílias europeias, com o PS. Há ali algo de doutrina social da Igreja que merece crédito. E Duarte Freitas afastou-se completamente e denunciou a Esquerda, apontando o dedo ao partidos que defendem ditaduras, como o PC e o BE (e disse-o) e o PS, seja regional ou nacional, enquanto estatista puro. Isto é, a sua caracterização de social democracia vem tocar em valores normalmente conotados com a Direita, como a liberdade, pessoal e economica, a iniciativa privada, as obrigações e capacidades de os cidadão não dependerem do Estado, mas defendendo que há obrigações de protecção dos cidadãos que cabem ao Estado, enquanto garante.


De Carlos Faria a 14 de Janeiro de 2013 às 10:57
Além de tudo isso ser verdade, agrada-me ele assumir publicamente que está numa corrida de fundo, cuja uma possível derrota em 2016 não implica a sua queda.


De Flic Flac a 15 de Janeiro de 2013 às 14:35
O que será de louvar se tal acontecer, obviamente e só, em caso de derrota eleitoral, sem que haja quaisquer circunstâncias anómalas que a isso obriguem. Mas, nesse caso, creio que ele tem discernimento mais do que suficiente para se aperceber.


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