Quinta-feira, 18 de Julho de 2013
por Pedro Correia

Em Espanha, durante 35 anos de regime democrático, foram votadas apenas duas moções de censura no Parlamento. A primeira em 1980, suscitada pelo Partido Socialista de Felipe González, então principal força da oposição, contra o Executivo centrista de Adolfo Suárez. A segunda em 1987, promovida pela conservadora Aliança Popular, contra o Governo socialista de González.

Repito: apenas duas.

 

Em Portugal, só nos últimos nove meses, houve quatro moções de censura ao Governo. Duas apresentadas em Outubro de 2012, pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP. A terceira em Março, apresentada pelo PS. A quarta será discutida e votada hoje, por iniciativa dos 'verdes', um partido que não existe. Será a 25ª moção de censura apresentada na Assembleia da República desde 1976.

 

É uma estatística que diz muito sobre duas formas antagónicas de fazer política. Lá e cá.


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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2013
por jfd

Deve ter sido nos Latino/Greco/Irish Grammy's....

 


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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012
por jfd

Alguém deveria enfiar bem fundo o barrete.

Isto sim, é senso comum,

 

 

O advogado do Sindicato Espanhol de Pilotos de Linhas Aéreas, Sepla, Ignacio Gordillo, avançou que os trabalhadores da Iberia estão dispostos a cortar a sua remuneração em 51%, para “salvar a companhia”, noticiou o “Cinco Dias”.(...)


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Sábado, 8 de Dezembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

Ao ler o post da Daniela dei por mim a pensar sobre o que os espanhóis pensam ou deixam de pensar sobre nós. 

 

Bem, procurar saber o que "os espanhóis" pensam de nós é, desde logo, assumir que existem "espanhóis". Erro. Meio erro, melhor escrito. Existem galegos, bascos, catalães e, dou de barato, espanhóis. Quanto mais conheço os habitantes de Espanha (assim contorno a questão dos "espanhóis") mais me apercebo que, sobre nós, eles pouco pensam. Lido, sobretudo, com as novas gerações e com vários universitários. Com imenso prazer, confesso. Espantado com o desconhecimento sobre o que se passa mesmo ao seu lado. Poucos sabem quem foi Camões ou Pessoa. Ignoram os nossos cantores, pintores, pensadores, etc. Falar com eles sobre os nossos políticos é verdadeira conversa de surdos. Bem, sabem quem é Pinto da Costa, Futre, Figo, Ronaldo ou Mourinho. E, claro, existem excepções. Que não deixam de o ser. Daí concordar com a Daniela. O ódio a Mourinho ou Ronaldo existe? Claro! Sobretudo dos adeptos de outros clubes. Os do Real, tirando meia-dúzia, idolatram. Enquanto um lhes der vitórias e o outro golos. Como em todo o lado. Olhem, eu, ainda hoje, não suporto o Figo nem pintado de azul e branco pois recordo-me quando o peseteiro insultou o meu Porto. E mesmo o Ronaldo, desde aquele golo de outro mundo no Dragão pelo MU, que não me passa da garganta...Coisas da bola.

 

Voltando ao tema: existe um profundo desconhecimento sobre Portugal. Em Madrid passo, invariavelmente, por galego. Em Barcelona já me aconteceu pensarem que era de castela (livra!) e no país basco já me olharam de lado. Em todos estes locais, depois de dizer que era português a reacção do outro lado foi...de alívio. Com excepção de Madrid onde foi, apenas, normal/natural. Só na Galiza percebem que sou português. Melhor, percebem que sou português do Norte de Portugal pois, para grande prazer meu (confesso o pecado) dizem-me que conseguem "perceber qualquer coisinha enquanto que com os de Lisboa não percebem nadinha". É raro encontrar um, excepto na Galiza, que conheça o Jornal de Notícias, o DN, o Expresso ou mesmo a SIC e a TVI. Enquanto muitos de nós sabemos bem (e até somos consumidores) que existe o El Pais, o Faro de Vigo, o La Vanguardia ou o ABC. Admiram a nossa facilidade em falar inglês, arranhar o castelhano (o velho portunhol) e, nas novas gerações, ficam espantados com a nossa forma de estar nos concertos - há dias, uns colegas referiam o seu espanto e admiração nos concertos em Portugal ao verem a multidão a cantar as músicas em inglês. Nos últimos tempos, por via do Brasil se ter tornado um novo "el dorado", já começam a querer aprender a nossa língua. Não por nossa causa, é certo.

 

Obviamente, os nossos vizinhos mais dados ao "nacionalismo regional", sobretudo galegos e catalães, costumam ser a excepção. Estão mais atentos ao que se passa por cá, estudam sobre alguns aspectos da nossa história e fazem gala em saber o máximo possível sobre Portugal. Sobretudo, nos meios mais universitários e intelectuais. Uma minoria. Por isso, pensar que "os espanhóis" são racistas para com os portugueses é uma enorme estupidez. Enorme. Não é esse o sentimento. O problema deles em relação a nós é outro: desconhecimento e/ou falta de interesse. Embora, fruto da crise, até se fale mais sobre Portugal agora do que antes de 2010. Só os motivos é que não são os melhores. 

 

Primeiro, olharam para nós do género: coitados, estão a ficar pobres. Passado uns tempos o olhar era outro: será que nos vai acontecer o mesmo? Hoje: "joder" estamos pior...

 

Contudo, é preciso dar algum desconto a Josep Pedrerol. Como é preciso dar, de igual forma, um certo desconto ao que escrevi. É que isto de generalizar, como dizem os nossos vizinhos, "es una mierda". 


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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

 

 

No Chicago Tribune, podem ler um artigo bastante crítico a Hollande e aconselhando-o a seguir o exemplo do governo português. Não fiquei surpreendido. Como sabem aqueles que leram os meus últimos escritos sobre o governo e as medidas que estão a ser seguidas, continuo muito céptico das opções fiscais seguidas pelo ministro das finanças. Não tenho nem evitado nem escondido as minhas sérias dúvidas (ler os artigos "Matar o doente com a cura").

 

No último fim de semana, na TSF, tive a oportunidade de ouvir o discurso de Pedro Passos Coelho na Madeira. Salvo melhor opinião, esta foi a sua melhor intervenção dos últimos meses. Explicou com clareza e foi, finalmente, um discurso político. É raro ver um político assumir e defender um caminho que, obvimente, é impopular. O objectivo dos politiqueiros é ganhar sempre e a qualquer custo. Os políticos a sério e sérios preferem fazer o que ainda não foi feito e precisa de o ser, mesmo que seja impopular. A sua decisão terá, na minha opinião, consequências terríveis para o seu partido já nas autárquicas de 2013. A minha dúvida reside apenas num ponto e que ponto: será este o caminho correcto para endireitar o país? Será desta forma que vamos ter uma economia saudável? Não sei. Na minha opinião, a política fiscal seguida por Gaspar vai prejudicar toda a estratégia (o melhor exemplo é o IVA da restauração). Não acredito que com esta gigantesca carga fiscal se recupere as finanças e a economia. O IVA e o IRS podem representar a morte da já diminuta classe média. Vamos ver. Posso, espero, estar enganado. 

 

Contudo, os portugueses, demonstram a sua inteligência. A oposição, sobretudo o PS, não apresenta alternativas. O Partido Socialista está enredado numa pouco discreta luta interna de poder com Seguro a fazer verdadeiros "pactos internos com o Diabo" e Costa a somar apoios atrás de apoios, até nas hostes de Seguro. Hoje, para mal dos nossos pecados, temos um Secretário-geral do PS que sempre que faz uma intervenção política está a falar para dentro, a procurar retirar espaço aos seus opositores em vez de falar para o país e se constituir, a si e ao seu partido, como uma alternativa. Ironicamente, faz mais oposição ao governo o CDS (simulando estar fora quando está dentro, bem dentro) do que Seguro.

 

Neste ano e meio de governo PSD/CDS muito foi feito. Externamente somam-se elogios. Internamente pairam as dúvidas. A crise em Espanha é bem mais profunda do que se pensa. Os nacionalismos (Basco, Catalão e Galego) podem fazer implodir o nosso vizinho. O caminho que hollande está a trilhar em França é um prenúncio de desastre. E as eleições na Alemanha tardam...Numa Europa adiada é caso para concluir que nada ajuda. Nada. Fica a coragem de Pedro Passos Coelho.

 

Por estes dias, só espero que a teimosia fiscal de Gaspar não deite tudo a perder...

 


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Sábado, 17 de Novembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

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Terça-feira, 25 de Setembro de 2012
por Pedro Correia

 

Adolfo Suárez, o homem que mais fez para devolver a democracia a Espanha em 1977-78 (juntamente com D. Juan Carlos), completou hoje 80 anos. Curiosa ironia: isto sucede no preciso dia em que desceu à rua uma das mais expressivas manifestações de protesto contra o actual rumo da democracia representativa no país.

Há razões para protestos? Seguramente. Com 25% de desempregados - e 53% da população com menos de 25 anos sem trabalho -, a sociedade espanhola revolta-se contra as oligarquias políticas que têm confiscado o sistema democrático e traído a confiança dos eleitores nas urnas. Em vésperas de ser alvo de um resgate financeiro que a colocará sob tutela internacional, com pelo menos cinco comunidades autónomas em situação de pré-falência, uma dívida pública ultrapassando o máximo histórico e o risco real de secessão da Catalunha (a que pode seguir-se o País Basco), esta não é seguramente a Espanha que Suárez sonhou ao reconciliar as mais divergentes forças políticas nos dias turbulentos da transição e conseguir aprovar, em clima de raro consenso nacional, a exemplar Constituição de 1978.

Os protestos são, portanto, não apenas legítimos mas podem até constituir um imperativo de cidadania. O que não nos deve fazer esquecer esta evidência: com todos os seus defeitos, a democracia representativa é o sistema que assegurou períodos mais longos de paz e prosperidade nas sociedades humanas. Criticá-la nas suas debilidades, nas suas perversões e nos seus erros é um direito e em certos casos até um dever. Mas atacá-la nos seus fundamentos, rejeitando o sistema de representação 'um homem, um voto' e contestando os deputados enquanto legítimos representantes da soberania popular, é totalmente inaceitável.

As liberdades democráticas já foram suspensas demasiadas vezes no país vizinho. A última suspensão ocorreu na década de 30 e os povos de Espanha pagaram por ela um preço altíssimo: mais de 600 mil mortos e 40 anos de ditadura, uma das mais férreas da Europa. "Aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo", advertia o filósofo espanhol George Santayana. Verdade lapidar, que deve servir de alerta a todos - aos que integram as instituições democráticas sem atender às aspirações populares e aos que se manifestam nas ruas visando por igual todos os políticos nas suas indignadas proclamações contra o sistema. A democracia é um bem frágil: custa muito mais a edificar do que a deitar por terra.

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Terça-feira, 31 de Julho de 2012
por Pedro Correia

 

Portugal permanece em branco quanto a medalhas olímpicas sem se registar nenhuma comoção nacional. Foi algo a que nos habituámos durante demasiadas edições das Olimpíadas e conseguimos sobreviver a isso. Mas basta dar um pulo a Vigo, Badajoz ou Ayamonte para se perceber que entre nuestros hermanos é tudo bem diferente. O fracasso da selecção olímpica de futebol espanhola, à qual resta agora apenas a hipótese de um resultado honroso contra Marrocos antes de fazer as malas, está a causar quase tanta polémica como a contínua subida do montante da dívida e das taxas de juro. O saldo não podia ser pior, apesar de os olímpicos espanhóis contarem com estrelas como Jordi Alba, Juan Mata e Javi Martínez: duas derrotas consecutivas, contra essas irrelevâncias do futebol mundial que são o Japão e as Honduras, e nem um golito marcado para animar a malta. O Guardian conseguiu resumir tudo numa frase atirada aos futebolistas espanhóis: "São mortais."

Por estes dias, só falta ao treinador que é o rosto mais visível destas derrotas, Luis Milla, ser açoitado na praça pública: está a ser mais criticado do que o presidente do Governo, Mariano Rajoy. Mas o governante espanhol também não tem motivos para respirar fundo: se contava com eventuais medalhas olímpicas para anestesiar a opinião pública, já certamente se desiludiu. Nesta matéria Espanha permanece em branco. Ao contrário de países como a Mongólia, a Moldávia, o Azerbaijão, a Lituânia, a Geórgia e o Catar.

A crise começou ainda antes das Olimpíadas, ao ser anunciado que o campeoníssimo Rafael Nadal, por lesão, não compareceria em Londres: era o adeus antecipado à mais que provável medalha de ouro no ténis. Depois foi o que se sabe. Além do desaire no futebol, também a nadadora Mireia Belmonte, que chegou a ser apontada como esperança para um lugar no pódio, fracassou nas meias-finais dos 200 metros estilos. De tal maneira que as atenções até já se viram - vejam lá - para o pólo aquático. Mas nem aí as coisas estão a correr bem.

Nos Jogos de Barcelona, em 1992, Espanha recolheu 22 medalhas. Há quatro anos, em Pequim, os nossos vizinhos voltaram a transbordar de orgulho: subiram 18 vezes ao pódio. Desta vez, está visto, não sucederá nada semelhante. Os resultados estão a ser inversamente proporcionais ao investimento: Espanha enviou a Londres um contingente de 281 atletas - é o nono país nas Olimpíadas em termos de participantes. Até por isso o mau humor dos espanhóis é mais compreensível. E neste caso nem podem atirar as culpas para cima de Angela Merkel...


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Quinta-feira, 19 de Julho de 2012
por jfd

A centralidade e autoridade de que Vítor Gaspar dispõe no Governo português e o “mantra neoliberal” que consistentemente é entoado pelo primeiro-ministro são ensinamentos que Espanha devia retirar do vizinho mais pequeno, que já leva um ano de intervenção externa.

A conclusão é da Reuters, que ontem divulgou um longo texto de análise intitulado “Líder de Espanha podia aprender algumas lições de Portugal”, depois de constatar que nem a promessa europeia de ajuda à banca, nem o novo pacote de austeridade, deram alento aos investidores, que continuam a cobrar prémios de risco crescentes para financiar o Estado espanhol. (...)

 

Mais uma notícia para ser comentada com desdém por quem não respeita o que nós portugueses estamos a passar e o que se está a fazer pelo futuro.

Vamos aguardar pela ruptura dos pensos rápidos franceses e pela queda das promessas populistas, para depois também os podermos chamar de fascistas.

Ó pobre e retórica esquerda, onde te esconderás? Como te justificarás?

Nunca, de facto, foi tão pertinente dizer que os cães ladram...


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Sexta-feira, 13 de Julho de 2012
por jfd

A Associação da Hotelaria e Restauração de Portugal (AHRESP) elogiou a decisão do Governo espanhol de subir o IVA de 8 para 10 por cento, ao contrário de Portugal, que “insiste num insuportável IVA de 23 por cento.

Para esta Associação corporativista e negativista de nada servem os dados e respostas apresentadas em sede própria pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. E com um argumento que é extraordinário; o aumento dessa mesma receita não deveria ser na ordem dos +100% mas sim o dobro - o Governo engana!

Valha-nos o bom senso dos fascistas espanhóis. A realidade é que a receita é necessária, e não vinda dali, algum outro sector será o sacrificado pelos malvados governantes que querem certamente asfixiar e matar a economia espanhola.

 

O fecho no comercio é inevitável. Infelizmente o desemprego que o acompanha também o é. Há que pensar na realidade de quem tem estabelecimentos abertos cumpridores de todas as regras; desde licenças ao programa de facturação certificado e, em contraste, quem tem o seu café, restaurante ou similar, há anos, no mesmo local, não investindo e sem sequer ter de levar em conta a renda como grande parte dos custos fixos. E nem vou mencionar facturas e recibos. Impostos e inspecções.

É duro retratar; mas se há dois, três ou quatro na mesma rua, tal não poderá acontecer. Assim como aqui, acontecerá nas farmácias, aconteceu nos balcões dos bancos e etc..

 

A economia tem de se reinventar e não de se perpetuar numa fotografia que nada augura para o futuro.


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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012
por jfd

*e Rajoy mentiu para ser eleito. Certo?

 

A taxa máxima do IVA sobe de 18 para 21 por cento e a taxa reduzida salta de 8 para 10 por cento. Os funcionários públicos espanhóis também não vão rebecer o subsídio de Natal. Estas são algumas das medidas que fazem parte de um rol de políticas fiscais que o executivo espanhol acaba de anunciar para cumprir com a meta da redução do défice.

SAPO


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Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

Eis um tabu que tem de ser destruído: é proibido mudar e, sequer, pensar em mudar a lei da greve. A lei da greve não é uma religião, o direito à greve não é um dogma. É preciso iniciar esse debate. Portugal, Itália, França e Espanha têm muito a ganhar se realizarem as mudanças necessárias.


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Domingo, 20 de Novembro de 2011
por Pedro Correia

 

Sete anos de governação socialista mereceram hoje um duro, amargo e justo castigo do eleitorado espanhol. Nem o facto de Rodríguez Zapatero ter dado lugar a Pérez Rubalcaba (na foto) como cabeça de lista travou a queda do Partido Socialista Operário Espanhol, com menos quatro milhões e meio de votos do que os obtidos nas legislativas de 2008. Com apenas 28,6% dos sufrágios, o partido que governou Espanha durante 21 anos (entre 1982 e 1996, e de 2004 até agora) perde 59 lugares na Câmara dos Deputados e quase metade dos assentos no Senado. Pior que isso: perde pela primeira vez em todas as comunidades autónomas, restando-lhe como consolação o triunfo em duas das 52 circunscrições eleitorais -- Barcelona e Sevilha.

O claro vencedor da noite é o Partido Popular, liderado por Mariano Rajoy. Que consegue o mais dilatado e expressivo triunfo da direita espanhola desde que foi restaurada a democracia: com  44,5% dos votos e 186 deputados (mais 32 do que os eleitos em 2004), o PP conquista a maioria necessária para governar sem necessidade de acordos parlamentares -- algo que Zapatero nunca conseguiu e o ex-líder conservador José María Aznar alcançou apenas na legislatura 2000-2004, embora com menos deputados. Os populares são hoje a única força política com grande expressão eleitoral na generalidade do território espanhol, tendo alcançado pela primeira vez a vitória na Andaluzia (comunidade que irá a votos em Março de 2012).

 

Outras breves notas desta noite eleitoral:

- Na Catalunha, os nacionalistas moderados da CiU obtêm o primeiro triunfo de sempre numas legislativas, ultrapassando largamente um PSOE em queda livre que ali perde 11 deputados.

- Em Madrid, o PP reforça um dos seus bastiões, situando-se 22 pontos percentuais acima dos socialistas.

- Os comunistas e seus compagnons de route, agrupados em torno da sigla Esquerda Unida, recuperam o grupo parlamentar nas Cortes, passando de dois para 11 deputados -- o seu melhor resultado desde 1996.

- A União Progresso e Democracia, força política do centro, também progride eleitoralmente, subindo de um para cinco deputados com mais de um milhão de votos.

- As forças pró-etarras, que se apresentaram nas urnas com a designação Amaiur, venceram no País Basco, conseguindo sete deputados que prometem batalhar pela independência no Parlamento de Madrid.

 

Rajoy pode agora formar um Governo forte e com um mandato muito claro: tirar Espanha da grave crise económica e social em que o país mergulhou. Como assinala Ignacio Camacho no ABC, "desde o esmagador triunfo gonzalista de 1982 não existe memória de uma convicção tão rotunda de mudança". É disso mesmo que Espanha necessita com urgência: de mudança.

 

Adenda: Javier Pradera, um dos mais prestigiados jornalistas espanhóis, morreu subitamente, há poucas horas. Vale a pena ler o seu último artigo: Al borde del abismo, publicado na edição de hoje do El País.

 

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Sábado, 19 de Novembro de 2011
por Pedro Correia

 

José Luis Rodríguez Zapatero prometeu edificar uma Espanha diferente, mais próspera e mais dinâmica, quando concorreu às legislativas de 13 de Março de 2004. A Espanha era a oitava economia mundial e servia de modelo a muitos países. O jovem líder socialista, então com apenas 43 anos, rompeu o pacto de Estado com a oposição conservadora sobre os grandes alicerces do regime que fora construído na transição de 1977/78. Desenterrou os demónios da guerra civil. Privilegiou o diálogo político com os nacionalistas da Catalunha e do País Basco. Fez disparar a dívida do país. Geriu a economia com rara incompetência, deixando descontrolar as contas públicas e triplicar a taxa de desemprego, que hoje se situa em 21,5%.

O balanço do seu mandato é profundamente negativo: no consulado de Zapatero registou-se a maior destruição de emprego de toda a história de Espanha. Só na última legislatura perderam-se 2,4 milhões de postos de trabalho. No terceiro trimestre de 2011, o crescimento foi nulo e prevê-se que o ano termine com crescimento negativo. A recessão espreita e o auxílio financeiro de emergência tornou-se praticamente inevitável. O chefe do Governo cessante acordou tarde e a más horas para a crise, que procurou negar até ao limite: agora, em busca do tempo perdido, já reclama "auxílio imediato" às instituições europeias. Vão longe os tempos em que garantia haver uma "saída social" para a situação de pré-colapso económico. Com um optimismo antropológico que se foi tornando cada vez mais patético.

Zapatero é hoje, provavelmente, o político mais impopular de Espanha. Consciente desse facto, recusou recandidatar-se: para o seu lugar avançou o vice-primeiro-ministro Alfredo Pérez Rubalcaba, antigo lugar-tenente de Felipe González, ainda hoje idolatrado entre as bases socialistas como patriarca do Partido  Socialista Operário Espanhol. González tem comparecido mais nos comícios desta campanha do que o desacreditado Zapatero. Mas nem isso impede que Rubalcaba tenha uma missão impossível: o país baixou três lugares na lista dos mais desenvolvidos do planeta, mergulhando no pior momento desde a queda do franquismo, em 1975. Com sucessivos aumentos de impostos, cortes salariais na administração pública, congelamento de pensões, um défice público de 6% e o maior número de desempregados de que há registo. "Um drama de cinco milhões sem emprego", titulava há dias o insuspeito El País, com notável precisão.

"Sem o menor respeito pela verdade e pela lealdade, você mentiu e atraiçoou-nos a todos." A frase não é do líder do Partido Popular, Mariano Rajoy, que vencerá as legislativas de amanhã. É de um homem de esquerda: o escritor Arturo Pérez-Reverte, numa demolidora carta aberta dirigida ao ainda chefe do Governo. Um documento que vale por mil editoriais. E que justifica, melhor do que qualquer análise política, a viragem que dentro de poucas horas ocorrerá em Espanha.

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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

Simplificando um bocado, Papandreou é um Sócrates, id est, um socialista troca-tintas. Os gregos que façam o favor a eles mesmos e a todos nós europeus e encontrem lá depressa pelo menos um Passos Coelho. A demissão de Papandreou é tão necessária como foi por cá a de Sócrates.

 

Já não há paciência nenhuma para socialistas, nem aqui, nem na Espanha, nem na Grécia, nem em lado nenhum.


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Domingo, 30 de Outubro de 2011
por Pedro Correia

De súbito, a auto-estima lusitana é incentivada de onde menos se esperava: o socialista Gregorio Peces-Barba, ex-presidente do Parlamento de Madrid e um dos 'pais' da Constituição de 1978, vem dizer que a Espanha "teria ficado melhor com Portugal do que com a Catalunha". Os políticos catalães não gostaram da comparação: talvez achem inconcebível que alguém queira trocar Guardiola por Jorge Jesus. Um deles recorreu mesmo ao vernáculo -- claramente entendível em qualquer recanto da Península Ibérica -- para qualificar o patriarca da lei fundamental espanhola.

Confirma-se: não adianta atirar a História porta fora. Ela acaba sempre por entrar pela janela.


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