Quinta-feira, 25 de Abril de 2013
por José Meireles Graça

Acho que, se soubesse o que hoje sei, não teria, se fosse vivo, apoiado o 28 de Maio. Mas, se soubesse apenas o que era razoável saber em 28 de Maio, teria apoiado o 28 de Maio.

 

Se soubesse o que hoje sei, não teria apoiado com entusiamo o 25 de Abril. Mas, sabendo o que então sabia, apoiei entusiasticamente o 25 de Abril.

 

A verdade é que cada revolução é ela própria e a sua circunstância. E porque só há revoluções quando há bloqueios que não se resolvem, quem achar, como eu acho, que as revoluções são soluções de desespero que, para resolver uns problemas, inventam outros novos, deve preferir a evolução.

 

O bloqueio já foi a ditadura jacobina partidária, o caos social, a instabilidade e a ausência de progresso económico, e deu no que deu.

 

O bloqueio já foi a guerra colonial e o imobilismo de um regime orgulhosamente só e orgulhosamente anacrónico, e deu no que deu.

 

O bloqueio hoje é a União Europeia e o Euro. E, se não se evoluir para outra coisa, dará no que dará.

 

Não é hoje o dia dos direitos e das proclamações? Pois então, exercendo o meu direito à opinião, proclamo.


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por Fernando Moreira de Sá

Um País que após trinta e nove anos de democracia e liberdade não consegue corrigir as assimetrias do território falhou a lógica de um desenvolvimento pleno e legítimo – incapaz de existir se os meios e os instrumentos aptos a realizá-lo estão concentrados numa breve faixa litoral do País, largando o resto do território à desertificação e à astenia de capacidades e competências - é forçoso, nesta matéria, verificar um falhanço objetivo de todos, mas todos, os governos constitucionais. Aí, ainda não se cumpriu o sempre repetido grito de alegria de Sophia de Mello Breyner quando cantava: “O dia inicial inteiro e limpo onde emergimos da noite e do silêncio”…

A crise, e as diversas respostas internas que esta originou desde 2008, agravaram este problema não resolvido. O poder político, perante a iminência da crise financeira, não conseguiu escapar ao instinto natural da “fuga para o centro” imitando os moluscos com carapaça quando pressentem uma ameaça. Em claro contraste com os melhores exemplos europeus, Portugal é hoje um País em que o verdadeiro poder de decisão se encontra bastante mais centralizado do que há uma década" - Carlos Abreu Amorim


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Quarta-feira, 25 de Abril de 2012
por Fernando Moreira de Sá

Nasci em 73. Fui um felizardo que cresceu em Democracia. Com o privilégio de participar em campanhas eleitorais. De ler os livros que me apetecem, os jornais que me agradam e as músicas que me embalam a alma. Escrever os artigos de opinião que me dá na real gana e dizer o que penso procurando, sempre que possível, pensar o que digo.

 

Vi nascer a internet acessível a todos, a blogosfera onde participo e as redes sociais que me espantam. Vi chegar, a casa, a televisão a cores e os canais privados, seguidos dos da cabo. Participei em referendos, em eleições, em manifestações. Já sou do tempo do "Portugal a cores" em todos os sentidos possíveis e impossíveis.

 

Por isso mesmo, por todo este privilégio que me foi legado por outros portugueses, mais velhos, respeito e festejo este feriado, o 25 de Abril. A Liberdade é um luxo do qual não abdico e que quero continuar a ter e que sempre defenderei. Por mim, pela minha filha, por todos nós. Obrigado a todos os que fizeram Abril.

 

Será, entre outras coisas, aquilo que vou procurar explicar no dia 27 de Abril. Falar Abril é não deixar esquecer, é explicar esse valor supremo chamado Liberdade.

 

A entrada é livre. Como Abril.

 


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por jfd

Se houver quem seja ainda indiferente a qualquer um destes partidos, desejo profundamente que tenha ouvido ou que venha a ouvir com atenção como ambos encararam o discurso deste 25 de Abril de 2012.

É clara a diferença de como se encara o passado e o que representa o presente no futuro.

Não vou enviesar qualquer opinião, mas que foi clara a clivagem, foi. Estou muito satisfeito.


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por Vasco Campilho

Nem de nenhum aglomerado, arruamento ou edifício que dele se pretenda apropriar. O 25 de Abril é do povo inteiro, ou então nada significa. Esta evidência nunca foi compreendida - evidentemente - por quantos consideram que o povo deve ser monoliticamente dirigido por um partido em nome de uma classe social: esses continuam a arreganhar os dentes a quem ousa entrar no que consideram ser o seu quadrado, mas enfim, a Leste nada de novo.

 

 

O que entristece é ver representantes da esquerda democrática - a mesma que os comunistas gostariam de escorraçar dos desfiles comemorativos - a dar razão aos que à direita não vêem na data que tornou possível a Liberdade e a Democracia outra coisa senão aproveitamento partidário e condicionamento ideológico. Por mim, esteja onde estiver, continuarei a chamar meu ao 25 de Abril de 1974 e pátria ao Portugal que se lhe seguiu dia após dia nos últimos 38 anos. Porque não há machado que corte / a raiz ao pensamento.

 

Leitura complementar: Com cravos, sempre!


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Terça-feira, 24 de Abril de 2012
por José Meireles Graça

Ontem à Tarde

 

Ontem à tarde um homem das cidades 
Falava à porta da estalagem. 
Falava comigo também. 
Falava da justiça e da luta para haver justiça 
E dos operários que sofrem, 
E do trabalho constante, e dos que têm fome 
E dos ricos, que só têm costas para isso.

E, olhando para mim, viu-me lágrimas nos olhos

E sorriu com agrado, julgando que eu sentia 
O ódio que ele sentia, e a compaixão 
Que ele dizia que sentia.

 

Alberto Caeiro

 

O Patrão e Nós

 

Vejam aquele homem de cartola, de lacinho e casacão
A mala cheia de dinheiro que ele transporta na mão
Vive em Cascais ou no Estoril e mora numa mansão
Goza as férias de Verão quando quer e lhe apetece
Tem um Banco e muitas fábricas e tem nome de patrão
Mas agarra que é ladrão
Não faz falta e é cabrão

E olhem agora cá pra nós, boné roto e macacão
Saco da ferramenta e de lancheira na mão
Vivemos no Casal Ventoso, moramos num barracão
O ano inteiro a trabalhar sem Verões nem Primaveras
Temos filhos, muito filhos, sem escola nem sacola
Mas isto vai acabar
À porrada no patrão.

 

Fausto*

 

* Descobri o poetastro aqui.

 

 

 


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por José Meireles Graça

Excepto se aproveitados para uma ponte, os feriados civis provocam-me um indizível tédio - são ainda mais chatos que o Domingo. E dos religiosos gosto apenas por respeito difuso à tradição que a comunidade a que pertenço santificou há séculos, e ainda, em havendo crianças por perto, porque elas neles vêem encanto.

Dos discursos é melhor nem falar: o dia das Comunidades costuma ser um longo desfiar de inanidades, e nos feriados das mudanças de regime aproveita-se para "mensagens" e "recados", que diligentemente o Chefe de Estado, os representantes dos Partidos e um ou outro Senador propinam com generosidade.

A comunicação social excita-se com umas e outros, uma semana após o rumor esmorece - para o ano há mais.

De tanto discurso e tanta intenção benévola ou venenosa não resta, que me ocorra, uma linha memorável.

 

O 25 de Abril, porém, é diferente porque está ainda viva muita gente que o viveu. E isso faz com que não haja, na realidade, um único mas vários 25 de Abris. Lembro alguns: o dos militares que o fizeram, ou a ele aderiram, com maior ou menor risco pessoal; o daqueles que foram presos, exilados, prejudicados nas suas carreiras profissionais ou de alguma forma ofendidos pelo regime deposto; o dos que nutriam silenciosa antipatia pela Velha Senhora, mas, no interesse próprio e no das suas famílias, se abstiveram de a manifestar publicamente; o dos que o viveram como uma festa, mas eram demasiado novos para ter sentido a opressão sufocante do Salazarismo; e os outros, isto é, a maioria que tratava da sua vidinha e à política dizia nada, como a política nada lhes dizia, e que descobriu que, se berrasse o suficiente, se faria ouvir.

O primeiro grupo não era unívoco: irmanados na aversão a um regime que os condenava a uma guerra sem fim à vista, tinham que inventar à pressa uma doutrina que desse cobertura ideológica ao propósito do golpe de Estado, cujo motivo principal (carreiras sem futuro, exílio para longínquos teatros de guerra de guerrilha, intuição de que os ventos da História não sopravam para onde os responsáveis diziam que eles sopravam) não era fundamento bastante para um regime novo.

Daí o manicómio em autogestão a que se chamou o PREC: os militares não escolheram todos, no pronto-a-vestir ideológico, o mesmo figurino, e os pais da malta do 5Dias pescaram abundantemente naquelas águas revoltas, a ver se pariam uma democracia autêntica, com Trotzkys, Ches, Fideis e outros barbudos. Cunhal, a Raposa Branca, à espreita, que seria ele o herdeiro da bagunça e em devido tempo limparia o sebo aos desvios de esquerda, logo a seguir a tê-lo limpo à direita fascista e reaccionária.

 

O resto é conhecido: ganhou a facção "moderada", Soares e outros cavalgaram a imensa mole da população que não queria comunistadas, e Eanes ajudou a recolher os militares aos quartéis.

Os militares ganhadores, que ficaram pela maior parte na Associação 25 de Abril, e os civis que lançaram as bases do regime que temos, ficaram donos dele, e por conseguinte da comemoração deles, à qual ficaram românticamente associados os comunistas de todos os bordos porque foi linda a festa, pá, e ainda temos a Constituição.

Depois escolheram o Euro e a UE, enquanto vinha a globalização. E os ganhadores do regime não perceberam nada disso, e continuaram a festa como se não houvesse amanhã. Mas havia - é hoje.

E por isso não querem celebrar o 25 de Abril oficial. E têm razão - o 25 de Abril deles acabou.

Oxalá o outro, onde cabem todos e que não tem donos, subsista. 


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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
por Francisco Castelo Branco

Depois do histerismo de Otelo Saraiva de Carvalho, eis que vem um novo General apelar a uma revolução. Como os militares já não têm a força de outrora, está no povo a decisão de mudarmos de regime para ver se as coisas melhoram.

Preocupa-me este contínuo apelar de revoluções ou golpes de Estado em Portugal. Não que o país não necessite de um abanão em termos de qualidade da democracia, mas não parece aceitável que se queira meter tudo na rua a protestar. Até porque ninguém sabe qual é o caminho. Veremos se François Hollande nos dá alguma luz.

No 25 de Abril já não se comemora o passado, mas apela-se para um futuro diferente.


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Sexta-feira, 16 de Março de 2012
por Francisca Almeida

25 de Abril: Assunção Esteves propôs sessão solene no Porto, mas alguns partidos recusaram

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/25-de-abril-assuncao-esteves-propos-sessao-solene-no-porto-mas-alguns-partidos-recusaram=f711672#ixzz1pH85Lewn

 

Lamentável como nem a título simbólico somos capazes de contrariar o centralismo reinante há décadas na política portuguesa...


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