Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013
por Carlos Faria

Alguns gostam de interrupções da democracia para pôr os países em ordem e depois retomá-la já de casa arrumada à sua maneira, nem que para isso tenham de manter  a fachada de democracia e impôr Primeiros-ministros não eleitos que sejam da sua confiança estratégica. Fantoches manobrados de políticas impostas.

Por vezes esses mesmos amantes da democracia condicionada têm a sorte de um Estado eleger democraticamente um Primeiro-ministro da sua confiança  e então corre-se o risco de até esse Governo pensar que tem legitimidade para governar apenas pela cartilha desses amantes de  democracia com interruptores, que ora ligam, ora desligam.

Em democracia pode-se governar com medidas impopulares bem fundamentadas e com uma equipa técnica e moralmente credível, pois estas por vezes são até necessárias, mas não se pode governar sempre contra o povo apenas em benefício de uma credibilidade externa. Tanto num caso, como no outro, a curto ou médio-prazo a democracia tende a rejeitar aqueles amados só pelos que não os elegeram e, por norma, com grande ruído apostam no oposto da via que se seguia. O Cinco estrelas na Itália de hoje e o Syriza na Grécia de ontem são exemplos disto e deixam esta Europa atordoada, só espero que esta perceba antes que seja demasiado tarde.

A democracia regressou à Itália e como em democracia a política é o espelho do povo, os italianos votaram romaticamente no caos, contra uns sisudos e rijamente arrumados que lhe interromperam a democracia, só espero que estes sejam capazes de se adaptar à realidade e diversidade da Europa e permitam soluções equilibradas para todos, para bem de toda uma União Europeia e de todo o Velho Continente.


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9 comentários:
De Vortex a 26 de Fevereiro de 2013 às 21:41
siga o enterro


De Carlos Faria a 27 de Fevereiro de 2013 às 09:30
Depende de qual o enterro que está a ver:
Enterro dos que não querem ver que as coisas têm de ser diferentes nesta Europa? (o que eu desejo)
Enterro daqueles que não queriam Berlusconi e que sem votos lhe tiraram a legitimidade do cargo que ocupava e agora pelos votos volta a ter uma palavra a dizer? (eu não gosto minimamente dele, mas isso é outra coisa)
Enterro de quem usurpa o poder com base num diretório Europeu? (os que gosta de democracia com interruptores)


De Vortex a 27 de Fevereiro de 2013 às 15:33
a tara contra Berlusconi trata-se no psiquiatra.
sou anarca e maçon.
todos sabem tudo de tudo menos eu.
conheço in loco a situação italiana. estudei em ROMA TRABALHEI NA INDÚSTRIA MILANESA
a europa desintrutrializou-se a favor dos serviços com os óptimos resultados que se conhecem.
os juros sobem a bolsa desce.
vamos na 3ª e última falência


De Zé Muacho a 27 de Fevereiro de 2013 às 00:38
Não é um comentário mas assim um pedido de ajuda para resolver um mistério.
Alguém sabe qual foi o valor da abstenção nas eleições italianas?
Já fiz todas as pesquisas possíveis, incluindo os jornais italianos, e o número não aparece em parte alguma


De Carlos Faria a 27 de Fevereiro de 2013 às 09:26
Infelizmente também não encontrei nada... talvez não convém saber.


De JPCT a 27 de Fevereiro de 2013 às 10:51
Muito giro o resultado das eleições italianas e muito giro o comentário. Convém é lembrar que também na Escandinávia, no Benelux, na Áustria, na Alemanha, e no Reino Unido vigora a democracia. E convém lembrar que é a estes "sisudos" eleitores que se exige que banquem o "caos romântico" dos eleitores italianos (e dos bloggers portugueses). Há, de facto, uns maduros que esperam que os primeiros sejam "capazes de se adaptar" aos segundos. "Good luck with that".


De Carlos Faria a 27 de Fevereiro de 2013 às 13:08
Vários aspetos diferentes se misturam no artigo e nos comentários:
Não escondo no artigo a necessidade de disciplina, está lá escrito "pode-se governar com medidas impopulares bem fundamentadas e com uma equipa técnica e moralmente credível, pois estas por vezes são até necessárias". Penso e fica claro que Portugal, e não só precisam de disciplina, tal como exijo moralidade e credibilidade dos executivos que as aplicam e aqui cada um tire a cota-parte que considerar aplicável ao nosso País.
Discordo de interrupções da democracia, a ideia forte do artigo, quer como as veiculadas "ironicamente" por uma ex-lider do partido que milito, quer por substituição de um Primeiro-ministro por um diretório externo sem ir antes a votos.
Segundo, nesta crise europeia há culpas desde Alemanha, passando pelos Benelux (que tal nenhum destes funcionar como uma offshore?) e vindo até ao sul mediterrânico com todo o despesismo, obras megalómanas e repartição de benesses mais mais aceleradas que as sustentabilidade dos seus orçamentos em bens transacionáveis. Só que isto ocorreu às claras e com a aceitação de todos, sisudos e românticos, inclusive com incentivos dos sisudos para destruir a agricultura, pescas e outras indústrias meridionais em benefício próprio... e daí a necessidade de soluções equilibradas, pois ninguém está inocente e isto deve ser feito em democracria sempre.
A outra mensagem do artigo, é muito simples, se o pagamento da fatura dos erros de todos for apenas duramente atribuída a uma parte e se não houver equilíbrio nas medidas será o próprio Povo que escolherá vias irracionais que a todos atordoam e a democracia volta a ficar em risco.
Percebeu a linguagem subliminar do artigo, é que isto de ser faccioso e de achar que só um lado é bom (ideológico ou outros) leva a irracionalidades que não compactuo.


De JPCT a 27 de Fevereiro de 2013 às 15:48
Agradeço o comentário. Justamente o que me preocupa é que cada vez mais pessoas que militam no partido da ex-lider que refere e no seu parceiro da coligação (hoje ouvi o Dr. Pires de Lima a dizê-lo com todas as letras) parecem não ter a percepção que discutir "culpas" quanto ao papel dos países do Norte no colapso financeiro dos países do Sul (enquanto se lhes pede o Céu e se lhes recusa a via sacra), pode aumentar "page views", vender livros e ganhar votos de Rodes até Calais, mas daí para cima não vale nada. Assim, dada a absoluta dependência em que os países do Sul se encontram dos do Norte, essa discussão é tão útil como apurar quem ia ao leme enquanto o Titanic se afundava (e estas novas de Itália são um colossal icebergue).


De Carlos Faria a 27 de Fevereiro de 2013 às 16:20
Pois, mas como pretendi alertar no artigo, este iceberg cresceu por falta de sabedoria europeia em enfrentar a crise e toda a União Europeia está dentro do mesmo Titanic (incluindo a Alemanha) e tal como na Roma antiga, há bárbaros à espreita do naufrágio deste império.


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