Sexta-feira, 2 de Agosto de 2013
por Maurício Barra

 


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Segunda-feira, 22 de Julho de 2013
por Maurício Barra

O compromisso a três permitia que o estreito caminho para Portugal não cair no segundo resgate tivesse duas vantagens: por um lado dava a Portugal mais força negocial para impor aos credores razoáveis alterações ao memorando actual devido ao compromisso alargado de cumprir o que ficasse acordado; por outro lado garantia uma estabilidade de médio/ longo prazo para as medidas consensuais que resultassem dessa negociação.

Objectivamente favorecia tanto o actual governo como um eventual futuro governo do PS.

Quando Seguro percebeu que assumir soluções para as actuais condições objectivas da economia portuguesa não seria aceite pelo projecto de poder de Sócrates (que domina o grupo parlamentar), não era compatível com a estratégia de António Costa (que quer o lugar de secretário-geral), teve sempre a oposição de uma parte da câmara dos lordes socialista, e sofreu todos os dias uma campanha de contra-informação brutal (que utilizava o Público e a SIC Notícias como órgãos oficiais), sucumbiu para não perder o partido que, oficiosamente, ainda controla.

Sucumbiu e perdeu eleitorado. Perdeu eleitorado socialista democrático, que está farto dos jogos de poder que os colocam sempre nas mãos da agitação e propagando do PC e do BE.

O PSD/CDS, se não tivessem feito o número infantil das demissões e, entre muros, discretamente efectuado as alterações que entendessem no Governo propondo-as ao Presidente da República, tinham evitado esta catarse nacional. E também tinham evitado um descrédito adicional, na proporção da sua irresponsabilidade.

Agora estão condenados a governar a sério. Sem mais tiros nos pés. Se forem inteligentes, juntam às suas as propostas exequíveis do PS e transformam o que seria um compromisso a três num compromisso a dois. Um novo compromisso a dois com os portugueses, numa nova política que negocie e evite os efeitos negativos do ajustamento na frágil economia portuguesa, sem capital para investir e criar emprego.

Um compromisso que estará permanentemente vigiado.

Vigiado pelo Presidente da República, que os salvou mas os vai manter com rédea curta.

E, sobretudo, vigiado pelos portugueses. Não desculparão, rigorosamente, mais nenhum disparate deste governo.


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Segunda-feira, 15 de Julho de 2013
por Maurício Barra

Esta semana vai ser fértil, tal como a anterior, em doses de fel daqueles que, nos partidos e na imprensa que os apoia e acolhe, estão contra o acordo sugerido pelo Presidente da República, pressionando para que o mesmo não aconteça.

À cabeça o PC e o BE ( o partido melancia que esta semana vai propor uma moção de desconfiança ao governo só tem existência teórica: é mais um dos artifícios hipócritas em que a III republica é pródiga ). De dentro do PS surge quem era previsível: Mário Soares, Sócrates, Manuel Alegre, Ferro Rodrigues. A Ana Gomes ainda não falou ( ou eu não a ouvi ).

Na imprensa, os do costume: Nicolau Santos, os bloquistas comentadores, os comentadores com dor de cotovelo, a tribo acéfala da má-língua que é uma forma da SICN dar voz à baixa política sem escrúpulos, uns indígenas avulsos que confundem a Venezuela com a democracia, e até o cinismo de Marcelo Rebelo de Sousa, que viu a realidade ultrapassar a sua opinião sobre a mesma.

Entretanto, o país dos eleitores não lhes liga nenhuma. A proposta do Presidente corresponde ao que há muito é o sentimento de bom senso que atravessa transversalmente a sociedade portuguesa. E os partidos democráticos perceberam isso. Vão negociar, vão discutir, vão concordar, vão discordar, vão, enfim, fazer aquilo que é próprio de uma democracia: defender as suas propostas políticas até chegarem a conclusões em nome do bem comum.

Nem têm outro remédio. Os juros dispararam para valores de dois anos atrás, temos dívidas a pagar e compromissos a respeitar, negociar em acordo com as instituições europeias não é a mesma coisa que querer renegociar a dizer que não pagamos, o investimento e a criação de emprego só têm viabilidade se houver credibilidade internacional aceite pelos nossos parceiros económicos.

A não ser assim, quem ganhar as próximas eleições (presumivelmente o PS sem maioria absoluta) vai herdar o caos em vez de uma plataforma que lhe garanta estabilidade governativa, baseada em critérios fundamentais económicos e financeiros que defendam os interesses nacionais e nos permitam continuar a ser um país europeu.


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Quinta-feira, 11 de Julho de 2013
por Maurício Barra

A proposta do Presidente da República é muito clara: uma estratégia e um calendário que garantam a médio prazo um acordo de regime sobre os indicadores fundamentais de política económica ( tal como o fez a Itália e, já há muitos anos, a  Espanha ). Ser europeus, cumprir os nossos compromissos, criar capacidade de negociar melhores condições económicas e financeiras para o nosso ajustamento que permitam o investimento criador de emprego.

As eleições terão lugar quando os interesses nacionais estiverem salvaguardados: 14 mil milhões de euros para saldar a dívida emergente, orçamento de 2014 aprovado e compromisso de salvação nacional assinado. Os tempos exigem paradigmas diferentes : para continuarmos a ser uma democracia europeia estável e credível, os pressupostos de governação tem de ser alterados porque a crise que vivemos é completamente diferente de todas as outras que sofremos anteriormente.

Em suma, os interesses nacionais são superiores aos interesses partidários.

 

Eis uma asserção com a qual concordarão a maioria dos portugueses. O Presidente, através de uma proposta aos partidos, falou directamente para os portugueses. Hoje todos estão e estarão maioritariamente do seu lado.

 

Derrota em toda a linha dos partidos não democráticos, da tropa fandanga que transformou Soares num querido líder e das redacções que influenciam, ao não aceitar eleições antecipadas. À rua o que é da rua, à democracia o que é da democracia.

 

Derrota dos artifícios políticos que o CDS engendrou na semana passada: a solução que “fabricou” não é credível, é mais do mesmo, uma fuga para a frente irrisória que, passado a novidade  do que parece que iria ser, continuaria a ser um estratagema para continuar a boiar numa situação que para ser resolvida necessita de uma ruptura. Com esta proposta o CDS vai comer um sapalhão : Portas queria ser o pêndulo entre o PSD e o PS, este acordo transforma-o num actor menor.  Vai assinar porque tem que assinar, mas o seu destino é ser um actor secundário.

 

O PSD perdeu o pé, resultado da inabilidade política que tem demonstrado. Fez o que tinha de fazer para corrigir a bancarrota que herdou, mas ao contrário: em vez de reformar o Estado primeiro, preferiu ir aos bolsos dos portugueses, como faria o PS se estivesse no Governo. Passados dois anos, quando quer reverter a estratégia, fica à mercê do jogo de sobrevivência do seu parceiro de coligação. Perdeu o Ministro das Finanças que lhe garantia a credibilidade e o apoio dos portugueses. Perde agora a credibilidade que o Presidente não lhe reconhece para “mudar a governação “.Vai ficar a governar de forma instrumental e transitória.

E vai ter de aguentar-se.

Porque o PSD vai assinar o compromisso, ai vai vai. Com estes dirigentes e, depois, com os que os substituirão quando o PSD perder as eleições no próximo ano. Aliás, o programa político do futuro PSD será um programa europeu idêntico ao da aliança CDU/SPD do próximo governo alemão : rigor orçamental com crescimento económico. 

 

O PS não pode dizer que não quer assinar, sob pena de perder eleitorado. Vai querer impor condições ao compromisso ( incluir o PC e o BE é a melhor forma de não haver compromisso nenhum, mas com o tempo será dispensado o artifício ),  mas, ou assina o compromisso, ou as eleições que vier a ganhar em 2014 serão uma vitória de Pirro. Transitória e instrumental. O que o obrigará, finalmente, a enfrentar a parte de si próprio que sonha com amanhãs que cantam : durante o próximo ano os seus parceiros europeus vão demonstrar-lhe que ser esquerda europeia não é ser anti-europeu nas regras que todos, de acordo com as suas circunstâncias, têm de cumprir.

 

PS : A noite foi fértil para analisar a diferença entre a opinião pública e a opinião publicada. O a maior parte dos jornalistas chamados a oficiar e os comentadores que comentam tudo ( com honrosas excepções de José Gomes Ferreira, Joaquim Aguiar e Helena Matos ), como foram apanhados de surpresa e a sua narrativa foi posta em causa, reagiram corporativamente com as mais variadas teses do “ estamos contra”, “ é confuso “, “ foi agravada a crise”, etecetera. Quando a sua narrativa não corresponde à realidade, fica a descoberto o basismo dos seus argumentos, habituados que estão à pequena intriga que resulta da sua visão em pequenos mundos fechados.

Pelo contrário, os representantes dos partidos democráticos foram razoáveis e ponderados: todos de repente perceberam que o tempo que vem aí não é igual ao tempo que já passou.

A racionalidade vai superar a permanente futebolização da discussão política que explora o que é diferente, que não respeita o outro, que fecha os olhos ao que é comum. Quem ganhar as eleições obviamente cumprirá o seu programa eleitoral. Mas o seu programa eleitoral também incluirá o dever de defender o que é comum à viabilidade económica da democracia europeia. 


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Segunda-feira, 8 de Julho de 2013
por Maurício Barra

O PSD e o CDS vão ser Governo apesar deles próprios. Não haverá eleições antecipadas, como, a partir de Julho de 2014, não irão haver eleições postergadas.

 Os partidos, todos, excepto os não democráticos ( que tiveram de passar pela humilhação de um parágrafo da carta de demissão de Portas ter mais poder que éne manifestações para conquistar o poder na rua ), a partir de agora posicionam-se de acordo com os seus estratagemas porque, estratégia política consistente, só o Presidente da República é que a tem.

A  estratégia presidencial tem sido denominada “ acordo pós-troika” . Mas não passa da seguinte assunção : se quisermos ser europeus, a realidade obriga a coexistirmos no espaço económico comum com as regras definidas pelas instituições europeias. Regras que podem ser “mais brandas”, mas, seja com tons de esquerda ou com tons de direita, os ajustamentos orçamentais estão para ficar em nome da estabilidade do espaço europeu, e o investimento e criação de emprego, cada vez mais urgentes para assegurar a competitividade global do todo e das suas partes, estruturar-se-á sobre esse equilíbrio orçamental.

Dos partidos do arco do poder, o PS foge com o rabo à seringa de assumir esse compromisso, na expectativa que o Pai Natal faça o tempo voltar para trás quando forem governo ( por isso é que quando os portugueses vão para a rua, lembram-se de Seguro e voltam para dentro -  a frase não é minha mas está muito bem achada ). Por outro lado, o PSD e o CDS, reconheçamos, não revelaram até agora ter arcaboiço para liderar politicamente esse caminho, porque estavam convencidos que bastava cumprir objectivos técnicos financeiros, e, agora, estão fragilizados e com a sua credibilidade muito reduzida devido às peripécias da semana passada (*).

Todos são filhos do regime da IIIª Republica.

Antes de serem obrigados a mudar, vão utilizar todos os estratagemas para evitar a única estratégia que inexoravelmente tirará, este país cansado, do abismo em que o colocaram. Porque ainda não perceberam, ou fingem não perceber, que os próximos governos, quaisquer que sejam, vão ser instrumentais e transitórios, com ou sem resgates “ brandos”, com ou sem “haircuts” da monstruosa dívida que acumulámos, e que a única estratégia, que agora chamamos de pós-troika, é no fundo a estratégia de continuarmos europeus.

 

(*) infelizmente, e mais uma vez,  nenhum analista político conseguiu perceber que a atitude de Paulo Portas, e, sobretudo, a sua sequência, é uma tentativa deste, e do CDS que dirige, para fugir ao lugar irrelevante que lhe caberá num futuro e previsível governo  PS-PSD.


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Terça-feira, 2 de Julho de 2013
por Maurício Barra

“São gestores de massas falidas e eu, no fundo, tenho é pena deles “

Com esta sentença sobre o trabalho do actual Governo, o Prof. Daniel Bessa matou dois anos de análises políticas de Pacheco Pereira e António Costa na Quadratura do Círculo.

Atirar sobre tudo o que mexe está ultrapassado e estes agentes de ódios fáceis e revisões da democracia estão fora do que vai acontecer.

A quadratura de pensamento impede-os de verem rodar o círculo das circunstâncias.    

 

E. inesperadamente, neste rodar permanente das circunstâncias, foi também uma frase premonitória que enquadra adequadamente a demissão do ontem, executada ao retardador, de Vítor Gaspar.

Nos locais do costume, já iniciaram o seu curso as análises tremendistas justificativas das mais diversas teorias de conspiração. Passarão todas, tal como nem é preciso chuva para lavar o sangue de acidentes que só os voyeurs vêem e que querem que os outros vejam. Tal coma verdade vai nua na maioria da imprensa invisual de todos os dias, agora de Vítor Gaspar farão o bode expiatório temporário da fuga à realidade económica e financeira que nos oprime e de que nos querem impedir de assumir a responsabilidade.

Pois o senhor, fugir à responsabilidade, foi coisa que nunca fez.

Foi timoneiro forçado num barco a meter água, que convinha trancar, para seguir uma rota de cartas de marear que lhe indicavam que os bons portos da Europa estavam fechados. À espera que o barco adornado, afundasse.

O barco não afundou.

Mas o timoneiro forçado esgotou-se porque não via, ou não queria ver, mais do que as cartas lhe diziam para ver.

Faltava-lhe Mundo.

O mesmo Mundo que não faltou, anos antes, a Ernâni Lopes.


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Terça-feira, 11 de Junho de 2013
por Maurício Barra

«Pensei que se poderia dar prioridade à consolidação orçamental e à estabilização financeira sem uma transformação estrutural profunda das administrações públicas. Neste momento, é claro que um esforço muito mais concentrado, desde o primeiro dia, na transformação das administrações públicas teria sido mais apropriado», explicou Vítor Gaspar.

"Investir em Portugal tem sido um verdadeiro pesadelo. O que tem sido feito é criar mais impedimentos ao investimento. Queremos agilizar o investimento [porque] é inaceitável que um empresário fique cinco, seis ou sete anos para licenciar um investimento.”, disse o ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira. 

 

Salgueiro Maia, antes de sair de Santarém na madrugada do 25 de Abril para liderar o golpe de Estado que nos deu a democracia, disse aos soldados formados na parada que “há Estados para todos os gostos, mas o que eles tinham de resolver era o Estado a que isto chegou”.

Infelizmente, “ O Estado a que isto chegou” continuou, desde então, a ser uma síndroma nacional permanente. Após 1975, com as nacionalizações selvagens de um Conselho da Revolução controlado pelo PC em Março desse ano, posteriormente ratificado com uma Constituição que garantia direitos e privilégios leoninos ao sector público e aos trabalhadores do Estado em detrimento do sector privado,  transformando as suas empresas e a maioria dos seus trabalhadores em portugueses de segunda, algemando a sua iniciativa.

O Estado sobredimensionado é o resultado desta disfuncionalidade, com uma nomenklatura sustentada por um projecto ideológico , paga pelo bolso dos portugueses, que nos trouxe ao “ Estado em que acabámos por ficar agora “, a bancarrota.

Bancarrota, que acabou por não o ser sentida até às últimas consequências pelos portugueses, porque entidades financeiras europeias e internacionais subsidiam a nossa recuperação, o que proporcionou a oportunidade de, consolidando o deficit orçamental, reformar o Estado, reduzindo-o para a dimensão apropriada, ou seja, para uma dimensão que, cumprindo a sua função social, respeitasse a carga de impostos que os portugueses poderiam pagar.

Mas, infelizmente, tal como confirmam os Ministros, nada de substancial no deficit estrutural e no investimento foi feito. Este Governo limitou.se a governar as circunstâncias, mas não reestruturou. Secaram as famílias, as empresas e a economia portuguesa dos seus recursos e da sua liquidez com uma dose brutal de impostos, e o Estado sobredimensionado, esse, ficou incólume para continuar a esmagar-nos.

E vai continuar, se o PS antigo, o que andou tantas vezes a toque de caixa da coacção ideológica do PC, BE e da sua esquerda marxista, voltar ao poder. Agravando decisivamente e definitivamente a situação económica e financeira portuguesa. Porque este PS que Mário Soares quer aliado com os partidos antidemocráticos, por motivos ideológicos, prefere o caos ( sair do euro e/ou sair da Europa ) a perder a estrutura de poder que o alimenta e se alimenta da sociedade portuguesa para a controlar.

A reforma do Estado, o corte indispensável na estrutura da despesa pública é o “break even point” do nosso próximo futuro: é o Cabo das Tormentas para os que querem ficar no passado burocratizante, asfixiante e clientelar a caminho da perdição; ou será o Cabo da Boa Esperança para os que querem continuar no Euro, na Europa e com a garantia de que viveremos numa democracia que ofereça estabilidade política, social e de segurança cívica aos seus cidadãos.


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Quinta-feira, 30 de Maio de 2013
por Maurício Barra

Ele próprio avisou: “ O Dr. Manuel Damásio fez a fineza de me avaliar e assegurou com estou a recuperar”. Desejamos que sim. Mas vou supor que, afinal, é um sim que ainda é um bocadinho não. Porque, somadas às mais diversas insanidades que frequentemente distribui à alacridade dos repórteres amigos, é a única explicação para os preparos em que se agora se meteu, qual balhelhas que de repente se encontra sentado à mesa de uma qualquer reunião do politburo que existe ali para os lados da Soeiro Pereira Gomes.

Eu sei que a cena é felliniana, mas não consigo evitar a tentação de visualizar as bochechas do ícone num travelling no qual revisita ao seu Amarcord pessoal, num retorno neo-realista à sua juventude comunista. Mas, com alguma tristeza, caros leitores, neste caso “senza donne vollutuose”, com que Federico decerto nos deliciaria.

Mas continuemos a conceder bonomia à crítica necessária.

Em 2013, num país europeu que pertence à União Europeia e à sua União Económica e Monetária, haver um cavalheiro que conquistou os seus pergaminhos na IIIª Republica a defender a democracia contra os comunistas, civis e armados, que em 1975 quiseram instituir uma nova ditadura após a recente liberdade que o 25 de Abril nos ofereceu, estar agora a dinamizar “ um encontro de ideias ” da minoria dos que nunca aceitaram a democracia representativa, para conjugar acções de derrube anticonstitucional do Governo legitmamente eleito, é a confirmação de que a consulta ao Dr. Damásio tem de se efectuar com mais frequência.

Pode ser que ele lhe esclareça que ser o tio Peppone da esquerda marxista do arco antigovernamental e antieuropeu é um papel ridículo que só existe na sua imaginação, apesar de concedermos o desconto ao facto de que ser republicano, evidentemente, não é sinónimo de ser democrata. E que, incluído nas mezinhas a receitar pelo Dr. Damásio, sugira que tenha comiseração por si próprio, porque a história vai recordá-lo como ele realmente é. A personagem de antes de ontem, de ontem e de hoje. Arauto da democracia, o primeiro primeiro-ministro da bancarrota, presidente da república atolado em Macau por Mateus com a mão na massa, perdedor de eleições pelo voto dos portugueses e, agora, de mão estendida a pedir migalhas a quem sempre o desprezou.


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Segunda-feira, 6 de Maio de 2013
por Maurício Barra

Pedro Passos Coelho anunciou, na passada sexta-feira, as medidas técnicas que intenciona accionar para reduzir estruturalmente a despesa pública que, como é sobejamente sabido, é a principal causa dos défices permanentes que têm sido imagem de marca desta IIIª Republica a caminho do socialismo. A bancarrota iminente, as condições que os nossos credores nos impuseram para “pagarem” o funcionamento do Estado nestes últimos anos e as decisões do Tribunal Constitucional, última trincheira dos que queriam um 11 de Março sem o 25 de Novembro, obriga que finalmente se tomem decisões que qualquer país “normal” já teria tomado há muito tempo.

Paulo Portas, ontem, fez um discurso político. Assumiu participar nas responsabilidades de governação que o momento exige e traçou uma fronteira: proteger os mais desfavorecidos, na idade e condição. Portanto, renegociar com a troika para cortar no funcionamento no Estado consigo próprio em detrimento de uma sobrecarga adicional sobre os pensionistas.

Quem aterrasse neste país e tivesse conhecimento da difícil situação económica e financeira em que vivemos, diria que todas estas medidas são um possível caminho das pedras, democrático porque aberto à discussão política com a oposição democrática, e que, juntas, revelam bom senso.

Qual quê! O país disfuncional, o tal que está sempre à espera que um truque de mágica que resolva os problemas que nós próprios causámos e que não queremos resolver, imediatamente saltou, vomitando ódio e fincando o pé na recusa da realidade. Parecia que estávamos num país de sovietes. Ele era destituição imediata do Governo, um chorrilho de slogans chocarreiros sobre a idoneidade dos ministros, enfim, a cega-guerra do costume, a toque de caixa dos partidos não democráticos assistida pelo cinismo dos comentadores televisivos. E com o apoio envergonhado de J. A Seguro, aproveitando a onda mas sabendo que, se estivesse no Governo, não poderia fazer muito diferente do que foi feito.

Enfim. O Portugal que é uma questão connosco mesmos. 


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Quarta-feira, 1 de Maio de 2013
por Maurício Barra

. . . convém lembrar que, (...) "pelas contas de Paulo Trigo Pereira (entrevista Sol), tínhamos 700 mil desempregados registados no continente (Fevereiro). Deste conjunto, apenas 1,9% tinha origem na função pública. Ou seja, 98.1% do desemprego é oriundo dos sectores privados. Por outras palavras, não existe qualquer equidade à partida entre funcionalismo público e trabalhadores privados. "


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Segunda-feira, 29 de Abril de 2013
por Maurício Barra

Esta é a interrogação que os eleitores, em 2015, colocarão quando, antes de votarem para a nova legislatura, se confrontarem com a atitude que o PS obstinadamente continua a defender, colocando a sua visão estatizante acima dos interesses nacionais.

A reacção do PS ao discurso do Presidente é um mau prenúncio do beco sem saída ideológico em que o PS se está a meter. E as propostas ditirâmbicas que apresentou no seu Congresso também não ajudam nada.

 

Basta ter bom senso. Vejamos o que disse o Presidente :

( … )

Dentro de dias completam-se dois anos sobre a data em que o Governo português, perante a iminência de colapso do financiamento do Estado e da economia, se viu na contingência de reconhecer o inadiável. O Governo de então teve de solicitar o auxílio externo da Comissão Europeia, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu, instituições perante as quais se comprometeu através de um exigente programa de assistência financeira que contou com o apoio de um amplo espectro partidário.

( … )

Mas, sem dúvida, o aspecto que mais deve ser realçado destes dois anos muito difíceis é o sentido de responsabilidade revelado pelos Portugueses. O nosso povo foi confrontado com grandes sacrifícios e duras exigências e deu mostras da sua maturidade cívica, consolidada ao fim de quatro décadas de democracia. Não perdemos a identificação com os valores da democracia nem abandonámos o espírito de coesão nacional que sempre nos caracterizou.

Ao dramatismo de várias situações de carência, os Portugueses têm respondido com um exemplar trabalho de entreajuda e com uma extraordinária solidariedade.

Os consensos políticos e sociais alcançados contribuem para vencer os desafios que Portugal enfrenta e também para o modo positivo como os credores e os mercados avaliam a execução do Programa de Assistência Financeira

( … )

Os nossos agentes políticos, económicos e sociais têm de estar conscientes que deverão actuar num horizonte temporal mais amplo do que aquele que resulta dos calendários eleitorais.

Sejam quais forem esses calendários, sejam quais forem os resultados das eleições, o futuro de Portugal implica uma estratégia de médio prazo que tenha em atenção os grandes desafios que iremos enfrentar mesmo depois de concluído o Programa de Assistência Financeira em vigor.

Nessa altura, o País tem de estar em condições estruturais de credibilidade e governabilidade capazes de garantir a confiança das instituições da União Europeia e dos mercados financeiros, pelo que, no plano político, é imperioso preservar a capacidade de gerar consensos em torno do caminho a seguir para alcançar os grandes objectivos nacionais.

Se se persistir numa visão imediatista, se prevalecer uma lógica de crispação política em torno de questões que pouco dizem aos Portugueses, de nada valerá ganhar ou perder eleições, de nada valerá integrar o Governo ou estar na Oposição.

É essencial que, de uma vez por todas, se compreenda que a conflitualidade permanente e a ausência de consensos irão penalizar os próprios agentes políticos mas, acima de tudo, irão afectar gravemente o interesse nacional, agravando a situação dos que não têm emprego ou dos que foram lesados nos seus rendimentos, e comprometendo, por muitos e muitos anos, o futuro das novas gerações.

É indiscutível que se instalou na sociedade portuguesa uma «fadiga de austeridade», associada à incerteza sobre se os sacrifícios feitos são suficientes e, mais do que isso, se estão a valer a pena. Estas são interrogações legítimas, que todos têm o direito de colocar. Mas, do mesmo modo que não se pode negar o facto de os Portugueses estarem cansados de austeridade, não se deve explorar politicamente a ansiedade e a inquietação dos nossos concidadãos.

Reafirmo a minha profunda convicção de que Portugal não está em condições de juntar uma grave crise política à crise económica e social em que está mergulhado. Regrediríamos para uma situação pior do que aquela em que nos encontramos.

Em nome dos Portugueses, é essencial alcançar um consenso político alargado que garanta que, quaisquer que sejam as concepções político-ideológicas, quaisquer que sejam os partidos que se encontrem no Governo, o País, depois de encerrado o actual ciclo do programa de ajustamento, adoptará políticas compatíveis com as regras fixadas no Tratado Orçamental que Portugal subscreveu.

 

Não compreender que o momento grave que atravessamos exige um grande consenso nacional a longo prazo sobre os principais objectivos estruturantes económicos e financeiros do país é irresponsável e suicida. Todos compreendemos que o PS, dilacerado entre o projecto de poder pessoal de Sócrates e o radicalismo de Mário Soares, tem dificuldade em assumir definitivamente a sua matriz europeia ( e também compreendemos que o PS, tem medo de, se não radicalizar a sua posição, temer perder votos para a sua extrema-esquerda ).

O que não compreendemos é que o PS persista a continuar com a cabeça enfiada na areia e não perceba que os problemas que vivemos não são da troika, os problemas económicos e financeiros estão cá dentro de Portugal, atingem-nos todos os dias e não desaparecem por artes de demagogia. Não se resolvem com slogans de “rigor e sacrifícios” destinados aos contribuintes portugueses, antes pelo contrário, resolvem-se com medidas concretas que terão de diminuir o Estado sobredimensionado, o verdadeiro cancro do défice orçamental português, que levou à asfixia das famílias e das empresas portuguesas.


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Sexta-feira, 26 de Abril de 2013
por Maurício Barra

O discurso do Presidente da República emparedou as facções ideológicas do PS : os graves problemas nacionais exigem soluções nacionais. Sem subterfúgios. Obtendo consensos onde eles são necessários e possíveis. E para as quais não existem alternativas.

Contudo, a reacção da esquerda democrática e não democrática ao discurso foi similar: preferem uma crise política. E o caos económico. Os interesses nacionais, acima dos partidários, continuam a não lhes interessar ( o que não é novidade nenhuma: levaram o país à bancarrota; e não assumiram a responsabilidade da sua solução ). Assim, pensa o PS, continuar a explorar a angústia dos portugueses dá dividendos imediatos e permite não deixar o monopólio da rua para o PC e o BE.

Mas esta atitude do PS, onde convivem o projecto de poder pessoal de Sócrates, uma esquerda serôdia neo-realista, as ambições tacticistas de António Costa e um aparelho que quer, mas tem medo, de assumir uma linha socialista europeísta atrás de Seguro, também é, sobretudo, absurda para um partido que quer ser poder: objectivamente estão a ajudar à renovação da liderança política do Governo nesta segunda parte do seu mandato, no qual irão ser aplicadas muitas das medidas de investimento e criação de emprego que são consensuais e de que o PS, antes de Portugal ter condições para isso, de uma forma demagógica fez sua bandeira.

Não me admiro se as tendências das sondagens começarem a inverter-se em benefício do Governo. Os portugueses, bem avaliados os prós e contras, preferem olhar para o interesse das suas famílias a longo prazo.


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Segunda-feira, 15 de Abril de 2013
por Maurício Barra

Sabe-se o que os partidos querem.

O PC e o BE ( e Mário Soares ) querem pura e simplesmente rasgar o acordo com os nossos credores e sair do euro. Querem o caos, portanto.

O PS quer renegociá-lo.

O Governo quer reajustar os seus termos.

 

Renegociar é entendido, tanto pelo PS como pelas instituições europeias, como não cumprir o acordo existente de estabilidade orçamental e financeira e renegociar as suas condições. E mesmo assim continuarem no euro. Ou seja, querem a quadratura do círculo: não querem cumprir as obrigações mas querem as mesmas condições como se as estivessem a cumprir. Esta posição não é aceite pelos nossos credores e só é possível porque o PS não está no Governo : na primeira  reunião que tivessem com o BCE, FMI e EU, metiam o rabo entre as pernas e voltavam de mansinho a dar o dito pelo não dito, tal como Hollande fez em França. Porque ele percebeu que os interesses nacionais não se defendem com retórica e a dar murros no peito.

 

Reajustar, por seu lado, é entendido tanto pelo Governo, assim como pelo Ecofin e pela troika, como a possibilidade de renegociar as condições acordadas porque este Governo provou que tem a credibilidade de cumprir os compromissos que assinou. Por isso este reajustamento engloba o mesmo tipo de  alteração de medidas que seriam matéria de uma renegociação de um novo acordo ( como a recente prorrogação de prazo para pagamento da dívida para sete anos é já um bom exemplo ). Mas sem quebrar a credibilidade adquirida de quem está a cumprir o programa de ajustamento orçamental. E agora com poder negocial e razões suficientes para obrigar os nossos credores a aceitar que a tipologia e intensidade do programa em curso peca, tanto por excesso na medidas de austeridade, como de insuficiência nas acções para motivarem o crescimento económico e a criação de emprego, obstaculizando a que se atinjam os objectivos económicos e financeiros que fundamentam o referido programa. Como muito bem diz Guilherme de Oliveira Martins, colocar justiça sem perder a disciplina.

E assim, só assim, podermos continuar no primeiro mundo que a Europa nos proporciona. 


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Terça-feira, 9 de Abril de 2013
por Maurício Barra

A real politk europeia para o euro já tem o road map para a sustentabilidade do clube do euro. Quem aceitar as regras fica, e garante financiamentos a juros  realmente baixos.

Paul Krugman  explica  o caso da  França actual. E de como, obviamente, se irão resolver os casos de Espanha e da Itália.

Só não nos explica como é que Portugal pode ter acesso ao mesmo “clube”, mas é fácil concluir: desde que cumpra um programa de ajustamento. Quaisquer programas de ajustamento do deficit orçamental e estrutural, com todos os reajustamentos sobre os ajustamentos que sejam necessários e os acordos de maturidades que se queiram, desde que sejam aceitáveis e compatíveis com os objectivos da política económica europeia.

Os senhores do PS já perceberam isto ou será que é preciso fazer um desenho?

 

 « France Has Its Own Currency Again

Joe Weisenthal draws our attention to a development that may surprise many people: French borrowing costs are plunging. Here’s the chart for French 10-years:

 

 

 

But wait– wasn’t France supposed to be the next Italy, if not the next Greece?

Well, Joe has what I agree is the right explanation: markets have concluded that the ECB will not, cannot, let France run out of money; without France there is no euro left. So for France the ECB is unambiguously willing to play a proper lender of last resort function, providing liquidity.

And this means that in financial terms France has joined the club of advanced countries that have their own currencies and therefore can’t run out of money — a club all of whose members have very low borrowing costs, more or less independent of their debts and deficits.

Welcome to the club, France. Now, why are you doing all this austerity? »

Paul Krugman in The New York Times


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Sábado, 6 de Abril de 2013
por Maurício Barra

Ontem ficou marcada a clivagem que, a não ser resolvida, pode destruir Portugal.

A realidade de 2013 e a Constituição de 1976.

A realidade de 2013, que sofre as consequências ideológicas da Constituição de 1976, filha do PREC.

Hoje, porque vivemos na realidade, temos de resolver o presente.

Amanhã, decididamente, temos de resolver o futuro.

Tal como a Constituição de 1976 rebentou com a Constituição de 1933, e esta substitui a de 1911, a qual matou a Constituição da Monarquia Portuguesa de 1838, em breve teremos de ter uma nova Constituição.

Eu preferia que fosse a bem,

Porque sei que a próxima geração, se a isso for obrigada, vai cortar o mal pela raiz.


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Sexta-feira, 5 de Abril de 2013
por Maurício Barra

 

 

Como muito bem diz Helena Matos no Blasfémias, «boa parte daqueles que se indignam com o modo como Relvas obteve o seu grau académico mantêm um profundo silêncio sobre o que se passou com a licenciatura de Sócrates. Relvas esperava que o país tivesse para com ele a indulgência que tivera com Sócrates. Mas para isso eram necessárias várias coisas. Por exemplo que Relvas fosse do PS ( ... ). E seria também necessário que um clone de Mariano Gago estivesse no Governo. Não estava. Felizmente o ministro chama-se Nuno Crato.»

Ontem, a ética e o sentido de dever de Estado foram muito bem servidos por Nuno Crato.

Com a solidariedade e apoio expresso do Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho.


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Quarta-feira, 3 de Abril de 2013
por Maurício Barra

 

 

PRAIA DAS MAÇÃS, 1918

 

Naquela tarde de 28 de Março de 1918, a Praia das Maçãs estava bem mais soalheira do que as tardes deste Março que nos calhou este ano. O Hotel Restaurant Royal Belle-Vue, de Eugene Levy , que no tempo da Monarquia contava entre os seus hóspedes alguns ilustres que acompanhavam a Corte que se deslocava para Sintra com a Casa Real no período estival, e onde Afonso Costa, mais tarde e com o Rei morto, fazia frequentemente a sua villiggiatura,  ainda oficiava na colina norte da praia ( haveria de arder até à destruição total três anos mais tarde, em 1921 )  Os ventos da Guerra , a primeira dita mundial, na qual Portugal se envolveu para , à custa de muita impreparação e de muitas vidas de militares portugueses, a Iª república "garantir" como espólio da guerra o direito de continuar na posse das colónias africanas, os ventos de guerra, dizia eu, não impediram os presentes nesse dia nas Maçãs de banharem os pés e, tranquilamente, gozarem o Sol que anunciava a Primavera. O país de então, que ainda não discutia o armistício nos jornais, na realidade estava há vinte anos a sobreviver e a pagar a "grande bancarrota". Parecia que estava finalmente governável com a mão de ferro do Sidónio, mas com os bens de primeira necessidade racionados, postos de vigilância da Guarda à entrada das cidades, a "pneumónica" a matar a torto e direito ( o meu avô haveria de morrer cinco mais tarde, ainda bastante novo ). O mesmo Sidónio, o Presidente-Rei, que seria assassinado nesse ano em Dezembro, tinha entretanto criado, como paliativo para tanta desgraça, a "sopa dos pobres".

Os anarco-sindicalistas queriam a revolução contínua, os comunistas ainda não existiam como organização, as diferentes facções republicanas iam ocupando o poder, à vez. Os sufrágios que se repetiam sucessivamente abrangiam tão poucos eleitores (ainda menos que durante a Monarquia) que transformaram uma pretensa democracia numa eutropia, em que caudilhos urbanos se enredavam e revezavam no poder "em nome do povo" que não votava.

Neste Março de 2013 a Praia das Maçãs esteve mais chuvosa. Mas prefiro-a à de 1918.

Apesar deste “mal português “ que nos corrói os ossos, sempre diferente e sempre igual.


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Quarta-feira, 27 de Março de 2013
por Maurício Barra

O tema da remodelação do Governo é um assunto que cresce gradualmente, sobretudo no seio do eleitorado que elegeu este Governo. A oposição, pelo seu lado, quer que o Governo se mantenha tal como está.

Quando se fala em remodelação, existem sempre os indefectíveis, os tais que se atiram para dentro de um poço se lhes mandarem que o façam, para quem abordar este tema é uma traição ao trabalho, ao sacrifício, ao objectivo que o Governo tão ardorosamente quer concluir. Mas o momento não está para estas atitudes holiganistas. Nem para os que evitam reflectir sobre a situação política.

Este início de 2013 exige – obriga - a reconhecer que o “tempo” da acção política destes últimos dois anos chegou ao fim do seu ciclo. Mas, e ao contrário do que alguns poderiam pretender, o novo “tempo” não é para pôr em causa o que foi feito, mas sim para consolidar num novo paradigma político os sacrifícios que os portugueses sofrem desde 2011.

Nos últimos dois anos este governo persistiu em usar - nem sei como dizer - uma espécie de afasia, ou seja, não conseguiu explicar politicamente o que fez e porque o fez: a começar por desdenhar de culpar precisamente o governo de Sócrates pela catástrofe a que conduziu o país, depois por estarem sempre a ser surpreendidos pela realidade por persistirem na mania que a economia do país era tão boa como achavam que tinha de ser, passando por assumirem que as consequências do acordo de ajustamento não necessitavam de ser geridas politicamente. Espera-se agora que o orgulho não lhes diminua a capacidade de raciocínio, porque  têm de perceber que Portugal precisa de uma nova política que transforme o acordo de ajustamento orçamental em algo mais do que o ajustamento em si mesmo, numa plataforma a partir da qual se alavanque crescimento económico e criação de emprego.

A questão não é mudar nomes. A questão é mudar políticas. A  questão é criar uma visão para um futuro melhor. Afirmando claramente fidelidade ao euro, à Europa e às respectivas normas económicas e financeiras europeias,  deve passar a reivindicar com uma maior assertividade os métodos da sua aplicabilidade a Portugal. Assumir que se queremos um Estado Social sustentável, o mesmo terá de ter uma gestão eficaz e à dimensão que o país possa suportar ( e perceber que têm de estar preparados para ter capacidade negociadora de chegar a acordo com os socialistas que, quando mais de aproximar 2015, vão perceber que não podem continuar a “ fugir com o rabo à seringa” ) E ter um programa político credível de acções concretas que lidere e dê esperança a este país encalhado na sua falta de esperança.

Política que globalmente tem que ser clara num objectivo prático: libertar gradualmente os portugueses da asfixia tributária que agora sofrem. Este objectivo político proporcionará liderança estratégica (eliminando a hipocrisia daqueles que no PS continuam a preferir a ter um Estado sobredimensionado por motivos ideológicos mesmo que à custa do sacrifício dos portugueses) e táctica (a mais eficaz bandeira eleitoral para as eleições de 2015).

E esta nova estratégia política tem tudo para dar certo. Mesmo agora, no período mais negro de governação, o governo PSD/CDS continua a ter 36 a 38 % de apoio directo, o seu principal adversário não passa dos 31 a 33 %, os comunistas e bloquistas continuam acantonados nos mesmos números de sempre e, muito importante, 10 a 15 % dos eleitores que votaram neste governo continuam indecisos em voltar a apoiar o PS.

Desta vez, o tema da remodelação não é para gerir intrigas, ódios mal disfarçados e promover afilhados.

Desta vez a remodelação é pura estratégica e é para fazer política a sério. Porque o interesse nacional assim o exige. E porque Portugal, neste momento, precisa de um Governo que seja inteligente e audaz.


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Quarta-feira, 13 de Março de 2013
por Maurício Barra

Com a curva de Laffer a continuar a fazer estragos nas receitas projectadas, com o arrefecimento económico europeu a condicionar a nossa grande bandeira de recuperação ( as exportações como modelo de desenvolvimento do país ), o acesso aos mercados dependendo tanto por nós como do Grillo italiano, com o défice estrutural bem defendido pelos lobbys que sempre viveram à custa do Estado e pelos que na política fizeram dele a sua poltrona, com um sistema financeiro que se considera acima da economia e do desemprego, sem alternativas consistentes que se comprazem todos os dias a escarafunchar a angustia que os portugueses estão a viver, começamos a sentir  que estamos a viver numa Twillight Zone que nos corrói a esperança

O Governo, com 36% de resistentes e uma grande percentagem de indecisos que ainda não lhes viraram as costas definitivamente, olha para a oposição e vê as mesmas propostas de caos  permanente do costume ( PC e BE ) e  um PS que evita por todos os meios diminuir o deficit estrutural do modelo social socialista sem crescimento económico que nos levou à bancarrota e à dívida descomunal do Estado que todos estamos agora a pagar. E nos trouxe a esta nova fronda de pôr em causa a democracia representativa, porque uma economia na qual o Estado e os seus funcionários controlam politicamente um país é uma nação cujos cidadãos são carne para o canhão para sustentar o poder e a ideologia de alguns ("A democracia representativa será insustentável caso uma grande parte do eleitorado esteja na folha de pagamentos do governo". "Bureaucracy", Ludwig von Mises. )

Andamos a brincar ao “ mais tempo, mais dinheiro, menos austeridade, mais crescimento “, com a falta de maturidade que queremos para o que devemos. Ninguém tem a sensibilidade para perceber que o mais importante são as pessoas, os portugueses, que começam a estar fartos de pagar os erros de quem não os respeita numa constituição formatada para continuarmos a ser a “piolheira”.

Daqui a dois anos vencerá quem proponha libertar os portugueses desta asfixia económica  e lhes apresente um caminho que não seja o regresso ao passado. Já não temos paciência para aqueles que querem manter tudo igual, nem para quem, com cara de mau, nos venha anunciar que temos de continuar a ser castigados. 


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Terça-feira, 5 de Março de 2013
por Maurício Barra

"Pertenço àquela parte do país que não hostiliza deliberadamente corrente política alguma, desde que essa corrente garanta a ordem e se oriente com alguma decência." escreveu  Fernando Pessoa. No meio da convulsão dos governos da Iª República era uma expressão de bom senso, de reserva de salvaguarda  para uma tranquilidade que era sistematicamente posta em causa pela volubilidade dos arranjos políticos e pela agressividade sem controlo nas ruas. Era um desejo de ordem num mundo em convulsão.

Passado um século, os patrícios, no fundo, desejam o mesmo.

Possam o Governo e os democratas do PS perceber também o mesmo


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Sexta-feira, 1 de Março de 2013
por Maurício Barra

 

 

Suponho que quem não é de Sintra não se apercebeu de um movimento avassalador que une grande parte dos sintrenses em relação às próximas eleições autárquicas. Contrariando os mesmos critérios que usaram de escolha de candidato para as outros municípios do distrito de Lisboa, o facto do  PSD distrital não ter dado seguimento à escolha que em Sintra os sociais democratas fizeram para próximo Presidente da Câmara - Marco Almeida, um sintrense, vice-presidente há oito anos, com um trabalho excepcional na área social e um grande apoio na área empresarial, um autarca no qual os sintrenses sempre encontraram apoio " para as coisas correctas aparecerem feitas e a tempo" – gerou um movimento que une sociais-democratas, socialistas, democratas cristãos e independentes em torno desta candidatura, "um dos nossos ", depois de sistematicamente Sintra ter sido tratada por todos os grandes partidos como depósito de candidatos coloridos que de Sintra só conheciam as queijadas.

Este movimento tem a curiosidade - e aqui algo de novo está a acontecer e que poderá ser precursor para outras situações similares - de não ser contra os partidos ( é comum encontrar simultaneamente apoiantes do governo de Passos Coelho a nível nacional e de Marco Almeida a nível municipal ) , nem contra os eleitores dos três partidos democráticos, mas sim de afirmação positiva pela escolha que no Concelho foi feita.

Quando se fala da falta de representatividade dos partidos não temos, a maior parte das vezes, exemplos claros de onde essa representatividade falha e pode ser transformada. Suponho que Sintra vai dar uma lição aos que pensam que quem nos representa tem que continuar a ser escolhido ao "estilo soviético", de cima para baixo, não respeitando a escolha que emerge a partir das próprias comunidades. Chegou o momento, pelo menos em Sintra, de a democracia ser respeitada.  


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Sábado, 16 de Fevereiro de 2013
por Maurício Barra

Hoje o texto não é meu.

Com a indulgência da autora, reproduzo esta  asserção da Helena Garrido na qual me revejo inteiramente.

 

O banqueiro e o intelectual

« Um banqueiro do Norte da Europa corria o risco legal, moral e ético de não declarar ao fisco o seu património e rendimentos no exterior à espera de uma amnistia? Um intelectual do Norte da Europa insultaria com "evidente má criação" um Governo que toma medidas para combater a fuga ao fisco? Assim é Portugal. Acalmamos as nossas consciências considerando que a culpa é de quem nos governa e que não nos merece, nem é de confiança.»

Helena Garrido in Jornal de Negócios


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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2013
por Maurício Barra

A QUESTÃO INTERNA DO PS QUE AFECTA O PAÍS

Uns dirão de António Costa que “não há surfista que não sinta atracção pelo mar. Mas é preciso saber escolher a onda. Costa percebeu que a onda que tinha para surfar não era a dele. Era a dos órfãos daquele que não pode ser nomeado. E Costa percebeu ainda que, se avançasse contra Seguro como general de um exército composto por soldados ainda intrinsecamente fiéis a lideranças pretéritas, mesmo em caso de sucesso seria refém e não vencedor“; eu diria que recuou um passo atrás para garantir que, num futuro a definir por ele mesmo, possa dar os passos que quiser para a frente.

O que ensombra a legítima ambição do próprio é, precisamente, estar acompanhado pelo grupo organizado por Sócrates no interior do PS, grupo esse que personificou a mais perigosa tomada e controlo de poder em Portugal desde o PREC.

Relembremos. Porque esta memória não pode ser curta.

Sócrates, com os “seus”, usou e intimou o Estado para proteger o seu projecto de poder autoritário. Tentou e conseguiu controlar a oposição na imprensa ( TVI, Público ), apadrinhou aquisições na tentativa de controlar linhas editoriais ( grupo Diário Notícias/Jornal Notícias/TSF com a contrapartida de manutenção do monopólio das transmissões desportivas,  tentativa de compra da TVI pela Portugal Telecom ), montou um sistema permanente de informação e contra-informação, que, sem escrúpulos, que não se coibiu de atingir o próprio Presidente da República, utilizou dolosamente o Estado em contractos leoninos que favoreceram os parceiros privados em várias PPP’s e SCUTS, apadrinhou a tomada de controlo de um Banco privado ( BCP ) por parte dos seus correligionários, cujo suporte financeiro eram as próprias acções adquiridas sem garantias de colaterais, ocultou ( e mentiu ) aos portugueses sobre a verdadeira situação económica que nos conduziu à porta da bancarrota, utilizou a Banca nacional para financiar o Estado quando os mercados já não confiavam nele e aumentaram desmesuradamente os juros das operações de colocação de dívida.

A arrogância e má gestão tortuosa de Sócrates não faziam, até então, parte da tradição democrática do PS. Nunca o PS na sua história tinha sido usado por um projecto de poder autoritário de uma facção. O resultado foi claro: o país na bancarrota, o PS com a sua pior derrota eleitoral de sempre, as famílias e as empresas portuguesas a sofrerem economicamente para corrigirem os erros do seu governo.

Estivemos no limite da democracia, como muito bem nos alertou várias vezes António Barreto.

Este limite da democracia nunca foi criticado por António Costa. Bem pelo contrário. Apoiou Sócrates até ao fim e, mesmo, depois do fim, arranjando sempre justificações e imputando sempre a outros a causa do descalabro que nos afectou a todos.

 

A QUESTÃO EXTERNA DO PAÍS QUE AFECTA O PS

Não podemos voltar ao passado”, afirmou J A Seguro na noite das facas longas em que defrontou António Costa.

Não voltar ao passado, por parte do PS, é uma dupla questão essencial que o PS tem de resolver. É não voltar a um projecto político que não aceita as regras europeias, é não voltar ao projecto de poder que Sócrates construiu dentro do PS. Se o PS der este passo definitivo, a hipótese de haver um acordo de regime dos partidos democráticos que resulte num equilíbrio entre a função e a dimensão do Estado e os impostos que os portugueses estão dispostos a pagar por ele, pode vir a ser possível.

Isso significa que o PS tem de assumir que é um partido europeu, e que as regras económicas e financeiras da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu são para cumprir. E, aqui, ao PS basta ouvir Hollande. Não tem de abdicar dos seus projectos de política social: não pode é infringir as regras de equilíbrio orçamental, de deficit e de dívida que nos permitem ser europeus, ou seja, estar na EU e pertencer à zona euro. 

Isto é pedir muito ? Hoje ainda é, mas é possível.

 Amanhã, com a projecto de poder de Sócrates travestido em Costa, além de impossível, pode ser perigoso. 


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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013
por Maurício Barra

Dezoito meses foi o tempo que demorou baixar o défice de 10,2% para 4,6%.

Dezoito meses foi o tempo que demorou voltar ao mercado de financiamento.

Dezoito meses foi o tempo que demorou a equilibrar a balança sobre o exterior.

Dezoito meses foi o tempo que demorou a haver mais empresas a nascer do que empresas a falir.

Dezoito meses também foi o tempo em que o desemprego aumentou de 12,8% para 16,4%.

E agora ?

Agora faltam dezoito meses para completar a acordo de ajustamento.

Faltam dezoito meses para os indicadores de investimento começarem a produzir efeito.

Faltam dezoito meses para se reverter o índice de desemprego.

Faltam dezoito meses para estabelecer um consenso sobre a reforma do Estado.

Faltam, também, dezoito meses para o PS mudar.

 

NB : tal como era esperado, a SICN, dirigida por um socialista soarista, interveio imediatamente, não fosse o Governo ter uma vitória política. Oficiou, claro, Nicolau Santos, dizendo que a ida aos mercados representava a derrota(?) do Governo.  Se já de si a preposição não é uma análise económica, é uma análise política bastante vesga, a argumentação foi um exercício de desonestidade tout court: no dia que Portugal pela primeira vez tem acesso à sua soberania financeira, o homem do papillon quis de propósito confundir quem o ouvia, dizendo que a substituição de prazo para cinco anos para dar maior maturidade à dívida é a  mesma coisa que renegociação da dívida. A  toque de caixa, o BE começou a dizer o mesmo, claro está.  O PS, envergonhado, não foi por esse caminho: tentou fazer de conta “que a ideia do Governo afinal era deles “.


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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2013
por Maurício Barra

Uns dizem que o “ pensamento de Álvaro Cunhal  é completamente actual”, confirmando que o PC teve sempre um problema com a liberdade, nunca aceitou a democracia representativa e não desiste de na rua derrubar os Governos legitimamente eleitos ( quaisquer que sejam, para eles qualquer governo eleito até hoje é de direita ), continuando limitados  à mundovisão antifascista que rejeita a queda do muro de Berlim; outros, com obrigações inerentes a fazerem parte do arco governativo,  continuam a pensar que ainda não estamos na Europa, querem uma democracia dirigida pelos interesses de uma minoria instalada no Estado sobredimensionado, em nome de um Estado Social que eles mesmos colocaram em risco de não cumprir a sua função social, propondo soluções de governo que não aceitam o primado das regras da União Europeia.

A imprensa e os comentadores, maioritariamente, continuam a campanha “ a toque de caixa “ de criar cenários, uns atrás de outros, para justificar o fim do governo, em exercícios de retórica que por vezes antecipam o dispositivo de manobras do principal partido da oposição.

A todos une a recusa da realidade. Comprometidos com a origem da situação que nos trouxe à porta da bancarrota, fazem o papel de “ não fomos nós que destruímos a economia  do país” e, com birra, acusam quem tem a responsabilidade de prover o “remédio” que nos pode salvar a todos.

Quem conhece a História de Portugal reconhece a situação. Mantivemos mais de uma vez esta nação com metade da corte amantizada com quem nos queria acabar com a independência, atravessámos mares com os “velhos no Restelo” a trair quem tinha audácia. Tivemos sempre dentro de nós o “país do não”, o país das manhãs de nevoeiro em que a providência resolve as desgraças que nós próprios criámos. E, no entanto, cá estamos. A assumir as circunstâncias que a realidade nos obriga a respeitar. A viabilizar um país para que o interesse de todos esteja acima de uma parte. A lutar para que os entorses sociais de quarenta anos de democracia socialista não se transformem no país sem direito de escolha a que estávamos condenados quando caímos na bancarrota.


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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2013
por Maurício Barra

2013 é o tempo. É o tempo tanto para o Governo como para a oposição.

É o tempo para o Governo porque é precisamente este ano que começarão a surgir os primeiros efeitos positivos do acordo de ajustamento que os nossos credores nos impuseram para não cairmos na bancarrota. O equilíbrio na balança externa, a descida dos juros, o regresso aos mercados. E o início da  reestruturação do sector público, a qual, para surpresa de um país afastado da realidade pela imprensa que temos, manterá o que é essencial do “estado social”.

Mas 2013 também é o tempo da oposição. Ou melhor, das oposições.

É o tempo de angústia para a oposição não democrática que vê esboroar-se entre os dedos o apocalipse que preconizam todos os dias. A sua política “ Rapa Nui ” de destruir todos os recursos em nome de princípios ideológicos é rejeitada, em todas as sondagens, pelos portugueses, mesmo quando bate no fundo a esperança de dias melhores. A sua política niilista, de oferecer anarquia em nome do caos, nem na Grécia subsiste, onde os gregos já deixaram de ser “ os gregos irmãos do Louçã “.

O tempo da oposição democrática é, em 2013, o tempo dos velhacos. Escondendo a mão que nos levou à bancarrota, embarcam em todas as campanhas para “rever a democracia “. Primeiro era o governo que se iria desfazer, depois era o governo de iniciativa presidencial, agora é a (i)legitimidade de um governo eleito governar. Depois vai ser a inconstitucionalidade de alguma medida do orçamento, mesmo que a montanha vá parir um rato, seguir-se-á o pavor da restruturação do “ estado social” ( que lhes garantiu a ocupação do Estado por parte de uma nomenklatura durante uma geração ), por fim vão ser os resultados das autárquicas. Fugindo da realidade, numa luta contra o tempo, o mesmo tempo que pode trazer ao Governo os primeiros bons resultados resultado da austeridade que vivemos.

Resta-nos o modo.

O modo é totalmente da responsabilidade do Governo.

Os problemas de comunicação, que se começa a descobrir que em parte são problemas de formação, têm irritado a sua base eleitoral e, sobretudo, os portugueses que pensam pela sua própria cabeça e que sabem, com diversas matizes de pragmatismo, que o caminho para sair desta situação é em coordenação com as instituições europeias e com os nossos credores internacionais que nos têm estado a financiar desde o acordo negociado por Sócrates e agora rejeitado pelos socialistas. Estes portugueses, um bloco de aproximadamente 20% de indecisos, que foram a base eleitoral alargada à vitória de Passos Coelho, não concordam com este PS irresponsável. Mas estão fartos da inabilidade política, da arrogância imatura de quem tem a obrigação de gerir com rigor político as matérias essenciais deste tempo perigoso que vivemos.

O tempo? É favorável aos objectivos do Governo.

O modo?  Pode destruir o favor do tempo.


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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2013
por Maurício Barra

Após uma semana em que o contraditório foi inexistente na avalanche anti-governo , na qual as televisões do costume com os comentadores do costume anunciaram um fim do mundo atrasado em relação ao calendário Maia para a actual situação política portuguesa ( impressiona como é prevalecente o argumentário do BE e do PCP no questionário dos jornalistas e nas “certezas” dos comentadores ), a realidade bateu forte com o discurso do Presidente ( e com a sua entrevista ao Expresso ).

Não vai haver eleições antecipadas. Repito : não vai haver eleições antecipadas.

Este facto, que condicionará tanto o Governo como a oposição democrática ( e eliminará as expectativas putchistas da esquerda não democrática e dos amigos do Mário Soares ), obrigará ambos a percorrer o caminho diversas vezes anunciado em entrelinhas tanto pelo FMI e pelo BCE : a solução para diminuir os constrangimentos económicos e financeiros que estamos a sofrer não está em copiar as condições oferecidas à Grécia, que as prolongariam, mas estão sim em aplicar a Portugal o que está a ser oferecido à Espanha, ou seja, suporte financeiro “ sem troikas “.

O que significa que a corrida contra o tempo em que o Governo está lançado para regressar aos mercados é a verdadeira questão nacional do momento. Para todos os democratas.

Quadratura do círculo? Não é preciso. Nem existe. Basta não desistir do caminho que se começou e que começa a dar frutos.


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Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2012
por Maurício Barra

A maioria dos portugueses está contrariada com o Governo mas sabe que, no essencial, ele está a fazer o que tem de fazer.

Por outro lado, a maioria dos portugueses não confia na oposição porque sabe que eles, no governo, não fazem o que têm de fazer.

Entretanto a maioria dos portugueses já sabe que têm de decidir em conjunto qual o Estado Social que querem e os impostos que estão dispostos a pagar para o ter. Sabem que têm de chegar a acordo mas, para obter o equilíbrio entre a refundação e a racionalização do Estado Social, equilíbrio que no fundo todos sabem que tem de ser atingido, olham para os partidos democráticos e vêem-nos a discutir salsaparrilha em vez do que importa a todos.

Por isso estão a ficar fartos.

A maioria dos portugueses acorda de manhã e estão fartos.

Estão fartos porque é mais um dia de sacrifício e a única coisa que ouvem é o matraquear da imprensa, num tremendismo permanentemente depressivo, onde cada ”boca” de qualquer sujeito do PC e do BE ( e do irresponsável Mário Soares )  abafa qualquer sinal positivo que esteja a emergir. O país do não, o país publicado, “ferra o dente” nas esperanças de todos os dias, cultivando o apostolado da desgraça, dando voz aos profetas do abismo.

E, no entanto, silenciosamente, sem entrevistas na imprensa, 3.700.000 portugueses e portuguesas  todos os dias vão trabalhar. Solidários com os que não têm trabalho. Porque sabem que cada dia é mais um passo, mais um passo para os tirar deste molho de brócolos em que todos estamos metidos.


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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012
por Maurício Barra

Governar é isto, é sobrevalorizar o todo sobre as partes, é escolher entre a bancarrota que um segundo resgate nos traria e o caminho estreito e sacrificial que nos levará ao futuro possível.

Governar é dizer a verdade, é desmontar argumentos políticos irrealistas e irrealizáveis, é escolher, entre quem se opõe, o contributo que possa ajudar a atenuar a aspereza dos objectivos. Governar é sobrepor o longo prazo ao imediatismo tremendista e chocarreiro da maior parte da imprensa, sempre mais interessada no sangue do acidente que não existe do que nas condições de condução necessárias para chegar ao destino. Governar é colocar a res publica acima das corporações, escolher o interesse nacional acima das políticas de spin baseado em sondagens.

E governar é ser determinado entre os que duvidam, é ter bom senso entre os arautos do caos, conduzindo a caravana da maioria ao lado dos gritos das minorias.

Governar, numa democracia em risco de bancarrota, suportada financeiramente pelo apoio de credores, é isto.

Governar, hoje, em Portugal, é isto !


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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012
por Maurício Barra

Coincidindo com a aprovação do orçamento, uma sondagem demonstra que 63,5 % dos portugueses defendem que Portugal deve cumprir o acordo negociado com a troika e que 62,8 % afirmam que Portugal não deve sair do Euro. Paralelamente, 84% querem que o memorando assinado com os nossos credores seja renegociado.

O caminho das pedras do Governo está definido: cumprir o acordo ao mesmo tempo que liberta os portugueses da pressão fiscal e do nível de desemprego que lhes está a ser imposta, por um lado diminuindo a despesa pública ( os famosos 4 mil milhões ), por outro lado com incentivos fiscais e impondo à banca portuguesa instrumentos financeiros que libertem a economia do “crash default” que efectivamente está a atrasar a recuperação económica, impedindo liquidez ao investimento, à gestão das PME’s e à revitalização da microeconomia. E, mais do que renegociar o memorando ( a que deve estar sempre atento, sobretudo pressionando na diminuição acentuada dos juros e no retorno de parte substancial dos lucros obtidos em juros pelos nossos credores ), deve acabar com ele em 2014. Mais tempo para pagar mais dinheiro é a política dos irresponsáveis.

Para este caminho o Governo tem o apoio condicional de dois terços dos portugueses. Apoio condicional à efectiva execução dos objectivos pretendidos.

Pior é o caminho das pedras do PS.

Com 20% do seu eleitorado a compreender que o Governo está num processo do que “tem de fazer” num exercício de “real politic” que se sobrepõe aos chavões negacionistas da realidade gritados todos os dias pela esquerda não democrática ( a que 10 % do eleitorado socialista ainda se submete ), o espaço de afirmação dos socialistas enquanto projecto governativo não existe ( foi ridículo ver ontem Seguro fazer de conta que era autor da deliberação do EuroGrupo de estender à Irlanda e Portugal a revisão dos critérios de apoio financeiro à Grécia ).

O PS tem de se defrontar a si próprio: ou segue a maioria do seu eleitorado e opta definitivamente por um modelo político de governação europeu, criando condições para com os outros partidos democráticos obter consensos reformadores do regime que evitem que Portugal volte à bancarrota, ou deixa-se continuar aprisionado pela coacção ideológica de uma minoria companheira de estrada da extrema-esquerda e da esquerda radical. 


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