Quinta-feira, 23 de Agosto de 2012
por Carlos Faria

O facto de em eleições legislativas não estar prevista na legislação a candidatura de grupos de cidadãos* e não se possibilitar círculos eleitorais uninominais* no País, apesar de o mais pequeno dos Açores, a ilha do Corvo, possuir menos de 500 habitantes elege dois candidatos, presentemente tem um deputado monárquico com grande visibilidade, o outro é socialista, levou à seguinte originalidade do PPM para as próximas eleições legislativas regionais dos Açores de 14 de outubro:

Na ilha do Corvo o PPM concorre como partido e conta com o apoio do PSD;

Nas restantes ilhas o PPM concorre coligado com o PND, mas curiosamente os candidatos correspondem na generalidade a um movimento de cidadãos designado por "Plataforma da Cidadania" com vida própria e que se apresentam à margem dos partidos, apenas com um acordo desta coligação.

Engenharia eleitoral pelo menos não falta nos Açores, que ainda possui um círculo de compensação para aproximar o percentagem de deputados eleitos por partidos face ao desvio resultante da existência de círculos eleitorais de ilhas com número de eleitores muito díspares, outra originalidade deste Arquípélago. 

 

 

* - é pública a minha opinião a favor de círculos uninominais e de abertura de candidaturas apartidárias em legislativas. 


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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012
por Carlos Faria

Outubro deve coincidir com as próximas eleições legislativas regionais dos Açores e com a novidade de o Presidente do Governo Regional, Carlos César, não se recandidatar ao cargo, apesar de estranhamente ainda se manter como líder do PS-Açores.

Assim, pelo PS teremos Vasco Cordeiro, Secretário Regional da Economia e demissionário desde a primavera para passar a deputado e dedicar-se à sua campanha eleitoral. Um candidato fotogénico mas cuja personalidade, como normal na política, tem vivido à sombra do líder do seu partido.

Pelo lado do PSD a candidata é Berta Cabral, Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada e líder da oposição nos últimos 4 anos, uma rival que goza de grande popularidade na maior ilha da Região, S. Miguel, que após Vasco Cordeiro se ter demitido foi alvo de pedidos da área do PS para a sua demissão, de modo a não se servir do seu cargo em proveito da sua campanha.

Há alguns indícios de possíveis mudança, pelo que os restantes líderes políticos açorianos: Artur Lima (PP), Zuraida Soares (BE), Aníbal Pires (CDU) e Paulo Estevão (PPM) esforçam-se para que após o duro combate que está a desenrolar-se este verão não surja uma maioria absoluta, independentemente de ocorrer ou não alguma troca no partido do governo.

Uma coisa é certa: a acalmia política típica da silly season não deverá este ano ocorrer nos Açores e merece ser acompanhada dentro e fora da Região.


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Terça-feira, 11 de Outubro de 2011
por João Gomes de Almeida

 

PSD


Iniciou um novo ciclo que será marcado pela saída de Alberto João Jardim a meio do mandato, invocando, provavelmente, motivos de saúde. Miguel Albuquerque posiciona-se como favorito para suceder ao grande líder - a decisão, dizem, está na mão de Jaime Ramos. Um coitado qualquer terá que ficar para pagar a dívida.

 

CDS-PP

 

Um excelente resultado alicerçado numa campanha de credibilidade, a tónica foi sempre a da "transição pacífica". Conquistou eleitorado e posicionou-se como segunda força política no arquipélago. Resultado que pode potenciar o partido como parceiro futuro de coligação com o PSD-M pós-Jardim, mas que afasta o CDS de poder vir a ser a alternativa ao regime.

 

PS

 

Um descalabro completo. O PS com Jacinto Serrão na sua liderança valia mais votos, esta foi a prova evidente. No Rato, o discurso continua a ser: o que fazer com a Madeira?

 

PTP

 

José Manuel Coelho conquistou o seu espaço, elegeu-se, elegeu o seu número dois e ainda arranjou emprego para filha (terceira na lista). Este resultado, prova duas coisas: na Madeira há quem queira, cada vez mais, correr com Alberto João Jardim; a segunda "coisa", é que deviam proibir o consumo de álcool (e opiáceos) no arquipélago, no próprio dia e nos dias que precedem os actos eleitorais.

A pergunta que fica é: será que algum dia conseguirão transpor estes resultados para o continente?

 

CDU

 

Manteve algum do eleitorado, perdeu um deputado - mas os camaradas, concerteza, que continuam a achar que foi uma grande vitória. Nas próximas eleições, provávelmente não elegem nenhum deputado.

 

PND

 

Mudou o registo e embora tenha existido o episódio dos barricados no Jornal da Madeira, teve uma campanha mais soft do que é costume. O cabeça de lista era credível (Hélder Spínola, ex-presidente da Quercus), o que os fez perder eleitorado para o PTP. É cada vez mais um partido insular, tal como o PDA.

 

PAN

 

Um partido com que não concordo na maneira de pensar e agir, no entanto, mostra uma estrutra de marketing interessante e demonstra ter vários eleitores disponíveis para engrossarem a sua presença eleitoral. Surpreenderam nas legislativas e voltaram a surpreender nas regionais. Não estranho se daqui a uns anos vir o Paulo Borges na Assembleia da República.

 

MPT

 

Num cenário em que entram mais dois partidos para a ALRM (PAN e PTP), consegue manter o seu deputado e o grosso do seu eleitorado. Fez uma campanha séria e credível. É o rosto de uma oposição firme mas responsável e coerente com as suas atitudes.

 

BE

 

Fruto do desgaste a nível nacional, pela primeira vez, mesmo desde as candidaturas da UDP no arquipélago, não consegue eleger nenhum deputado. O PTP e o PAN absorveram o eleitorado bloquista - a Madeira é apenas o primeiro indício do princípio do fim do BE, brevemente resumido a dois outros três deputados na Assembleia da República e representativo apenas de algumas franjas marginais da sociedade.


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Domingo, 9 de Outubro de 2011
por Fernando Moreira de Sá

...ficaram vários recados políticos do eleitorado.

 

O primeiro, que ninguém parece querer assumir, é o divórcio entre a população madeirense e os diferentes partidos da oposição. Nunca antes, em especial o PS e a CDU, tiveram semelhante cenário favorável. Nunca antes umas eleições na Madeira foram tão mediaticas. Abertura de telejornais, capas de jornais e, cereja no topo do bolo, reportagens internacionais. Para ajudar à festa, um Alberto João Jardim debilitado fisicamente.

 

Em segundo lugar, o CDS teve um excelente resultado. Surpreendente? Não. Uma liderança regional estável e bem conhecida da população, acrescida de um facto que deve ser sublinhado e servir de aviso ao PSD: ao longo destes 100 dias de governo temos os Ministros do CDS a brilhar nos diferentes meios de comunicação social - desde a reportagem do Expresso com Paulo Portas nas Nações Unidas, passando pela Ministra Assunção Cristas nas televisões (ainda ontem no programa do Herman José) e terminando no Ministro Pedro Mota Soares a saber escolher muito bem como e quando deve aparecer. Para acalmar alguns amigos do CDS, quero salientar que isto são elogios e não críticas. O CDS está a saber comunicar e a conseguir passar entre os pingos da chuva.

 

O terceiro recado foi dado a Alberto João Jardim. Independentemente das dificuldades destas eleições, boa parte delas criadas por si, o que fica para a história é o pior resultado de sempre. Mais, um afastamento gradual e sucessivo do eleitorado urbano, algo que deveria fazer pensar o PSD Madeira - até por ter um Presidente da Câmara do Funchal que, em contrapartida, é bem visto por esse mesmo eleitorado.

 

O quarto recado foi direitinho para o Bloco de Esquerda. Boa parte do seu eleitorado deriva do voto de protesto social puro e duro. A outra parte é devida ao eleitorado intelectual de esquerda. Se estes ainda continuam a votar no BE, os primeiros preferem os Coelhos. E amanhã vão preferir os "Partidos Pirata" e quejandos. O Bloco está em queda acentuada no continente e desapareceu na Madeira. A noite das facas longas já está em marcha.

 

O quinto recado foi para o PS. E foi de tal forma esmagador e humilhante que nem vale a pena dizer mais nada. Os resultados falam por si.

 

Por último, um recado directo ao PSD nacional. A coragem assumida em criticar o governo da Madeira e em colocar os interesses nacionais acima dos interesses partidários foi louvada e, na minha opinião, já está a ser recompensada. Nunca antes, nem com Cavaco Silva, uma liderança nacional foi tão longe a enfrentar Jardim. Os superiores interesses de Portugal assim o exigiam e assim foi feito. No passado? Assobiar para o lado foi a regra.


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