Segunda-feira, 12 de Novembro de 2012
por João Espinho

 

Nobre povo este que, nos últimos dias, se rendeu à língua de Goethe. Nos blogs e redes sociais a germanofobia traduziu-se numa estridente tentativa de escrever coisas em alemão, na crença de que algum germânico, ou a alemã, desse ouvidos ao que por aí se foi vomitando. Verdadeiramente ridículos os ódios à Chanceler e a tudo o que vem de Berlim. De tal forma, que se chegou a chamar nazi a todo um povo e, claro, a quem o governa.
Incapazes de perceber as nossas próprias incapacidades, esgotamos energias estupidamente, não olhando para o que é efectivamente essencial.
Aos novos escribas, que tanto se esforçaram por escrevinhar correctamente vocativos em alemão, aconselho umas horas no Instituto Alemão para que possam, no sítio certo, certificar-se da riqueza da cultura alemã e, quiçá, aprender alguma coisa daquela difícil língua. Até lá, tratem-se.

 

(também aqui)


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por José Meireles Graça

 

Olá. Adeus.


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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2012
por José Meireles Graça

 

60% de dívida pública máxima, 3% de défice - anda por aí, algures, um estudo que demonstra que para 2 ou 3% de crescimento isto está muito bem.


Não o vou procurar, o estudo. Que estudos económicos demonstram preconceitos, e eu tenho outros (preconceitos, não estudos). Para mim, fora de guerras, calamidades, depressões e despesas de investimento sobre cujo retorno não haja a menor dúvida, o défice deve ser zero. E mais: como os cenários orçamentais devem ser pessimistas, a execução superavitária, se houver, é uma coisa boa: os mercados emprestam com tanta maior facilidade e tanto menor preço quanto menos se precisa.


Tudo isto é um raciocínio perigosamente fascista: estão a ver, de quando o País crescia a taxas asiáticas (quase o dobro do que se verificava no espaço que viria a ser o da UE), o equilíbrio era a regra e a despesa pública não chegava a 25%.


Este discurso, actualmente raro, costuma ser despachado com escárnio: e a miséria, hem? e o atraso? e os índices humilhantes, na educação, na saúde, nas vias de comunicação? e a ausência de globalização e a adesão à AECL, no início da década de 60? Hum?


Hum o caraças. Que as comparações estáticas entre o agora e o antes são um abuso de raciocínio: todo o Mundo cresceu e em todo o Mundo se registaram melhorias de índices. E mesmo que, como na saúde, haja não apenas progresso absoluto mas também relativo (isto é, subida no ranking comparativo dos países) está por perceber quanta marcha-atrás terá que ser feita até que se atinjam níveis sustentáveis de despesa pública, na saúde e no resto.


E antes que venham para aí bolsar nas caixas de comentários insultos de salazarista!, facho!, e coisas piores, esclareço que, ainda que a gestão económica do País tenha sido nos últimos 38 anos, como foi, uma litania de disparates - nem por isso deixei de pensar que a única legitimidade admissível para governar é ter sido escolhido livremente pelos governados.


Tudo isto para dizer que não preciso de ser convencido da bondade da disciplina nas contas e, portanto, que deveria talvez receber esta notícia com alegria.


Mas não. Ser democrata implica inclinarmo-nos perante a vontade da maioria, mesmo quando - e se calhar sobretudo quando - a maioria escolhe miragens e compra banha da cobra. Ser democrata é isso - e ser patriota implica partir do princípio que quando estrangeiros nos governam, por muito lúcidos que sejam, não somos mais do que cidadãos de segunda.


E, salvo melhor opinião, ainda está para nascer aquela sociedade onde quem parte e reparte não escolha a melhor parte.


Os europeístas de todos os bordos dirão: que tolice, esta é a maneira de termos uma voz numa União de iguais, e salvarmos o precioso Euro, qual colonização qual quê.


Dream on, baby.


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Sábado, 23 de Junho de 2012
por jfd

sinto-me:

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Domingo, 10 de Junho de 2012
por Maurício Barra

FACTOR MERKEL

Para aqueles que afirmavam ou insinuavam (incluindo MRS, num ímpeto de populismo acentuado) que ganhar à Alemanha era partir “partir as trombas a Merkel“ , acham que com a derrota de Portugal foi Merkel partiu as trombas a Portugal?

 

FACTOR BOSINGWA

Será que o facto de não ter sido seleccionado o nosso melhor defesa lateral direito (e recém-campeão europeu), facto a que os dirigentes federativos e o país impresso mansamente aquiesceu, não é mais um sinal do tradicional subdesenvolvimento português de colocar os egos à frente dos objectivos?

 

FACTOR HÉLDER POSTIGA

Vitórias morais? Depois de estarmos a jogar com dez contra onze? Continuamos a não retirar as lições das derrotas? Ou temos de aceitar que em Portugal os seleccionadores podem pôr as suas obsessões à frente da máxima eficácia para cumprir objectivos?


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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
por Francisca Prieto

Angela Merkel arrives at Passport Control at Charles de Gaulle airport.
"Nationality?" asks the immigration officer.
"German," she replies.
"Occupation?"
"No, just here for a few days."


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Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
por jfd

* ou: Terminou o reinado de Merkel


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Domingo, 13 de Maio de 2012
por Pedro Correia

Lentamente, a política regressa à Europa. A política que põe teses em confronto e rejeita todo o pensamento unidimensional. A política que fomenta e sedimenta alternativas, recusando rotas "inevitáveis" traçadas de antemão.

Devemos congratular-nos. Este é o cerne da democracia.

A mudança está a acontecer um pouco por toda a União Europeia. Incluindo na poderosa Alemanha de Angela Merkel, onde a União Democrata-Cristã (CDU) registou hoje o pior resultado de sempre na Renânia do Norte-Vestefália, o mais populoso Estado do país, onde se situam cidades como Bona, Colónia e Düsseldorf. As sondagens à boca das urnas apontam para uma clara maioria do Partido Social-Democrata (39%, mais cinco pontos percentuais do que no anterior escrutínio, ocorrido em Outubro de 2010), muito à frente da CDU (26%, menos oito pontos). Os sociais-democratas preparam-se para renovar a nível estadual a coligação com os verdes, que obtiveram 12%, enquanto o Partido Liberal, parceiro de Merkel a nível federal, não conseguiu melhor do que 8,5%.

Em 2005 a CDU alcançara 44,5% neste Estado, o que demonstra até que ponto os democratas-cristãos estão em recuo na Renânia do Norte-Vestefália, um Estado que costuma funcionar como teste seguro das oscilações de voto a nível nacional. Uma tendência que já se vinha desenhando nas eleições estaduais em Hamburgo (Fevereiro de 2011), Baden-Vutemberga (Março de 2011), Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (Setembro de 2011) e Schleswig-Holstein (há uma semana).

«Estas eleições devem preocupar a chanceler Merkel. O grande declínio do voto nos democratas-cristãos indicam uma forte aversão às propostas do seu partido. Nas sondagens nacionais, ela - em termos pessoais - continua popular, mas o seu partido não», escreve Stephan Evans, analista político da BBC.

As coisas são o que são.

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Domingo, 6 de Maio de 2012
por Pedro Correia

 

Angela Merkel perdeu hoje em três frentes.

Na frente externa, o seu mais fiel parceiro europeu - Nicolas Sarkozy - foi derrotado por François Hollande nas presidenciais francesas. E a Grécia sai das urnas ainda mais fragmentada e ainda mais ingovernável, com um expressivo voto de protesto que penaliza as duas maiores forças políticas pró-europeias e rejeita novas medidas de austeridade impostas por Berlim.

Na frente interna, a chanceler alemã vê a União Democrata-Cristã recuar nas eleições estaduais de Schleswig-Holstein, onde o seu parceiro de coligação se afunda. Depois das derrotas na Renânia do Norte-Vestefália, Hamburgo, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Baden-Vutemberga.

São sinais reveladores. Que devem ser lidos com atenção. Em todas as capitais da União Europeia, onde as forças extremistas, nacionalistas e populistas vão ganhando terreno. Não só em Atenas, não só em Paris. Por uma espécie de lenta implosão das famílias políticas tradicionais, incapazes de escutar a voz da rua.

Sinais que devem fazer meditar seriamente os políticos com responsabilidades governativas. Para que a união não se transforme em desunião e o sonho europeu não naufrague. Só ele possibilitou a paz prolongada na Europa, de longe o continente com maiores cicatrizes de guerra. Como a História nos ensina.

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Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012
por jfd


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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012
por José Meireles Graça

Ângela, querida, eu até acho que tens razão.

E entendo também que os teus estimados bancos devem ser reembolsados do que não deviam ter emprestado a quem não devia ter pedido. E, vê lá, percebo o teu eleitorado - dava uma de formiga enquanto outros (nós) davam uma de cigarra.

Mas, sabes, loirinha assim a puxar para o cheiinho, as botas altas e o capacete com lança ficam-te mal.

Faz um favor aqui aos do extremo ocidental (corre nas nossa veias algum sangue Suevo e Visigodo, não sei se estás ao corrente) e fecha-me essa matraca. Que do gerente do banco que nos mete a faca ao peito espera-se que ao menos seja cortês, sobretudo quando, enquanto nos emprestava, aproveitou para vender máquinas de café e estojos de canetas.

Quando te reformares, hás-de querer o Sol que não tens na tua escura terra; e divertires-te um pouco para além da triste borracheira regulamentar que apanhas aos sábados; e talvez venhas para o Allgarve ou vás para a Madeira.

Convir-te-ia que os locais não te reconhecessem.

 

*O título foi traduzido por uma amiga minha que sabe Alemão. Já não me lembro do que quer dizer.


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Domingo, 13 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

Berlusconi foi eleito pelos italianos. Eleito. E por mais do que uma vez. Há uma grande, grande onda de hipocrisia a perpassar toda a Itália nestas horas em que se celebra a saída de Berlusconi. Li no Facebook que Berlusconi era um jogador. Pois era e é mas está muito longe de ser o maior gambler ou o que mais determina, neste momento, o destino da União Europeia.

 

Esta onda anti-Berlusconi que se estende e se faz celebrar em tantos outros países da Europa lembra-me o quanto os europeus adoram odiar os políticos americanos [em especial os da direita (?)] ao mesmo tempo que poupam e protegem olimpicamente os líderes em que eles próprios votam e que elegem.

 

Neste momento, os big gamblers da Europa não são nem Berlusconi, nem os mercados, nem o Obama, nem os chineses (que já começam a ser uma espécie de novos judeus: não há dia em que não oiça um europeu criticá-los). Os verdadeiros big gamblers da Europa são Sarkozy e Merkel.

 

Soluções verdadeiras para a crise têm sido e continuarão a ser adiadas até depois das eleições na França e na Alemanha tudo porque aqueles dois têm medo de que, se implementarem agora as medidas necessárias para travar a crise, não consigam ser reeleitos.

 

Mas okay, em vez de se falar em Sarkozy e Merkel (e, já agora, Putin/Medvedev e Medvedev/Putin), embora lá continuar a dizer que o Berluconi era um jogador e que o povo italiano nunca teve nada a ver com o assunto Berlusconi.

 

P.S.: A propósito do tópico italiano, ler e compreender este excelente post do melhor blogger português (que, por acaso, não escreve em nenhum blog mas sim em papel).

Berlusconi was elected by Italians. ELECTED. More than one time. There's a big, big hipocrisy going on in Italy these days. As for gambling, Berlusconi is far from being the one who gambles the most. This Berlusconi thing reminds me how Europeans love to hate American leaders while sparing the leaders they themselves (Europeans) vote for and elect. At present, the big gamblers in Europe are Sarkozy and Merkel. True solutions to the crisis are being postponed until after the elections in France and Germany because those two are afraid that, in case they implement the necessary measures, they won't be reelected. But okay, instead of talking about Sarkozy and Merkel let's keep saying that (1) Berlusconi is a gambler and (2) Italian people itself has nothing to do with him.


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Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011
por Ricardo Vicente

A propósito destes dois excelentes posts, um de Daniel Oliveira, o outro de Luís Menezes Leitão, republico um post meu de 1 de Maio de 2010 que, evidentemente, mantém toda a sua actualidade.

 

A chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu sanções mais severas contra os países que não respeitem as regras do pacto de estabilidade do euro, incluindo a suspensão dos seus direitos de voto, numa entrevista ao Bild am Sonntag publicada hoje.

Isto ainda é mais bizarro do que defender que os criminosos devem perder os seus direitos políticos. A proposta da chanceler alemã é qualquer coisa como isto: quem não cumpre com as regras da moeda única, perde soberania política. Tal doutrina levada ao extremo, ou levada (quem sabe) apenas à verdadeira intenção de Merkel, pode formular-se assim: país que não respeita as regras do Reich, é anexado pelo Reich.

O interessante é que sanções para países que violam o pacto de estabilidade do euro já existem desde antes ainda do euro começar a circular! E porque é que essas sanções nunca foram aplicadas? Porque a própria Alemanha (também a França e outros) fez parte do conjunto de primeiros países desrespeitadores do pacto.

O problema de Merkel não é apenas o de ter dificuldade em compreender o que significa o conceito de soberania quando aplicado a outro país que não a Alemanha. O problema de Merkel é não se aperceber da hipocrisia e inutilidade de falar em regras e agravamento de sanções quando essas regras já existem e todos os países sabem que tais sanções nunca serão aplicadas à Alemanha no caso deste país desrespeitar aquelas regras.


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