Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2012
por João Villalobos

"Plans to create a eurozone banking union hit a brick wall after Germany's influential finance minister cautioned over moving too quickly, casting doubts over whether the EU would seal a deal by the end of the year".

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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

 

 

No Chicago Tribune, podem ler um artigo bastante crítico a Hollande e aconselhando-o a seguir o exemplo do governo português. Não fiquei surpreendido. Como sabem aqueles que leram os meus últimos escritos sobre o governo e as medidas que estão a ser seguidas, continuo muito céptico das opções fiscais seguidas pelo ministro das finanças. Não tenho nem evitado nem escondido as minhas sérias dúvidas (ler os artigos "Matar o doente com a cura").

 

No último fim de semana, na TSF, tive a oportunidade de ouvir o discurso de Pedro Passos Coelho na Madeira. Salvo melhor opinião, esta foi a sua melhor intervenção dos últimos meses. Explicou com clareza e foi, finalmente, um discurso político. É raro ver um político assumir e defender um caminho que, obvimente, é impopular. O objectivo dos politiqueiros é ganhar sempre e a qualquer custo. Os políticos a sério e sérios preferem fazer o que ainda não foi feito e precisa de o ser, mesmo que seja impopular. A sua decisão terá, na minha opinião, consequências terríveis para o seu partido já nas autárquicas de 2013. A minha dúvida reside apenas num ponto e que ponto: será este o caminho correcto para endireitar o país? Será desta forma que vamos ter uma economia saudável? Não sei. Na minha opinião, a política fiscal seguida por Gaspar vai prejudicar toda a estratégia (o melhor exemplo é o IVA da restauração). Não acredito que com esta gigantesca carga fiscal se recupere as finanças e a economia. O IVA e o IRS podem representar a morte da já diminuta classe média. Vamos ver. Posso, espero, estar enganado. 

 

Contudo, os portugueses, demonstram a sua inteligência. A oposição, sobretudo o PS, não apresenta alternativas. O Partido Socialista está enredado numa pouco discreta luta interna de poder com Seguro a fazer verdadeiros "pactos internos com o Diabo" e Costa a somar apoios atrás de apoios, até nas hostes de Seguro. Hoje, para mal dos nossos pecados, temos um Secretário-geral do PS que sempre que faz uma intervenção política está a falar para dentro, a procurar retirar espaço aos seus opositores em vez de falar para o país e se constituir, a si e ao seu partido, como uma alternativa. Ironicamente, faz mais oposição ao governo o CDS (simulando estar fora quando está dentro, bem dentro) do que Seguro.

 

Neste ano e meio de governo PSD/CDS muito foi feito. Externamente somam-se elogios. Internamente pairam as dúvidas. A crise em Espanha é bem mais profunda do que se pensa. Os nacionalismos (Basco, Catalão e Galego) podem fazer implodir o nosso vizinho. O caminho que hollande está a trilhar em França é um prenúncio de desastre. E as eleições na Alemanha tardam...Numa Europa adiada é caso para concluir que nada ajuda. Nada. Fica a coragem de Pedro Passos Coelho.

 

Por estes dias, só espero que a teimosia fiscal de Gaspar não deite tudo a perder...

 


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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2012
por João Espinho

 

Nobre povo este que, nos últimos dias, se rendeu à língua de Goethe. Nos blogs e redes sociais a germanofobia traduziu-se numa estridente tentativa de escrever coisas em alemão, na crença de que algum germânico, ou a alemã, desse ouvidos ao que por aí se foi vomitando. Verdadeiramente ridículos os ódios à Chanceler e a tudo o que vem de Berlim. De tal forma, que se chegou a chamar nazi a todo um povo e, claro, a quem o governa.
Incapazes de perceber as nossas próprias incapacidades, esgotamos energias estupidamente, não olhando para o que é efectivamente essencial.
Aos novos escribas, que tanto se esforçaram por escrevinhar correctamente vocativos em alemão, aconselho umas horas no Instituto Alemão para que possam, no sítio certo, certificar-se da riqueza da cultura alemã e, quiçá, aprender alguma coisa daquela difícil língua. Até lá, tratem-se.

 

(também aqui)


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Domingo, 11 de Novembro de 2012
por Dita Dura

Sobre o vídeo "do" prof. Marcelo que promove o nosso lado pedinte, apenas digo que não peço esmolas a alemães. Prefiro comer Nestum todos os dias. 


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Sábado, 23 de Junho de 2012
por jfd

sinto-me:

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Sexta-feira, 22 de Junho de 2012
por Pedro Correia

Espero que o Alexandre Poço prossiga a sua oportuna série sobre os melhores golos deste Campeonato da Europa. Até porque golos não têm faltado: foram marcados 60 na fase de grupos, 17 dos quais de cabeça (28% do total).

A média é razoável: 2,5 golos por jogo. E alguns têm sido extraordinários. Como este, do sueco Ibrahimovic, talvez o mais sério candidato ao melhor do torneio. Também gostei muito dos golos de Fernando Torres e David Silva contra a Irlanda. E do segundo do nosso Cristiano Ronaldo contra a Holanda. E - devo reconhecer - igualmente dos que nos foram marcados pelo alemão Mario Gómez e pelo holandês Rafael van der Vaart.

 

Um dos melhores surgiu hoje, num encontro rodeado de muita expectativa: o Alemanha-Grécia, disputado em Gdansk (Polónia). Entre assobios dos adeptos gregos cada vez que os jogadores comandados por Joachim Löw tocavam na bola e o entusiasmo da chanceler Angela Merkel, que fez questão de estar presente, ao lado do presidente da UEFA, Michel Platini, quase tão germanófilo em matéria futebolística como ela. Os gregos, treinados por Fernando Santos, adoptaram a táctica do ferrolho, tentando cortar todas as vias do acesso alemão à sua grande área. Era uma estratégia condenada ao fracasso, como se antevia desde o minuto inicial. Faltava apenas saber em que circunstância exacta os alemães atingiriam com sucesso as redes gregas.

Aconteceu, iam decorridos 39 minutos, com um disparo do capitão germânico, Philipp Lahm. Um defesa, com apenas 1,70m de altura, mas dotado de tenacidade suficiente para quebrar a muralha helénica, mais frágil do que parecia.

Ao intervalo, 1-0: resultado lisonjeiro para a selecção grega, de qualidade muito inferior ao do conjunto alemão, onde pontificam vedetas de nível mundial como Özil e Schweinsteiger (este hoje muito perdulário nos passes). E aos 54', contra a corrente, a Grécia empatou num rápido contra-ataque na ala direita conduzido por Salpingidis, que fez um passe milimétrico para o golo de Samaras.

 

A euforia grega durou sete minutos exactos. Até ao fantástico disparo de Khedira, que recebeu a bola e a rematou com artes de matador sem a deixar cair no chão. Outro golo desde já candidato ao melhor do Euro 2012.

Angela Merkel, muito focada pelas câmaras polacas, teve ocasião de dar saltos de júbilo em duas outras ocasiões, quando Miroslav Klose e Marco Reus ampliaram a vantagem. Salpingidis, no penúltimo minuto do encontro, ainda reduziu, de penálti. Mas era já tarde para o resgate grego. Os dados estavam lançados.

Muito se tem falado numa Europa a duas velocidades. Isso também sucede no futebol, espelho da vida. Como o jogo de hoje confirmou.

 

Alemanha, 4 - Grécia, 2


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Domingo, 10 de Junho de 2012
por Maurício Barra

FACTOR MERKEL

Para aqueles que afirmavam ou insinuavam (incluindo MRS, num ímpeto de populismo acentuado) que ganhar à Alemanha era partir “partir as trombas a Merkel“ , acham que com a derrota de Portugal foi Merkel partiu as trombas a Portugal?

 

FACTOR BOSINGWA

Será que o facto de não ter sido seleccionado o nosso melhor defesa lateral direito (e recém-campeão europeu), facto a que os dirigentes federativos e o país impresso mansamente aquiesceu, não é mais um sinal do tradicional subdesenvolvimento português de colocar os egos à frente dos objectivos?

 

FACTOR HÉLDER POSTIGA

Vitórias morais? Depois de estarmos a jogar com dez contra onze? Continuamos a não retirar as lições das derrotas? Ou temos de aceitar que em Portugal os seleccionadores podem pôr as suas obsessões à frente da máxima eficácia para cumprir objectivos?


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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
por Judite França

Isto explica com simplicidade o não da Alemanha.


O problema é que a pergunta de Berlim não deveria ser «por que raio preciso eu de pagar mais... »


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Domingo, 13 de Maio de 2012
por Pedro Correia

Lentamente, a política regressa à Europa. A política que põe teses em confronto e rejeita todo o pensamento unidimensional. A política que fomenta e sedimenta alternativas, recusando rotas "inevitáveis" traçadas de antemão.

Devemos congratular-nos. Este é o cerne da democracia.

A mudança está a acontecer um pouco por toda a União Europeia. Incluindo na poderosa Alemanha de Angela Merkel, onde a União Democrata-Cristã (CDU) registou hoje o pior resultado de sempre na Renânia do Norte-Vestefália, o mais populoso Estado do país, onde se situam cidades como Bona, Colónia e Düsseldorf. As sondagens à boca das urnas apontam para uma clara maioria do Partido Social-Democrata (39%, mais cinco pontos percentuais do que no anterior escrutínio, ocorrido em Outubro de 2010), muito à frente da CDU (26%, menos oito pontos). Os sociais-democratas preparam-se para renovar a nível estadual a coligação com os verdes, que obtiveram 12%, enquanto o Partido Liberal, parceiro de Merkel a nível federal, não conseguiu melhor do que 8,5%.

Em 2005 a CDU alcançara 44,5% neste Estado, o que demonstra até que ponto os democratas-cristãos estão em recuo na Renânia do Norte-Vestefália, um Estado que costuma funcionar como teste seguro das oscilações de voto a nível nacional. Uma tendência que já se vinha desenhando nas eleições estaduais em Hamburgo (Fevereiro de 2011), Baden-Vutemberga (Março de 2011), Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (Setembro de 2011) e Schleswig-Holstein (há uma semana).

«Estas eleições devem preocupar a chanceler Merkel. O grande declínio do voto nos democratas-cristãos indicam uma forte aversão às propostas do seu partido. Nas sondagens nacionais, ela - em termos pessoais - continua popular, mas o seu partido não», escreve Stephan Evans, analista político da BBC.

As coisas são o que são.

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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
por Pedro M Froufe

Segundo Boaventura Sousa Santos, o "(...) nosso ministro das Finanças, Vítor Gaspar, tem passaporte português mas é alemão. Foi criado pelos alemães, foi educado por eles no Banco Central Europeu. Este homem vê o mundo pelos olhos da Alemanha".

Tal e qual! Boaventura deve saber do que fala. Também ele tem passaporte português, mas, seguramente, será cubano, boliviano, chavèziano (rectius, venezuelano, etc., etc.).


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Domingo, 6 de Maio de 2012
por Pedro Correia

 

Angela Merkel perdeu hoje em três frentes.

Na frente externa, o seu mais fiel parceiro europeu - Nicolas Sarkozy - foi derrotado por François Hollande nas presidenciais francesas. E a Grécia sai das urnas ainda mais fragmentada e ainda mais ingovernável, com um expressivo voto de protesto que penaliza as duas maiores forças políticas pró-europeias e rejeita novas medidas de austeridade impostas por Berlim.

Na frente interna, a chanceler alemã vê a União Democrata-Cristã recuar nas eleições estaduais de Schleswig-Holstein, onde o seu parceiro de coligação se afunda. Depois das derrotas na Renânia do Norte-Vestefália, Hamburgo, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Baden-Vutemberga.

São sinais reveladores. Que devem ser lidos com atenção. Em todas as capitais da União Europeia, onde as forças extremistas, nacionalistas e populistas vão ganhando terreno. Não só em Atenas, não só em Paris. Por uma espécie de lenta implosão das famílias políticas tradicionais, incapazes de escutar a voz da rua.

Sinais que devem fazer meditar seriamente os políticos com responsabilidades governativas. Para que a união não se transforme em desunião e o sonho europeu não naufrague. Só ele possibilitou a paz prolongada na Europa, de longe o continente com maiores cicatrizes de guerra. Como a História nos ensina.

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Segunda-feira, 2 de Abril de 2012
por José Meireles Graça

As autoridades federais alemãs aprovaram a compra, por 2.5 milhões de Euros, de informação confidencial roubada a um banco suíço. As autoridades suíças competentes emitiram mandado de captura dos três inspectores alemães, receptadores da informação roubada.

 

A Suíça não está, em relação à Alemanha, na mesma situação de dependência abjecta em que estão numerosos países europeus, e por isso permite-se fazer destas coisas. O Ministro das Finanças da Renânia - Vestefália do Norte (se é assim que se diz), Norbert Walter-Borjans, declarou ao Berliner Zeitung que os mandados eram uma "tentativa de intimidação".

 

A história vai dar pano para doutas opiniões no âmbito do direito internacional, e os vizinhos chegarão a um acordo qualquer.

 

Mas a máquina infernal da fiscalidade desabrida, que vem transformando Estados de Direito em Estados Policiais-Fiscais, já nem sequer recua perante a prática de crimes para a prossecução dos fins superiores do Estado. Sucedeu na Alemanha - onde haveria de ser?

 

Nós por cá ainda vamos na quebra da confidencialidade, e "combate ao enriquecimento ilícito" com inversão do ónus da prova, e abusos da Admnistração Fiscal. Andamos sempre atrasados.


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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012
por Pedro M Froufe

Parece ser o que se passa, em termos de discurso político europeu, com a Grécia.

Agora, de um modo claro, foi o Ministro alemão do Interior que praticamente já deixou cair o Santo (neste caso, a Grécia). Mas a ladainha já tinha começado a ser entoada, de forma menos explícita, desde há uns tempos a esta parte. Quem estivesse atento ao discurso político das Instituições e, de um modo geral, de políticos com responsabilidades na UE, perceberia: independentemente das declarações de Barroso, jurando segurar a Grécia até ao limite, lá fomos ouvindo a própria Comissária Grega das Pescas dizer que, para a zona Euro, não seria nenhum drama se o seu país saísse da moeda única. Depois foi a Comissária Neelie Kroes (da “agenda digital”), a dizer a mesma coisa, de forma mais contudente (a própria União e o processo de integração não sofreriam com a queda da Grécia em default). Em paralelo, alguns políticos (sobretudo do eixo franco-alemão) começaram, de forma inusual e muito anti-diplomática, a dizer abertamente mal dos políticos gregos. Tudo isso eram (são) sinais de que, de facto, o objectivo, agora, já será deixar cair a Grécia controladamente. Como explica o José Manuel Fernandes, aqui, “na imprensa internacional tanto vozes eurocépticas (como Ambrose Evans-Pritchard, doThe Telegraph), como federalistas (caso de Wolfgang Münchau, do Financial Times) juntam-se a uma legião de economistas (de que um exemplo é Hans-Werner Sinn, responsável de um dos mais importantes think tanks económicos da Alemanha, em entrevista à Spiegel) que defendem o regresso da Grécia ao dracma. Sem dramatismos, apenas por realismo”.

 

Também, por outro lado, o acentuarem-se as diferenças entre o caso português e a Grécia, para que, de futuro e (ao contrário do que por cá, muitos dizem), se segure Portugal, o dizer-se abertamente que  Portugal vai no bom caminho (implícita ou explicitamente, ao contrário da Grécia), faz parte dessa estratégia/objetivo de deixar suavemente cair a Grécia.

O problema é que por mais cálculos e paraquedas que se arranjem, as falências são sempre incontroláveis. Quer económica e socialmente, quer, também politicamente. E aí – quer se diga o contrário, quer não –  haverá sempre  riscos para o projeto europeu ….


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Domingo, 26 de Fevereiro de 2012
por Mr. Brown


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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012
por Mr. Brown

 

Pergunto: não era melhor deixar os gregos seguirem o seu caminho fora do Euro? Eu compreendo os riscos - sobretudo para a própria Grécia: «The country might well wind up a failed state, a political and economic wreck.» -, mas quando vejo a bandeira da Alemanha a ser queimada na rua grega acho que estamos a chegar àquele ponto em que o divórcio realmente parece melhor opção do que a manutenção do casamento à força.


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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

A propósito de massa, ratings e dívida soberana deixo aqui mais uma previsão: se não se levar à prática dentro de poucos meses ou talvez semanas uma grande reestruturação da dívida grega ou, pelo menos, da dívida portuguesa e se, ao invés, se ficar à espera das eleições na Alemanha, este país não manterá o seu triple A até à realização daquelas (em Setembro ou Outubro de 2013). Ou se reestrutura depressa e em grande escala ou a Alemanha perde o rating máximo.

 

Ouviste oh Merkel?!


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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

A propósito deste quadro do Financial Times publicado por Rui Rocha ao qual cheguei a partir deste post de Luís Naves...

 

Se os periféricos saem do euro, fará menos sentido económico e pouco sentido político insistir que os países ainda de fora venham a aderir. E fica criado e disponível para todos o seguinte argumento nacionalista e euro-céptico: "para quê aderir ao euro se depois podemos ser expulsos pelos alemães?". Se a Alemanha quer de facto a Polónia e a República Checa no euro terá de manter a Grécia, Irlanda e Portugal.

Mas eu acho que, verdadeiramente, os alemães não sabem o que querem. E, assim, não são tão diferentes dos gregos ou dos italianos ou de quaisquer outros como eles (e nós) imaginam.


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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

Não concordo com leis que tornem ilegal ou mesmo crime ter esta ou aquela opinião. Isto quando as opiniões podem ser discutidas, refutadas e, até, testadas com métodos científicos. E discordo ainda mais nos casos em que as opiniões não são falsificáveis (por exemplo, a religião). Dito isto, Erdogan e muitos turcos têm dificuldades em aceitar a sua própria História e isso é muito mau. E tendo dito isto, também me parece que o momento escolhido para esta iniciativa francesa é tudo menos inocente.

 

É interessante observar que à medida que a Turquia vai ganhando preponderância geográfica, política e militar alguns países da Europa vão tomando um maior número de medidas cuja consequência é alienar ainda mais a Turquia do convívio com a Europa. Esses países europeus parecem ter optado por fabricar um inimigo, quando poderiam há já muito tempo ter ganho um aliado fortíssimo. Triste velha Europa.

 

Também é triste comparar as políticas francesas (e alemãs) de apaziguamento em relação à Rússia com a atitude de humilhação e, quase, de acossamento dirigida à Turquia. Mais uma vez, países há que parecem demonstrar uma confusão muito grande na distribuição das simpatias internacionais. E, mais uma vez, é evidente que na União Europeia não existe qualquer homogeneidade quanto às amizades e inimizades com países de fora da União. Aí está o que já escrevi da outra vez: a economia não chega para uma união política.


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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

Já escrevi que o pior do pacto de estabilidade orçamental é não responder aos problemas actuais e presentes da zona euro. A parte relativa aos impostos (ainda que duvide e espere que acabe por não avançar) é também bera (o mesmo que "lixado" segundo a Porto Editora). O objectivo é reduzir a competição fiscal, isto é, forçar os países que felizmente ainda têm algumas taxas de impostos baixas a subi-las. Tudo com o fito em aumentar a competitividade relativa de uma Alemanha, França e Itália face, por exemplo, a uma Holanda, Irlanda ou Estónia.

 

O imposto sobre as transacções financeiras é um erro muito grande: em tempos em que a predominância relativa da Europa decresce, não se percebe mais este passo no sentido da menor competitividade. No mundo globalizado (desculpem lá o cliché), as regiões mundiais que mais proíbem e tributam são as que mais perdem (como já tinha escrito aqui a propósito de uma outra destas várias cimeiras).

 

P.S.: A soberania fiscal está em risco. Sobre isso, ler estes três textos.


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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

... a integração europeia oferece oportunidades excelentes mas é preciso saber muito bem negociar. É preciso ter presente esta lei: quanto mais tarde se acede, maior é a pressão para aceitar condições económicas desfavoráveis.

Bruxelas pressionou Portugal - e continua a pressionar uma série de países - no sentido da estagnação económica. Por exemplo, essa ideia absurda de ligar as capitais todas com tê gê vês. Se o tê gê vê Lisboa - Madrid já é projecto ruinoso segundo um dos melhores estudos que estavam (e talvez ainda estejam) disponíveis no site da Rave, o que dizer do projecto Tallinn (Estónia) - Riga (Letónia), países estes ainda mais pobres, com cidades capitais ainda menos populosas? Mais uma imposição de Bruxelas, mais um convite ao endividamento e à estagnação, com o único fito de subsidiar indirectamente a indústria dos países mais ricos. Qualquer coisa como isto: os países bálticos endividam-se primeiro para pagar "só" 50% do projecto (é sempre "só" 50%, "só" 30%) e endividam-se depois para pagar os prejuízos operacionais nas décadas e gerações seguintes.

 

Entretanto, as siemens da Europa vão lucrando com o crescimento e exportação da sua indústria pesada. Quando os países bálticos estiverem falidos, vem a Alemanha, que não tem nada a ver com a Siemens..., queixar-se de que os bálticos não sabem governar-se. E o facto é que, do alto da mais supina hipocrisia, a Alemanha terá razão: quem cede às "narrativas da modernidade" de Bruxelas (mas não só daí) e aceita endividar-se para implementar projectos ruinosos não sabe, efectivamente, o que é boa governação...


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Terça-feira, 29 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

A integração política da zona euro ou da União Europeia, se for forçada (como alguns prevêem, por exemplo aqui no Forte, e outros parecem desejar) tem de deixar de fora países que são "monetariamente sustentáveis", isto é, que não contribuem para a desestabilização da zona, antes pelo contrário. Isto porque uma economia partilhada não é suficiente para uma união polítca. Aliás, tirando a questão da moeda comum, a união económica não precisa de união política e até pede menos união, menos bruxelas, menos regulamentos, menos PAC, menos burocracia e menos Estado supra-estadual. A economia não é pois condição suficiente para uma união política e esta, por sua vez, não é condição necessária para aquela (como também se afirma amiúde). Declarando o óbvio: também há a política. Vamos a um exemplo: a Polónia.

A Polónia pode ser uma economia extremamente robusta e promissora e a chancelerina teutónica pode andar em pulgas para que aquele país adira ao euro, assim facilitando ainda mais as exportações alemãs. Mas enquanto a França e a Alemanha venderem armamento e treino militar à Rússia, a Polónia nunca aceitará uma união política que inclua aqueles dois países e, ainda por cima, tendo-os à cabeça. Nunca. Por muito economicamente desejável que possa ser a inclusão da Polónia numa nova zona euro mais restrita. E o mesmo vale para uma República Checa ou uma Estónia.

Forçar uma união política coincidente com uma zona euro mais reestrita levará ao estalar de fracturas profundas da geografia política europeia. E essas fracturas têm consequências económicas: se a Polónia fica de fora da união política liderada pela França e pela Alemanha, também ficará de fora da nova e mais restritiva zona euro. E se fica de fora desta, quanto tempo restará dentro da união económica? É por isso que, a bem da continuidade e abrangência da zona euro e da própria União Europeia, eu defendo que não se deve avançar para nenhuma união política. Caso contrário, vamos ter quatro ou cinco blocos políticos na Europa que estarão também separados economicamente. A fragmentação económica na Europa equivale à destruição daquilo que manteve a Europa em paz: uma economia comum. Não é preciso dizer mais nada.

Por tudo isto, alguns conselhos: não avançar com nenhuma união política; implementar as medidas institucionais necessárias e só as necessárias para que o euro seja um projecto credível; não deixar cair para fora da zona euro nenhum dos actuais membros, o que implica reestruturar as dívidas da Grécia, Irlanda e Portugal o mais rápidamente possível, o que por sua vez recomenda a utilização de eurobonds mas apenas com o objectivo da reestruturação ordenada e nunca com o propósito federalista.


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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011
por Fernando Moreira de Sá

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Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011
por Fernando Moreira de Sá

A Alemanha liderada por A. Merkel anda a brincar com o fogo. O fogo, neste caso, é a União Europeia. É por isso que sou levado a concordar, em boa parte, com o que afirmou Mário Soares:

"A Europa deixou de ter líderes", disse Mário Soares - ele que foi também eurodeputado -, sustentando que Angela Merkel "é uma pessoa que tem grandes responsabilidades na decadência da Europa" e na situação vivida pela Grécia"

Nos primórdios da nossa adesão à CEE torci o nariz. Talvez fruto da adolescência e, certamente, de muito desconhecimento da história e enorme falta de experiência de vida, aliada à natural irreverência da idade, navegava em águas de exagerado nacionalismo. O passar dos anos bastou para perceber o equívoco. A Europa "quase" sem fronteiras, a evolução das pátrias para as regiões e um maior conhecimento do passado e da realidade foram essenciais. Sem esquecer algo que considero fundamental: quanto mais "mundo" se conhece menos se gosta de fronteiras. Quem sabe se não será uma utopia mas, para mim, a Europa "continental" vai de Sagres até para lá dos Urais sem esquecer a Turquia. É essa a Europa que defendo. Uma utopia? Talvez. É a minha. E olho para ela como um primeiro passo para o fim global das fronteiras. Se os mercados são globais, podem as velhas pátrias sê-lo plenamente.

 

Somos a geração das redes sociais sem fronteiras. Somos a civilização que acompanha, a par e passo, a eleição de Obama como se fossem as nossas eleições presidenciais. Somos o planeta que pára para ver a final do campeonato do Mundo de Futebol ou o atentado terrorista nas Torres Gémeas. Somos os filhos do Live Aid, os netos dos jeans e, sobretudo, os herdeiros da Democracia, da Liberdade de Expressão e da Igualdade entre os Povos. Nós somos, todos e em toda a parte, o resultado das aventuras e desventuras do filho de Laertes.

 

Do Antigo Egipto, da mãe Grécia passando pelo Império Romano e terminando na Revolução Francesa fomos caminhando nesse sentido. Na primeira metade do século XX fomos testemunhas do verdadeiro lado negro da força até à chegada dos heróis das praias da Normandia. Depois vivemos a angústia da ameaça nuclear até ao dia em que o muro desmoronou e a Europa se uniu a ajudando a Alemanha. Foi o nascimento de uma nova era e a possibilidade real de cumprir o sonho de uma sociedade livre. 

 

É esse o perigo da mediocridade da senhora Merkel: colocar um ponto final no cumprir do sonho. É por isso que olho com o devido respeito para as palavras de Mário Soares. Mesmo pondo de lado aquilo que ideologicamente nos separa.


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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
por Rui C Pinto

Disse-o Volker Kauder, líder parlamentar da CDU. Kauder sintetiza, assim, a posição europeia em relação à crise. A causa da crise europeia foi a indisciplina orçamental e, portanto, a solução é a austeridade. Que subitamente a Europa fala alemão não tenho dúvida, mas se a Europa pensa alemão já não tenho tanta certeza...  

 

Mas a Europa ainda não é unilingue. E por isso, o Reino Unido merece a atenção dos alemães: como membro da UE o Reino Unido "também carrega a responsabilidade para o sucesso da Europa", diz Kauder. "Olhando apenas aos seus interesses e não estarem preparados para contribuir é uma menssagem que não podemos aceitar dos britânicos." Estas palavras são provocadas pela oposição de Londres à taxa sobre transacções financeiras proposta por Berlim. Kauder afirma mesmo que percebe que um país como o Reino Unido cuja economia depende em 30% do centro financeiro londrino esteja relutante em aceitar tal taxa, mas que mesmo que continuem a resistir os 17 estados membros do Euro a introduzirão. O discurso começa a endurecer na União. 

 

O populismo destas palavras deve preocupar-nos, sobretudo no momento em que a Alemanha vem engrossando a voz à medida que a crise lhe dá poder sobre a economia europeia. Não há qualquer surpresa no facto de o Reino Unido defender a sua praça financeira, tal como não há qualquer surpresa na estratégia alemã para a resolução da crise na perifeira do euro. A economia alemã está com saúde e recomenda-se. Cresce mais que o esperado, cria emprego e aumenta salários. A contracção económica por via da austeridade na periferia europeia cria oportunidades à Alemanha que não só estará disponível para aquisições a preço de saldo em importantes sectores estratégicos como a energia como já se dispunha, em Janeiro deste ano, a receber os jovens qualificados dos países em dificuldade para alimentar o seu mercado de trabalho expansionista... Não sejamos ingénuos. A Alemanha está, tal como o Reino Unido, a zelar pelos seus interesses. 

 

É por isso que, nesta altura em particular, o preço que Van Rompuy afirma ser necessário pagar para estabilizar a zona euro me parece muito caro... Diz Rompuy que o preço a pagar é a concentração de soberania em Bruxelas. Ora, se a transferência de soberania for transversal aos estados membros e implicar o escrutínio democrático do exercício dessa soberania por todos os europeus eu aplaudo de pé. Mas para isso, Van Rompuy terá sobretudo de convencer os 80 milhões de alemães que vêm a sua economia crescer no meio de uma profunda crise europeia que precisam transferir soberania da sua amada constituição para Bruxelas... Bonne chance, Rompuy!


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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011
por João Gomes de Almeida

julgamentos de Nuremberga, 1 de Outubro de 1946

 

No Público de ontem, conta-se um episódio interessante sobre uns jornalistas finlandeses que vieram a Portugal, nos últimos dias, para perceberem como é que nós, europeus do sul, torrámos o dinheiro que eles nos emprestaram. No desenrolar da conversa com os colegas do Público, um jornalista mais atrevido perguntou: «no vosso jornal, qual é o salário médio da redacção?» - Quando os jornalistas portugueses lhe responderam, um misto de pânico e admiração invadiu a cara dos finlandeses. Afinal, não nos endividámos apenas porque não gostamos de trabalhar e porque adoramos viver em festa – afinal, não somos despesistas descontrolados a torrar milhões, apenas porque nos apetece.

 

Nesta conversa, talvez tenham ficado outras coisas por dizer: que somos o país da Europa com mais telemóveis e que nos endividámos durante anos para comprar os seus Nokias (quando ainda eram bons), que andámos anos a fio a torrar o nosso dinheiro em carros alemães, que deixámos a nossa agricultura morrer para importar os produtos que os países mais fortes produziam, perdendo, obviamente, a competitividade dos nossos, que fomos durante muito tempo o porto de abrigo de várias indústrias europeias que aproveitaram a nossa mão-de-obra mais barata e que depois se deslocalizaram, que ao aderirmos à CEE abrimos o nosso mercado de consumo aos produtos europeus, sem nunca termos tido hipótese de posicionar o nossos produtos nos outros países e que vimos a inflação disparar no dia em que acabámos com o nosso escudo (que como o nome indica nos servia para proteger) e aderimos a uma coisa chamada moeda única.

 

Deixo apenas uma pergunta, de um cidadão que não é economista: quem é que está a ganhar com esta história dos empréstimos a juros usurários?

 

Esta é a história que aqueles “parceiros” europeus, que nos atacam diariamente, não querem ouvir. Mas talvez pudéssemos ir mais longe e questionar quantas vezes, só no último século, os alemães destruíram a nossa Europa, ora com guerras armadas, ora com lógicas financeiras – sempre numa mentalidade expansionista, quase a arranhar o imperialismo bacoco. Por este motivo, sempre que oiço alguém falar de “tribunal” para os países devedores, ou de bandeiras a meia haste para os europeus de segunda categoria, ou ainda da perda de soberania de Portugal, só me apetece rir, parar e dizer: Zur Hölle fahren!


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Terça-feira, 20 de Setembro de 2011
por Pedro Correia

 

Devemos avançar para as obrigações europeias. E para a Taxa Tobin. E para o aprofundamento do federalismo. Isto é propagado a toda a hora por uma legião de analistas domésticos que no entanto parecem esquecer um pormenor: onde subsiste a opinião dos "europeus" em tudo isto? Cada palpite a Angela Merkel emitido à distância, de Portugal  para Berlim, escamoteia o facto de a chefe do Governo alemão ter de responder, antes de mais nada, perante os eleitores do seu próprio país. Que parecem pouco ou nada inclinados em acudir às periclitantes economias periféricas da Europa. É curioso, aliás, verificar que alguns dos que em Lisboa garantem não ter a menor intenção de continuar a sustentar com os seus impostos as dívidas orçamentais da Madeira exigem por sua vez que os contribuintes alemães assumam uma atitude oposta, ajudando a financiar o défice português.

Não devemos exigir nada aos outros que não estejamos dispostos a fazer também: uma Europa incapaz de assimilar esta evidência pode ter um relevante passado, mas seguramente não terá futuro.


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Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011
por Ricardo Vicente

Na sequência deste post de Alexandre Guerra, três comentários:

1. A nova "arma" da política externa russa não o é entre aspas, é-o em pleno.

2. Como escreveu o comentador daquele post, esta história começa antes (pelo menos) com os "socialistas" do SPD e o respectivo Schröder.

3. A geoestratégia do Nordstream é muito simples: dantes, quando a Rússia fechava a torneira, em pleno Inverno, aos países da Europa mais a Leste estes sabiam que a carestia imposta não duraria muito tempo pois ao cortar o fornecimento àqueles países, o gás também deixava de chegar à Alemanha. Agora, a Rússia pode abusar, punir, castigar, boicotar e chantagear grande parte do Leste europeu ao mesmo tempo que mantém intocados os fornecimentos ao aliado alemão. Logo, a Rússia pode suster o harassment energético durante muito mais tempo. Como já escrevi noutro sítio, os maiores inimigos da Europa continuam a ser a Alemanha e a Rússia (também aqui).

[De certa forma a propósito, este excelente post de Francisco Seixas da Costa.]


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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011
por Alexandre Guerra

Uma das componentes do pipeline a bordo do navio Castoro Sei no Mar Báltico/Foto: Nord Stream

 

No meio de tanto "entusiasmo" no que respeita ao debate sobre a crise dos mercados e das dívidas soberanas e respectivas fórmulas milagrosas de salvação europeia, talvez seja importante sublinhar que a Alemanha e a Rússia acabam de concretizar um dos projectos estratégicos mais importantes para os próximos anos no âmbito da política energética, não apenas daqueles dois países, mas também da Europa. O tão esperado Nord Stream já está operacional, devendo em Outubro começar a fornecer gás natural proveniente da Rússia directamente para a Alemanha, através do gasoduto de pipeline duplo colocado no Mar Báltico.

 

Ainda numa fase técnica inicial, visando o aumento da pressão no pipeline, a cerimónia de arranque foi levada a cabo esta terça-feira pelo primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, um dos mentores deste projecto, que também teve o apoio fervoroso da chanceler alemã, Angela Merkel. A inauguração oficial, no entanto, será só em Novembro com uma visita do Presidente Dimitri Medvedev à Alemanha.

 

 

Atendendo às necessidades energéticas europeias crescentes e às consequentes políticas de conflito daí resultantes, o Nord Stream é mais do que um mero gasoduto. É sobretudo uma arma de política externa da Rússia que se jogará no tabuleiro da geoestratégia e da geopolítica da Europa. Isto não quer dizer que este projecto seja hostil aos interesses da Europa. Na verdade, alguns países da União Europeia serão beneficiados, já que receberão o gás natural russo de uma forma mais segura, rápida e eficaz. Convém não esquecer as várias “crises” energéticas que a Europa tem assistido em invernos recentes, como em 2006 e 2009, provocando nalguns países situações de autêntica ruptura no fornecimento de energia.

 

Mas dentro do espaço comunitário é sem dúvida a Alemanha a principal beneficiária, tendo o privilégio de ter um gasoduto directamente ligado à “fonte”, poupando-se às dores de cabeça provocadas pelas passagens turbulentas em países como a Ucrânia. Há muito que Merkel tinha percebido a importância estratégica deste projecto para a Alemanha, não sendo por isso de estranhar que o mesmo tenha despertado a “realpolitik” pura e dura do Estado alemão.

 


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