Sexta-feira, 19 de Julho de 2013
por Pedro Correia

Cisão? Que cisão? Em mais de 30 anos de democracia, tenho visto muitos membros do PCP engrossar as fileiras do PS mas não me lembro de um só movimento na direcção contrária. Alguém até hoje rasgou o cartão de filiado no PS para se tornar militante comunista ou bloquista?

Não vale a pena mencionar nomes: poderia indicar aqui largas dezenas de ex-militantes do Comité Central do PCP, de antigos autarcas, sindicalistas ou deputados do partido da foice e do martelo que passaram a rever-se no conteúdo programático do PS. O próprio Mário Soares, que agora acena com esse tigre de papel, fez esse percurso: trocou o comunismo pelo socialismo democrático. E até este, no momento próprio, foi remetido para o fundo de uma gaveta.

Quando certas frases são proferidas, convém enquadrá-las com o mais elementar conhecimento histórico. E o natural sentido das proporções.

 

ADENDA: Também Felipe González lança farpas ao actual líder do PSOE, Rubalcaba: o mundo gira, imparável, mas nem todos se apercebem disso.


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Quinta-feira, 30 de Maio de 2013
por Alexandre Poço

O encontro promovido pelo Pai Fundador entre as esquerdas (aos 88 anos podia ter-lhe dado para outras coisas que não a tarefa de cupido) tem já algumas conclusões antecipadas:

 

- Precisamos de mais despesa, menos impostos, mais défice e menos dívida.

 

- O governo é mau porque é neoliberal (elaborar isto é complicado, pois teríamos de começar por explicar o que é o adjectivo que se imputa ao sujeito, o que é capaz de demorar). 

 

- O BCE, Hollande e o SPD vão ajudar-nos (esta passa com abstenções de braço no ar de elementos estalinistas e trotskistas. Miguel Tiago e Ana Drago saem da sala antes de se votar). 

 

- Vítor Gaspar é fanático. 

 

- O PSD não está com o governo, basta ouvir a Manuela Ferreira Leite para se perceber isto.

 

- O CDS não aguenta o barco por muito tempo. 

 

- Precisamos (as esquerdas individualmente) de fazer qualquer coisa, talvez um congresso ou outro encontro. 

 

- Jorge Jesus deve continuar porque o Benfica passou a disputar os títulos até Maio. 


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Domingo, 5 de Maio de 2013
por Fernando Moreira de Sá

É verdade, depois de ler esta notícia, estou mais optimista e descansado. Obrigado Jean-Luc....

 

 

Milhares de militantes de esquerda desfilam, em Paris, esta tarde, contra a austeridade imposta pelo Presidente François Hollande e "contra a infame troika". "Não deixaremos que matem Portugal nem nenhum outro país", diz ao Expresso o líder, Jean-Luc Mélenchon.




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Quinta-feira, 25 de Abril de 2013
por Pedro Correia

                            

 

É curioso: o 25 de Abril fez-se para fundar uma democracia representativa em Portugal, sufragada pelo voto universal e livre dos cidadãos. Mas raras vezes, ano após ano, vejo homenagear esse órgão concreto da democracia - com o qual tantos sonharam durante gerações - que é a Assembleia da República, símbolo supremo do nosso regime constitucional.

Espero que este lapso seja corrigido e que em 25 de Abril de 2014, quando a Revolução dos Cravos comemorar quatro décadas, possam ser homenageados 40 deputados, de diferentes partidos. Deputados que nunca foram ministros nem secretários de Estado nem presidentes de câmara nem presidentes de governos regionais: apenas deputados. Seria uma excelente forma de assinalar a instituição máxima da democracia portuguesa.

Fui repórter parlamentar do Diário de Notícias durante cinco anos e, nessa qualidade, tive o privilégio de conhecer competentíssimos deputados em todas as bancadas. E hoje, a pretexto do 25 de Abril, quero distinguir dois desses parlamentares que conheci pessoalmente: Maria José Nogueira Pinto e João Amaral. Ela claramente de direita, ele inequivocamente de esquerda.

Em legislaturas marcadas por fortes combates políticos, nenhum dos dois alguma vez cessou de tomar partido, envolvendo-se convictamente no confronto de ideias que é função cimeira do órgão parlamentar: sabia-se ao que vinham, por que vinham, que causas subscreviam e que bandeiras ideológicas sustentavam. Mas também sempre vi neles capacidade para analisar os argumentos contrários, com elegância e lealdade institucional, sem nunca deixarem as clivagens partidárias contaminarem as saudáveis relações de amizade que souberam travar com adversários políticos.

Porque a democracia também é isto: saber escutar os outros, saber conviver com quem não pensa como nós.

Lembro-me deles com frequência. Lembrei-me hoje deles também a propósito das sábias palavras que Giorgio Napolitano proferiu segunda-feira passada, em Roma, ao tomar posse no segundo mandato como Presidente italiano. "O facto de se estar a difundir uma espécie de horror a todas as hipóteses de compromisso, aliança, mediações e convergência de forças políticas é um sinal de regressão", declarou neste notável discurso Napolitano, de longe o político mais respeitado da turbulenta e caótica Itália, que festeja a 25 de Abril o seu dia nacional.

Palavras que certamente encontram eco entre os italianos.

Palavras que também deviam suscitar meditação entre nós. Palavras que a conservadora Maria José Nogueira Pinto e o comunista João Amaral seguramente entenderiam - desde logo porque sempre souberam pôr os interesses do País acima de tacticismos políticos.

Quis o destino, tantas vezes cruel, que já não se encontrem fisicamente entre nós. Mas o exemplo de ambos perdura, como símbolo de convicções fortes que - precisamente por isso - são capazes de servir de cimento para edificar pontes. E talvez nunca tenhamos precisado tanto dessas pontes como agora.

 

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Quinta-feira, 14 de Março de 2013
por Carlos Faria

A esquerda por norma tão tolerante com todos os comportamentos liberais dos cidadãos, tem uma intolerância arrogante com todas as gaffes ou ideias (que não subscrevo) xenófobas, sexistas, homofóbicas e afins vindas de líderes de direita cuja indignação se alastra de forma viral nas redes sociais e não só. Berlusconi, por culpa própria devido ao seu comportamento brejeiro enjoativo e princípios de ética demasiado duvidosos, foi o exemplo máximo dessa atitude vinda esquerda.

Como no melhor pano cai a  nódoa, eis que Nicolás Maduro, ainda não eleito presidente, já protagonizou demasiados casos que mostram que comportamentos infelizes e inaceitáveis também acontecem em pessoa de esquerda:

Já expressou a sua masculinidade como argumento político insinuando incertezas de virilidade do seu oponente, assumindo assim um culto homofóbico como trunfo político;

Já assumiu a idiotice de Chavez doente, moribundo e já falecido ter influenciado o conclave para a eleição do Papa Francisco;

Já promoveu o culto da personalidade do modo típico das ditaduras com a decisão de embalsamar Chavez e exposição do corpo em museu e teve de recuar devido a problemas de ordem técnica que deveria ter verificado antes de tornar pública essa opção;

Aceitou tomar posse do cargo de Presidente em condições duvidosas para a Constituição da República Bolivariana da Venezuela que terá jurado cumprir ao ser empossado e quando não tinha necessidade disso por ser candidato dentro de 30 dias com grande probabilidade de ser o vencedor; e

Tem o desplante de condicionar um debate político a questiúnculas de guerrilhas privadas entre o seu opositor e a família do seu antecessor.

Tudo isto em escassos dias, sem ainda ter sido eleito, mas já a demonstrar o seu vazio de inteligência política, a existência de preconceitos perigosos, o provável desrespeito pela Constituição do seu País e a admiração por ditadores, aspetos perigosos para o futuro da Venezuela, mas suspeito que veremos a esquerda tão liberal nos costumes, despreconceituosa, tão suscetível em se ofender, ignorar toda esta asneirada de Nicolás Maduro.


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Sexta-feira, 8 de Março de 2013
por Francisco Castelo Branco

Aquando da morte de Jaime Neves, a esquerda radical não prestou a devida homenagem republicana ao ter votado contra o voto de pesar aprovado pela maioria mas também pelo PS. Hoje o Parlamento aprovou quatro votos de pesar pela morte de Hugo Chavez. Ao contrário do que sucedeu com um dirigente que lutou contra o comunismo, a esquerda radical não teve dificuldades em homenagear um comunista. A falta de ética e sentido republicano por parte do PCP e BE é gritante e demonstra bem que estes dois partidos não respeitam as regras democráticas. A Direita tem de ensinar a Esquerda a fazer política e mostrar sentido de Estado e estatura. Enquanto que a Direita alinha pela cordialidade, respeito independentemente da cor política, a Esquerda continua ligada a um passado que ainda deixa marcas. Marcas que são reflectidas nas atitudes tomadas e nem num simples gesto de pesar conseguem separar as ideologias. É por estas atitudes que tanto PCP como BE nunca irão ter votações relevantes e muito menos serão soluções governativas. Enquanto o primeiro se arrasta há 30 anos com o mesmo discurso, o segundo está perdido numa liderança bicéfala que nem os fundadores aceitam. Porquanto se fala muito em liberalismo, capitalismo selvagem e outros itens, são estas pequenas tomadas de posição que describilizam uns mas credibilizam outros. 


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Sábado, 9 de Fevereiro de 2013
por jfd

"Parlamento manda cortar nos carros do Estado. Aprovado com os votos favoráveis do PSD e CDS-PP e a abstenção do PS, PCP, BE e PEV".


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Sábado, 6 de Outubro de 2012
por Carlos Faria

As esquerdas reuniram-se pra refletir sobre alternativas e parece que... As principais ideias do Congresso Democrático das Alternativas (CDA) que decorreu ontem na Aula Magna em Lisboa são três: denunciar o Memorando de entendimento, renegociar a dívida pública e demitir o governo de Pedro Passos Coelho

Resumindo: Tudo passa pela negação: não ao memorando, não aos termos de pagamento da dívida e não ao governo em exercício.

A única coisa que os une é o não ao que há neste momento e sempre que alguém discorda, desunem-se, pois é muito mais fácil dizer que não quero ir por aí, do que assumir um outro caminho para se ir.

Denunciar o memorando é bonito de se dizer, mas com isso, como renegociariam uma dívida em melhores condições perante os credores?

Pode-se dizer "não pagamos", mas será que um povo que nem na alimentação é autossuficiente pode dizer hoje que não paga e amanhã comprar cereal para o seu pão ao exterior?

Podemos sempre demitir o governo, mas sem eleições qual a sua legitimidade? Com eleições, quem lhes garante que terão a união no essencial para formar um governo se nem num congresso conseguiram acordo de ideias?


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Quarta-feira, 25 de Julho de 2012
por Alexandre Poço

No meu primeiro tiro neste blog, queria cumprimentar aqueles a quem me junto nesta casa, e em particular, ao Pedro Correia, pelo gentil convite que me fez para me juntar a este batalhão. Poderia começar na defesa, pois também elas conseguem vencer jogos, mas entendi que o primeiro disparo deveria ser de peito aberto e sem medo do que virá do lado de lá. Assim, acabo de arrumar a pistola na cintura e deixo no ar, não sei se apenas fumo, mas também a vontade de "acertar em cheio" no inimigo. Conto com a vossa observação, que é como quem diz leitura, da bala:

 

Crescimento e emprego, dizem eles por contraponto com a direita que quer recessão, desemprego e pobreza generalizada. A receita da esquerda é “políticas de crescimento e emprego” por contraponto com a política malévola da direita assente na austeridade neoliberal de cariz fascizante. O debate está partido ao meio, portanto, com o governo, a troika e a Alemanha a quererem sangue e com a bondosa esquerda a  querer espalhar benesses, subsídios e boa vida.

 

Ora, comecemos pela semântica: a palavra “crescimento” é, intuitivamente, positiva, leva o nosso imaginário colectivo a pensar em coisas boas; da mesma família, é o “emprego”, ninguém é contra o emprego, querer dar “emprego” é portanto uma coisa que fica bem de se dizer e ainda melhor de se ouvir, principalmente nestes últimos tempos. Agora, vejamos a palavra “austeridade”, uma palavra grande e feia, que remete para algo frio, seco e sem sentimentos. Ser austero é coisa do passado, hoje ninguém diz que tem um amigo muito porreiro, porque ele é austero.

 

Da semântica, passemos para a realidade dos factos. Em Portugal, entre 2000 e 2011 foram gastos 2 mil milhões de euros em medidas para o emprego. Sim, 2 mil milhões de euros. E o resultado: o desemprego nunca parou de aumentar. A taxa de desemprego passou de 3.9% (2000) para 12.7% (no final de 2011). E mesmo antes da crise internacional (2008), o desemprego manteve sempre a mesma tendência de subida. Daqui é possível concluir que os rios de dinheiros públicos (ou seja, dinheiro dos contribuintes) gastos neste período não trouxeram mais emprego. Os incentivos estatais apenas trouxeram mais desemprego. Quanto a crescimento, vemos que na primeira década desde século, crescemos por volta de 0.7% ao ano. Estamos conversados, então.

 

E porque devemos ter em conta estes dados e números do passado para resolver os problemas de hoje? Porque os mesmos que nos conduziram até este estado de pré-bancarrota e de protectorado (em que se incluem todos os governos desde 1995) querem novamente “políticas de crescimento e emprego” que em bom português significa colocar o Estado a injectar dinheiro na economia, aumentando a despesa, o défice e por conseguinte, a dívida. Isto só é possível, com mais impostos, sugando dinheiro aos portugueses. Ou seja, a esquerda pretende recorrer a uma solução que, a curto prazo, até poderia gerar emprego – se bem que de valor duvidoso – mas que a longo prazo iria continuar a viciar a nossa economia em estímulos e mais estímulos, tornando-a dependente para crescer e sufocando a iniciativa privada, aquele que deve ser a verdadeira geradora de emprego. Porque não baixar os impostos para as empresas, por exemplo a TSU? Veja-se o caso da Irlanda neste aspecto particular. Isso é neoliberalismo que quer privatizar a segurança social, dizem eles.

 

Estas propostas à la Hollande parecem vir de Marte, pois esquecem o estado em que estão as nossas contas públicas. Não há forma de crescer com o país no limiar do endividamento, pois não há recursos - ou seja, capital - para tal. Esse está a ser utilizado para pagar dívidas. No mínimo, e se tivesse vergonha na cara, o PS deveria ter conhecimento. Da esquerda radical do não pagamos (BE e PCP), não se pode esperar outro comportamento. A sua essência é esta. O que custa é ver um país alimentado pelos jornais, comentadores e televisões (também eles sempre dependentes do paizinho estatal) a cair nesta lenga-lenga dos “estímulos”  que não são nada mais nada menos do que ter o coração na boca e a mão na carteira dos outros.


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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
por Pedro M Froufe

Segundo Boaventura Sousa Santos, o "(...) nosso ministro das Finanças, Vítor Gaspar, tem passaporte português mas é alemão. Foi criado pelos alemães, foi educado por eles no Banco Central Europeu. Este homem vê o mundo pelos olhos da Alemanha".

Tal e qual! Boaventura deve saber do que fala. Também ele tem passaporte português, mas, seguramente, será cubano, boliviano, chavèziano (rectius, venezuelano, etc., etc.).


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Quinta-feira, 26 de Abril de 2012
por José Meireles Graça

Documentário disponível em todos os blogues de esquerda perto de si? Nada, nada, também se arranja de melhores proveniências - foi que o encontrei.


Mas não é um documentário. É uma peça de propaganda: Eugénio Rosa, economista comunista, com perdão da cacofonia e da contradição nos termos, e Fernando Rosas, um historiador neo-marxista pós-moderno, ilustram a explicação de como no Portugal do séc. XIX até hoje a upper class viveu e medrou com a promiscuidade com o Estado.


Não explicam se, sem o condicionamento industrial e o proteccionismo, teria sido possível criar uma base industrial; se as relações familiares dentro da pequena tribo de plutocratas eram uma originalidade portuguesa; por que razão a enormidade de recursos concentrada nas mãos de poucas famílias foi adjuvante para o atraso do País, ao contrário do que sucedeu noutras paragens; e se as taxas de crescimento de Portugal nos anos 60 (não obstante uma guerra colonial que chegou a consumir 40% do orçamento do Estado, sem aumento significativo do endividamento público) se explicam por obra e graça do Espírito Santo (o da trilogia, não um prócer da família homónima).


Não explicam isto nem uma quantidade de outras coisas. Mas dão a entender que o relativo atraso de Portugal poderia ser anulado se se acabasse com a promiscuidade através do expediente de eliminar os grupos económicos privados.

.

Simples, não é? Foi experimentado noutros lados e nunca resultou. Mas aqui poderia - quem sabe? - resultar. É uma questão de fé, e isso não discuto. Agora, panfletos em formato de documentário, lá isso - discuto.


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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012
por José Meireles Graça

"O problema de Portugal não é de défice demográfico, mas de défice estratégico. Quando uma nação não tem um projecto de futuro, quando os salários não permitem uma vida familiar digna, quando reina a incerteza no emprego e na habitação, os potenciais pais e mães retraem-se. Ninguém, no seu perfeito juízo, quer lançar uma criança num mundo hostil. Portugal não precisa de aviltantes medidas de incentivo à natalidade. Elas ressoam à pecuária humana das 'mães parideiras' de Hitler e Estaline."

Viriato Soromenho Marques, com a típica pesporrência de uma certa esquerda à la Maio de 68, pega num problema real e vira-o de cabeça para baixo. Começa por taxar de ignorantes e atrevidos "alguns demagogos políticos e religiosos". E defende a sua dama, apresentando-a como filha do conhecimento científico e da política realista e equilibrada.

Ou seja: VSM não defende opiniões ideológicas nem políticas discutíveis, porque lá no gabinete onde passa os dias fazem-se estudos sociais sérios num laboratório cheio de computadores e de pipetas. Chegados a conclusões absolutamente seguras, é só divulgá-las nos meios de comunicação social e em conferências e o universo da política, rendido, passa a subscrever o programa de VSM e de todos os outros iluminados do aquecimento global, dos planos estratégicos, dos projectos de futuro, do emprego certo e da habitação garantida.

Peço licença para não dar para este peditório e antes comprar teses de "demagogos" que me saem de graça. Porque boa parte do que VSM defende levou a que os nascituros tenham um gigantesco calote. E isso, mesmo sem papers, agências governamentais e teses sortidas, é que é o pano de fundo em que "os potenciais pais e mães se retraem". Porque, sem isso resolvido, nada o será.

Mas isto não espero que o cientista social entenda - é demasiado simples.


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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

A decadência de longo-prazo de todas as correntes políticas de esquerda (comunismo, socialismo, até a social-democracia) também se explica por isto: uma incapacidade de reconhecer que a direita também pode ser inteligente. Mas a esquerda não aceita isso, não concede que a direita seja, ao menos vá lá, inferiormente inteligente: a suposta maior tolerância e magnanimidade da esquerda não chegam para tanto. Pior: a esquerda muitas vezes não aceita sequer a existência de uma direita democrática. Ainda pior no caso português: a esquerda considera que, no âmbito do regime nascido a 25 de Abril de 1974, a direita é uma anomalia dificilmente tolerável (na menos má das hipóteses).

 

A intolerância e a recusa em absorver o melhor que "o outro" oferece resultam sempre no mesmo: decadência. Todas as histórias de intolerância chegam ao mesmo fim.


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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

Controversial: Adjectivo aplicado, em geral, a pessoas de direita e, em particular, a conservadores quando o nível de inteligência do que escrevem é de tal modo elevado que nem a esquerda mais anquilosada consegue fingir que não sente curiosidade e interesse.

Claro está: quanto mais interessante e inteligente, mais "controversial".


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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

A propósito deste post de Paulo Marcelo no Cachimbo de Magritte...

 

Nas ditaduras há o hábito de os ditadores inventarem inimigos externos com o objectivo de manter as populações dominadas em permanente tensão e medo. Nas democracias, os líderes não-democráticos dos partidos não-democráticos que ainda subsistem também inventam inimigos externos. A diferença é que os ditadores das ditaduras atiçam o medo com a ameaça de um conflito internacional, enquanto que os ditadores que parasitam as democracias incitam à instabilidade social e violência civil.

 

Basta observar, entre tantos exemplos infelizes, os acontecimentos do ano passado na Grécia.


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Terça-feira, 22 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

Um dos atributos da esquerda portuguesa é as críticas à ciência económica, aos economistas, ao economicismo e ao economês. Um dos patriarcas da esquerda, Mário Soares, exibe até com orgulho a sua total ignorância daquela ciência e o seu desprezo pelos economistas. No caso da RTP e do "serviço público", essas críticas podem ter, porém, alguma razão. Não digo muita, mas alguma. É certo que a televisão é um serviço para o qual existe ou pode existir um ou vários mercados; ou seja, é um tema económico. Mas a televisão é antes de mais um assunto político e, até, ideológico.

A primeira questão quanto ao serviço público e à RTP é política e ideológica. A reestruturação, privatização, demolição ou expansão (?) da RTP deve ser pensada desta maneira: paternalismo versus liberdade.

 

As pessoas precisam que o Estado lhes forneça os meios para a sua educação política, desde os mais básicos (os factos e a informação) até aos mais elevados (as opiniões sobre opiniões sobre factos e et cetera)? É função do Estado não apenas financiar mas também produzir esse tipo de educação? É também (ou apenas) função do Estado fornecer entretenimento popular sob a forma televisiva? Se sim, então, televisão pública.

As pessoas têm iniciativa e interesse próprios e suficientes para procurar por si os meios da sua educação política, que são cada vez mais numerosos (a oferta na internet é, na prática, infinita) e cada vez mais baratos (a oferta na internet é, na sua grande maioria, gratuita) e, por outro lado, não estão interessadas em que o Estado, em nome do "interesse público", desperdice rios de dinheiro e ainda manipule os indivíduos tratados como massa? As pessoas têm gostos próprios e definidos e não precisam que o Estado as entretenha ainda mais para além das misérias e telenovelas da costumeira politiqueirice diária, com o seu permanente desfile de boçalidade, fracasso, quantas vezes mau português, ordinarice e, até, crimes e processos? Então, não à televisão pública.

No caso dos que são pelo sim, e no caso dos que são pelo não mas que, contrariados, têm de tolerar uma televisão pública, a segunda questão é então a financeira: quanta televisão estamos dispostos a pagar (isto é, quantos milhões) por ano, assumindo que ela é para manter e funcionar?

A televisão pública é pois e em boa verdade um tópico muito adequado para ser sujeito a referendo. Não trata de assuntos íntimos nem morais nem de filosofia difícil, antes pelo contrário: é uma questão política clara, uma divisão ideológica clássica e tem uma componente financeira acessível (pouco ou nada técnica).

Aqui fica a proposta: seja referendada a televisão pública e o seu orçamento.


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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011
por Ricardo Vicente

Os comunistas nunca reconhecem os crimes de Estado praticados pelo império russo no tempo do comunismo. O regime comunista russo nunca praticou crimes, quando muito tiveram lugar "erros".

 

Agora, para alguma direita, o campo de detenção de Guantánamo passou a ser isso: um "erro". Violações rudes do direito internacional e, até, do direito nacional americano? "Erros". Gente imprisionada sem haver mandado judicial e por tempo indeterminado (incluindo vários adolescentes)? "Erros". Gente acusada sem saber do conteúdo da acusação? "Erros". Torturas e métodos degradantes aprovados ao mais alto nível? "Erros". Torturas e métodos degradantes cuja única aprovação consistiu nos caprichos sádicos de uns malucos ("malucos" é, obviamente, um eufemismo)? "Erros".

 

Porque será que uma certa direita não é capaz de aprender com os erros de uma certa esquerda?


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