Segunda-feira, 27 de Maio de 2013
por Miguel Félix António
Hoje no Diário de Notícias, traço o paralelismo entre os livros de António de Spínola e de João Ferreira do Amaral, respectivamente, "Portugal e o Futuro" e "Porque Devemos Sair do Euro".
 
 
 


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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2013
por José Meireles Graça

O Relatório está aqui. Mas não o vou ler: tem 76 páginas e o palavreado é o de um paper de economia, uma coisa intensamente fastidiosa. Não faz mal: na minha lista de favoritos, os blogues com economistas são mais de uma dúzia; e como os blogueiros que não são economistas falam com frequência de assuntos económicos, e a minha lista tem uma divisão equânime esquerda/direita, acabarei por saber mais do Relatório do que se o tivesse lido. Ademais, era o que faltava se para me pronunciar sobre qualquer assunto tivesse que o estudar - do que ouço e leio dos especialistas felicito-me com frequência pela minha abençoada ignorância: os porcos, quando estão com o focinho enfiado na gamela, não veem nada do que rodeia o curral; e é facílimo tresler quando se estudam ciências que se declinam em esquerda e direita.

 

Acresce que haverá gente que vê detalhes dos quais nunca me aperceberia. Por exemplo, a coisa chegou hoje ao espaço público e já houve quem topasse que o Ministro Relvas não esteve para maçadas. Um pormenor irrelevante, decerto; mas outros hão-de aparecer.

 

Gostaria de pensar que a parte reformista da Esquerda se vai convencer de que o Estado dos direitos económicos e sociais de valor crescente acabou; e que, a bem ou a mal, o nível de despesa pública terá que baixar, dado que a carga fiscal pode ainda subir no papel mas a receita não.

 

Gostaria de pensar que a parte da Direita que tem uma receita ideológica pronto-a-vestir percebesse que a espiral recessiva não é uma possibilidade apenas teórica; e que, mesmo que o fosse, há um limite para o sofrimento sem esperança, pelo menos se não quisermos que a Democracia vá pelo ralo.

 

Precisamos de crescimento. Tão ou mais importante do que a discussão em torno dos cortes é a descoberta da pedra filosofal do crescimento.

 

Esta receita não dá - foi testada no consulado do autor, quando a Europa ainda acreditava que mini-Planos Marshall haveriam de pôr os países relativamente atrasados a crescer muito mais do que os outros, e deu como resultado a obesidade do Estado, um himalaia de desperdício, um karakorum de corrupção e um crescimento abaixo da ambição e da necessidade. De toda a maneira, quando se pedem esmolas pode-se talvez sobreviver; mas não se pode enriquecer - e esmolas seria do que a agora UE estaria disposta, na melhor das hipóteses, a abrir mão.

 

O investimento público, mesmo para quem acredite, contra toda a evidência, que pode ser a solução, está-nos vedado por falta de crédito.

 

A descoberta de petróleo, gás ou de metais preciosos é improvável; e o mar, essa grande riqueza, continuará teimosamente a ser refractário ao papel que empresários de proclamações lhe destinam.

 

Vou gostar da discussão. Ou talvez não: não é impossível que se veja mais do mesmo.


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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2012
por Luís Naves

Ao longo de três dias, foi quase unânime a condenação das novas medidas de austeridade. O julgamento foi sumário e a sentença é definitiva, sem direito a recurso. Tivemos oportunidade de ouvir o réu, mas este não se explicou.
Parece evidente que a comunicação das decisões foi um verdadeiro desastre e percebo aqueles que estão desiludidos. Percebo a indignação do PCP ou do Bloco, que sempre estiveram contra o memorando. Percebo a indignação dos sindicatos, que tendem a defender os interesses dos trabalhadores sindicalizados (os mais prejudicados nesta história). Percebo a indignação daqueles que vão pagar a factura e que não contribuíram para os erros políticos que nos trouxeram a este lugar agreste (serei um destes), mas confesso que não entendo algumas indignações: a do PS, por exemplo, ou a dos inevitáveis Jardim e D. Januário. Acima de tudo, não compreendo a indignação dos representantes dos patrões, que mais parece estarem a gozar com a nossa cara.
Os socialistas vão provavelmente aproveitar a ocasião para sacudir a água do capote. A culpa desta crise não é um exclusivo do PS, mas este partido tem enorme responsabilidade no que está a suceder. Ao tentar tirar o cavalinho da chuva, pretende iludir os portugueses. É como se houvesse um caminho fora da via estreita que nos impõe a "troika".

 


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Terça-feira, 24 de Julho de 2012
por Luís Naves

Por vezes, ao lermos as notícias, elas parecem sustentar a narrativa habitual de que estamos perante uma espécie de Cabo das Tormentas, guardado pelo gigante Adamastor, e de que mais valia voltarmos para trás.

 

Lembram-se do que ouviram há um mês sobre a execução orçamental até Maio? Que o défice ia para 7,9%, que já estava seis vezes acima do de 2011, que a recessão aumentava, que era preciso parar imediatamente com a austeridade e apostar em políticas de crescimento? Afinal, passadas umas semanas, o que ocorreu no primeiro semestre não anda longe das previsões: o País consegue cortar na despesa pública e as receitas nem são assim tão más, considerando que a economia está a cair 3% este ano (como é que o programa de ajustamento tinha um aumento tão grande de receitas)? Não há volta a dar, a notícia é positiva e na medida em que o PIB está a cair menos depressa, a receita é susceptível de melhorar um pouco nos próximos meses. Mesmo que o défice fique um ponto acima do objectivo ou algumas décimas, o País deverá conseguir um ajustamento nas contas públicas superior a dois pontos percentuais de PIB. É isto que os credores vão constatar, o que explica a abertura para a suavização das metas, desde que o Governo acelere o ritmo das reformas estruturais.

Portugal e Irlanda estão a cumprir os programas de ajustamento, isto ao contrário da Grécia, que há dois anos falha sistematicamente. O novo governo grego queria propor um conjunto de cortes menos ambicioso do que aquele que era pedido e o FMI ameaçou não fazer mais pagamentos. Esta notícia foi interpretada por muitos analistas nacionais como o fim iminente do euro e prova adicional de que a Europa perdeu toda a solidariedade entre parceiros. O mais que provável resgate espanhol produziu a mesma reacção: segundo esta tese, os líderes europeus estão a afundar a zona euro por não ajudarem os parceiros em risco, para mais num contexto de silêncio que consideram cobarde. A ideia é aqui defendida por Viriato Soromenho Marques, uma das vozes lúcidas deste debate e um dos melhores cronistas da Imprensa.


 

 


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Quinta-feira, 19 de Julho de 2012
por jfd

A centralidade e autoridade de que Vítor Gaspar dispõe no Governo português e o “mantra neoliberal” que consistentemente é entoado pelo primeiro-ministro são ensinamentos que Espanha devia retirar do vizinho mais pequeno, que já leva um ano de intervenção externa.

A conclusão é da Reuters, que ontem divulgou um longo texto de análise intitulado “Líder de Espanha podia aprender algumas lições de Portugal”, depois de constatar que nem a promessa europeia de ajuda à banca, nem o novo pacote de austeridade, deram alento aos investidores, que continuam a cobrar prémios de risco crescentes para financiar o Estado espanhol. (...)

 

Mais uma notícia para ser comentada com desdém por quem não respeita o que nós portugueses estamos a passar e o que se está a fazer pelo futuro.

Vamos aguardar pela ruptura dos pensos rápidos franceses e pela queda das promessas populistas, para depois também os podermos chamar de fascistas.

Ó pobre e retórica esquerda, onde te esconderás? Como te justificarás?

Nunca, de facto, foi tão pertinente dizer que os cães ladram...


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Quarta-feira, 18 de Julho de 2012
por Luís Naves

Qualquer observação superficial feita de fora conclui com facilidade que os portugueses passam sem transição de estados eufóricos a profundas melancolias. A nossa política sofre do mesmo mal e o sistema mediático amplifica o fenómeno com a tese, porventura falsa, de que uma má notícia vende sempre mais papel.
Isto justifica a circunstância das análises políticas que vejo na TV ou leio na imprensa parecerem crescentemente desfasadas da realidade. O fenómeno é mais visível nas observações sobre Europa, mas começa a sê-lo também na situação nacional. Alguns autores, por exemplo, da blogosfera, deviam meditar sobre o que escreviam há um ano.

 

Num desenho animado dos anos 60, baseado nas Viagens de Gulliver, havia um grupo de liliputianos e, entre estas personagens, surgia um tal Glum, um pessimista crónico que nos momentos de maior perigo dizia invariavelmente "we're doomed" ou "it's hopeless", com uma voz arrastada de quem se sentia mesmo condenado ou de quem afirmava que qualquer esforço era simplesmente inútil.
Os pessimistas crónicos como Glum nunca são lúcidos. As suas previsões falham e os liliputianos salvam-se sempre, mas Glum fica na sua. Quando as outras personagens criam um mecanismo que pode resultar, lá aparece Glum, impávido, a dizer que não vai funcionar, "it'll never work". Glum é de longe a figura mais cómica do desenho animado.


 

 


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por jfd

O Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) colocou 2 mil milhões de euros em duas linhas de Bilhetes do Tesouro (BT), o montante máximo previsto, com maturidade a 6 e 12 meses, com a 'yield' mais baixa.

Portugal colocou assim 1,25 mil mihões a um ano, numa operação onde a procura superou a oferta em 2,4 vezes, valor que compara com o rácio de 2,7 vezes registado no último leilão comparável. O juro baixou face a esse último leilão, fixando-se nos 3,505% face aos 3,834% anteriores. 

Os custos da emissão de Portugal em BT a 12 meses ficaram abaixo dos custos que Espanha foi obrigada a pagar ontem, na mesma maturidade, tendo a 'yield' atingido os 3,918% - embora tenha também tido uma quebra face ao último leilão comparável, que tinha sido de 5,074%.

Já em relação aos BT a seis meses, o IGCP colocou 750 milhões de euros, sendo que a taxa média ponderada desceu para 2,292% face aos 2,653% do último leilão com a mesma maturidade. Neste caso a procura de BT a seis meses excedeu a oferta em 3,8 vezes, face aos 4,3 vezes registadas no último leilão.

O director de gestão de activos do Banco Carregosa, Filipe Silva, diz que este resultado mostra que "os investidores olham para Portugal com menos receio exigindo taxas mais baixas e ignoram de certa forma o que se passa com Espanha, pois ainda ontem o Governo Espanhol emitiu bilhetes de tesouro a 12 meses com uma taxa de 3,918%, taxa bem superior à conseguida hoje para o mesmo vencimento".

Apesar do resgate internacional, Portugal tem conseguido financiar-se no mercado primário com emissões de dívida de curto prazo. O memorando de entendimento prevê que o "verdadeiro" regresso ao mercado aconteça no terceiro trimestre do próximo ano.

(...)


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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012
por jfd

*e Rajoy mentiu para ser eleito. Certo?

 

A taxa máxima do IVA sobe de 18 para 21 por cento e a taxa reduzida salta de 8 para 10 por cento. Os funcionários públicos espanhóis também não vão rebecer o subsídio de Natal. Estas são algumas das medidas que fazem parte de um rol de políticas fiscais que o executivo espanhol acaba de anunciar para cumprir com a meta da redução do défice.

SAPO


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Terça-feira, 26 de Junho de 2012
por Alexandre Guerra

 

"There's something wrong with the world today." Uma frase que, certamente, qualquer contemporâneo, na crença de que vive tempos extraordinariamente maus, não se coibirá de dizer. Efectivamente, essa presunção de cada homem (nomeadamente os mais iluminados) sobre a singularidade dos seus tempos é um traço comum ao longo da História. Veja-se, por exemplo, todos aqueles que anunciaram o seu tempo como o “Fim da História” (Francis Fukuyama foi apenas o último de uma longa lista que, eventualmente, terá começado com Políbio).  

Também as chamadas “massas”, ou se o leitor preferir, o “povo”, identificam o seu tempo como o pior de todos os “tempos”. Fale-se com um velho que rapidamente lhe dirá que “no meu tempo é que eram elas”. Já um jovem dirá que as verdadeiras dificuldades são as de “hoje”, porque os pais e os avós conseguiram empregos para toda a vida.

O tempo contemporâneo de cada um é sempre o pior. E todos, seja em que tempo for e em que sociedade for, facilmente esquecem a perspectiva histórica. Tal como Cristo, sofrem nos dias de hoje como se caminhassem na Via Sacra para o Calvário.

E nos tempos que correm, seja neste burgo atlântico ou por essa Europa fora, o fim do mundo está aí, ao virar da esquina, acham muitos. Parece que por causa do uma crise da divida soberana, dizem. Enfim, parece que estes pensadores acreditam mesmo que estes são tempos extraordinariamente singulares da História.

Neste capítulo, Eric Hobsbawm teve a subtileza intelectual de falar em “tempos interessantes”. Mas, como serão muito poucos aqueles que estão dotados dessa clarividência, os contemporâneos insistirão na tragédia do seu tempo. Esquecem-se, no entanto, que outros já tiveram a mesma ideia.

Na verdade, aquela é uma ideia recorrente, ou seja, é uma espécie de psicose colectiva em que há sempre "algo de errado no mundo" no tempo em que se vive.

Há sensivelmente vinte anos, mais concretamente em 1993, os Aerosmith lançavam o seu extraordinário Get a Grip, tendo como principal single a música Livin’ on the Edge. Um dos temas mais socialmente interventivos daquela banda e que surge na ressaca dos motins de Los Angeles, resultantes da absolvição dos quatro polícias que espancaram Rodney King, encontrado morto há dias.

Livin’ on the Edge começa precisamente com a frase "There's something wrong with the world today". Um “statement” sobre a deterioração da sociedade da altura, bem retratado na letra e reforçado no cinematográfico vídeoclip, no qual são abordados vários temas sociais, tais como vandalismo, comportamentos sexuais de risco entre jovens, desenquadramento social dos jovens, violências nas escolas, incompreensão por parte das gerações mais velhas em aceitar nova tendências urbanas, racismo, entre outros.

Perante isto, há uma ideia simples a reter: Se o leitor recuar outros 20 anos vai encontrar precisamente o registo de uma sociedade que achava que havia “algo de errado no mundo”. E voltará a encontrar a mesma convicção colectiva se recuar outros 20 anos e assim sucessivamente.

Hoje em dia, muitas receitas têm sido prescritas pelos sábios para resolver esta crise que assola o Velho Continente, a pior de sempre no projecto europeu, dizem. Mas, o melhor mesmo, é que os iluminados desta e doutras praças europeias deixem de ter a presunção que vivem tempos extraordinários e se façam à vida, como se costuma dizer num português popular.


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por Luís Naves

Em posts anteriores, procurei explicar o que está em causa no Conselho Europeu de quinta e sexta-feira. A opinião pública continua a ser exposta a mitos que dificultam a compreensão dos factos e não há entendimento entre os dois maiores partidos sobre a declaração parlamentar que é suposto reflectir a “posição portuguesa”. A primeira circunstância é nociva e permite que um partido com altas responsabilidades na crise nacional se dedique a joguinhos de pequena política.
Em Portugal, continua a falar-se de eurobonds como se estes fossem uma panaceia muito fácil e que se encontra ao virar da esquina. Os eurobonds já estão fora da negociação. Por outro lado, a posição alemã continua a ser descrita como uma aberração, autêntico capricho de uma mulher teimosa que nem sequer tem o direito de ser identificada pelo título. Isto não é inocente: ouço sempre a “senhora Merkel”, nunca a “chanceler” ou a “líder” alemã. Nestes termos, a posição da Alemanha nas negociações não pode ser compreendida.

 

A discussão europeia dura há ano e meio e foi acumulando uma série de temas inseparáveis: os resgates, em particular, o da Grécia; o Tratado Orçamental; o Mecanismo de Estabilidade; as dívidas soberanas da Espanha e Itália; a ligação entre bancos e dívidas soberanas; a crise financeira e a contracção do crédito às empresas; o aumento dos poderes do BCE; o abrandamento económico; o aumento do desemprego; a insatisfação dos eleitores; a mutualização da dívida europeia.
Julgo ser pacífico que os líderes europeus querem salvar o euro e continuarão a financiar os resgates dos países que perderam acesso aos mercados financeiros. Em troca, exigem reformas estruturais e o cumprimento dos programas de ajustamento. O tratado e o mecanismo são elementos fundamentais para que a zona euro ganhe credibilidade, mas faltam elementos, sobretudo definir os poderes e legitimidade do futuro ministro europeu das finanças (governo económico, no jargão europeu). A questão financeira é a mais atrasada, pois passa pelo reforço da influência do BCE, havendo elementos em discussão, a saber: até que ponto irão os novos poderes de supervisão do banco central? Até que ponto irá a federalização da instituição? Ela poderá emprestar dinheiro a Estados? E há a questão inversa no Mecanismo Europeu de Estabilidade, pode este órgão emprestar dinheiro a bancos?

 


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Terça-feira, 19 de Junho de 2012
por Luís Naves
 
No debate sobre a crise europeia, instalou-se um poderoso mito segundo o qual os problemas dos países endividados têm origem na austeridade e de que há uma saída mágica, de políticas de crescimento, para resolver tudo numa única jogada. A narrativa distorce a realidade, é politicamente motivada e não permite compreender o que se está a passar. Trata-se, no fundo, de uma forma de desviar para canto, típica das discussões onde o lugar-comum dá vantagem aos discursos superficiais. 
Repetindo simplificações (geralmente americanas), muitos autores da blogosfera continuam a pensar que a Europa não tem liderança ou que o euro é uma monstruosidade. Outros, à esquerda e à direita, repetem a ideia de que a crise se explica pela incrível estupidez da chanceler Angela Merkel, sempre designada 'senhora Merkel', para sublinhar que se trata de uma mulher (e alemã, ainda por cima). Nunca lhe é dado qualquer desconto, nem sequer a legitimidade de defender os interesses do país que a elegeu.
Poucos explicam que, a nível europeu, as negociações estão avançadas na ideia de lançar uma união bancária, projecto que exigirá vários anos. Quando isso estiver concluído, os países não terão os mesmos poderes sobre a sua banca. Imaginem um supervisor europeu a exigir o desmantelamento de um banco português. E, no entanto, para estabilizar a moeda única, isto será necessário, pelo menos o compromisso de que existirá um tal mecanismo. O eleitorado está preparado? É óbvio que não. Por isso, as verdadeiras soluções serão lentas.

 

 


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Segunda-feira, 18 de Junho de 2012
por Luís Naves

As eleições gregas de ontem e a segunda volta das legislativas francesas deram origem a mais dois resultados favoráveis à resolução da crise na zona euro. Após o referendo irlandês ao Tratado Constitucional, os eleitorados confirmaram o poder do presidente em França e permitiram uma solução de governo minimamente estável na Grécia. A menos de duas semanas do Conselho Europeu que discutirá mecanismos de estabilização da moeda única, completa-se um ciclo de três eleições cruciais para a União Europeia.
Os próximos dez dias serão dedicados a uma actividade frenética de negociação de um pacote de medidas para o euro, com as tradicionais pressões, nomeadamente declarações que anunciam dificuldades na discussão e até rupturas iminentes. A questão na mesa é sobretudo política e está centrada na coluna vertebral do projecto, a ligação Paris-Berlim. Os alemães querem garantias sobre as soluções, os franceses tentam evitar avanços na integração que consideram demasiado ambiciosos.


Os mercados estão nervosos e temem uma perturbação devastadora que possa levar ao fim da moeda única europeia. As eleições gregas não resolveram o problema do país, apenas adiaram a sua resolução, que dependerá da inteligência do novo governo. O país continua numa espiral de queda, sob o peso de uma dívida insustentável. De alguma forma, o memorando terá de ser suavizado.
Por outro lado, muitos analistas portugueses continuam a repetir a ideia de que a crise do euro resulta da existência da própria moeda única, cujo fim é de alguma forma desejável. Um conhecido comentador dizia ontem na TVI que o euro seria fonte de incontáveis problemas no futuro da Europa, que podiam levar até a guerras e outros papões semelhantes. Esta visão é infelizmente comum numa certa blogosfera, onde se repetem até à náusea ideias pouco esclarecidas sobre a natureza da União Europeia.
O fim do euro seria uma catástrofe inimaginável. A moeda única está condenada a sobreviver, pois a sua eventual morte teria consequências devastadoras na economia de cada um dos países. A Alemanha não vai arriscar a perda de 20% ou 25% do seu PIB. Neste momento, as economias estão todas ligadas e as complicações jurídicas do regresso às moedas nacionais levariam à paragem dos negócios, a falências em série e à destruições de milhões de empregos. Isso não vai acontecer.

 


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Domingo, 17 de Junho de 2012
por Luís Naves

Primeiras projecções na Grécia apontam para empate técnico entre a Syriza e a ND. Intervalo entre 27% e 30% para a esquerda radical, entre 27,5% e 30% para os conservadores. Pequena vantagem da direita, mas a incerteza pode durar horas. Os neo-nazis subiram e terão conseguido o terceiro lugar (é de perder o fôlego).

Não consegui perceber o que aconteceu aos restantes pequenos partidos, mas se estão todos abaixo de 7,5%, teme-se o pior. (Actualização: o PASOK é o terceiro mais votado, com 10 a 12%, o que dá 40% ao bloco pró-resgate; se a ND vencer, há governo).

Talvez a ND possa negociar uma maioria, sendo pouco provável que a esquerda anti-resgate tenha votos suficientes para o fazer, mesmo com o brinde de 50 deputados para o mais votado.

Enfim, estamos perante um possível impasse.

Cenário 1: talvez haja um governo de transição, desta vez por um ou dois anos, apoiado pelos maiores partidos. Por exemplo, chefiado por Lucas Papademos. Renegociação do memorando, alguma estabilização da situação financeira, ajuda externa imediata.

Cenário 2: Governo pró-resgate vence à tangente, renegociação do memorando, suavização do programa.

Cenário 3: Estado falhado. Grécia fora do euro, regresso dos coronéis.

 

Leiam a excelente análise mais abaixo, de Pedro Correia.

Acrescento apenas que o resgate grego já custou quase 350 mil milhões de euros. Houve dois pacotes, de 110 e 130 mil milhões (o primeiro não foi todo gasto, o segundo será até 2015), mais 100 mil milhões de perdão de dívida. Além disto, o BCE tem na sua posse 150 mil milhões de euros em obrigações gregas que já não valem nada. Portanto, a conta real aproxima-se dos 500 mil milhões. Apesar da factura desta ajuda em grande escala, os gregos deixaram de pagar impostos e rejeitaram a mais pequena reforma estrutural. Nunca cumpriram aquilo a que se comprometeram. Um exemplo: beneficiando dos 2 mil (!!!) sistemas contributivos da segurança social, foram detectados 40 mil pensionistas mortos em nome dos quais eram pagas as respectivas reformas. Alguém as recebia. Era o fundo do poço? Não, pois agora foi descoberta uma fraude de 100 milhões de euros que envolvia pensionistas mortos.

 

E um dos países que a Grécia arrasta alegremente para o abismo é Portugal. Estamos perante o abraço do afogado. 


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Segunda-feira, 11 de Junho de 2012
por Luís Naves

Tenho dificuldade em perceber a lógica da esquerda na crítica à situação política. Parece que apostou definitivamente no 'quanto pior, melhor', interpretando todas as informações no ângulo catastrofista. No filme de Capra 'Do Céu Caiu uma Estrela' um desesperado Jimmy Stewart vê como seria o mundo após o seu suicídio. Na vida real não há anjos para mostrarem como seria o mundo sem nós, mas neste caso existe uma aproximação: se não cumprirmos as nossas obrigações, estaremos como a Grécia e, incrivelmente, há quem sonhe com essa hipótese.
O resgate espanhol, que é objectivamente uma boa notícia para Portugal, serve aos olhos da esquerda para demonstrar que a Europa se afunda numa crise que culminará no fim do euro, numa guerra mundial e no encerramento do País para obras. No meio, aparecem apelos à insurreição, como se assinala em post mais abaixo.

Há ano e meio que se ouve a mantra de que a Europa não tem soluções para a crise na zona euro. Muitos observadores e políticos têm dado a táctica segura para resolver o problema em três dias, mas poucos admitem a dificuldade do empreendimento. A questão é sobretudo política e tem a ver com o facto da opinião pública dos países do norte não aceitar a ideia de pagar as dívidas contraídas nos países do sul. Aqui entra sempre o discurso de que a Europa devia ser solidária, mas a Europa é o que é e não o que as pessoas gostariam que fosse. Cada líder responde perante o seu eleitorado, não perante um idealismo teórico que não se encontra em nenhum tratado.


 


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Quarta-feira, 30 de Maio de 2012
por Luís Naves

Os leitores que seguem os meus posts sabem que discordo do comentário político dominante sobre questões europeias. Parece haver um desejo escondido de que tudo corra mal, à mistura com previsões catastrofistas que nunca se confirmam. Aliás, é nítida a forma como muitos comentadores em Portugal dispensam avaliação e, inclusivamente, são até libertados pelos seus leitores da necessidade de acertarem de vez em quando na interpretação da realidade. A blogosfera está cheia destes sucessos de audiência, cassandras que não acertam uma.
O clima em relação à actualidade revela tendência para pensamento único na ideia de que a estratégia alemã para salvar o euro é uma desgraça e de que a “senhora Merkel” (nunca é chanceler, mas mulher, loura, burra e de leste) tem cerca de três neurónios e só consegue usar dois de cada vez. Portugal, claro, está a afundar-se numa depressão sem saída: as boas notícias são sempre relegadas para um cantinho da página ou convenientemente esquecidas. Afirmar que já fizemos o mais difícil e há sinais de que a situação económica pode dar a volta no próximo ano é equiparado a propaganda. Quem tem razão é o PS, cuja estratégia política aposta em que tudo corra pelo pior dos mundos (como é que eles vão descalçar a bota se a conjuntura melhorar, esse é o mistério). A diabolização dos políticos é outro elemento da discussão, este a meu ver perigoso, pois vai ferir os partidos tradicionais e alimentar a emergência de correntes radicais, dos populismos que podem fazer parte da paisagem futura da nossa política. Podia aqui acrescentar ‘depois, não se queixem’, mas é inútil, os gurus vão dizer que tinham razão e que o aparecimento de franjas indigestas não tem nada a ver com a mantra demagógica que repetiram durante anos.

 


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Quarta-feira, 23 de Maio de 2012
por Luís Naves

A comunicação social esforça-se por encontrar o ângulo mais negativo em cada notícia, numa espécie de festa masoquista em que quanto pior, melhor. As previsões da OCDE são piores do que as do Governo? Pois, em vez de isso ser visto como duas previsões a apontarem para números distintos, uns mais pessimistas do que outros, a notícia foi tratada como 'OCDE desmente governo'. A realidade passou a ser a pior das duas, embora ambas sejam previsões. Aliás, a notícia foi transformada em 'mais medidas de austeridade', embora o programa de ajustamento inclua a possibilidade de avaliação regular.
Uma militância semelhante ocorre com as análises da crise europeia e, em particular, o tema dos eurobonds. A panaceia torna-se tão evidente que fica por explicar a oposição alemã, ou antes, Berlim deve estar a ser governada por um qualquer lunático, tipo major Strasser.

 

No que se refere à Europa, surgem mitos difíceis de contrariar, segundo o qual a Alemanha continua a agir de forma irracional e contra os interesses gerais, impedindo quiméricas "políticas de crescimento e de emprego" por simples burrice da chanceler Angela Merkel.

Na realidade, a união monetária não pode funcionar sem mais união política e as regras sobre o equilíbrio orçamental tinham de ser reforçadas, pois o pacto de estabilidade existente não possuía mecanismos suficientes para impedir o crescimento do fosso entre os países mais competitivos e os menos competitivos. E as soluções políticas são geralmente inaceitáveis para os eleitorados, pelo que o progresso é lento.
Na cimeira informal de hoje, que prepara o Conselho Europeu do próximo mês, estão em confronto duas visões da solução, com o requinte de uma batalha política em torno do exercício de poder: alguns países tentarão reduzir a força da Alemanha, a França tem interesse em reforçar a sua componente do eixo Paris-Berlim (mas sem estragar a aliança) e o Reino Unido quer voltar a jogo na zona euro, embora tenha poucas hipóteses de o conseguir. A Alemanha vive no horror do isolamento, o presidente francês enfrenta eleições legislativas dentro de algumas semanas e precisa dos votos da esquerda, os países sob resgate desejam a suavização dos seus programas de ajustamento mas não o podem admitir em público, a Grécia está em vazio de poder.


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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
por Luís Naves

A Grécia está a sofrer intensa pressão para votar da forma correcta nas próximas eleições legislativas, mas pode ser demasiado tarde, pois analistas conhecedores já esperam que Atenas saia do euro mesmo antes de votar.

Dá pena ver este espectáculo de chantagem política e, sobretudo, financeira, sendo esta a mais dura. Um país cheio de políticos que diziam com orgulho o equivalente a "estou-me a marimbar para os bancos" vive agora com corridas descontroladas às poupanças, a transferência da riqueza para o estrangeiro, o pior pesadelo.

Portugal está ainda longe desta irresponsabilidade, mas para lá caminha. Há crescente ilusão de que é possível mudar a estratégia para corrigir a zona euro e repetem-se os comentários que culpam os alemães, que tratam Angela Merkel como se fosse louca ou exigindo que a factura seja integralmente paga por Berlim. Estes analistas omitem a nossa posição de extrema fragilidade. Quem se põe de mão estendida, não dá ordens aos seus raros amigos.

O aparecimento de François Hollande na equação também mudou o discurso a políticos ou comentadores. De repente, fez-se a luz: a solução está nas "políticas de crescimento", expressão que significa investimento público que não se sabe de onde vem e quem pagará. Angela Merkel concorda, David Cameron repetiu-o há minutos, mas geralmente não se acrescenta que ambos dizem algo de muito diferente de Hollande. A chanceler alemã quer reformas estruturais, o primeiro-ministro britânico menos regulação.

 

O Financial Times escrevia hoje que as eleições gregas serão um referendo sobre a permanência da Grécia no euro, o mesmo referendo que os europeus não quiseram em Outubro. Mas o problema estava na pergunta. Se fosse sim ou não ao euro, quase toda a gente teria dito sim, mas desta vez a pergunta é outra, a meu ver a correcta: vamos ou não cumprir os compromissos que assinámos.

Em Portugal, muitos ainda não compreenderam que é impossível interromper o processo a meio sem irmos pelo caminho grego. As "políticas de crescimento" baseadas em mais despesa pública são quimeras e não vão acontecer.

A Europa tem a obrigação de ajudar Portugal, mas apenas se o nosso país cumprir aquilo a que se comprometeu e que sustenta o resgate. Ou no caso, por exemplo, de não se confirmarem as teorias de que o equilíbrio das contas públicas só produz crescimento, ideia na base do plano de ajuda externa.

 

As análises que dão os alemães como os culpados da crise são outra fantasia. É confundir culpa com responsabilidade. E Angela Merkel tem condições para ganhar as eleições do próximo ano, apesar das derrotas que o seu partido sofreu a nível estadual. A questão europeia não foi o tema das campanhas regionais e a estratégia da chanceler é popular no país. Os alemães querem uma coligação CDU-SPD e ainda podem mudar de ideias, favorecendo a actual coligação.

Por outro lado, se a UE não conseguir ratificar o Pacto Orçamental, o euro corre sérios riscos de acabar, pois isso significa que os ciclos eleitorais impedem reformas no sentido da união política e orçamental exigida para resolver a crise. Sem mecanismos de fiscalização e sanção, os países que entraram em loucuras voltariam a prevaricar. Os alemães não querem participar num sistema onde pagam muito sem terem qualquer controlo sobre a dimensão da factura. As notícias que mostravam as manchetes dos jornais gregos com Merkel vestida de nazi também ajudaram a alienar a opinião pública alemã, que hoje tem uma ideia da sociedade grega incompatível com grandes gestos de solidariedade. Viveram muito acima das posses, mentiram todo o tempo, foram à falência, estamos a sustentá-los e ainda nos insultam. 

 

Em resumo, a situação na Europa está a acelerar e acabou a boleia dos gregos. Entrámos na fase da definição.

As eleições de 17 de Junho, provavelmente, vão ditar uma solução radical e a Grécia poderá sair do euro logo a seguir. Ou a chantagem europeia funciona e um calafrio de bom senso toma conta dos eleitores.

Os mercados já esperam a saída dos gregos e, entretanto, outros países sofrem os efeitos da instabilidade. A Espanha, por exemplo; Portugal, também. Os gregos prejudicaram-nos com a sua cegueira, mas convém não esquecer que a Grécia é um pequeno país e certamente haverá um plano europeu para ajudar Atenas a sair do euro de forma controlada, protegendo todos aqueles que querem permanecer. Para os gregos será um recuo de 20 anos, mas é a sua escolha.

Os americanos estão naturalmente preocupados com a situação na Europa. O colapso do euro, embora seja um acontecimento improvável, provocará uma crise internacional de grande dimensão, com impacto na economia americana e efeitos colaterais nas eleições de Novembro. Obama poderia perder a reeleição, o que paradoxalmente agravaria a crise, pois baixariam as probabilidades do sistema financeiro mundial ser reformado. Sem essas reformas, a próxima crise será bem pior do que esta.


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Terça-feira, 15 de Maio de 2012
por Luís Naves

O Francisco Castelo Branco, um pouco mais abaixo neste blogue, refere a eventual marginalização pela UE de um partido grego que venha a ganhar as eleições naquele país com uma plataforma de renegociação do acordo estabelecido pela troika. O tema é fascinante e leva ao argumento de que a democracia deve regular este tipo de situação.

A ideia surge com frequência entre os comentadores, mas tem um problema: na zona euro há 17 países e a Grécia é apenas um deles. Os outros 16 são democracias parlamentares que ratificaram o acordo com a Grécia, que envolve dinheiro pago pelos contribuintes, sobretudo alemães e franceses. Cada um destes governos responde perante o seu eleitorado. Não é só a Grécia que vota, todos votam.

 

A questão, a meu ver, é outra: está a Europa disposta a pagar eternamente pela Grécia sem que os gregos mudem a forma como gerem o seu país?

Com dívida pública a rondar (ainda) os 160% do PIB e a economia há quatro anos em declínio, a Grécia empobreceu 20% e já custou aos contribuintes europeus mais de 100 mil milhões de euros, para não falar de um perdão de dívida equivalente a outros 100 mil milhões, que foi a custas dos bancos. Em troca, Atenas comprometeu-se a cumprir uma série de medidas, num acordo assinado pelo seu governo legítimo, na altura apoiado pela esmagadora maioria do eleitorado. Foi uma negociação difícil, em que os gregos conseguiram várias concessões.

 

Muitos analistas parecem não ter compreendido ainda que a Alemanha não vai pagar a conta sem garantias de que a Grécia faz um esforço. Isto significa cumprimento do acordo com a troika, o qual só pode ser mudado por iniciativa da troika. Se surgir um governo da esquerda radical, por exemplo, que se recuse a aceitar os termos do memorando, isto não será uma questão de respeito pela democracia, mas outra muito distinta, de respeito pelos compromissos do país no âmbito de uma união monetária. Se em cada nova eleição houvesse uma renegociação de acordos e tratados, a Europa simplesmente não poderia funcionar.

É tão simples quanto isto. Quem não está a respeitar a democracia é a Grécia. Aliás, repetir eleições um mês depois é uma irresponsabilidade. Quem nos garante que não ganha a Aurora Dourada?

Se a 6 de maio os gregos votaram de forma inconclusiva, por que razão votariam agora de forma conclusiva? Um em cada três eleitores votou a favor do acordo, um a favor da renegociação e o terceiro contra o acordo (na realidade é menos de um contra o acordo por que se perdem votos dos partidos fora do parlamento). Mas sendo a renegociação impossível ou improvável, como é que a situação vai melhorar dentro de um mês?

 

Em relação aos partidos anti-sistema, eles existem um pouco por toda a parte e pode ser um fenómeno civilizacional. O Tea Party está a fazer um óptimo trabalho a afastar os candidatos moderados do Partido Republicano e isso vai ter efeitos muito vastos nos EUA dentro de alguns anos.

E na Alemanha continua a subir o Partido dos Piratas, que já tem representação em quatro estados federais. Nas sondagens nacionais, aparece com 11%.     


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Domingo, 13 de Maio de 2012
por Luís Naves

A frase do primeiro-ministro sobre os desempregados é de extrema infelicidade. Não há volta a dar. Ver no desemprego uma oportunidade é, obviamente, disparate, embora essa situação possa ser oportunidade para uma minoria de pessoas, como foi para o autor destas linhas, já num passado remoto. O sentido da frase, julgo eu, é de que ninguém pode baixar os braços e cair no desespero. Fácil de dizer, claro.

Que Pedro Passos Coelho queira falar do estigma social que atinge os desempregados já me parece mais positivo, pois a sociedade portuguesa tem de se adaptar a níveis elevados de desemprego e as pessoas não podem continuar, lá num cantinho das suas mentalidades, a pensar que um desempregado é uma pessoa que não se esforçou. Estas ideias persistem, infelizmente, e começam no Estado.

A vida de um desempregado é um pouco como a de Sísifo. Condenado a carregar um peso até ao topo da montanha, há sempre um momento em que vem tudo por ali abaixo e é preciso recomeçar.

 

Dito isto, julgo que a grande comoção mediática em torno da declaração infeliz revela o que aqui já escrevi sobre a nossa preocupação constante com a espuma, como se fazer política fosse melgar o juízo ao povo. Sabem? Falo daquela situação da melga que conseguiu ficar dentro do quarto e que nos acorda ao longo da noite por diversas vezes com o seu zumbido irritante e monótono; segue-se a fase da caça, mas a melga é sempre mais esperta do que o sonolento desesperado. E no fim ninguém dorme.

A frase não revela mais do que um governo que repete constantes inépcias comunicacionais e que em cada novo episódio consegue ficar mal na fotografia. O anterior governo era bom na comunicação e mau a governar. Este, que está a cumprir um programa difícil, revela assustadora incapacidade para comunicar a urgência das suas decisões. E aqui acho que nos devemos comparar com a Grécia e juntar à reflexão as numerosas observações que têm sido feitas sobre o caso grego.

 


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Quinta-feira, 26 de Abril de 2012
por jfd

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Domingo, 25 de Março de 2012
por Pedro M Froufe

Este é o título de um artigo de um jovem “politólogo” estónio –  Viljar Veebel de seu nome. Na realidade, esse título poderia bem ser “Duas moedas, várias Europas” ou até mesmo, no fundo, “Porquê uma só Europa … quer dizer, uma União Europeia?”

Importa dizer, desde já, que esse artigo, publicado originariamente num jornal de Talin e divulgado pelo diário digital Press Europ (29.02.12) é um texto especialmente ilustrativo daquilo que é o resultado de uma sucessão de erros e precipitações político-estratégicos da União, com particular realce para o “grande alargamento” a Leste, concretizado em 1 de Maio de 2004. Esse último alargamento, dotando a União, pela primeira vez na sua História, de uma dimensão quase continental, também desencadeou (desencadearia sempre) uma mudança de quadros mentais, de interesses e de relacionamento político no seio da Europa integrada.


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