Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

A propósito de massa, ratings e dívida soberana deixo aqui mais uma previsão: se não se levar à prática dentro de poucos meses ou talvez semanas uma grande reestruturação da dívida grega ou, pelo menos, da dívida portuguesa e se, ao invés, se ficar à espera das eleições na Alemanha, este país não manterá o seu triple A até à realização daquelas (em Setembro ou Outubro de 2013). Ou se reestrutura depressa e em grande escala ou a Alemanha perde o rating máximo.

 

Ouviste oh Merkel?!


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Domingo, 22 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

A 13 de Julho de 2010 colocava no Albergue Espanhol a seguinte perguntazinha ao nosso amigo Wolfgang Münchau:

 

A minha perguntazinha é esta: mas quem é que garante que os eurobonds terão rating triple A??? É a senhora Viviane Reding que irá encostar uma arma à cabeça da Moody's e obrigá-la a dizer que os eurobonds são excelentes e credíveis e valem a pena? Pois...

 

A 14 de Julho de 2010 repetia a pergunta e previa que a crise das dívidas soberanas chegaria à França, como acabou por acontecer com o downgrading há pouco mais de uma semana.

 

Como o Münchau não me respondesse, a realidade veio a dar-me razão mais uma vez: na Segunda-feira passada as obrigações do Fundo Europeu de Estabilização Financeira sofreram um downgrade às mãos da Standard & Poor's.

 

Aquelas obrigações não são exactamente a mesma coisa que os eurobonds mas as suas garantias de solvência são aproximadamente as mesmas: os países da zona euro partilham responsabilidades em função do seu capital junto do Banco Central Europeu.

 

Ora se na sequência do downgrade francês, o FEEF também perde o triple A é pois evidente que os eurobonds nunca poderiam ter necessariamente tal rating. Os triple As não dependem de wishful thinking e os eurobonds, tal como quase tudo na União Europeia, gozavam de um excesso de optimismo por parte dos seus defensores - tal como escrevi:

 

Os eurobonds têm toda a aparência de serem um plano pelo menos tão bom como as alternativas para levar a cabo um default parcial e selectivo (...). Mas isso só por si não garante credibilidade nem triple A, talvez garanta que o rating dos eurobonds seja superior ao das dívidas nacionais, o que já não é mau; e

 

se os problemas chegarem à Espanha e/ou à Itália (...) nem em sonhos azuis com estrelinhas amarelas irão os eurobonds ter triple A.

 

Como em muitos outros aspectos da construção europeia, existe já um excesso de optimismo em relação aos eurobonds. Parece-me, apesar de tudo, que os eurobonds são um paliativo pelo menos tão bom como outro qualquer, o que já não é nada mau (aqui).


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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

Ainda a propósito do "pacto de estabilidade orçamental" e mantendo sempre um "parece", há a intenção de que as eventuais re-estruturações da dívida não afectem os privados. O mal disso é dificultar os necessários processos de default. Aliás, sem eurobonds e sem participação privada, um default ordenado torna-se muito mais difícil (pelo menos uma daquelas duas hipóteses terá, pois, de cair). O compromisso de que os privados não perdem tem também uma faceta positiva: o estímulo à compra de dívida nova, o que beneficia sobretudo os países que, não estando propriamente falidos, tinham um horizonte muito desagradável (Espanha, Itália, Bélgica).


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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

Título alternativo: Demasiado Tarde, Demasiado Cedo

O que se passou então na cimeira que, desta vez é que era, deveria ser decisiva foi isto: a declaração de uma intenção de criar uma zona de "estabilidade orçamental". Ou seja, depois das regras de Maastricht/Pacto de Estabilidade e Crescimento não terem sido aplicadas, o que permitiu ou contribuiu para que vários países se apresentassem mal preparados para fazer face a uma crise económica - são propostas agora regras mais duras e mais "automáticas". A partir daqui, vários comentários.

 

Assumindo que estas regras serão de facto respeitadas, ou seja, fazendo fé em mais este "desta vez é que é", o novo pacto de estabilidade orçamental já vem tarde: a Europa está em crise, há vários Estados na bancarrota ou a caminhar para lá e, notoriamente, há vários países que, neste momento, não estão em condições de respeitar seja que regras forem. A estabilidade orçamental reforçada chegou tarde demais.


Por outro lado, este pacto chega também demasiado cedo: na prática, as novas regras só serão aplicadas depois da crise, se o euro e a própria União Europeia, nas vertentes política e económica, sobreviverem.

Aliás é mesmo essa a minha crítica principal à "cimeira decisiva" e que já havia deixado nos comentários aos posts de Luís Naves (escritos com grande lucidez e ainda no rescaldo dos factos): a cimeira tratou sobretudo do futuro após a crise e de prevenir novas crises como a actual, admitindo que a União, a economia e as instituições sobrevivem até lá. Quanto ao presente, esta cimeira foi mais uma perda de tempo: se bem percebi, não vão ser iniciados imediatamente nenhuns processos de default ordenado; nenhuma versão de eurobonds, por muito light que seja, entrará no jogo; o BCE deu um sinal de que não está disposto a intervir muito e a descida das taxas de juro, em princípio, terá um impacto diminuto; também não houve aumento de fundos: FEEF e outros só com meio bilião não chegam; finalmente, não há a menor esperança de que a austeridade sofra um abrandamento.

Nesta cimeira não houve pois uma preocupação em resolver a crise, tratou-se apenas do futuro sem cuidar dos problemas presentes. Mais uma vez, vamos ter de ficar à espera pelas eleições na França e na Alemanha até que se possa responder ao descalabro das dívidas soberanas.


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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

... os anteriores erros e insuficiências, bem como a actual crise, têm de ser tidos em conta numa futura revisão dos tratados mas isso não significa que seja boa ideia revê-los agora e sob pressão. Sarkozy e Merkel não decidem sozinhos, é certo, mas a actual preponderância de que gozam (eles é que pagam) e a fragilidade dos países falidos colocam estes últimos numa situação de défice de "liberdade contratual" ou assim. Para além de todos os défices democráticos na história da construção europeia, é possível que venhamos a ter agora a aprovação de tratados por países, digamos, sob chantagem. O triste disto tudo é que se o objectivo é responder à crise das dívidas soberanas então a solução tem de ser mais rápida (alterar tratados é coisa para meses ou anos) e, por outro lado, não tem de passar, neste momento, por alterações institucionais de fundo: o que urge pôr em prática é uma versão não politizada de eurobonds que facilite defaults parciais e inteligentes que atinjam um óptimo entre minimização dos riscos de contágio e maximização da sustentabilidade dinâmica das contas públicas após o default...


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por Ricardo Vicente

... é claro que um país na bancarrota como Portugal não é o mesmo que um com sound financial policies... mas isso de os países serem diferentes e serem tratados de maneira diferente não pode ser aplicado quando o que está em causa é a definição das regras do jogo para todos, como parece que está para acontecer ou ser tentado com uma revisão dos tratados. Nesse momento constituinte, todos os players têm de estar ao mesmo nível: isso é uma exigência política e ética mínima. Até porque se a possibilidade de influenciar as novas regras não for simétrica, então as novas regras padecerão de falta de legitimidade ab initio e em qualquer momento futuro essa condição inquinada será lembrada por aqueles que pretendem desviar-se das ditas. Logo, as regras não se aplicarão (e as velhas já terão caducado). Não sei até que ponto Sarkozy e Merkel se apercebem destas coisas ou se as ignoram ou se muito simplesmente estão-se na tintas...


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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

O mote

 

No sítio da Rádio Renascença: "a chanceler [Merkel] quer rever o Tratado de Lisboa, e entre outras medidas, passar a impor um limite para o défice de 2% do PIB, abaixo dos actuais 3%. Esta alteração pode trazer sanções automáticas contra os prevaricadores, que podem incluir a redução dos subsídios europeus e a retirada do direito de voto".

 

 

Retirada do direito de voto

 

Isto ainda é mais bizarro do que defender que os criminosos devem perder os seus direitos políticos. Tal doutrina levada ao extremo, ou levada (quem sabe) apenas à verdadeira intenção de Merkel, pode formular-se assim: país que não respeita as regras do Reich, é anexado pelo Reich. (Publicado originalmente a 1 de Maio de 2010, republicado a 29 de Setembro de 2011).


 

Novas sanções, um mesmo problema: falta de credibilidade

 

O governo alemão erra ao acreditar que o problema está na falta de regras e de sanções não percebendo que regras e sanções já há as bastantes e o que falta é a sua credibilidade. As regras só são credíveis quando há igualdade na sua aplicação: têm de valer doa a quem doer. Se não foram aplicadas à França e Alemanha, também não serão aplicadas aos outros países. E a criação de mais regras não altera esta lógica. (Publicado originalmente a 16 de Junho de 2010).

 

Se o poder de decidir a aplicação das sanções for atribuído a um tribunal europeu, talvez se possa garantir alguma independência na tomada dessas decisões. Mas o problema principal nunca foi o de observar quais eram os países que prevaricavam (apesar do caso das contas fraudulentas gregas...) mas sim a incapacidade de aplicar sanções aos países identificados.

 

 

Os números da dívida e do défice

 

A chancelerina teutónica parece que nunca percebeu e nem nunca irá perceber que os critérios de Maastricth e do Pacto de Estabilidade e Crescimento (stock de dívida máximo de 60% do PIB, défice público máximo de 3% do PIB e regime de excepções em caso de perturbação económica) eram e são demasiado apertados para alguns países enquanto que são permissivos demais para outros.

 

Um stock de dívida de 60% do PIB é mais do que excessivo, é um mostrengo no caso de um país à beira-mar plantado que não cresce há dez anos e que não tem, actualmente, qualquer perspectiva de crescimento (se não houver default parcial e os 34 mil milhões de juros, declarados pelo actual governo, forem mesmo para pagar).

 

Já para um país com um stock de dívida de 6% do PIB (seis) e uma fortíssima expectativa de crescimento (refiro-me à Estónia), o critério do défice de 3% ou, pior, 2% não tem qualquer fundamento - isto se aceitarmos que estes critérios visam exclusivamente a sustentabilidade do euro e não a imposição de uma determinada ideologia financeira a todos os países.

 


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Sábado, 3 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

 

Será possível que Sarkozy e Merkel sejam incapazes de perceber que a única maneira de dar credibilidade ao euro, tornando sustentáveis as finanças de boa parte dos países da zona, é resolver de imediato o problema da dívida de Portugal, Grécia, Irlanda e Itália? E será que eles não percebem que o modo de resolver esse problema é promovendo o crescimento nestes países? E que o único caminho para o crescimento no Sul da Europa é através de um default parcial, minimizando o risco de contágio, pois só com uma remissão de boa parte da dívida é possível relaxar as políticas de austeridade, dando folga à sociedade e criando expectativas que favoreçam novamente o investimento?

 

Sem expectativas positivas de crescimento económico não há investimento. Se o crédito não se expande não é por falta de dinheiro (a taxa de juro de referência do BCE já está nos 1,25%), é porque as expectativas estão em baixo. Injectar dinheiro só produzirá inflação. A raíz dos problemas na Europa não é monetária mas económica e financeira. E não há cura que não passe pelo default parcial das dívidas.

 

Mas eu acredito que Sarkozy e Merkel até percebem este encadeado económico. O problema está nos respectivos eleitorados, que castigarão aqueles dois caso eles consintam na reestruturação das dívidas. Mas não seria possível por uma vez ter líderes políticos que estejam acima da incompreensão económica das massas e façam o que é preciso ser feito? Sarkozy e Merkel ainda podem salvar a Europa. Se o fizerem, o mais certo é perderem as próximas eleições. Mas terão o consenso da História de que tomaram a melhor decisão.


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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

Segundo o Sol, Angela Merkel diz que os 'eurobonds' não são solução. Como pretende, então, a chancelerina teutónica realizar o default ordenado das dívidas grega, portuguesa, irlandesa e, eventualmente, italiana?

 

Ainda do mesmo jornal, «O governo alemão tornou claro que a crise europeia não será resolvida num ápice», afirmou [Merkel], acrescentando que a solução «é um processo e esse processo levará anos».

 

Eu traduzo: até Setembro ou Outubro de 2013, época em que se realizam as próximas eleições federais na Alemanha, Merkel não fará nada que possa pôr em causa  a sua reeleição, nem que para isso tenha de deixar o Sul da Europa em permanente agonia social e económica e toda a Europa em risco de desintegração.

 

A Europa está em condições de avançar para uma união orçamental. A afirmação foi deixada esta manhã pela chanceler Angela Merkel, num discurso perante o Parlamento alemão.  (...) Segundo a imprensa alemã de hoje, a chanceler quer rever o Tratado de Lisboa (no site da Rádio Renascença).

 

Por outro lado, Merkel mantém a União Europeia sob chantagem: ou os tratados da União são reformados como nós (ela) quer, ou não há solução para a crise das dívidas soberanas.

 


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por Ricardo Vicente

No Diário Económico: Sarkozy revelou hoje que vai encontrar-se com a chanceler alemã na próxima segunda-feira, em Paris, para "salvar o futuro da Europa".

 

Mais uma cimeira, mais uma perda de tempo: já perdi a conta a tantas cimeiras e às respectivas mijinhas de Sarkozy e Merkel, dois políticos vulgares em tempos excepcionalmente difíceis, que estão dispostos a sacrificar a Europa inteira para não perderem os respectivos poleiros.

 

Diz Sarkozy (no Expresso): "O BCE é independente. E assim vai permanecer. Estou convencido que o Banco vai atuar face ao risco de deflacionismo que ameaça a Europa", precisando que caberá a esta entidade decidir "quando e com que meios".

 

Eu traduzo: Sarkozy quer que o BCE deixe de ser independente e se transforme numa agência do governo francês tutelada directamente por ele, Sarkozy. E o ainda presidente da França pensa que a melhor maneira de tentar que a economia europeia cresça é empurrando um fio, isto é, derramando dinheiro por toda a parte - quando a taxa de juro de referência do BCE já está nos 1,25%...

 

 

P.S.: Será que o "deflacionismo" também faz parte da política do Expresso de implementar o Acordo Ortográfico?


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Terça-feira, 29 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

A integração política da zona euro ou da União Europeia, se for forçada (como alguns prevêem, por exemplo aqui no Forte, e outros parecem desejar) tem de deixar de fora países que são "monetariamente sustentáveis", isto é, que não contribuem para a desestabilização da zona, antes pelo contrário. Isto porque uma economia partilhada não é suficiente para uma união polítca. Aliás, tirando a questão da moeda comum, a união económica não precisa de união política e até pede menos união, menos bruxelas, menos regulamentos, menos PAC, menos burocracia e menos Estado supra-estadual. A economia não é pois condição suficiente para uma união política e esta, por sua vez, não é condição necessária para aquela (como também se afirma amiúde). Declarando o óbvio: também há a política. Vamos a um exemplo: a Polónia.

A Polónia pode ser uma economia extremamente robusta e promissora e a chancelerina teutónica pode andar em pulgas para que aquele país adira ao euro, assim facilitando ainda mais as exportações alemãs. Mas enquanto a França e a Alemanha venderem armamento e treino militar à Rússia, a Polónia nunca aceitará uma união política que inclua aqueles dois países e, ainda por cima, tendo-os à cabeça. Nunca. Por muito economicamente desejável que possa ser a inclusão da Polónia numa nova zona euro mais restrita. E o mesmo vale para uma República Checa ou uma Estónia.

Forçar uma união política coincidente com uma zona euro mais reestrita levará ao estalar de fracturas profundas da geografia política europeia. E essas fracturas têm consequências económicas: se a Polónia fica de fora da união política liderada pela França e pela Alemanha, também ficará de fora da nova e mais restritiva zona euro. E se fica de fora desta, quanto tempo restará dentro da união económica? É por isso que, a bem da continuidade e abrangência da zona euro e da própria União Europeia, eu defendo que não se deve avançar para nenhuma união política. Caso contrário, vamos ter quatro ou cinco blocos políticos na Europa que estarão também separados economicamente. A fragmentação económica na Europa equivale à destruição daquilo que manteve a Europa em paz: uma economia comum. Não é preciso dizer mais nada.

Por tudo isto, alguns conselhos: não avançar com nenhuma união política; implementar as medidas institucionais necessárias e só as necessárias para que o euro seja um projecto credível; não deixar cair para fora da zona euro nenhum dos actuais membros, o que implica reestruturar as dívidas da Grécia, Irlanda e Portugal o mais rápidamente possível, o que por sua vez recomenda a utilização de eurobonds mas apenas com o objectivo da reestruturação ordenada e nunca com o propósito federalista.


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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

Portugal: Pedro Passos Coelho: Reestruturar a dívida já.

Grécia: Lucas Papademos: Reestruturar a dívida já.

Irlanda: Enda Kenny: Reestruturar a dívida já.

 

Ou ainda vão continuar à espera que o Sarkozy e a Merkel vão a eleições? Já chega de tanto esperar! E aqueles dois miseráveis nem sequer as vão ganhar!

Durão Barroso tem razão: é preciso eurobonds. MAS só como instrumento da reestruturação e NÃO para altos vôos federalistas que não têm suporte democrático nem desejabilidade eleitoral nem realismo político.

 

P.S.: Ler mais nos seguintes linques: default/reestruturação, default "no" Forte, default "no" Albergue, to default or not to default.


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por Ricardo Vicente

Há em Portugal treze feriados (a Páscoa não conta para estas contas porque ocorre sempre ao Domingo). Desde que se dê valor aos seus vários significados, aquele número não é exagerado. O problema está nas pontes e tolerâncias de ponto do sector público - e na pouca importância que o país atribui a alguns deles. O fundamental não é pois o seu número mas o seu valor. E que valor têm?

 

Os feriados relevam para a identidade nacional, o que está num plano superior ao das considerações económicas. Daí ser triste que este debate surja agora a propósito de uma crise. A identidade nacional está ou deveria estar antes da economia. Este é pois mais um daqueles temas que são em primeiro lugar políticos e históricos e só depois económicos (como por exemplo o do serviço público de televisão).

 

Atendendo aos significados e à identidade portuguesa, concordo com a proposta do Governo de abolir o Cinco de Outubro e o Primeiro de Dezembro. Quanto ao feriado da República, pouco ou nada merece celebração do que se passou entre cinco de Outubro de 1910 e vinte e cinco de Abril de 1974. E o que aconteceu a partir desta última data já tem feriado próprio. O Primeiro de Dezembro merece ser abolido não pelo seu conteúdo mas porque há muito que deixou de gerar qualquer adesão popular. A nossa total independência face às aristocracias espanholas está mais do que garantida; os factos daquele feriado estão mais do que sedimentados; para a nossa identidade nacional já não releva a nossa oposição ou diferenciação face à Espanha. Justifica-se pois o fim deste feriado por bons motivos.

 

Se a crise pudesse justificar a abolição de um feriado, esse só poderia ser o Primeiro de Maio. Foi a expansão irrealista, desmesurada e populista do Estado social que levou à crise do endividamento. Muito do Estado social foi empolado pelas "narrativas" dos direitos do trabalho. Muitas eleições foram ganhas com a promessa de o Estado criar empregos na administração pública: empregos de produtividade duvidosa em troca de votos. Enfim, muito da actual bancarrota se deve aos "direitos adquiridos", estando uma boa parte deles cristalizados no Direito do Trabalho português.

 

Finalmente, só no fim, pensar "economicamente" os feriados. Será que eles afectam alguma coisa? É possível dizer que os países falidos têm significativamente mais feriados do que os Estados com finanças sólidas? Há estudos sobre o assunto? A minha intuição é que o número dos feriados não é significativamente determinante de coisa nenhuma.


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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

Os mercados foram malvados. "Foram": no passado. A maldade dos mercados foi não terem estabelecido diferenças entre as taxas de juro da dívida alemã e as da dívida portuguesa (e grega e irlandesa e... e tantos "e"s) há muito mais tempo. Os mercados foram demasiado permissivos durante muitos anos e isso foi mau. Agora que estão pela primeira vez a funcionar com um módico de discernimento, impondo disciplina mínima aos países é que as pessoas começaram a queixar-se deles e a dizer que são maus! As gentes não poderiam ser mais injustas para com os mercados. Estes permitiram o financiamento de Estados sociais e socialistas sobredimensionados, suportaram todos os populismos eleitoralistas e todos os mega-projectos que visavam exclusivamente os cofres das empresas amigalhaças (nomeadamente as da construção civil) e pagaram ainda todos os "direitos sociais" exigidos e imagináveis. E agora quando a farra social-socialista-populista chega ao fim é que as pessoas se queixam!


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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

A propósito deste post de Francisco Castelo Branco...

 

Os gregos forjaram as contas públicas para entrar no euro: não tinham condições económicas nem de honestidade que justificassem a sua entrada. Sarkozy tem razão.

Mais uma vez, recordo aquele texto de Vasco Pulido Valente sobre a importância dos aspectos formais da democracia. NÃO é democrático lançar um referendo quando o país está em guerra, em grave calamidade natural, estado de sítio ou de emergência. Referendos em tais circunstâncias é coisa para uma américa do sul, não é para uma democracia normal e estabilizada da Europa.

Papandreou serve-se da "democracia" como arma de arremesso/chantagem contra a Europa que lhe quer perdoar 50% da dívida. Este comportamento é absurdo, irracional, um suicídio colectivo forçado por um socialista maluco. O resultado é que a Grécia sairá do euro e da União Europeia, terá um empobrecimento imediato com a redução drástica e instantânea do valor dos depósitos bancários, ficará provavelmente governada por uma junta militar ou por um governo de salvação nacional tutelado pelos militares, ficará mais exposta ao avançar do predomínio turco cada vez mais veloz e determinado um pouco por todo o Mediterrâneo e, como é evidente, de fora da União fica também sem qualquer projecto de desenvolvimento económico. Ao dizer não no referendo abilita-se a já nem receber apoio do FMI. O resultado final vai ser uma mini-américa do sul na periferia da Europa.

 

Nem golpe de génio, nem esperteza, nem democracia, nem nada: o que Papandreou fez foi o acto de maior irresponsabilidade política alguma vez registada na União Europeia. Quem assim joga com a democracia, merece claramente perdê-la. Mas a Grécia perde muito mais do que isso: perde dinheiro, economia e quaisquer perspectivas de crescimento. Só lhe restará ir para a fila de espera do Banco Mundial, ao lado de tantos países africanos, e estender a mão por "ajuda ao desenvolvimento".


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por Ricardo Vicente

A propósito da decisão de Papandreou de referendar os acordos saídos da última cimeira do Eurogrupo, transcrevo os meus comentários aos posts do Luís Naves e do Rui C Pinto e acrescento outros:

 

(1) Da Irracionalidade Grega

 

O que foi decidido na Quarta-feira passada é pouco mas é melhor do que nada e é quase um presente para os gregos. É muito estranho referendar a aceitação de um presente. Claro que há condições: mais austeridade. Mas sem presente, a austeridade será maior e a sua efectivação imediata.

Não dá para racionalizar os gregos! O Papandreou quis lavar as suas mãos? Mas, se quis, a única forma minimamente aceitável teria sido demitir-se ou tentar formar um governo de salvação nacional. Um absurdo...

 

A única explicação que encontro é esta: Papandreou quer demonstrar que o seu poder negocial é superior ao que Markel e Sarkozy supõem e, para isso, está a jogar o perigosíssimo trunfo de assumir um comportamento irracional, do tipo "tenham cuidado comigo porque eu sou capaz de nos matar a todos: a mim, ao meu país e à União Europeia". Durante a Guerra Fria, a dissuasão nuclear era baseada na racionalidade de ambas as partes e no seu reconhecimento recíproco; assim se evitou uma guerra com armas atómicas. Ao invés, o comportamento inesperado e irracional de Papandreou só poderá ter más consequências para todos.

 

Por outro lado, em democracia NÃO se fazem referendos durante um estado de sítio ou um estado de emergência. A Grécia está em emergência de facto. A atitude de Papandreou é provavelmente já um golpe na estabilidade constitucional grega.


 

(2) Apaziguar ou Alimentar a Loucura?

 

Apaziguar o povo é explicar-lhes que eles acabam de receber in extremis a misericórdia de terem 50% da dívida perdoada. Quando uma pessoa está a morrer e aparece "milagrosamente" alguém para lhe doar sangue, o médico não pergunta se pode ou não fazer a transfusão: o médico faz o que tem a fazer em vez de virar as responsabilidades para o que está a morrer.

O que vai acontecer é que a Grécia sai do euro, o "neo-dracma" é introduzido e quem tinha antes 100 euros no banco vai passar a ter uma coisa que com sorte valerá 30 euros.

 

 

(3) O que Deveria Ter Sido Feito: Será Agora Tarde Demais?

 

Como já escrevi várias vezes, o default ordenado deveria ter começado pelo menos a partir do momento em que se decidiu ajudar, na minha opinião especulativamente, com 109 mil milhões de euros. Isto é, há cerca de ano e meio.

 

Com vontade grega e a disponibilidade dos outros países (o tempo que falta até às eleições na Alemanha não ajuda) e através, talvez, de eurobonds seria possível um default ordenado grego rápido e maior, que levasse o stock da dívida grega para, no máximo, 60% do PIB.

 

É o que eu defendo para a Grécia e para Portugal. O objectivo principal de todo o processo seria evitar o contágio ao sistema bancário europeu.

 

É importante notar que os eurobonds, para serem aceites, devem ser apresentados apenas e só como mecanismo temporário para a realização do default e não como passo em direcção a uma união política (que, na minha opinião, é mais do que impossível a 27). O resultado seria o findar da agonia económica grega e portuguesa, a redução da pressão nos mercados da dívida espanhola, italiana (e, em breve, francesa) e, muito importante, a manutenção da Grécia no euro e na União Europeia (também já escrevi que a saída do euro implica a saída da União e uma saída da União é muito mau para a própria).

 


(4) Uma Não-Democracia


Depois destas notícias (as chefias militares foram demitidas ontem pelo governo grego) parece que está já meio caminho andado para uma tomada do poder pelos militares. O que é que os pode inflamar ainda mais do que serem demitidos? A União Europeia vai ter, temporariamente, a sua primeira não-democracia. Temporariamente: não é que o próximo regime militar grego dure pouco tempo, o que durará pouco tempo é a permanência da Grécia na União.

 

 

(5) Conclusão

 

As últimas decisões são, como escrevi no meu último post, insuficientes. Mas são melhores do que nada. Se os gregos votarem não no referendo, é nada que eles vão escolher. Mas quem escolhe o nada vai acabar por perder muito mais: vão perder a democracia, vão perder as poupanças nas contas bancárias e vão perder a sua pertença a um espaço maior chamado União Europeia. E, com a saída deles, esta União leva um rombo político, militar, económico e de credibilidade tremendo.


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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

 

As duas primeiras mijinhas são o Sarkozy e a Merkel: duas fraquezas europeias em qualidade humana, política e eleitoral. Valem pouco mais do que um Berlusconi. Esse, ao menos, para o bem e para o mal lá consegue mijar tudo.

As outras duas mijinhas são o quase irrelevante default parcial da Grécia e o insuficiente aumento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF).

O objectivo de reduzir a dívida pública grega para 120% do PIB até 2020 é pouco, quase irrelevante, deixando o problema essencialmente intocado. Em 2020, uma dívida de 120% do PIB continua a ser insustentável e impagável. A Grécia continuará insolvente e precisará de mais um (terceiro? quarto?) plano de resgate. Enquanto isso, até 2020 e para lá desse ano, a sociedade grega continuará a sofrer lentamente a asfixia económica.

Aumentar o FEEF de 440 mil milhões para um bilião (um milhão de milhões) já é qualquer coisa mas é notoriamente insuficiente tendo em conta (1) os efeitos do default português (lá para 2014), (2) a catástrofe que se vai avizinhando devido à incapacidade italiana para gerar crescimento económico (e, com isso, tornar as suas finanças públicas solventes) e (3) os efeitos que a bancarrota belga terá na sobre-endividada França. E estou a deixar de fora desta análise a Irlanda e a Espanha, que me parecem os dois casos onde a esperança tem maior justificação.

 

Lembram-se da última cimeira franco-alemã há pouco mais de dois meses? Na altura a dupla de mijadorzinhos do costume também estava convencida de que a dimensão do fundo de resgate era suficiente. Ao fim de dois meses lá perceberam agora que aquela mijadela não chegava para nada. Daqui até ao mínimo de dois biliões ainda veremos muitas mais mijinhas para acalmar os mercados os quais, obviamente, não se sentem atingidos nem se querem molhar...

 

Daí que, exceptuando o plano de recapitalização dos bancos, não vejo grandes razões para Pedro Passos Coelho se sentir muito mais aliviado depois desta... cimeira. De mijinha em mijinha ainda estamos longe do tempo em que o euro e a Europa estará a salvo de tanta mal-mijação.


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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

Enquanto não chegarmos a Setembro/Outubro de 2013 - isto é, às eleições na Alemanha - nenhum cenário realista será abordado em nenhuma destas cimeiras. Por exemplo, já se devia discutir (EM SEGREDO) o default inteligente da dívida portuguesa, em vez disso discute-se ainda se a Grécia recebe ou não recebe mais uma tranche, quando esse país já deveria ter sido sujeito a um default ordenado há mais de um ano.

 

O melhor que podia acontecer neste momento na Europa seria uma antecipação das eleições na Alemanha. Até lá, todas estas cimeiras serão pura perda de tempo que, obviamente, não significam nada para os mercados.

 

"A chanceler prometeu ainda empenhar-se no conselho europeu e na cimeira de líderes da zona euro de hoje à noite "a favor de soluções sustentáveis", leio no Expresso. É muito engraçado vir agora a líder dos alemães falar de sustentabilidade. Ainda há meses, os juros acordados entre Portugal e as partes europeias da tróica eram manifestamente insustentáveis (os do FMI eram mais baixos); mais tarde, essas taxas foram diminuídas para níveis mais razoáveis. Esperemos que, no futuro, a chancelerina teutónica não volte a ter o descaramento de propor a mais nenhum país taxas de juro punitivas e especulativas.


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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

Ministros europeus vão pedir perdão de 50 por cento da dívida grega

Fonte diplomática citada pela AFP, indicou que pelo menos será necessário que 50 por cento da dívida grega seja perdoada.

Os ministros das Finanças da Zona Euro vão pedir aos bancos privados para perdoarem parte da dívida à Grécia, uma vez que estes pretendem que os investidores assumam uma fatia maior no resgate a este país.

Em declarações à AFP, fonte diplomática indicou que é necessário o perdão de «pelo menos 50 por cento».

 

Ler o resto aqui.


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por João Gomes de Almeida

julgamentos de Nuremberga, 1 de Outubro de 1946

 

No Público de ontem, conta-se um episódio interessante sobre uns jornalistas finlandeses que vieram a Portugal, nos últimos dias, para perceberem como é que nós, europeus do sul, torrámos o dinheiro que eles nos emprestaram. No desenrolar da conversa com os colegas do Público, um jornalista mais atrevido perguntou: «no vosso jornal, qual é o salário médio da redacção?» - Quando os jornalistas portugueses lhe responderam, um misto de pânico e admiração invadiu a cara dos finlandeses. Afinal, não nos endividámos apenas porque não gostamos de trabalhar e porque adoramos viver em festa – afinal, não somos despesistas descontrolados a torrar milhões, apenas porque nos apetece.

 

Nesta conversa, talvez tenham ficado outras coisas por dizer: que somos o país da Europa com mais telemóveis e que nos endividámos durante anos para comprar os seus Nokias (quando ainda eram bons), que andámos anos a fio a torrar o nosso dinheiro em carros alemães, que deixámos a nossa agricultura morrer para importar os produtos que os países mais fortes produziam, perdendo, obviamente, a competitividade dos nossos, que fomos durante muito tempo o porto de abrigo de várias indústrias europeias que aproveitaram a nossa mão-de-obra mais barata e que depois se deslocalizaram, que ao aderirmos à CEE abrimos o nosso mercado de consumo aos produtos europeus, sem nunca termos tido hipótese de posicionar o nossos produtos nos outros países e que vimos a inflação disparar no dia em que acabámos com o nosso escudo (que como o nome indica nos servia para proteger) e aderimos a uma coisa chamada moeda única.

 

Deixo apenas uma pergunta, de um cidadão que não é economista: quem é que está a ganhar com esta história dos empréstimos a juros usurários?

 

Esta é a história que aqueles “parceiros” europeus, que nos atacam diariamente, não querem ouvir. Mas talvez pudéssemos ir mais longe e questionar quantas vezes, só no último século, os alemães destruíram a nossa Europa, ora com guerras armadas, ora com lógicas financeiras – sempre numa mentalidade expansionista, quase a arranhar o imperialismo bacoco. Por este motivo, sempre que oiço alguém falar de “tribunal” para os países devedores, ou de bandeiras a meia haste para os europeus de segunda categoria, ou ainda da perda de soberania de Portugal, só me apetece rir, parar e dizer: Zur Hölle fahren!


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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

Mais uma: Bélgica.


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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

Depois das duas parvoíces do bastonário dos médicos, a primeira aqui, a segunda ali, eis duas afirmações razoáveis:

 

"Estamos na bancarrota e não vamos cumprir com a nossa dívida, porque os juros são incomportáveis. Estamos falidos. Essa é a realidade do nosso País" e ainda "José Manuel Silva acredita que "dentro de alguns anos será perdoada parte da dívida" ou que se avançará para o seu reescalonamento" (segundo o Expresso).

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Domingo, 16 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

A propósito deste post de Luís Naves...

 

Simplificando muito, o Occupy Wall Street quer (ou deveria querer) mais regulação: está certo, têm razão se for isso que exigem; os indignados europeus querem mais Estado, mais protecção social, enfim, querem mais do mesmo: a fórmula exacta que nos trouxe precisamente ao descalabro actual.

Concordo que os "indignados europeus" parecem não saber o que é a democracia (por exemplo, "Democracia Verdadeira = Populismo do Pior" partes 1, 2 e 3). Onde está o linque para aquele texto do Vasco Pulido Valente em que ele afirma que a democracia é também um conjunto de formas? Está aqui.

Finalmente, eu tenho defendido que a melhor solução para Portugal é uma renegociação da dívida (por exemplo aqui e aqui e acolá), o que é tão inevitável como o default grego, que aliás já começou com Sarkozy a forçar os bancos franceses a aceitarem um hair cut. E parece-me também que quanto mais cedo melhor. Esperar pelas eleições na França e na Alemanha é esperar demais (também aqui e ali).


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Terça-feira, 27 de Setembro de 2011
por Ricardo Vicente

A partir deste post de Rui Costa Pinto, três comentários:

 

1. Sarkozy e Merkel só se preocupam com uma coisa: reeleição. Grécia, Portugal, Euro, Europa: tudo lhes é instrumental ou obstáculo para esse fim: serem re-eleitos.

2. O default parcial da Grécia é uma inevitabilidade, tal como o português, e já o era há mais de ano e meio. A saída da Grécia da zona euro não é inevitável mas será uma catástrofe não só para a moeda comum mas para a própria União Europeia.

3. Quanto ao timing do default, sugiro este meu post. Na minha opinião, o default da Grécia está a chegar com mais do que um ano de atraso. O default português virá também muito atrasado. Mas estes timings só têm a ver com política: reeleições nuns casos, estados de negação e "estado de graça" no caso português.


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Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011
por Ricardo Vicente

 

A chancelerina teutónica continua a pedir aos alemães que tenham paciência para com a Grécia. Os pedidos de mais pacienciazinha acabarão logo depois das eleições alemãs. Até lá, é preciso dizer-lhes que toda a dívida grega será paga, enquanto se continua a bombear a Grécia com mais e mais milhares de milhões de euros que terão como única consequência um default muito maior e, eventualmente, mais difícil.

Teria sido muito melhor proceder ao default parcial grego nos idos de Maio de 2010 do que deixar o problema agravar-se e estender-se ainda mais a outras economias europeias. Mas isso não seria tragável nem pelo eleitorado alemão nem pelo francês. Sendo assim, para garantir um mínimo de probabilidade de re-eleição a Merkel e a Sarkozy, o problema grego tem sido cada vez mais empolado, enquanto os respectivos eleitorados se mantém em estado de negação. Quando o grande default grego finalmente tiver lugar, será muito mais difícil realizá-lo pois o valor em dívida já será (já é) muito superior.

Seria pois muito bom para a Europa se as eleições federais na Alemanha fossem antecipadas o mais possível. Só depois dessas eleições, e apenas durante o "estado de graça" que lhes suceder, terá o poder político alemão coragem para resolver o problema grego da melhor forma para a própria Alemanha e, sobretudo, para a Europa.


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