Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2012
por Rui C Pinto

Exportações do setor da Saúde ultrapassam os 730 milhões de euros

 

"A exportação de produtos farmacêuticos de base, de preparações farmacêuticas, de equipamentos de radiação, eletromedicina e eletroterapêutico e de instrumentos e material médico-cirúrgico colocam o setor da Saúde a crescer acima da média nacional de exportações de bens no mesmo período. (...) O HCP (Health Cluster Portugal) aponta como objetivo para o setor da Saúde, até 2020, o lançamento de 5 novos fármacos made in Portugal, de 50 dispositivos médicos e métodos de diagnóstico, e alcançar 4.000 milhões de volume de negócios, dos quais mais de 70% representarão exportações."


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Sábado, 1 de Dezembro de 2012
por André Miguel

Esta prosa do colega de armas José Meireles Graça conduziu-me a esta vacuidade do Sr. Daniel Oliveira, o qual se mostra muito preocupado com a saída do país da geração melhor preparada.

Como emigrante agradeço desde já o adjectivo sobre a preparação, a qual na cabeça do Sr. Daniel Oliveira deve-se, certamente, unicamente à aposta na educação que o Estado depositou em nós. Isto de vivermos num mundo sem fronteiras, com liberdade de escolha e mérito próprio para procuramos o melhor, são coisa de somenos na cabeça da maioria da nossa esquerda. Se até Obama diz que não devemos a nós o nosso sucesso mas sim a terceiros é porque deve ser verdade… Enfim, adiante.

A certa altura atira o Sr. Daniel que este jovens “Eram sobrequalificados para o tecido empresarial português, que, por culpa própria e do Estado, não acompanhou o investimento público na qualificação do trabalho”. Engana-se meu caro. Foi precisamente o excesso de investimento público, o incentivo, a procura do progresso, o apoio e o subsídio financiado com os impostos sugados aos privados, juntamente com o crédito fácil e barato para o Estado que fez com que os nossos empresários, mesmo acompanhando a nossa qualificação, não tivessem meios de nos oferecer oportunidades. O Estado glutão tudo comeu e nada deixou até à entrada em cena do FMI. Como emigrante lhe confesso que dispensaria bem todo e qualquer apoio do Estado à qualificação do meu trabalho, deixe lá isso para quem paga os ordenados. O único apoio que o Estado devia dar ao mercado de trabalho era não apoiar o mercado de trabalho, sair da frente e deixar aos privados essa tarefa; o Estado não deve ser regulador e jogador.

Quanto à preocupação de não regressarmos permita-me tranquilizá-lo, pois regressaremos, fique tranquilo pois gostamos muito do nosso cantinho à beira mar. Também não se preocupe que sua santidade o Estado não ficará sem mão de obra qualificada. Hoje partimos, já expliquei as razões, mas depois de arrumar a casa, depois de todos os estragos de anos a fio a incentivar a qualificação do trabalho estiverem minorados, não se preocupe que Portugal voltará a necessitar os melhores e nessa altura lá estaremos e se não formos nós, certamente, outros estarão disponíveis. A certa altura diz ainda que “Desprezamos, enquanto povo, quase todas as conquistas dos últimos quarenta anos”. Fale por si, pois eu, jovem emigrante, tal como a minha família, orgulho-me de todas as conquistas de Portugal, pois não esqueço as histórias de miséria dos meus pais e avós no Alentejo do antigamente. E não, o país que construímos nas últimas décadas não está a partir, está a reconstruir-se. Até lá é aguentar, tal como nós emigrantes aguentamos a sua preocupação bem falante.


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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

 

 

No Chicago Tribune, podem ler um artigo bastante crítico a Hollande e aconselhando-o a seguir o exemplo do governo português. Não fiquei surpreendido. Como sabem aqueles que leram os meus últimos escritos sobre o governo e as medidas que estão a ser seguidas, continuo muito céptico das opções fiscais seguidas pelo ministro das finanças. Não tenho nem evitado nem escondido as minhas sérias dúvidas (ler os artigos "Matar o doente com a cura").

 

No último fim de semana, na TSF, tive a oportunidade de ouvir o discurso de Pedro Passos Coelho na Madeira. Salvo melhor opinião, esta foi a sua melhor intervenção dos últimos meses. Explicou com clareza e foi, finalmente, um discurso político. É raro ver um político assumir e defender um caminho que, obvimente, é impopular. O objectivo dos politiqueiros é ganhar sempre e a qualquer custo. Os políticos a sério e sérios preferem fazer o que ainda não foi feito e precisa de o ser, mesmo que seja impopular. A sua decisão terá, na minha opinião, consequências terríveis para o seu partido já nas autárquicas de 2013. A minha dúvida reside apenas num ponto e que ponto: será este o caminho correcto para endireitar o país? Será desta forma que vamos ter uma economia saudável? Não sei. Na minha opinião, a política fiscal seguida por Gaspar vai prejudicar toda a estratégia (o melhor exemplo é o IVA da restauração). Não acredito que com esta gigantesca carga fiscal se recupere as finanças e a economia. O IVA e o IRS podem representar a morte da já diminuta classe média. Vamos ver. Posso, espero, estar enganado. 

 

Contudo, os portugueses, demonstram a sua inteligência. A oposição, sobretudo o PS, não apresenta alternativas. O Partido Socialista está enredado numa pouco discreta luta interna de poder com Seguro a fazer verdadeiros "pactos internos com o Diabo" e Costa a somar apoios atrás de apoios, até nas hostes de Seguro. Hoje, para mal dos nossos pecados, temos um Secretário-geral do PS que sempre que faz uma intervenção política está a falar para dentro, a procurar retirar espaço aos seus opositores em vez de falar para o país e se constituir, a si e ao seu partido, como uma alternativa. Ironicamente, faz mais oposição ao governo o CDS (simulando estar fora quando está dentro, bem dentro) do que Seguro.

 

Neste ano e meio de governo PSD/CDS muito foi feito. Externamente somam-se elogios. Internamente pairam as dúvidas. A crise em Espanha é bem mais profunda do que se pensa. Os nacionalismos (Basco, Catalão e Galego) podem fazer implodir o nosso vizinho. O caminho que hollande está a trilhar em França é um prenúncio de desastre. E as eleições na Alemanha tardam...Numa Europa adiada é caso para concluir que nada ajuda. Nada. Fica a coragem de Pedro Passos Coelho.

 

Por estes dias, só espero que a teimosia fiscal de Gaspar não deite tudo a perder...

 


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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2012
por Carlos Faria

Quando tudo aparentemente parecia ir bem em Portugal, pois os bancos cobriam a falta de rendimentos das pessoas e do Estado com empréstimos para permitir um consumo desenfreado que alimentava o crescimento da economia, as estatísticas eram geralmente positivas. O Povo e os poderes político e financeiro pareciam estar na generalidade felizes com a estratégia em curso, embora alheios ao facto de estarem a comprometer o futuro.

Nesses tempos, algumas vozes raras e isoladas de economistas sensatos alertavam para a insustentabilidade da via que se estava a seguir com a  justificação de que as dívidas necessitam de se limitar a uma fração dos rendimentos para não se atingir uma situação de rotura  com a impossibilidade do seu pagamento, momento a partir do qual o sistema entraria em colapso.

Em paralelo, outro grupo com preocupações bem diferentes, remava contra o otimismo cego reinante e com muitos a usar a voz do bom senso: os ambientalistas. Estes alertavam para a necessidade de se racionalizar o consumo, implementar a reciclagm, a reutilização e mesmo a sua redução ou reparação artigos de forma a  diminuir a pegada ecológica, os gastos dos recursos e a produção de resíduos, pois a Terra é limitada nos seus bens para sustentar o aumento demográfico, o crescimento imparável do consumo nos países desenvolvidos e o alatramento desta situação aos países emergentes.

Hoje em crise, muitos dos economistas sensatos matém-se como pessoas duras ao dizerem o que não nos agrada em termos de sacrifícios, enquanto muito dos insensatos de antes persistem na receita do consumismo para se sair da crise e, mesmo com o Estado falido, vendem a ideia de que a solução é continuar no erro... considero normal que muitos dos que não tinham bom senso antes o passassem a ter agora.

Contudo, passei a estranhar que alguns ambientalistas, alguns dos quais falavam da insustentabilidade do vício consumista do capitalismo e associados a grupos de esquerda, de repente, mesmo sem apagar em definitivo várias premissas ecológicas, passaram a ter um discurso que aponta para a saída da crise através do aumento do consumo, como se isso agora fosse ambientalmente sustentável, e é vê-los aí em blogues e nos órgãos de comunicação social num volte face incrível.

Enquanto isso, para os ambientalistas convertidos à saída da crise pelo consumo, um dos resultados da insustentabilidade deste método em termos globais está à vista. Encontrar receitas para a crise sem comprometer o ambiente é um novo desafio que não se  submete às lutas político-ideológicas oportunistas.


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Sábado, 17 de Novembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

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Sábado, 3 de Novembro de 2012
por Carlos Faria

Vivemos num momento crucial para se conseguir adequar o modelo socioeconómico e político de Portugal à realidade conjuntural e estrutural do País do início do século XXI sem desrespeitar de forma preconceituada os valores fundamentais de Abril: a liberdade e a justiça.

Certo que há quem confunda liberdade e justiça com a imposição da sua ideologia, mas há também quem esteve em governos e não foi capaz de corrigir a herança complexa do passado e como tal deixou os problemas para que outros os resolvessem no futuro.

Infelizmente, depois de não ter sido capaz do difícil, só tem criado dificuldades a quem com maior ou menor imperfeição corajosamente se esforça por mudar os constrangimentos que nos colocaram à beira da bancarrota. Só que pior do que dificultar, considera ainda a democracia uma barreira às reformas fundamentais do Estado, como se a falta de democracia, mesmo que temporária, fosse algo melhor que a austeridade ou gerasse desenvolvimento e fosse justa.

Eu por mim não tenho complexos de assumir que acredito na democracia e é nela que considero viável criar-se um futuro melhor, mesmo no seio das dificuldades.


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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2012
por jfd


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Domingo, 21 de Outubro de 2012
por Rui C Pinto

Tecnológicas, Farmacêuticas e Saúde continuam a contratar

 

"Um recente inquérito às empresas portuguesas vem confirmar que os sectores de Farmacêutica e Cuidados de Saúde e Tecnologias de Informação são os que continuam com intenções de contratar, apesar da crise e do agravamento do desemprego. De acordo com o ‘Hiring Survey' a 135 empresas da ‘head hunter' MRI Network Portugal, é nestes sectores que se encontram mais empresas a admitir ter planos para fazer contratações, ao longo deste ano, (19% e 20%, respectivamente)."


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por André Miguel

Com mais um governo sob fogo cerrado e com a contestação nas ruas como há muito não se via começa a instalar-se a ideia de Portugal ser um país ingovernável.

Três falências em 38 anos de democracia não são para qualquer um e são motivo mais que suficiente para equacionar o epíteto de Estado falhado. Bem sei que o adjectivo é forte demais, mas um Estado no qual os seus cidadãos têm a sensação de que a justiça não funciona, onde há impunes, onde é quase impossível enriquecer sem as ligações certas, onde mais que cidadãos são tratados apenas como contribuintes sugados para a bancarrota e onde os seus salários são pagos de forma recorrente pelo FMI não merece ser considerado um verdadeiro Estado. Por muito que nos doa é hora de encarar a realidade: o regime não funciona. E não vale a pena vir dizer que as elites são fracas e as lideranças mais fracas ainda, que o são, mas foram paridas no seio do mesmo povo que governam, nasceram no mesmo país, andaram nas mesmas escolas e universidades que todos nós, e um povo que faz da selecção de futebol um desígnio nacional e do fado um estilo de vida tem as lideranças que merece. Já se disse que não governamos, nem nos deixamos governar. Nada mais longe da verdade, o problema é não nos interessarmos sobre como devemos ser governados. Quando a exigência e o mérito não são apanágio da prática diária de um povo é mais que normal surgirem lideranças fracas. E quando falo de exigência não me refiro a ir para a rua gritar palavras de ordem quando nos vão ao bolso, mas por exemplo manifestar um pouco de indignação quando um certo emigrante em Paris prometia o paraíso com dinheiro dos outros a troco de duplicar a dívida pública.

É por esta falta de exigência, este "deixa andar", este "depois logo se vê", que o país chegou a um estado perto do irrespirável, a um estado em que o chico-espertismo e o amiguismo levam a avante sobre o mérito e o esforço. Não por acaso nem um só político em Portugal se atreve a prometer trabalho, esforço e sacrifícios em campanha eleitoral e ele vê-se onde as facilidades e o progresso nos trouxeram... Só mesmo por manifesta ingenuidade muita gente ainda se pergunta porque quando emigramos mudamos tão radicalmente e lá fora somos excelentes em tudo o que fazemos. Nada mais fácil: o esforço recompensa, mesmo sabendo que nos espera muito trabalho. E em Portugal? Saberemos de que servirão os sacrifícios e o imenso trabalho de hoje? Se não, talvez seja hora de repensar de vez o sistema e recomeçar de novo.


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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2012
por Carlos Faria

Hoje, quando me preparava para tomar o pequeno almoço em Évora três pessoas que deduzi familiares entre si na mesa ao lado lamentavam-se das dificuldades para a empresa (presumi pequeno comércio), contudo o término da conversa foi revelador da forma de pensar deste País:

- Mas saiu um programa de incentivos a esse tipo de situações segundo ouvi do Ministério da Economia. - Disse uma pessoa ainda jovem.

- Pode lá ser verdade, este governo não dá apoios a pequenas empresas, apenas a grandes. - Contra-argumentou uma pessoa mais idosa.

- Lá isso é verdade. - Concordou a primeira.

- Pois, não sei como é que vai ser mesmo para eu ir em frente. Concluiu desanimadamente a pessoa que deveria ser responsável pela empresa.

 

Não sei se existem ou não incentivos para o caso em discussão, mas o preconceito contra este governo parece ter matado à partida qualquer tentativa de solução para a empresa em causa e esta dificuldade está enraizada no povo e é alimentada também por alguns políticos oportunistas que são rápidos na crítica e lentos na apresentação de propostas alternativas.

É verdade que é mais fácil mudar o governo que o povo, mas é bem mais difícil sair da crise com preconceitos que inibem o empreendorismo e a busca de soluções.

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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2012
por José Meireles Graça

 

(*)

 

Hoje é dia de orçamento, o documento que, via fugas, antes de o ser já o era.

 

É um documento trágico: quase ninguém acredita que a pauperização da classe média seja caminho para lado algum. Não porque seja possível pagar dívidas sem apertar o cinto, mas porque o violento esbulho do rendimento ainda disponível é feito em nome de uma inevitabilidade sem outra esperança que não seja os credores abrirem os olhos a tempo de verem que nem para eles estão a ser bons.

 

Entendamo-nos: o caminho que alguma esquerda defende (renegociar a dívida sem reforma séria do Estado, sem diminuir as despesas sociais, e sem nenhuma receita para o crescimento que não seja o consumo) esbarra na incredulidade dos credores e no senso comum. E a ideia de que se pode dizer aos mercados que para já não pagamos, mas que o crédito deve continuar a fluir para importarmos combustíveis, alimentos, matérias-primas para a indústria e o mais que mantém o país de pé - ou decorre de ignorância, ou ingenuidade, ou má-fé.

 

Nas circunstâncias a que nos deixamos chegar o Governo que temos teve uma curta oportunidade de reformar o Estado, se tivesse concentrado todos os seus esforços na correcção do défice pelo lado da despesa e não hesitasse no tratamento a dar aos poderes fácticos do sector financeiro, dos plutocratas, dos sindicatos, das associações patronais e das opiniões estatistas, que são quase todas. Não foi assim e agora é tarde. Haveria convulsões, a popularidade ficaria num frangalho, o ambiente social não seria muito diferente do que é, a berrata das esquerdas seria, se possível, ainda mais estrídula, quando houvesse eleições perdê-las-ia - mas nem a queda do produto seria tão grande, nem a perspectiva de recuperação tão distante, nem a autoridade para discutir com os credores tão enfraquecida.

 

Numa palavra, preferiu-se a água choca do diálogo social, dos panos quentes, das reformazinhas, dos cortezinhos e das medidinhas. Quando, numa reforma do instituto das fundações, se faz um corte de apenas 30% à Fundação Mário Soares, um monumento dispendioso ao ego daquele heróico fóssil; quando se tratam com panos quentes os empresários de retorno garantido das PPPs e a banca que está por detrás; quando se deixa em paz o sorvedouro da RTP; ou quando se deixa cair a reforma dos municípios, para não perturbar as doces sinecuras dos senhores autarcas treteiros e sempre grávidos do próximo melhoramento - está tudo dito.

 

Alguma coisa ficará, muito mais do que ficaria se fôssemos pastoreados por um Seguro, ou um Costa, ou qualquer outro da longa lista de criadores de riqueza via Decreto-Lei e dinamismos públicos sortidos. Mas será pouco.

 

Para quem defende o que eu defendo, e que agora me dispenso de repetir, um pouco de cinismo autorizaria que pensasse: quanto pior, melhor. Nada disso: pena-me que o Governo mais à direita em quase 40 anos deixe de si a imagem de ter querido fazer tarde o que não teve coragem de fazer cedo; de ter sido forte com os fracos, por ter que ser, sem ter sido forte com os fortes, como devia; e que em momento algum tenha parado para pensar que futuro sem Euro e que, se não acredita já no caminho que os credores apontam, deveria ter o carácter de dizer: não sei para onde vou, mas sei que não vou por aí.

 

____________

 

* Fotografia: Margarida Bentes Penedo

 


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Domingo, 14 de Outubro de 2012
por Alexandre Guerra

Dizia alguém a este arregimentado que no próximo Natal vai fazer o Presépio apenas com dois Reis Magos, Baltasar e Belchior. 

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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012
por André Miguel

Com o país ligado às máquinas da troika, com a liderança obcecada com o saque fiscal contínuo, como remédio capaz de matar mais que a doença, em que o único sinal de vida da economia vão sendo as exportações, eis que surge uma greve nos portos nacionais, precisamente na altura do ano em que este sector apresentaria maior actividade.

Mais grave se torna depois de sabermos que as exportações nacionais aumentaram 13,7% em Agosto.

Além dos óbvios prejuízos para toda a nossa economia junta-se a enorme perda de credibilidade do país nos mercados externos pela incapacidade das nossas empresas honrarem os compromissos assumidos para com os seus clientes. Se esta situação não é terrorismo económico não sei como a poderemos classificar.

E ainda se fala por aí numa tal de economia do mar, seja lá o que isso for...


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Terça-feira, 9 de Outubro de 2012
por Miguel Félix António

O tsunami fiscal imposto aos portugueses revela uma voracidade que, além de assustadora, representa uma incapacidade endémica por parte do Estado para fazer as reformas e a racionalização da despesa pública. A extracção de mais de metade dos rendimentos do trabalho a uma percentagem significativa da população, apresenta-se como a única forma que o Governo conseguiu encontrar para tentar estancar a dívida. O prometido em campanha eleitoral pelo PSD, e fundamentamentalmente pelo CDS, há não tanto tempo como isso, já soa a espólio da antiguidade. Relembre-se o incumprimento praticamente total quanto a redução dos apoios a Fundações e Associações, a reorganização do Estado nas vertentes central, regional e local (quais os municípios que vão ser agrupados?), Universidades e Politécnicos (com cursos sem inscritos e cada vez com empregabilidade mais nula), diminuição de titulares de cargos políticos (para reduzir deputados não é preciso alterar a Constituição...), etc., etc. etc. Mas não sei o que é pior, se o tsunami fiscal, se a demagogia low-cost da oposição parlamentar que reclama em simultâneo diminuição de impostos e manutenção ou aumento da despesa pública. Fiquei aterrado ao ver o desplante de Carlos Zorrinho defender ainda há poucos dias, para além de um novo banco público, a permanência de funcionários públicos contratados a prazo que o Governo anunciou ir dispensar, como forma de procurar diminuir despesa publica. O problema maior é que não existe alternativa política no quadro parlamentar às malfeitorias infligidas por este Governo. Como alguém já escreveu, quando as democracias não são capazes de dentro de si produzir alternativas, sabe-se o que se segue...


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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012
por José Meireles Graça

Hoje houve aula de lavores gasparianos.

 

Portugal é há décadas uma fotografia desfocada, retocada incessantemente, a ver se fica mais nítida, quase sempre com cada emenda pior do que o soneto. Quando queremos ver um pormenor franzimos os olhos, mas não vemos todos a mesma coisa - apenas constatamos recentemente que a fotografia não cabe na moldura, porque isso entra pelos olhos dentro de quem não for invisual, infelicidade que afecta desgraçadamente uma porção considerável de cidadãos.

 

Ultimamente, tem vindo a ficar mais nítida: tinha uns espaços gordurosos, e massa muscular difusa, mas no afã de a recortar para caber na moldura, cortaram a eito, dando umas tesouradas no músculo e outras menores no branco, que se ficou a notar mais.

 

Os fotógrafos amadores lunáticos dizem: Cortar na fotografia? Mas para quê? O que é preciso é uma moldura nova, deve haver quem no-la ofereça; e, se não houver, roubamos.

 

Os fotógrafos amadores cínicos dizem: Bem, vai-se cortando como calha, sempre algum branco há-de desaparecer, e depois, quando se constatar que continua a não caber, recorre-se a um martelo.

 

Os fotógrafos amadores ingénuos dizem: Bem, vamos cortando até caber. Havemos de cortar tanto que, mesmo que a moldura encolha, chegará o momento em que tudo encaixa e tráz - a coisa fica firme.

 

Os fotógrafos falsamente modestos dizem: Bom, os cínicos têm razão. Mas não há motivos válidos para esperar. Venha daí o martelo, e já tarda.

 

Se o leitor vai entender a alegoria - não estou certo; se, entendendo-a, se encaixa em alguma categoria - não imagino; e em que categoria encaixo eu - não divulgo, que agora não tenho vagar, nem presumo que haja muita gente a querer saber.

 

Mas lá que no futuro próximo ou distante há um martelo à nossa espera - há.

 


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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2012
por Rui C Pinto

Venda de carros de passageiros novos cai 30,9% em setembro e quebra do mercado é de 39,7% desde janeiro. ACAP exige medidas do Governo.

 

Exige-se, naturalmente, legislação que determine que todo o contribuinte deve consumir um automóvel novo até ao fim do corrente ano, a bem da gloriosa prosperidade dos nossos bravos vendedores de automóveis. 

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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012
por Carlos Faria

Muitos defendem que a ultrapassagem da crise das dívidas soberanas na zona euro passaria pelos eurobonds, onde na prática haveria uma compartilha das dívidas soberanas entre os Estados pobres e o ricos. Reconheço que isto seria de facto uma forma de solidariedade interestadual na eurozona. Todavia, goste-se ou não, seja justo ou não, esta ideia esbarra sempre com preconceitos em confronto:

- a desconfiança dos mais ricos de que os mais pobres perante a solidariedade não se sabem conter e assim continuam a gastar mais do que podem; e

- a ideia de que a crise não é da responsabilidade dos mais pobres, pelo que é justo que os ricos a paguem e sejam solidários, até porque precisam dos mais pobres.

Penso que nas ideias extremadas nunca está a verdade e no que toca à solidariedade entre povos em nada distingo o facto da Finlândia e a Alemanha não quererem eurobonds para não pagarem os “excessos” sulistas; do reacender da ideia independentista da Catalunha mais rica que não quer contribuir solidariamente para outras províncias mais pobres do reino de Espanha, apesar de não ter sido capaz de não se endividar com dinheiro que lhe coube nesta repartição solidária das riquezas pelo domínio de Madrid; e das regiões Autónomas Portuguesas serem muito rápidas a pedir solidariedade nacional ou protestarem sempre que Lisboa não lhes cobre as dívidas e lhes exige austeridade ou ainda, quando beneficiária dessa solidariedade, não se endivida a curto-prazo e se recusa a sacrificar-se em favor do todo Nacional.

Na política real europeia e independentemente da escala, todos apelam à solidariedade e fogem de cumprir os encargos assumidos quando em dificuldades, mas recusam-se a ser solidários quando a crise bate à porta do vizinho, isto porque se criou um modelo de democracia que promete apenas uma melhoria continua da qualidade de vida associada ao poder de compra de forma ilimitada num planeta limitado e num Continente que durante milénios sacrificou povos e continentes para que países e impérios seus enriquecessem.


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Domingo, 23 de Setembro de 2012
por José Meireles Graça

Sempre que, sob um pretexto qualquer, mesmo que razoável, se exclui um indivíduo qualquer, que directa ou indirectamente esteja sentado à mesa do Orçamento, dos cortes a que está sujeito o funcionalismo - acho que o Governo deu um tiro nos pés.


Sempre que os abusos e exacções da banca, ou da GALP, ou da EDP, ou de uma companhia de seguros, ou de qualquer outra companhia majestática, chegam à opinião pública; e quando os responsáveis pela supervisão se escudam por trás da legislação, ou da falta de meios, ou da falta de indícios, para não fazer nada - acho que o Governo deu um tiro nos pés.


Quando o Governo anuncia cortes precisos, com data marcada, de salários ou benefícios, ou ainda aumento de impostos, ao mesmo tempo que manifesta a intenção de cortar nesta e naquela despesa supérflua - acho que o Governo deu um tiro nos pés.



Sempre que o Ministro das Finanças se exprime de forma que não é acessível a quem tenha apenas a escolaridade obrigatória, e isto quando supostamente se está a dirigir ao público - acho que o Governo deu um tiro nos pés.


E quando o Governo, num acesso de loucura, manifesta a intenção de diminuir os salários aos trabalhadores do sector privado para transferir a maior parte do corte para os empregadores - acho que o Governo não iria dar um tiro nos pés, porque virou a pistola para a cabeça.


Este assunto não é uma questão de economia, e a discussão nesses termos é limitadora ao ponto de ser estúpida. Porque nenhum economista entende a realidade sem a colocar dentro de modelos que excluem esta ou aquela variável. Ora, saber o que os Portugueses são e o que podem ou não tolerar é assunto que também pode ser discutido por economistas, se se derem à maçada de esquecer boa parte do que julgam saber. Mas não é mensurável, e não cabe numa folha de Excel.


Entendamo-nos: eu acho que mesmo que as chamadas gorduras do Estado já tivessem sido eliminadas, os barões postos na ordem, as PPPs renegociadas, e as privatizações aceleradas, a situação não seria substancialmente diferente, porque os buracos do défice e da dívida são demasiado grandes; e que quase toda a gente, incluindo os trabalhadores, recebe mais do que é possível e tem os activos, quando os tem, sobreavaliados. A prova é que, se regressarmos à moeda própria, o que se ganha e o que se tem será desvalorizado na mesma percentagem para toda a gente, a uma taxa que é anybody's guess mas deve andar entre 30 e 40%.


Mas é aqui que bate o ponto: Toda a gente.


O Governo percebeu a lição? Terá um suplemento de alma. Não percebeu? Irá de derrota em derrota até à derrota final.

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Sábado, 22 de Setembro de 2012
por Alexandre Poço

Para lá de qualquer manobra política ou indicador económico, fica o sentimento de que muito dificilmente se conseguirão realizar as ditas "reformas estruturais" daqui para a frente. Que a realidade me desminta doravante, pois seria para o bem de Portugal, mas será difícil efectuar alterações que rompam com o establishment nacional. Não se deve atirar a toalha ao chão, mas sendo realistas, somos forçados a constatar que eventuais alterações em grandes áreas da nossa vida colectiva terão sempre de respeitar os dictâmes da ideologia e cultura socialista vigentes, pelo que ficaremos sempre por alterações pontuais e não, pelas necessárias redefinições globais. O recuo por parte do governo na questão da Taxa Social Única (TSU) não significa apenas o abandonar de uma proposta, significa o início da renúncia a todo um programa que pretendia transformar de forma substancial a sociedade e o Estado, bem como, a forma de relacionamento entre ambos. 

 

PS - Cada vez acredito mais que o problema foi termos ficado apenas pela "pré-bancarrota" e nunca se ter batido verdadeiramente no fundo em Maio/Junho de 2011, como previa o então Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos. Talvez tudo tivesse sido diferente daí para a frente. 


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por Sérgio Azevedo

Número de Cidadãos em Portugal: 10 555 853 (INE)
Número de Trabalhadores no Activo: 4 837 000 (Pordata, INE)
Dívida Pública Portuguesa (2004) (M€) 90 739 (IGCP, Pordata)

Dívida Pública Portuguesa (2011) (M€) 174 891 (IGCP, Pordata)
Obrigações do Estado com PPP 2012-2050, VAL (M€) 26 004 DGTC
Dívida do Estado incluindo PPP (M€) 200 895
Défice Público Português 2008/2010 (M€) -23 354 INE–MFAP, PORDATA
Quanto devia o Estado por cada português em 2004? (€) 8 596
Quanto devia o Estado por cada português em 2011? (€) 16 568
Quanto devia o Estado por cada português em 2011, incluindo PPPs? (€) 19 032
Quanto devia o Estado por cada português trabalhador em 2004? (€) 18 759
Quanto devia cada o estado por cada português trabahador em 2011? (€) 36 157
Quanto aumentou a dívida pública por português durante a gestão Sócrates? 93%
Quanto? 93%
 


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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012
por José Meireles Graça

A CGTP está ferozmente contra o Governo. Mas a CGTP esteve sempre ferozmente contra o Governo, desde o VI Governo Provisório, nos idos de Setembro de 1975.


A UGT tem anos em que mia e anos em que ruge: em havendo muito diálogo, e uma quantidade razoável de benefícios para os seus filiados, mia.


O PCP é o PCP.


O PS tem vocação de Governo; tem mesmo, segundo a imprensa e as pessoas que pensam bem, uma espécie de direito divino a ser Governo. Os eleitores, de quando em quando, mudam o pessoal político, por causa das famosas fraldas do dito de Eça de Queirós, e entra o PSD, aclamado pela mesma imprensa que daí a uns meses já está com saudades dos outros, que sempre era uma gente mais francamente virada para o futuro, a igualdade, os bons sentimentos e assim, embora tivessem por lá umas ovelhas negras, felizmente substituídas entretanto por pessoal mais à maneira.


Chegámos aqui neste rotativismo e assim nos manteríamos se não fosse a dívida. A dívida é que é o carago, com perdão do plebeísmo. E como os credores descobriram que por trás do écran do Euro havia gente que comprava votos com empréstimos no exterior para pagar parte das promessas eleitorais, e em particular um demente português que acrescentava dívida à dívida ao ritmo de dezenas de milhões por cada nova má notícia da crise de 2008 e cada novo fato Armani, viraram a mesa.


E agora a maquineta do rotativismo emperrou. Emperrou tanto que as cartas da mesa virada estão baralhadas:


O PCP está onde sempre esteve - quer o Poder se ele cair na rua, mas não acredita que caia;


O BE quer boleia do PS para fazer uma Suécia cubana, seja lá isso o que for, não descartando mesmo a hipótese de alguns dirigentes porem fato e gravata;


O PS está partido: Seguro quer chegar ao Governo sem a troika a espreitar por cima do ombro, senão nota-se muito que tem a mão cheia de nada; Costa quer chegar a líder, ou a Presidente da Republica, o destino marca a hora; os barões querem o que os barões sempre querem - lugares; e não faltam dirigentes que acham surdamente que Seguro não tem carisma. O carisma, aliás, é uma unção que, tanto no PS como no PSD, só se adquire no Governo.


Mas o PSD também está partido: Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, António Capucho, para citar só alguns próceres, acham o Primeiro-Ministro um completo desastre e apreciariam que ele fizesse o favor de se disfarçar de fantasma, dando a vaga no Governo. Pacheco, aliás, com um discernimento que lhe faz honra, vai mesmo mais longe: quer exilar o CDS para o Parlamento, com a missão de apoiar o Governo, passando este a ser liderado por uma personalidade cujo nome não divulga, mas que dá garantias de ter a benção pachequiana. E acrescenta com um encolher de ombros impaciente: O CDS não conta! Vi eu, com estes que a terra há-de comer, na Quadratura do Círculo - Pacheco é grande.


Soares, ele, acha que diminuírem-lhe os subsídios à Fundação é um escândalo, e por isso concorda com os manifestantes que gritam: gatunos!, pelo que acha que o Governo se deve demitir.


Um cansaço.

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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012
por Carlos Faria

Uma das causas mais invocadas da recessão económica em Portugal, além da austeridade, tem sido as restrições ao crédito às empresas que o pedem insistentemente e parecem estar a precisar de injeção de dinheiro rápido para investir como o pão nosso de cada dia.

Muitas famílias encontram-se endividadas porque lhes foi facultado, em excesso para as suas capacidades e de forma agressiva, crédito de que não precisavam.

Ainda hoje uma instituição bancária telefonou-me, como cliente não empresário, a disponibilizar-me um crédito com condições vantajosas que eu não solicitei, nem estou interessado que racionalmente informei que recusava.

Pelos vistos a Banca Portuguesa não está mesmo interessada em mudar o estilo de gestão de dinheiros que levou não só o Estado, mas também numerosas famílias à aflição da bancarrota e da insolvência. Assim, não saímos da crise!


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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2012
por Carlos Faria

Não tenho complexo de caminhos diferentes, desde que me demonstrem previamente que são viáveis, melhores, mais justos, eficazes e democráticos.

Agora, confesso que suspeito muito quando alguém não eleito na presente conjuntura propõe outras vias como de salvação nacional sem dizer antes o que pretende trilhar, que medidas a implementar e ainda condiciona à exclusão de quem foi democraticamente eleito.

Mas talvez sou eu que sou desconfiado e os históricos que construíram o modelo político que nos trouxe até à situação atual do País sejam mesmo bons, não tenham culpa nenhuma de aqui termos chegado e por isso não precisem de apresentar as suas soluções às claras.


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Domingo, 16 de Setembro de 2012
por Alexandre Poço

Lusa, 17 de Setembro de 2012

 

 

Ao fim de um ano e quatro meses, o Partido Socialista regressou ao governo. O Presidente da República acaba de dar posse a António José Seguro como novo  Primeiro-Ministro de Portugal, no XXII Governo Constitucional.

 

Rodeado da sua equipa governamental, onde se encontram caras como João Galamba (Ministro de Estado, das Finanças, do Plano e do Investimento), Carlos Zorrinho (Ministro da Energia Verde) ou Pedro Nuno Santos (Ministro da Economia), o chefe de governo elencou algumas das medidas que o executivo irá tomar nos próximos dias, de forma a “recuperar a confiança do povo no país e adoptar uma política de crescimento e emprego”, a saber:

 

- Devolução imediata do imposto extraordinário sobre o IRS cobrado no subsídio de Natal dos trabalhadores no ano de 2011;

- Devolução imediata e com carácter de urgência dos subsídios de férias relativos ao ano de 2012 a todos os funcionários públicos e pensionistas;

- Criação de uma linha de crédito pelo Ministério das Finanças na ordem os 5 mil milhões de euros para financiar as PME;

- Fim das previstas mexidas na Taxa Social Única e agravamento desta para as empresas em 3 pontos percentuais;

- Fim dos cortes previstos nas fundações;

- Elaboração do “Plano Energia Verde Sempre” que se destina a conceder apoios do Estado às chamadas energias limpas e que deve rondar os 800 milhões de euros, em 2013;

- Retorno ao modelo de SCUT nas auto-estradas em que o governo anterior colocou o modelo de pagador-utilizador;

- Nova tabela das taxas moderadoras: 2€ por consultas nas USF e 5€ nas Urgências hospitalares;

- Aumento das verbas para a Educação: Mais 700 milhões de euros em 2013;

- Retorno para 13% na taxa de IVA aplicada na restauração;

- Aumento das verbas para a Segurança Social destinadas à protecção social no desemprego e ao RSI em cerca de 600 milhões de euros;

- Novo concurso para colocação de professores que até à data ainda não tinham arranjado colocação;

- Criação do passe escolar “Estudex” que comparticipa em 80% o valor do passe para todos os estudantes com idade inferior a 25 anos;

- Construção de 5 auto-estradas e 2 aeroportos regionais como forma de dinamizar a nossa economia e apoiar o sector estratégico da construção. O Primeiro-Ministro não adiantou para já os locais das infraestruturas;

- Aumento do IRS para o último escalão, dos actuais 46.5% para os 55% e criação de novos escalões para rendimentos mais altos (valores a definir) de forma a alcançar uma “maior equidade fiscal e uma justa distribuição de sacríficios”;

- Aumento do salário mínimo dos actuais 485€ para os 600€, de forma a “iniciar um caminho de convergência com os nossos parceiros europeus”, salientou Seguro;

 

O Primeiro-Ministro (PM) afirmou que estas medidas são a tradução de uma “agenda progressista” e que coloca o país na rota do “crescimento e do emprego”. Quanto ao memorando de entendimento com a troika, o chefe de governo afirmou que o governo iniciará uma renegociação do acordo com o FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia para garantir “mais tempo, mais dinheiro e flexibilidade nas medidas”, pois segundo Seguro, “as pessoas estão primeiro”. O PM terminou reiterando que o seu principal objectivo é “devolver aos portugueses a sua vida de sempre”.


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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2012
por José Meireles Graça

Eurogrupo só passa cheque a Portugal depois do Orçamento ser viabilizado

 

Excelente desculpa, lá vai o bom do Seguro votar a favor ou abster-se no orçamento, que de toda a maneira só quer eleições e ir para o Governo se este tirar as castanhas do lume.

 

Ou se não tiver outro remédio. Que o Senhor Presidente da Câmara de Lisboa, farto de vernissages e de estragar o trânsito, lhe morde os calcanhares porque tem a solução para o País: o programa de Sócrates, que seguiu e apoiou entusiasticamente, para o qual julga haver crédito; e, em não havendo, taxar os ricos para tornar o país mais competivo - Costa é um grande adepto da competividade, que defende com alguma indiferença pela Gramática e pelo senso.

 

Guerras florais. No fundo são peões de um jogo onde imaginam que têm alguma coisa que preste a dizer. Mas não têm, os senhores da troika, agora que o grosso das dívidas dos PIIGS foi transferido dos bancos para os "cidadãos europeus", não estão para embrulhar os diktats em excessivas delicadezas e dizem ao que vêm.

 

São credores e falam grosso. Qualquer credor fala grosso se achar que o dano que pode infligir é maior que o dano que pode sofrer e estiver certo que o devedor está ciente disso.

 

Se a classe dirigente achasse que nem a UE nem o Euro têm futuro; se fosse pacífico que não é possível haver crescimento com um Estado desmesurado e uma fiscalidade predatória; e se a opinião pública percebesse que a solidariedade europeia é uma mera desculpa para sustentar burocracias que administram os fundos e os distribuem, ao mesmo tempo que vão criando a gigantesca teia de regulamentos que peia a actividade económica e exige cada vez mais pessoal e recursos; e, por último, se a população não estivesse doutrinada por décadas de europeísmo, dereitos, pugresso a crédito e visse o Estado pelo que é - uma emanação nossa que não pode dar nada a ninguém sem o retirar ao vizinho - seria possível dizer aos credores:

 

Nós vamos pagar até ao último cêntimo, incluindo juros. Para isso, temos que crescer e para crescer o vosso programa não serve, porque o ritmo a que retira recursos da economia é superior ao ritmo a que razoavelmente podemos reformar o Estado e porque só podemos dar sangue se alimentados. Mas vamos fazê-lo e disciplinar as contas e o País, porque somos gente séria e simples, e já internamos o mayor Costa  e todos os adeptos da economia vudu. Por conseguinte aqui está o nosso Plano. É pegar ou largar. Se largarem, ficam a arder, nem que comamos erva.

 

Era preciso cojones, artigo de que há um grande défice: o que há é mais para manifestações e bifanas.

 

A troika pode ficar sossegada e dizer - e fazer - o que quiser. Se for à janela, vê um mar de cartazes. Ao fim do dia, os varredores limpam o lixo, como de costume.


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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012
por Carlos Faria

Uma coisa é estar descontente ou discordar com algumas medidas deste governo e apresentar propostas de melhoramento, outra é desacreditá-lo perante todos. Que os partidos da oposição optem por esta última via sem propostas sérias e a acenar com sugestões populistas é algo que já nos habituámos em Portugal.

Agora que membros responsáveis dos partidos do Governo de Portugal discordem publicamente das diretrizes do executivo, não apresentem propostas, desafiem os deputados a explicitar as suas oposição às medidas do orçamento e ficar à espera para ver, mas que não sejam capazes de internamente reunir as estruturas do partido, discutir a sério e disponibilizar-se para enfrentar todas as consequências daí resultantes é, além de cobardia política, uma forma de terrorismo político que mina qualquer executivo eleito em democracia.

Se o poder executivo depende do Parlamento, se os deputados são eleitos e os seus mandatos não terminam com as crises internas dos partidos. Então este corajosos mensageiros reúnam as hostes, apresentem internamente as suas medidas, proponham alternativas internas e disponibilizem-se a assumir uma solução que pode até passar por ocupar o lugar daqueles que hoje estão no poder, compromentendo-se a fazer melhor, se possuem de facto uma alternativa seguramente correta para enfrentar o problema.

Pelo menos é um comportamento mais honroso e patriótico que minar apenas tudo à sua volta com ar da sábio e dar condições para que seja a troika a ter a iniciativa de propor um líder de Governo. O que, infelizmente também, não era totalmente inédito nesta Europa em crise.

Agora, só minar e destruir tudo o que os outras fazem, já basta! O Povo de Portugal merece mais.


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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012
por Luís Naves

Tenho assistido com algum espanto à comoção nacional em torno das medidas anunciadas pelo Governo. Do rasgar de vestes à demissão, o fim imediato da austeridade, os gritos de "gatunos", a vontade de partir montras e o apelo à insurreição e resistência armada. Julgo que seria um erro trágico cedermos a qualquer apelo populista deste género e tentarei neste post colocar o problema nos contextos da crise internacional e europeia, sem os quais nada disto pode ser compreendido. Escolhi a imagem em cima, uma pintura de Jean-Léon Gérome sobre a morte de César e os Idos de Março, para sublinhar que a loucura política tem custos, que o erro e a falta de estratégia levam muitas vezes a resultados catastróficos. Por isso, precisamos de sangue-frio.
As medidas são conhecidas, altamente prejudiciais para a classe média e para os trabalhadores. Elas beneficiam directamente os empresários e poderão ter algum efeito na defesa do emprego e no investimento. Aqui necessitamos de ter fé nos modelos dos técnicos. Espanta-me o aparecimento súbito de tantos especialistas em macroeconomia (vamos ignorar estes), mas também ouvimos várias vozes sensatas a duvidarem da inteligência das medidas. Estes analistas dizem que os efeitos recessivos serão dramáticos, não havendo indícios claros de que o governo esteja a ser capaz de mexer no essencial dos interesses instalados na origem do resgate e perda de soberania. No ruído de fundo, está a ser pouco valorizada a boa notícia de haver mais tempo para controlar as contas públicas, sem mais dinheiro, o que significa que o Governo e a troika julgam haver boas hipóteses do país poder regressar aos mercados em Setembro de 2013.

 

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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2012
por Luís Naves

Ao longo de três dias, foi quase unânime a condenação das novas medidas de austeridade. O julgamento foi sumário e a sentença é definitiva, sem direito a recurso. Tivemos oportunidade de ouvir o réu, mas este não se explicou.
Parece evidente que a comunicação das decisões foi um verdadeiro desastre e percebo aqueles que estão desiludidos. Percebo a indignação do PCP ou do Bloco, que sempre estiveram contra o memorando. Percebo a indignação dos sindicatos, que tendem a defender os interesses dos trabalhadores sindicalizados (os mais prejudicados nesta história). Percebo a indignação daqueles que vão pagar a factura e que não contribuíram para os erros políticos que nos trouxeram a este lugar agreste (serei um destes), mas confesso que não entendo algumas indignações: a do PS, por exemplo, ou a dos inevitáveis Jardim e D. Januário. Acima de tudo, não compreendo a indignação dos representantes dos patrões, que mais parece estarem a gozar com a nossa cara.
Os socialistas vão provavelmente aproveitar a ocasião para sacudir a água do capote. A culpa desta crise não é um exclusivo do PS, mas este partido tem enorme responsabilidade no que está a suceder. Ao tentar tirar o cavalinho da chuva, pretende iludir os portugueses. É como se houvesse um caminho fora da via estreita que nos impõe a "troika".

 


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por Carlos Faria

Já sintetizei a quente em que consistiam as novas medidas conhecidas de austeridade aqui, bem como o que se tem especulado depois sem se saber ainda aqui e, apesar de não ter emitido uma opinião global sobre o pacote, a verdade é que o comportamento dos Portugueses e da Comunicação Social é de tal forma preconceituoso que quem descreve genericamente as medidas e as lacunas a esclarecer sem dizer taxativamente mal, é logo conotado como estando a favor ou em defesa da decisão comunicada.

Infelizmente sistemas democráticos já ruíram e guerras se geraram por manipulação da informação que deturparam a realidade e alimentaram preconceitos, por momento a realidade é esta: O pacote conhecido até ao momento não altera de modo significativo a austeridade para 2013 de quem trabalha no setor público e teve já os dois subsídios cortados em 2012, pessoas com vencimento base perto de 1000€, e para os privados é de facto ocorre em 2013 a perda equivalente a um subsídio no rendimento disponível por via do aumento da taxa para a segurança social . O resto até ao momento é especulação, intencional ou não.

Até ao momento a minha principal preocupação prende-se precisamente com quem ganha o salário mínimo, que embora não perdendo nenhum subsídio diretamente, corre o risco de perder um vencimento por via do aumento da taxa e mesmo salvaguardando o anunciado crédito fiscal para baixos rendimentos, mas não explicado, importa ter em atenção que o mecanismo não deve de modo algum fazer diminuir no dia a dia o já escasso dinheiro disponível destes trabalhadores.

Espero que o Governo não diminua ao longo do ano de 2013 o rendimento disponível destas pessoas no dia a dia face a 2012 e depois faça um acerto por esse crédito só em 2014. Lembro-me bem que no PEC4 o que mais me revoltou foi serem afetadas precisamente pensões e rendimentos da classe mais baixa de todas e mantenho o mesmo princípio de não aceitar que agora essas mesmas pessoas possam ser afetadas.


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Domingo, 9 de Setembro de 2012
por Alexandre Poço

‎"O governo está espremido entre duas forças, os credores que não emprestam mais enquanto não tivermos juízo e esta gente – professores, médicos, etc. –, que quer proteger ao máximo os seus interesses, esteve a comer acima das suas posses durante 15 ou 20 anos, à custa da dívida externa. Em 2008 e 2009 o desemprego estava a subir e ninguém falava nisso, os reformados continuavam a receber o seu, os funcionários públicos até foram aumentados porque era ano de eleições…O ano de 2009 é extraordinário, a economia caiu 2,5% e os salários subiram 5% em termos reais, portanto é um ano de malucos. O mundo estava a desabar e nós estávamos a cantar porque havia três eleições."


João César das Neves


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