Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

Dizia que não, dizia que não mas a verdade é que as taxas de juro não param de cair. Daqui até à armadilha de liquidez, porém, ainda falta um bocado. Até lá, ganham-se (ou perdem-se) eleições.

 

No dia 25 de Novembro passado escrevi: o Banco Central Europeu começará a injectar mais e mais dinheiro com o objectivo de contrariar os sintomas de crise e de reduzir o valor real das dívidas públicas. Esta tendência aumentará à medida que nos aproximarmos das eleições na França e na Alemanha. A primeira previsão está mais que confirmada. Esperemos agora pela confirmação da segunda.

 

 

Actualização a 12 de Janeiro de 2012: sobre Mario Draghi, sugiro este interessante texto de Viriato Soromenho Marques publicado no Diário de Notícias de hoje.


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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

Estou de acordo com Luís Naves quando afirma que esta cimeira foi uma grande vitória de Angela Merkel mas não sei se convergimos no que são os aspectos dessa vitória. Para mim, Merkel é a grande vencedora porque refutou os eurobonds (o que é mau); obteve compromissos da parte da Polónia que é um dos "bons mal comportados" da Europa (incerteza); negou a possibilidade de ter um banco central mais interveniente (negativo) e menos independente (positivo); e, acima de tudo, a chancelerina teutónica conseguiu mais uma vez não tomar nenhuma decisão daquelas que, embora possam resolver a crise, podem também destruir as suas esperanças de re-eleição (não tomar boas decisões é... péssimo, pois).


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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

Título alternativo: Demasiado Tarde, Demasiado Cedo

O que se passou então na cimeira que, desta vez é que era, deveria ser decisiva foi isto: a declaração de uma intenção de criar uma zona de "estabilidade orçamental". Ou seja, depois das regras de Maastricht/Pacto de Estabilidade e Crescimento não terem sido aplicadas, o que permitiu ou contribuiu para que vários países se apresentassem mal preparados para fazer face a uma crise económica - são propostas agora regras mais duras e mais "automáticas". A partir daqui, vários comentários.

 

Assumindo que estas regras serão de facto respeitadas, ou seja, fazendo fé em mais este "desta vez é que é", o novo pacto de estabilidade orçamental já vem tarde: a Europa está em crise, há vários Estados na bancarrota ou a caminhar para lá e, notoriamente, há vários países que, neste momento, não estão em condições de respeitar seja que regras forem. A estabilidade orçamental reforçada chegou tarde demais.


Por outro lado, este pacto chega também demasiado cedo: na prática, as novas regras só serão aplicadas depois da crise, se o euro e a própria União Europeia, nas vertentes política e económica, sobreviverem.

Aliás é mesmo essa a minha crítica principal à "cimeira decisiva" e que já havia deixado nos comentários aos posts de Luís Naves (escritos com grande lucidez e ainda no rescaldo dos factos): a cimeira tratou sobretudo do futuro após a crise e de prevenir novas crises como a actual, admitindo que a União, a economia e as instituições sobrevivem até lá. Quanto ao presente, esta cimeira foi mais uma perda de tempo: se bem percebi, não vão ser iniciados imediatamente nenhuns processos de default ordenado; nenhuma versão de eurobonds, por muito light que seja, entrará no jogo; o BCE deu um sinal de que não está disposto a intervir muito e a descida das taxas de juro, em princípio, terá um impacto diminuto; também não houve aumento de fundos: FEEF e outros só com meio bilião não chegam; finalmente, não há a menor esperança de que a austeridade sofra um abrandamento.

Nesta cimeira não houve pois uma preocupação em resolver a crise, tratou-se apenas do futuro sem cuidar dos problemas presentes. Mais uma vez, vamos ter de ficar à espera pelas eleições na França e na Alemanha até que se possa responder ao descalabro das dívidas soberanas.


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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

No Diário Económico: Sarkozy revelou hoje que vai encontrar-se com a chanceler alemã na próxima segunda-feira, em Paris, para "salvar o futuro da Europa".

 

Mais uma cimeira, mais uma perda de tempo: já perdi a conta a tantas cimeiras e às respectivas mijinhas de Sarkozy e Merkel, dois políticos vulgares em tempos excepcionalmente difíceis, que estão dispostos a sacrificar a Europa inteira para não perderem os respectivos poleiros.

 

Diz Sarkozy (no Expresso): "O BCE é independente. E assim vai permanecer. Estou convencido que o Banco vai atuar face ao risco de deflacionismo que ameaça a Europa", precisando que caberá a esta entidade decidir "quando e com que meios".

 

Eu traduzo: Sarkozy quer que o BCE deixe de ser independente e se transforme numa agência do governo francês tutelada directamente por ele, Sarkozy. E o ainda presidente da França pensa que a melhor maneira de tentar que a economia europeia cresça é empurrando um fio, isto é, derramando dinheiro por toda a parte - quando a taxa de juro de referência do BCE já está nos 1,25%...

 

 

P.S.: Será que o "deflacionismo" também faz parte da política do Expresso de implementar o Acordo Ortográfico?


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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

Não é para os próximos tempos, é para depois dos próximos. Fixem estas palavras: "armadilha de liquidez". É disto que jornalistas, blogadores, analistas, comentadores, opinadores, spinadores e políticos andarão a escrever e a falar dia e noite a seguir aos tempos mais próximos. Será mais uma daquelas expressões que, subitamente, passam da ciência sombria para o parlapiê popular (e que deveriam pagar imposto).

 

Nos próximos tempos (dentro de meses e até dois anos): o Banco Central Europeu começará a injectar mais e mais dinheiro com o objectivo de contrariar os sintomas de crise e de reduzir o valor real das dívidas públicas. Esta tendência aumentará à medida que nos aproximarmos das eleições na França e na Alemanha. (A disponibilidade de Merkel para o argumento de Sarkozy de que a independência do banco central é totalmente overrated só pode aumentar à medida que as sondagens da chancelerina teutónica se afundarem).

 

Nos tempos depois dos próximos (lá para depois daquelas duas eleições): o Banco Central Europeu, os políticos e os opinadores vão descobrir a metáfora "empurrar um fio".


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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

Olha!, olha!, uma novidade! Agrada-me ler isto: Merkel e Sarkozy já não se reúnem sozinhos, agora já há mais um líder a encontrar-se com eles. Não, não é (outra vez) o Medvedev/Putin nem o Putin/Medvedev: é o Mario Monti. Agora já só faltam os outros catorze líderes da zona euro e os oito líderes dos países que, estando actualmente de fora do euro, estão obrigados a juntarem-se à zona. E ficam ainda a faltar aqueles dois que não querem o euro nem estão obrigados à sua adesão mas que também têm a ver com o assunto (afinal temos mercado comum ou não?). Portanto, a dimensão geográfica do "conceito de soberania quando aplicado aos outros" de Sarkozy e Merkel expandiu-se hoje um bocadinho: já não é nada mau.

 

P.S.: Sarkozy, que no passado muito criticou a independência do Banco Central Europeu, deve estar esta noite aos pulinhos.


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