Sexta-feira, 6 de Julho de 2012
por Pedro Correia


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Quinta-feira, 5 de Julho de 2012
por Pedro Correia

No princípio era Scolari. Já o seleccionador brasileiro que conduziu Portugal a vice-campeão europeu e ao quarto lugar no Campeonato do Mundo se havia retirado um ano atrás e ainda Rui Santos lhe apontava o dedo acusador em Setembro de 2009. Era a melhor maneira de afastar responsabilidades do seu amigo Carlos Queiroz, que conduzia rapidamente a selecção nacional ao descalabro. Sem vencer um só jogo em casa na atribulada campanha para a qualificação do Mundial de 2010, com opções tácticas que ninguém entendia, sem controlo no balneário, Queiroz andava à deriva. Mas o amigo comentador, sem o beliscar, limitava-se a chutar para trás: «Quando Scolari abandonou Portugal os sintomas de uma certa degradação qualitativa eram evidentes.»

 

Depois de uma lamentável presença na África do Sul da qual excluiu o sportinguista João Moutinho, com a selecção portuguesa sem marcar em três dos quatros jogos disputados, Queiroz iniciou da pior maneira a campanha para o Euro 2012. Com um empate em casa (4-4) com o modestíssimo Chipre, em Guimarães, a que assistiram só nove mil pessoas. Soaram as campainhas de alarme: após a euforia da era Scolari, os portugueses estavam divorciados da selecção.

 

E Rui Santos, criticava enfim o seleccionador? Nada disso: «Temos que responsabilizar os jogadores», acusou. E aproveitava até esta derrota para lançar o nome de Queiroz como futuro presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Porquê? «Carlos Queiroz pensa o futebol, em termos de organização, como poucos em Portugal.» Nunca o Tempo Extra foi tão extraordinário.

 

A campanha prosseguiu da pior maneira, com uma derrota na Noruega. Cinco pontos perdidos nos primeiros dois jogos, três anúncios de retirada precoce da selecção: Deco, Paulo Ferreira e Simão Sabrosa haviam anunciado que não voltariam a vestir a camisola das quinas. Eduardo, o guarda-redes titular, parecia uma sombra de si mesmo. Nani fora afectado por uma estranha lesão, nunca bem explicada. E Cristiano Ronaldo, sem esconder a desmotivação, causara alguns desmaios no clube de fãs do seleccionador com uma frase letal: «Perguntem ao Queiroz.» Queria dizer: perguntem-lhe pelas derrotas, claro. Só Rui Santos não perguntou.

 

Acossado, o seleccionador sacudia a água do capote: «Tendo em conta a estrutura amadora da Federação, as coisas correram muito bem [na África do Sul]», disparou Queiroz. Era a versão que lhe convinha. Mas não pegou.

 

O desnorte do seleccionador era tanto que chegou a dizer isto: «Portugal não merece ganhar um campeonato do Mundo.» Uma frase impensável na boca de qualquer outro responsável do futebol nacional. Convém ter memória.

 

Imperou enfim o bom senso: Queiroz foi afastado. E Paulo Bento não tardou a ser escolhido para o seu lugar, conduzindo uma boa campanha para o Euro 2012. Tudo mudou. Logo com vitórias contra a Islândia e a Dinamarca (ambas por 3-1). O novo seleccionador reabilitou Moutinho e Carlos Martins, convocou João Pereira, recuperou Cristiano, Nani e Postiga. Os portugueses aplaudiam.

 

Voltámos a ter selecção nesse mês de Outubro de 2010. Ronaldo falava por todos os jogadores ao dizer isto: «Tem sido bom trabalhar com Paulo Bento e isso reflecte-se no campo." Percebia-se bem.

 

Todos com Paulo Bento? Não. Havia quem lamentasse a saída de Queiroz. Quem? O mesmo que tempos antes, quando Portugal sofreu uma humilhante derrota frente ao Brasil, fechava os olhos a todas as evidências continuando a enaltecer o seleccionador amigo. Com frases assim: "Eu não duvido nunca das capacidades de Carlos Queiroz"; "Carlos Queiroz faz muita falta ao futebol português"; "É um treinador necessário a qualquer federação de futebol do mundo." Quase a roçar a idolatria.

 

Quem então falava deste modo, abdicando do espírito crítico, hoje diz coisas como estas: «Paulo Bento tem um modelo de jogo muito conservador»; «Esta selecção não é a única do futebol português»; «Nós não ganhámos nada. Se o Paulo Bento pensa que o futebol começou com ele, está muito enganado».

Em termos de coerência ficamos definitivamente conversados.


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Quarta-feira, 4 de Julho de 2012
por Pedro Correia

Rui Santos falou sempre em tom muito crítico nas apreciações que foi fazendo à equipa portuguesa ao longo do Euro 2012. Mas abriu uma notória excepção: sobre Nélson Oliveira falou sempre bem. De tal maneira que nunca regateou um elogio ao jovem avançado do Benfica. O entusiasmo era tanto que só ele viu o que mais ninguém conseguiu vislumbrar.

É caso para lhe gabarmos a coerência. Mas nada mais há para gabar. Porque o Nélson Oliveira que deslumbrou Rui Santos não chegou a comparecer nos relvados deste Europeu. Não jogou bem nem mal - foi simplesmente irrelevante. Varela, que esteve menos tempo em campo, teve oportunidade de marcar um golo e falhar outro que tentou marcar. O jovem que tanto elogio mereceu ao quilométrico comentador da SIC Notícias nem andou lá perto. Percebeu-se melhor por que motivo Jorge Jesus nunca o colocou a titular durante o campeonato: pode vir a ser um jogador de grande nível mas por enquanto não passa de uma simpática promessa.

Não é assim, Rui Santos?

 

Parece que não.

Já a 9 de Junho, nos estúdios de Carnaxide, o seu entusiasmo era incontrolável logo após o jogo contra a Alemanha: «Potencialmente, Nélson Oliveira é já o melhor ponta-de-lança português. Não temos melhor.» O raciocínio é tortuoso e até paradoxal, mas percebe-se a ideia. Faltou apenas sustentá-la em factos.

A 13 de Junho, consumada a vitória contra a Dinamarca, parafraseou-se a si próprio. Nos mesmos termos paradoxais: «Potencialmente, Nélson Oliveira é já neste momento o melhor ponta-de-lança português.» Em perfeito contraste (pasme-se) com os centrocampistas. «Sobretudo ao nível do meio-campo, há muito tempo que não tínhamos tanta falta de bons jogadores», afirmou no mesmo canal televisivo. Lançando um anátema simultâneo sobre Miguel Veloso, Raul Meireles e João Moutinho. Alguma lógica nisto? Absolutamente nenhuma. Mas tanto faz.

 

Ficaram por aqui os hossanas ao miúdo? Nem pensar. A 17 de Junho, consumada a vitória portuguesa sobre os holandeses, Santos insistia. Proclamando isto: «Eu sou um fã do Nélson Oliveira. Gosto muito do Nélson Oliveira.» E mais isto: «Nélson Oliveira é de facto um jogador que dá uma outra cara ao ataque português. Com ele o nosso ataque transforma-se.»

Cesse tudo o que a musa antiga canta que outro valor mais alto se alevanta. Deixo só uma perguntinha em jeito de remate: lembram-se quantos golos o "melhor ponta-de-lança português" marcou neste Europeu? Isso mesmo: não marcou nenhum.

 


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Terça-feira, 3 de Julho de 2012
por Pedro Correia

«Há melhores equipas [do que a portuguesa]. Algumas já ficaram para trás.»

Rui Santos, SIC Notícias, 17 de Junho

 

Às vezes questiono-me: e se o Rui Santos fosse seleccionador nacional? Certamente a equipa portuguesa não se teria apresentado em campo «com uma boa táctica mas falhando a estratégia», como ele considera que ocorreu no nosso jogo inaugural do Euro 2012, contra a selecção alemã. Faríamos mais e muito melhor do que fizemos nos últimos 12 anos, em que "só" marcámos presença em três meias-finais dos quatro Campeonatos da Europa entretanto realizados - em 2000, com Humberto Coelho ao leme da equipa, em 2004, com Scolari, e agora com Paulo Bento - e chegámos à final "apenas" uma dessas vezes, em 2004.

 

Dizem que Santos da casa não fazem milagres. Mas com o Rui seria diferente. Em vez de uma selecção onde «não há uma qualidade excepcional» já teríamos ido mais longe. O título europeu seria nosso, talvez até o título mundial. Se os espanhóis alcançaram semelhante proeza porque não nós também?

Paulo Bento devia ter escutado os conselhos dele na SIC Notícias antes daquele jogo contra os alemães, em que os então vice-campeões da Europa nos derrotaram por uma marca impensável: 0-1. O problema foi rapidamente detectado pelo arguto comentador: «Tivemos uma selecção horizontal e o Fábio Coentrão foi o único que teve um futebol vertical.» Simplesmente genial.

 

No jogo seguinte, a selecção nacional precisaria de «um sistema alternativo» para levar os dinamarqueses de vencida. Nada do 4-3-3 posto em prática pelo «sargentinho» que comanda desde 2010 a equipa nacional.

«Eu apostaria no Miguel Lopes para lateral-direito, encostaria o Miguel Veloso na esquerda e adiantaria o Fábio Coentrão para a frente, o Custódio seria uma boa opção para ser o médio eminentemente defensivo, o Raul Meireles, o Fábio Coentrão e o Nani a jogarem atrás dos pontas-de-lança que deveriam ser o Ricardo Quaresma e o Cristiano Ronaldo.» Tudo diferente do que se passou. Ou quase: pois Santos, condescendente, manteria Rui Patrício na baliza, assim como a dupla de defesas centrais.

E João Moutinho, que se revelou um dos melhores portugueses neste Europeu? «Moutinho desapareceria», alivitrou o sábio comentador, na pele de treinador de bancada, antes do jogo contra a Dinamarca. Sabendo de antemão, conforme confessou, que o «conservador» Paulo Bento não lhe daria ouvidos, optando pelo onze que perdeu com a Alemanha. «Um erro», a seu ver.

Mas a realidade tem o condão de perturbar as teorias, por mais excelentes que pareçam. Afinal o jogo correu bem a Portugal: acabámos por derrotar (3-2) os dinamarqueses, que antes tinham ganho à Holanda.

 

Ainda hoje me interrogo como conseguimos esta e outras vitórias sem Miguel Lopes a lateral-direito, sem Miguel Veloso a lateral-esquerdo, sem Coentrão adiantado, sem Custódio no lugar de Moutinho e sem Quaresma no lugar de Postiga.

O «sargentinho» tem muita sorte...


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por Pedro Correia

Devemos ter visto dois Campeonatos da Europa diferentes, o Rui Santos e eu. Só isto explica a minha perplexidade ao ler o texto que ele publicou na passada sexta-feira no diário Record (sem hiperligação disponível). Um texto que, logo pelo título, deixava adivinhar todo o seu propósito: «... E, então, as charretes?!» Tanto sinal gráfico - reticências, um par de vírgulas, ponto de interrogação seguido de ponto de exclamação - para dizer tão pouco. A intenção do autor, como fica bem claro logo nas primeiras linhas, é desvalorizar o que os jogadores e a equipa técnica da selecção nacional conseguiram no Euro 2012. Esquecendo-se ele da grelha de análise que utilizou para avaliar o desempenho português no Campeonato do Mundo da África do Sul, quando o seleccionador era outro. Mas essa comparação fica para outro texto a publicar aqui no decurso desta semana...

 

O texto está repleto de falácias, na habitual lógica de "achismo" cultivada pelo autor, que demasiadas vezes considera dispensável alicerçar as suas opiniões em factos. Eu acho que isto, eu acho que aquilo...

Felizmente não falta comentário de qualidade nos órgãos de informação portugueses para o público poder separar o trigo do joio. Reparem no que Rui Santos, de dente afiado e em estilo jocoso, se apressou a escrever logo a 7 de Junho, 48 horas antes da nossa tangencial derrota frente à selecção então vice-campeã da Europa, a Alemanha: «Lá fomos então, com o folclore do costume, rumo ao Euro’2012. Partimos em ambiente de festa e euforia, como se tivéssemos chegado com um troféu na bagagem. O circo montado, com o melhor pano na tenda, e o país pendurado na asa do avião. (...) Não é fácil combinar excursionismo com profissionalismo. Esta direcção da FPF ainda não fez nada que travasse a ideia de que, para os jogadores, a Selecção Nacional não é mais do que o recreio dos clubes. E a culpa não é totalmente deles, que são induzidos a pensar assim.»

 

Que quereria ele dizer com isto no próprio dia em que Portugal regressava a um dos maiores palcos do futebol mundial? Estaria a confundir esta presença portuguesa na fase final do Europeu com a desastrosa campanha de qualificação conduzida inicialmente por Carlos Queiroz, o técnico que ele mais admira? Só o próprio comentador saberá responder. O facto é que, no rescaldo do desafio da meia-final, após a selecção das quinas ter chegado muito mais longe do que ele imaginara, Rui Santos escreve um dos artigos mais lamentáveis da sua carreira (o tal com as charretes em título).

Escreve o quê?

Isto: «Portugal foi eliminado pelos espanhóis. Sem mácula, em razão da melhor meia hora de tempo extra realizada pelo adversário. Nada de surpreendente, pois.» Quem não tenha visto o jogo é capaz de acreditar. Sem saber que Portugal foi eliminado só nas grandes penalidades após o prolongamento...

E isto: «Ser a quarta melhor equipa da Europa representa 'missão cumprida' e um estímulo para o futuro. Mas nada mais senão isso. Os excessos à chegada foram iguais aos excessos da partida.» Não sei onde foi ele buscar essa despromoção portuguesa ao quarto posto: como não há jogo para atribuição dos lugares 3º e 4º, Portugal ficou ex-aequo em terceiro, juntamente com a Alemanha.

E ainda isto: «Portugal fez um Campeonato da Europa muito positivo, mas longe do brilhantismo que nos querem agora impingir.» Ser a terceira melhor selecção da Europa não basta para este mestre do comentário esférico lhe reconhecer brilhantismo.

 

Eis o ruissantismo no seu melhor. Ou pior, conforme as opiniões.

A quilómetros de distância do que Santiago Segurola, um dos mais prestigiados jornalistas desportivos espanhóis, escreveu na diário Marca: "Portugal é uma equipa admirável pelo seu rigor táctico, o seu impressionante desempenho atlético e a sua velocidade, representada especialmente por Cristiano Ronaldo e Nani, duas balas em cada extremo do campo."

Ou do que escreveu Bruno Prata, hoje mesmo, no jornal Público: «Depois de ontem se ter visto a demonstração de superioridade da 'Roja' no Estádio Olímpico de Kiev, ficou claro que a verdadeira final foi o Espanha-Portugal, o que é o melhor elogio que se pode fazer à equipa treinada por Paulo Bento. De facto, ninguém como a selecção portuguesa foi capaz de criar tantos problemas à campeoníssima Espanha.»

Sob um título que diz tudo: «A verdadeira final foi com Portugal».

Avisem o Rui Santos, por favor. Tenho a impressão que só ele não percebeu. Talvez por andar demasiado preocupado com as charretes.


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Segunda-feira, 2 de Julho de 2012
por Pedro Correia

Nunca tinha acontecido. Ao revalidar o título de campeã europeia ontem à noite em Kiev, Espanha consegue uma proeza inédita: nenhuma outra selecção recebera até hoje dois troféus consecutivos ao nível da Europa. Com a vantagem acrescida, para os espanhóis, de serem também campeões do mundo: conquistaram o troféu há dois anos, na África do Sul, e são desde já os mais sérios candidatos à dobradinha no próximo Mundial, a disputar no Rio de Janeiro.

Também inédita foi a expressão numérica desta vitória. A selecção comandada por Vicente del Bosque goleou os italianos nesta partida disputada na capital ucraniana: 4-0. Nenhuma outra final de um Europeu tivera até hoje números tão expressivos, o que demonstra bem a superioridade espanhola perante uma equipa italiana irreconhecível. Montolivo, Cassano, Balotelli e tutti quanti nem pareciam os mesmos que três dias antes venceram e convenceram a poderosa selecção alemã, vice-campeã da Europa, com um futebol capaz de conjugar espectáculo com eficácia.

 

Buffon, Pirlo e De Rossi - que foram campeões do mundo em 2006 - não conseguiram desta vez marcar a diferença. Toda a equipa comandada por Cesare Prandelli parece ter entrado em campo já derrotada pelos espanhóis. Uma atitude totalmente diferente da revelada pela selecção portuguesa no desafio da meia-final. Ao contrário de Portugal, que em grande parte do encontro de 27 de Junho confinou a equipa adversária ao seu reduto, os italianos cederam todo o espaço aos homens de vermelho. Era precisamente o que os espanhóis queriam. Donos do meio-campo, retomaram o carrocel de passes que tanto gostam de cultivar e costuma produzir um efeito hipnotizante nos antagonistas.

Também ao contrário do que sucedeu com os portugueses, os italianos revelaram-se demasiado permeáveis na defesa. Acabando por sofrer golos das mais diversas formas. David Silva, com apenas 1,70m, marcou de cabeça - proeza rara na carreira deste campeão mundial e bicampeão europeu. Jordi Alba - aposta ganha por Del Bosque ao sagrar-se o melhor lateral esquerdo deste campeonato - marcou como quis, após passe magistral de Xavi. Torres saltou do banco para marcar e dar a marcar ao também suplente Juan Mata, que (com perdão do trocadilho fácil) matou o encontro. E nem foi necessário o grande Iniesta mostrar-se ao seu melhor nível para a Espanha se passear no terreno quase como se estivesse sozinha em campo. Nada a ver com o bem disputado jogo inaugural das duas selecções, ainda na fase de grupos, em que o equilibrado confronto terminou num empate.

 

Para uma equipa atingir a excelência é necessário que o todo ultrapasse a soma das partes. Espanha, uma vez mais, atingiu a excelência. E esta selecção, sendo bem real, já se tornou lenda. No final, as imagens não podiam ser mais contrastantes: espanhóis em explosões de júbilo, italianos em lágrimas. No Euro 2012, só Portugal deu verdadeira luta aos espanhóis. Apenas os penáltis nos impediram de atingir a final, onde esta fatigada Itália não constituiria obstáculo de relevo para Rui Patrício, Pepe, Moutinho, Coentrão e Ronaldo. Mas é inútil entregar-nos a exercícios de especulação. "Na guerra, o essencial não é ganhar batalhas mas a vitória", ensinou Sun Tzu. Este sábio aforismo também se aplica ao futebol.

 

Final (ontem à noite): Espanha, 4 - Itália, 0

 


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Domingo, 1 de Julho de 2012
por Pedro Correia

O presidente da FIFA lembrou-se agora de criticar o recurso aos penáltis como forma de decidir qualificações para fases seguintes de torneios ou mesmo a conquista de alguns dos mais prestigiados troféus internacionais no futebol. Salvo melhor opinião, Joseph Blatter escolheu uma péssima ocasião para o efeito. Diz ele que as grandes penalidades são "uma tragédia" e fazem perder "a essência do futebol enquanto jogo colectivo". É inaceitável que fale assim poucos dias após um dos melhores golos do Campeonato da Europa ter sido marcado precisamente de penálti, pelo excelente Andrea Pirlo, campeão do mundo em 2006, actual campeão de Itália pelas Juventus e um dos mais fantásticos jogadores do Euro 2012, que termina hoje, em Kiev, com o jogo Espanha-Itália.

 

"A arte de jogar com os pés": foi desta forma certeira que El País qualificou o talento de Pirlo, único jogador até agora eleito o melhor em campo em três partidas deste Europeu. As palavras impressas no jornal espanhol, apesar de terem sido escritas antes das declarações de Blatter, parecem ter sido especialmente dirigidas para ele: "Apesar de ser um desporto de equipa (...), o futebol exige um gesto egoísta por excelência, um momento de glória pessoal, uma jogada para a posteridade, a fim de [um jogador] passar à condição de celebridade. Não é nada simples encontrar um momento tão solene e tão íntimo sem atraiçoar a condição de futebolista solidário admirado em todo o mundo."

Pirlo teve o seu momento nesse terceiro penálti contra os ingleses que deu ânimo aos italianos e destroçou psicologicamente a equipa adversária. Segundos antes, a squadra azzurra afundava-se naquele dilacerante embate dos quartos-de-final terminado num empate nulo. Segundos antes, o guarda-redes inglês Joe Hart parecia imbatível. A grande penalidade marcada "à Panenka", que eleva um simples penálti à condição de obra de arte, virou o destino da partida e tornou Pirlo um sério candidato à Bola de Ouro de 2012 (único dos mais cobiçados troféus ainda não conquistado por este ex-campeão europeu pelo Milan que também venceu o Mundial de Clubes em 2007). Tem a certeza de que um penálti é uma tragédia, senhor Blatter?

 

Mestre da finta em espaço curto, especialista em passes longos que produzem soberbas variações de flanco, dotado de uma excepcional visão de jogo, Pirlo assume-se como comandante natural da selecção italiana - algo que falha noutras equipas. E voltou a ser fundamental na concludente vitória italiana das meias-finais contra a favorita Alemanha, conduzida à vulgaridade pelos seleccionados de Cesare Prandelli. Nesse jogo, disputado dia 28 em Varsóvia, a Itália não se limitou a ganhar: também deslumbrou pelo seu futebol inteligente e requintado. Com dois grandes golos de Balotelli, na sequência de excelentes passes de Cassano e Montolivo. E poderia ter ampliado a vantagem no festival de golos perdidos ocorrido na segunda parte, com Marchioso e Di Natale a falhar de forma tão clamorosa como Cristiano Ronaldo no último minuto da nossa meia-final disputada com os espanhóis.

Os espanhóis - que o presidente da UEFA, Michel Platini, pretendia desde o início ver na final disputada mais logo no estádio olímpico de Kiev - não terão tarefa fácil contra a equipa que mais tem corrido neste Europeu, sob arbitragem de Pedro Proença. Andrea Pirlo sabe, de facto, pensar com os pés. E consegue pôr o resto da equipa a pensar como ele.

 

Meia-final (jogada quinta-feira): Alemanha, 1 - Itália, 2


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Quarta-feira, 27 de Junho de 2012
por Pedro Correia

Pela quarta vez, Portugal atingiu as meias-finais de um Campeonato da Europeu. E pela terceira vez ficamos pelo caminho. Mas desta vez com uma satisfação suplementar em comparação com o que ocorreu em 1984 e 2000: não fomos derrotados em campo, apenas a lotaria dos penáltis nos impediu de ir à final em Kiev. Só nesse instante a Espanha, após 120 minutos de confronto aberto e tenaz em campo, se revelou superior.

Não saímos, no entanto, sem enviar outra bola ao poste. Aconteceu com Bruno Alves, ao desperdiçar na barra da baliza de Casillas uma grande penalidade. Um momento decisivo, que acabou por ditar a sorte do encontro: os espanhóis estarão presentes, já no domingo, na terceira final consecutiva de uma grande competição futebolística internacional.

Portugal sai de cabeça erguida. Com uma defesa praticamente intransponível e um meio-campo que foi subindo de rendimento de jogo para jogo, culminando no desafio de hoje em Donetsk (Ucrânia), que vulgarizou alguns dos principais talentos da selecção adversária (incluindo Xavi e Silva), impedindo a equipa treinada por Vicente del Bosque de praticar o seu habitual rendilhado em campo.

Durante uma grande parte do encontro a equipa portuguesa revelou-se mais coesa, mais homogénea: há muito que os espanhóis não pareciam tão receosos nem jogavam em terreno tão recuado.

Houve uma quebra de rendimento dos portugueses na meia hora de prolongamento contra a equipa campeã da Europa e do Mundo. Del Bosque antecipou-se ao seleccionador português nas substituições. Isso ajuda a explicar a quebra física da selecção nacional nos últimos 20 minutos de um jogo muito exigente, desde logo no plano táctico.

Ficámos por aqui. Mas o balanço é claramente positivo. Só por ignorância ou má-fé alguém pode afirmar o contrário.

 

Portugal, 0 - Espanha, 0 (2-4 nos penáltis após prolongamento)

.................................................

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Esteve a um passo de ter uma noite de glória. Ao defender o penálti de Xabí Alonso, o que nos prometia abrir caminho para a final. Não conseguiu defender mais nenhum. Mas voltou a estar em bom nível, sempre atento entre os postes. Aos 104' deteve o mais perigoso lance de ataque espanhol, que partiu dos pés de Iniesta.

 

João Pereira - Voluntarioso, muito activo, tinha uma missão particularmente difícil ao enfrentar Iniesta - o melhor dos espanhóis. Mas não se deixou intimidar, integrando-se bem na restante muralha defensiva. Ousou menos raides pelo corredor direito do que nos dois jogos anteriores, o que não surpreende atendendo ao valor da equipa adversária. Cartão amarelo aos 64'.

 

Bruno Alves - Muito duro a defender, com a solidez a que já nos habituou mas um pouco mais ríspido do que nos restantes jogos do Euro 2012. Recebeu o cartão amarelo, talvez já tardio, aos 85'. Destacado para os penáltis, partiu para a bola sem confiança, como ficou logo bem patente. De tal maneira que, numa primeira tentativa, Nani antecipou-se e decidiu ser ele a marcar.

 

Pepe - Impediu aos 28' um possível golo de Iniesta. E não falhou quando lhe coube marcar um penálti, no final. Manteve-se praticamente intransponível no comando da linha defensiva portuguesa. Cartão amarelo aos 60'.

 

Fábio Coentrão - Mais uma excelente exibição. Impediu Pedro de marcar aos 113' numa corrida desenfreada que chegou a bom termo. Venceu vários despiques com Arbeloa no corredor esquerdo português e, como é hábito, foi sempre perigoso a atacar. Cartão amarelo aos 45'.

 

Miguel Veloso - Muito eficaz em acções de contenção, soube ocupar sempre bem os espaços no terreno confiado à sua guarda. Cartão amarelo aos 90', o que levou Paulo Bento a substituí-lo por Custódio um quarto de hora depois.

 

Raul Meireles - Cumpriu, uma vez mais, o essencial da sua missão no meio-campo português. Graças a ele, em boa parte, Portugal conseguiu pressionar os espanhóis longe da nossa grande-área. À beira da exaustão, numa partida muito exigente, deu lugar a Varela aos 112'.

 

João Moutinho - O melhor português em campo, numa exibição de antologia. Foi o mais eficaz recuperador de bolas e voltaram a sair dos pés dele alguns dos passes mais perigosos da nossa selecção. Travou inúmeros lances ofensivos dos espanhóis e ganhou quase todos os duelos individuais, contribuindo em grande parte para o apagamento de Xavi. Terminou esgotado. E só foi pena ter falhado uma grande penalidade ao cair do pano.

 

Nani - Despede-se do Euro 2012 sem o golo em lance corrido que bem merecia pelo talento revelado. Mas assinou um tento de honra ao marcar o penálti final numa partida em que voltou a mostrar-se em boa forma embora algo perdulário nos últimos metros do terreno.

 

Cristiano Ronaldo - Esforçou-se muito e também ele acabou esgotado. Este não chegou a ser o jogo da vida dele, mas esteve quase a ser: Ronaldo podia ter marcado no último minuto do jogo quando se isolou à frente de Casillas, seu colega no Real Madrid e provavelmente o melhor guarda-redes do mundo. Este falhanço de algum modo prenunciou o desaire português nas meias-finais. Ronaldo desperdiçou ainda três livres durante o jogo - daqueles que não costuma falhar em Madrid.

 

Hugo Almeida - Um bom remate de longe, aos 57'. E três outros que também saíram fora. Hugo Almeida, que substituiu Helder Postiga como titular no ataque, esteve mais apagado do que se exigia numa partida em que era fundamental marcar. Mas integrou-se bem nas missões defensivas. Saiu aos 81'.

 

Nélson Oliveira - Substituiu Hugo Almeida aos 81'. Protagonizou dois ou três lances inócuos e pouco mais se viu.

 

Custódio - Entrou aos 105' para o lugar de Miguel Veloso. Tacticamente muito disciplinado. Sempre seguro.

 

Varela - Entrou só aos 112' para o lugar de Meireles. Ficou a sensação de que a equipa das quinas teria ganho se entrasse mais cedo. Teve uma boa arrancada pelo lado direito, quatro minutos depois, deixando nervosa a defesa espanhola.


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por Francisco Castelo Branco

O jogo de hoje promete entusiasmar os corações de portugueses e espanhóis. O desafio relativo à primeira Meia Final do Euro 2012 é muito mais do que um simples jogo de futebol, dadas as circunstâncias actuais. Para além da vertente desportiva, este Portugal - Espanha tem um lado político interessante de analisar.

Os dois países estão com uma crise financeira grave provocada por anos de governação socialista. Tanto Portugal como Espanha jogam agora no flanco direito depois da lateral esquerda não ter tido sucesso. Com Passos Coelho e Mariano Rajoy a ser protagonistas, não de um confronto individual, mas de uma tarefa hérculea para evitar uma bancarrota. Portugal há muito que pediu ajuda ao FMI e a Espanha fê-lo há pouco tempo. No entanto, também na política, nuestros hermanos são tratados de maneira diferente em relação ao nosso país. Enquanto por cá andamos a fazer sacrificios, os espanhóis não terão medidas de austeridade. Esperemos que o árbitro do jogo de logo à noite, o turco Cakir, não seja como o FMI inclinando o campo para o lado espanhol. As desconfianças da nossa selecção têm razão de ser, tanto no campo da economia como no futebol. No entanto, o esforço dos portugueses, sejam ou não futebolistas, tem de ser superior a qualquer tentativa de favorecer os outros. Há que entrar em campo para ganhar.

Hoje, quem perder no Estádio do Shaktar será o segundo país em entrar em bancarrota. A Grécia, goleada pela Alemanha nos Quartos-de-Final, teve o seu destino traçado perante o olhar de Angela Merkel. E hoje, por quem torce a chanceler alemâ?

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por Pedro Correia

 

Lembram-se daquele golo de Cristiano Ronaldo no jogo "amigável" contra Espanha, em Novembro de 2010? Portugal ganhou 4-0, mas houve mais um golo, em condições regulares, muito mal anulado pelo árbitro. Cristiano, de um ângulo quase impossível, chuta no flanco esquerdo da grande área, já muito próximo da linha de baliza, picando a bola que sobrevoa a defesa espanhola e entra na baliza. Nani, que estava em posição de fora-de-jogo, ainda toca na bola, mas já dentro da baliza. Golo invalidado, mesmo assim. Cristiano, numa fúria momentânea, arranca a braçadeira de capitão e atira-a ao relvado. "Os meus melhores golos acabam sempre por ser anulados", desabafaria depois.

Este episódio demonstrou, a quem ainda duvidava, que o melhor jogador da Europa - e única estrela com prestígio mundial presente no Euro 2012 - detesta perder. Mesmo a feijões, como era o caso. É deste Cristiano Ronaldo que precisamos, mais logo, para derrotar os espanhóis - agora num jogo a sério. O Cristiano que detesta perder. O Cristiano que tem a certeza antecipada de ser superior a qualquer adversário (sim, isto inclui o Messi). O Cristiano que já provou o que havia a provar dentro das quatro linhas em termos clubísticos ao sagrar-se campeão pelo Manchester United e pelo Real Madrid.

Mas o Real e o United são tão grandes que qualquer dos seus jogadores se arrisca ali a ser campeão. Aos 27 anos, Cristiano Ronaldo já conquistou quase tudo quanto havia para conquistar. Falta-lhe ainda, no entanto, superar com êxito uma prova futebolística. Ao nível da selecção nacional, nunca ganhou nada. E quer ganhar.

Contra os espanhóis, no jogo de logo, tem uma motivação extra. Porque a Espanha do futebol, como sucede em tudo, está dividida: metade idolatra Cristiano, a outra metade detesta-o e grita "Messi" à sua passagem. Cristiano Ronaldo, ao contrário do que acontece com muitos portugueses, encara cada insulto e cada vaia como um incentivo e um teste suplementar à sua comprovada capacidade de transcender todos os obstáculos.

Dizia ontem o seleccionador espanhol, com manifesto exagero, que este será "o jogo da vida" dos seus jogadores. Não é verdade. Iniesta, Piqué, Silva, Casillas, Ramos e Javí são campeões do mundo. E já se sagraram campeões da Europa há quatro anos. Para eles, este será apenas mais um jogo muito importante. O Portugal-Espanha de hoje será, isso sim, o jogo da vida de Cristiano Ronaldo. O jogo do tudo-ou-nada. O jogo do é-agora-ou-nunca. O miúdo que nasceu numa família muito humilde do Funchal, que se fez atleta e homem na academia do Sporting e ganhou projecção mundial em Old Trafford e no Santiago Bernabéu precisa deste Europeu no seu currículo. E fará tudo para conquistá-lo. Os espanhóis, que o conhecem bem, sentem isso. E não escondem o receio.

Força, Cristiano. Tens um país inteiro a puxar por ti. E até aqueles que do lado de cá te invejam, e que não suportam o teu sucesso, anseiam logo à noite por um golo teu. Para poderem gritar a plenos pulmões: "Ganhámos!"

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Segunda-feira, 25 de Junho de 2012
por Pedro Correia

Podemos dizer, sem favor, que as quatro selecções qualificadas para as meias-finais foram as melhores deste Euro 2012. O que já constitui uma vitória para Portugal. Desde logo, uma vitória contra as aves agoirentas: basta dizer que ainda há seis dias - repito: seis dias - um dos principais comentadores televisivos, recordista do tempo de antena, acusava Paulo Bento de dividir os portugueses e de procurar silenciar as vozes críticas como sucedia "no tempo da Outra Senhora". Se o disparate matasse, este loquaz comentador já tinha caído fulminado durante uma das suas intermináveis prelecções...

 

A República Checa, que eliminámos nos quartos-de-final, merecia ter seguido em frente? Óbvio que não. Pelos motivos que enumerei aqui.

A Grécia mostrou-se capaz de prosseguir na competição? Lamento, mas a resposta é negativa. A Alemanha venceu e convenceu no desafio contra a selecção comandada por Fernando Santos. Por mais que custe reconhecer isto, para evitar dar novas alegrias a Angela Merkel, os alemães são os mais sérios candidatos à conquista do Europeu, como têm demonstrado em campo: até ao momento, a única equipa que só conta com vitórias é a germânica.

 

E a França? Nem é bom falar dos gauleses, eliminados anteontem pelos espanhóis numa partida em que confirmaram estarem demasiado longe os tempos heróicos de Platini e Zidane, já depois de terem levado 0-2 dos suecos. Benzema, a grande vedeta da equipa, despediu-se do Euro 2012 sem ter marcado um golito (ele que marcou 31, na última época, ao serviço do Real Madrid). Quezilentos, divididos, sem categoria nem amor à camisola, pareceram mais apostados em triunfar no campeonato da indisciplina. Nasri insultou jornalistas, Ben Arfa ameaçou ir-se embora se não jogasse. E acabou por partir mesmo - ele e os outros. Sem deixarem saudades.

 

E os ingleses? A selecção do reino de Sua Majestade mostrou-se irreconhecível. Chegou aos quartos-de-final com uma ajuda da equipa de arbitragem no jogo contra a Ucrânia. No decisivo encontro contra os italianos, que fizeram 25 remates, os ingleses limitaram-se a rematar nove vezes e a ter 40% de posse bola. Sem um goleador digno desse nome, levaram um banho de bola no desafio de ontem em Kiev. Com Montolivo em grande nível, Buffon a travar um penálti marcado por Ashley Cole e Andrea Pirlo a confirmar que continua a ser um dos melhores jogadores do mundo. A squadra azzurra só passou no desempate por penáltis após um jogo que terminou empatado a zero (único até agora com esse resultado). Mas mostrou talento suficiente para prosseguir. Ao contrário dos ingleses.

 

Quartos-de-final:

Espanha, 2 - França, 0

Inglaterra, 0 - Itália, 0 (2-4 no desempate por penáltis)


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Domingo, 24 de Junho de 2012
por Pedro Correia

No campeonato da cobertura do Euro 2012 pelas televisões portuguesas é já possível dizer que a equipa campeã é a da RTP. Com as melhores reportagens, as melhores peças de bastidores, as melhores análises, os melhores comentadores. Sempre num tom afável, empático, coloquial. Sem recorrer ao execrável futebolês que chegou a estar em voga noutras fases finais de grandes competições futebolísticas pela voz de protagonistas que desta vez rumaram a outras paragens.

Fica aqui o merecido elogio à equipa da televisão pública, que inclui António Esteves como pivô, Hugo Gilberto como repórter na Ucrânia, Helder Conduto como narrador dos jogos, Álvaro Costa com as suas divertidas "janelas digitais" e um naipe de comentadores de luxo dos quais destaco António Tadeia, Bruno Prata e o multifacetado Carlos Daniel. Comentadores que gostam de futebol, percebem de futebol e sabem transmitir em português fluente os seus conhecimentos aos telespectadores que têm acompanhado este Europeu com crescente expectativa. As entrevistas exclusivas a Fernando Santos (por telemóvel, ainda no autocarro da comitiva grega, logo após a vitória contra a Rússia) e Pepe foram exemplos de peças que merecem aplauso.

No jornalismo também é possível marcar golos. A RTP tem provado isso.


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Sábado, 23 de Junho de 2012
por Rodrigo Saraiva

a pedido do Carlos Vaz Marques e do Pedro Mamede, aqui, eis ...

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por jfd

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Sexta-feira, 22 de Junho de 2012
por Pedro Correia

Espero que o Alexandre Poço prossiga a sua oportuna série sobre os melhores golos deste Campeonato da Europa. Até porque golos não têm faltado: foram marcados 60 na fase de grupos, 17 dos quais de cabeça (28% do total).

A média é razoável: 2,5 golos por jogo. E alguns têm sido extraordinários. Como este, do sueco Ibrahimovic, talvez o mais sério candidato ao melhor do torneio. Também gostei muito dos golos de Fernando Torres e David Silva contra a Irlanda. E do segundo do nosso Cristiano Ronaldo contra a Holanda. E - devo reconhecer - igualmente dos que nos foram marcados pelo alemão Mario Gómez e pelo holandês Rafael van der Vaart.

 

Um dos melhores surgiu hoje, num encontro rodeado de muita expectativa: o Alemanha-Grécia, disputado em Gdansk (Polónia). Entre assobios dos adeptos gregos cada vez que os jogadores comandados por Joachim Löw tocavam na bola e o entusiasmo da chanceler Angela Merkel, que fez questão de estar presente, ao lado do presidente da UEFA, Michel Platini, quase tão germanófilo em matéria futebolística como ela. Os gregos, treinados por Fernando Santos, adoptaram a táctica do ferrolho, tentando cortar todas as vias do acesso alemão à sua grande área. Era uma estratégia condenada ao fracasso, como se antevia desde o minuto inicial. Faltava apenas saber em que circunstância exacta os alemães atingiriam com sucesso as redes gregas.

Aconteceu, iam decorridos 39 minutos, com um disparo do capitão germânico, Philipp Lahm. Um defesa, com apenas 1,70m de altura, mas dotado de tenacidade suficiente para quebrar a muralha helénica, mais frágil do que parecia.

Ao intervalo, 1-0: resultado lisonjeiro para a selecção grega, de qualidade muito inferior ao do conjunto alemão, onde pontificam vedetas de nível mundial como Özil e Schweinsteiger (este hoje muito perdulário nos passes). E aos 54', contra a corrente, a Grécia empatou num rápido contra-ataque na ala direita conduzido por Salpingidis, que fez um passe milimétrico para o golo de Samaras.

 

A euforia grega durou sete minutos exactos. Até ao fantástico disparo de Khedira, que recebeu a bola e a rematou com artes de matador sem a deixar cair no chão. Outro golo desde já candidato ao melhor do Euro 2012.

Angela Merkel, muito focada pelas câmaras polacas, teve ocasião de dar saltos de júbilo em duas outras ocasiões, quando Miroslav Klose e Marco Reus ampliaram a vantagem. Salpingidis, no penúltimo minuto do encontro, ainda reduziu, de penálti. Mas era já tarde para o resgate grego. Os dados estavam lançados.

Muito se tem falado numa Europa a duas velocidades. Isso também sucede no futebol, espelho da vida. Como o jogo de hoje confirmou.

 

Alemanha, 4 - Grécia, 2


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Quinta-feira, 21 de Junho de 2012
por Pedro Correia

Vinte remates portugueses à baliza de Petr Cech e apenas dois remates checos à baliza de Rui Patrício. Esta estatística diz quase tudo sobre o jogo dos quartos-de-final disputado hoje no Estádio Nacional em Varsóvia: ataque continuado dos portugueses, que dominaram toda a segunda parte com clara superioridade técnica e técnica sobre a selecção checa, campeã das faltas neste Europeu. Só houve equilíbrio entre as duas equipas nos primeiros 20 minutos do encontro, disputado num relvado em péssimo estado - algo indigno de uma competição de alto nível como o Euro 2012 é.

Os checos, apesar de terem descansado mais 24 horas dos que os portugueses, mostraram condição física muito inferior. E nunca revelaram soluções tácticas para romper a muralha defensiva portuguesa. À medida que a selecção de Paulo Bento ia progredindo no terreno, tornava-se evidente qual era a selecção que passaria às meias-finais. Só faltava afinar a pontaria à frente: Cristiano Ronaldo, repetindo o que já sucedera contra a Holanda, voltou a rematar duas vezes ao poste.

Mas tantas oportunidades teriam forçosamente de se concretizar num golo, aliás só adiado por mérito de Cech. Aconteceu aos 78', novamente com a assinatura de Ronaldo - de longe o melhor em campo, tal como acontecera no jogo anterior. Agora há que preparar o próximo confronto, com a Espanha ou a França - antecipadamente convictos que todos os cenários são possíveis. Paulo Bento e os seus jogadores têm o direito de sonhar com o título europeu. E até hoje não vi neste Europeu nenhuma equipa que o merecesse tanto.

 

Portugal, 1 - República Checa, 0

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Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Acabou por ter menos trabalho do que se pensaria. Mas quando foi chamado a intervir voltou a revelar a segurança já exibida nos jogos anteriores.

 

João Pereira - Outra partida em bom nível, reeditando a exibição contra os holandeses. Venceu no confronto directo com Pilar, que era apontado como o mais perigoso dos checos. E apoiou com frequência o ataque português. Fez um remate aos 82', só travado por uma defesa difícil de Cech para canto.

 

Bruno Alves - Voltou a formar com Pepe a "dupla de betão" na defesa portuguesa que tem vindo a ser elogiada pela imprensa internacional. E, sempre que houve oportunidade, foi à baliza checa para tentar um golo de cabeça. Uma actuação sem erros.

 

Pepe - Seguro, sereno e sólido. É um sério candidato a melhor defesa central deste Europeu.

 

Fábio Coentrão - Voltou a movimentar-se muito bem no seu corredor. Partiu dele o primeiro sinal de perigo da nossa selecção, com duas grandes arrancadas, aos 23' e 24'. Nunca deixou de apoiar as linhas ofensivas, ganhando praticamente todos os confrontos individuais com os checos.

 

Miguel Veloso - Um pouco mais discreto do que em jogos anteriores, continuou a ser muito influente como médio defensivo. Recebeu um cartão amarelo, talvez escusado, aos 24'.

 

Raul Meireles - Foi a sua melhor partida neste Europeu. Ajudou a fechar o flanco esquerdo com eficácia, facilitando os raides de Coentrão. Sempre com grande disciplina táctica. Perdeu uma excelente oportunidade para marcar: Ronaldo ofereceu-lhe um golo. Retribuiu logo a seguir com um grande passe para Nani. Substituído aos 88'.

 

João Moutinho - Incansável no comando do meio-campo português. Sempre muito vigiado por Plasil, foi-se libertando com sucesso da marcação. À medida que a partida se desenrolava, ia consolidando mais uma grande exibição, coroada com um fortíssimo remate que Cech defendeu com dificuldade (63') e com o soberbo passe junto à linha, do lado direito, que resultou no golo.

 

Nani - Continua a ser um dos portugueses mais influentes. Só lhe falta assinar um golo para confirmar a sua grande prestação neste Europeu. Na primeira parte, esteve mais nervoso do que é costume, acabando por receber um cartão amarelo (24'). Fez um grande passe para Hugo Almeida e merecia ter marcado aos 74'. Saiu aos 88', justamente aplaudido.

 

Cristiano Ronaldo - Muito marcado na primeira parte, sobretudo por Jiracek, foi-se soltando e acabou por fazer outra partida de grande nível, revelando-se o melhor jogador em campo. Não só pelo golo de cabeça aos 78', mas pelas duas bolas que rematou ao poste (e vão quatro neste Europeu) e pela atitude combativa que soube mostrar do princípio ao fim.

 

Helder Postiga - Saiu aos 39', com uma lesão muscular, dando lugar a Hugo Almeida. Jogou apenas no período menos exuberante da selecção portuguesa, sem oportunidade para demonstrar nada de especial.

 

Hugo Almeida - Mais dinâmico do que Postiga, manteve os defesas centrais checos sempre alerta. Chegou a marcar, aos 58', mas estava fora de jogo. No lance do golo, intervém com uma simulação sem bola que confundiu Cech e abriu caminho ao disparo vitorioso de Ronaldo.

 

Custódio - Entrou aos 83' para o lugar de Raul Meireles numa fase em que a selecção nacional praticava um jogo de maior contenção. Tacticamente muito disciplinado.

 

Rolando - Substituiu Nani aos 88'.

 


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por Francisca Prieto

Chateia-me esta dificuldade de fazer inversão de marcha a meio de um jogo de futebol. Chego a meio da segunda parte e percebo que estou a torcer pela equipa errada. Raios.


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Segunda-feira, 18 de Junho de 2012
por Pedro Correia

Dois jogos pouco inspirados esta noite, com arbitragens de péssima qualidade. Itália e Espanha qualificaram-se para os quartos-de-final do Europeu derrotando respectivamente a frágil Irlanda (2-0) e a infeliz Croácia (1-0). A manchete da Marca, na sua versão digital, diz quase tudo, naquele exagerado tom nacionalista tipicamente castelhano: «Sofremos como nunca, ganhámos como sempre».

Os espanhóis sofreram, sim. Apesar de contarem com o inesperado beneplácito do presidente da UEFA, Michel Platini, que abdicou do seu elementar dever de isenção para exprimir o desejo de uma final Alemanha-Espanha e lamentar que os portugueses tenham eliminado a selecção holandesa. Apesar de terem aquele que é provavelmente o melhor conjunto nesta fase final do Euro-2012. Ambas as partidas de hoje comprovam duas coisas: a partir de agora qualquer adversário estará ao alcance da nossa selecção; o Portugal-Holanda de ontem foi um jogo de grande qualidade, digno de uma competição desportiva de alto nível e muito superior aos que acabaram de ser disputados.

No fundo, algo que deveria fazer meditar todos aqueles que têm estado na primeira linha das críticas à selecção nacional. Comentadores como Rui Santos, que na SIC Notícias continua a destacar-se na utilização dos chavões que já trazia preparados antes do pontapé de saída do Euro 2012. Com frases como estas: "Nós não temos uma grande selecção" (10 de Junho); "Nós não temos uma dimensão de grande equipa"; "Nós já tivemos melhores selecções nos últimos anos"; "Sobretudo ao nível do meio-campo, há muito tempo que não tínhamos tanta falta de bons jogadores" (13 de Junho); "O grupo não é muito homogéneo do ponto de vista qualitativo"; "Esta selecção não tem o potencial que outras selecções já tiveram"; "Temos uma boa selecção, não temos uma extraordinária selecção" (17 de Junho).

Uma coisa há que reconhecer: ele é coerente. Critica a selecção quando perde, mas também quando ganha e quando volta a ganhar. Criticou Paulo Bento contra a Alemanha (0-1): "Portugal tinha boa táctica, mas errou na estratégia". E contra a Dinamarca (3-2): "Neste jogo com a Dinamarca estivemos à beira do colapso". E até contra a Holanda (2-1): "Há um certo deslumbramento do Paulo Bento nos momentos em que ganha." Esquecendo já os desbragados elogios que tributou a Carlos Queiroz antes, durante e depois do Mundial de 2010.

Azar do Paulo. Por não se chamar Queiroz.


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Domingo, 17 de Junho de 2012
por Pedro Correia

É uma péssima noite para os Velhos do Restelo, que já salivavam na perspectiva de um afastamento da selecção portuguesa do Europeu. Para azar deles, Portugal segue em frente. Com uma merecida vitória sobre a Holanda, equipa que é vice-campeã mundial mas que nada fez na Ucrânia para confirmar este estatuto. E com dois golos marcados pelo nosso melhor jogador: Cristiano Ronaldo surgiu finalmente nesta fase final do Euro 2012, em Carcóvia (Ucrânia), ao seu melhor nível. Bisou no marcador, rematou outras duas vezes ao poste e ainda deu mais alguns possíveis golos a marcar aos colegas, designadamente a Nani e Fábio Coentrão.

Muito melhor do que no jogo contra a Alemanha, ainda melhor do que no jogo contra a Dinamarca, Portugal fez aquilo se impunha a partir do primeiro quarto de hora. Pressionou os holandeses, revelou-se um conjunto muito mais coeso e eficaz, não se deixou fragilizar perante o golo inicial dos adversários e viu Cristiano Ronaldo - de longe o melhor jogador em campo - recuperar o estatuto que lhe cabe com todo o mérito: o de única vedeta com fama mundial a jogar neste Campeonato da Europa de futebol. Para frustração das cassandras cá do burgo, algumas das quais até foram exigindo ao longo de toda a semana que Paulo Bento lhe retirasse a braçadeira de capitão.

Tiveram uma péssima noite, essas cassandras que torciam pela supremacia de jogadores como Van Persie e Sneidjer, totalmente vulgarizados pelos portugueses. Bem as vi, há pouco, na televisão: olhando para aqueles semblantes fechados, mais parecia que estavam num velório. Azar delas: enquanto fazem má cara, Portugal festeja.

 

Holanda, 1 - Portugal, 2

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Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Sofreu um grande golo de Van der Vaart logo aos 11'. Um golo indefensável mas que não teve sequência: o nosso guarda-redes voltou a ser sempre muito seguro. É, sem dúvida, um dos bastiões da equipa nacional.

 

João Pereira - Sem dúvida a sua melhor partida até agora. O seu passe exímio para o golo de Cristiano Ronaldo, aos 28', merece ser visto e revisto vezes sem conta nas academias de formação de jogadores. Por ser um exemplo de talento e classe. Muito determinado, avançou mais no terreno do que nos desafios contra a Alemanha e a Dinamarca. Recebeu um cartão amarelo já no período suplementar da segunda parte.

 

Bruno Alves - Parece crescer de jogo para jogo, tornando-se cada vez mais influente. Forma com Pepe uma parceria sólida na defesa portuguesa. Confere muita segurança à selecção. Ontem desarmou sucessivos lances da linha atacante holandesa. E não hesitou, ocasionalmente, em apoiar os colegas da linha da frente.

 

Pepe - O defesa do Real Madrid é um dos melhores jogadores na sua posição ao nível europeu, como esta competição tem confirmado. Um pouco mais contido do que nos jogos anteriores, nem por isso foi menos eficaz. Combinou muito bem os lances com Bruno Alves. E foi praticamente intransponível perante os vice-campeões do mundo.

 

Fábio Coentrão - Voltou ao excelente nível demonstrado na partida contra a Alemanha: sucessivas incursões em grande velocidade pelo corredor esquerdo, em apoio continuado aos avançados, ajudaram a sacudir a pressão holandesa. Robben, que fez grande parte do jogo neste seu flanco, foi neutralizado - numa espécie de vingança do recente encontro entre o Bayern de Munique e o Real Madrid, em que o holandês foi superior. Coentrão quase marcou, a passe de Cristiano Ronaldo, aos 65'. Teria merecido esse golo, evitado a custo pelo guardião Stekelenburg.

 

Miguel Veloso - O médio do Génova voltou a jogar muito concentrado, confirmando-se como um dos esteios da selecção. Excelente distribuidor de jogo, muito certeiro no passe. Marcou um grande livre aos 37'. Revela-se cada vez mais influente. É um titular indiscutível.

 

Raul Meireles - Voltou a ter um rendimento irregular, voltou a falhar mais passes do que é seu hábito. Dá a sensação de que se encontra em deficiente condição física. Foi substituído aos 71', visivelmente esgotado.

 

João Moutinho - Enorme no meio-campo português. Teve influência directa no segundo golo. Jogou e fez jogar em quase todo o terreno apesar da intensa placagem a que foi sujeito. É o melhor marcador de cantos da selecção. Quase todos os ataques mais perigosos de Portugal partiram dos pés dele.

 

Nani - Só lhe faltou um golo, que aliás merecia, para justificar nota máxima. Pena ter falhado aos 71', a passe de Cristiano, quando tinha apenas o guardião holandês à sua frente. Mas Nani soube retribuir dois minutos depois, com um soberbo passe de que resultou o segundo golo do número 7 da selecção. Incansável a percorrer o corredor direito, soube integrar-se também em missões defensivas. Dando aos holandeses - quem diria? - uma lição do que na década de 70 se chamava "futebol total". Saiu, cansado mas satisfeito, aos 86'.

 

Cristiano Ronaldo - Marcou dois golos, aos 28' e aos 73'. E rematou duas vezes ao poste, aos 15' e aos 89'. Estatísticas que servem para confirmar o que foi a prestação de Ronaldo neste jogo: excelente, em todo o campo e durante o tempo todo. Demonstrando ser indiferente às críticas que muitos treinadores de bancada - e alguns pretensos experts na matéria - lhe foram dirigindo ao longo da semana. Marca pela primeira vez no Euro 2012 depois de ter marcado nos Europeus de 2004 e 2008, além dos golos que também concretizou nos Mundiais de 2006 e 2010. Uma proeza inédita para um português. E rara mesmo a nível internacional. A propósito: alguém aí falou em Messi?

 

Helder Postiga - Movimentou-se bem na área holandesa, mas voltou a desperdiçar oportunidades que não devem ser perdidas em jogos de alta competição. Falhou um golo aos 17' em cima da baliza adversária. Saiu de campo aos 63', desta vez sem marcar.

 

Nélson Oliveira - O mais jovem elemento da selecção, único jogador de campo do Benfica no onze nacional, voltou a substituir Postiga ao minuto canónico, o 63. E, tal como ele, movimentou-se razoavelmente mas ficou em branco. O melhor que fez foi um remate para defesa fácil do guarda-redes aos 79'.

 

Custódio - Entrou aos 71' para o lugar de Raul Meireles numa fase em que a selecção nacional praticava um jogo de maior contenção, com prioridade total para a retenção de bola. Contribuiu na hora exacta para refrescar o meio-campo português, travando os ímpetos ofensivos holandeses.

 

Rolando - Substituiu Nani aos 86'. Mal teve tempo para revelar a sua utilidade no reforço da estrutura defensiva portuguesa.


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Sábado, 16 de Junho de 2012
por Pedro Correia

Portugal ainda tem de aguardar mais um dia para saber se a selecção nacional transita para os quartos-de-final do Europeu. Mas há já um português qualificado para a etapa seguinte do Euro 2012: Fernando Santos, seleccionador grego, que viu há pouco os seus jogadores derrotarem a Rússia. Pela margem mínima, é certo. E com muito nervosismo, aliás compreensível. Mas a verdade é que a Grécia - dirigida pelo técnico português - contrariou os prognósticos de vários "especialistas" em futebol e segue em frente na competição. Tal como a República Checa, que hoje derrotou a Polónia também por 1-0 debaixo de chuva torrencial (as condições climatéricas têm-se agravado neste Europeu, de dia para dia). Bem advertia, à cautela, Luís Freitas Lobo - um dos que apostaram na passagem dos russos à fase seguinte - que "com a Grécia tudo é possível". Jogadores gregos comandados por um treinador português: eis um cocktail capaz de contrariar todos os vaticínios.

Esta vitória ocorre num momento muito especial. A escassas horas de os eleitores gregos voltarem às urnas, depois do impasse registado nas legislativas de 6 de Maio, para escolherem uma nova maioria política capaz de gerir os destinos do país. Uma eleição em que se joga não só o futuro grego mas igualmente as encruzilhadas do euro. O outro, que nada tem a ver com futebol. Com um prognóstico muito mais incerto do que o desfecho do Grécia-Rússia.


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Quinta-feira, 14 de Junho de 2012
por Pedro Correia

Ia decorrido o minuto 49 quando aconteceu um golo monumental, daqueles que nos ficarão para sempre na memória, durante o jogo Espanha-Irlanda, disputado hoje debaixo de chuva em Gdansk (Polónia).

Foi um golo invulgar, mas que ilustra de forma exemplar a indiscutível superioridade espanhola num encontro em que os irlandeses sofreram aquela que foi até agora a mais copiosa derrota deste Campeonato da Europa. David Silva recebeu a bola na grande área irlandesa. Tinha à sua frente três defesas que neutralizou com uma simulação perfeita, como se tivesse ao seu dispor todo o tempo do mundo: bastou-lhe uma simples troca de pés, passando a bola do direito para o esquerdo, com o qual rematou - pouca força, muito jeito - sem hipóteses para o guardião Shay Given, que nunca imaginou um desfecho destes.

Sem golos o futebol não chega a ser uma festa. Disso não se podem queixar todos quantos viram este encontro, onde a superioridade espanhola foi quase escandalosa. Se os bons lances de futebol fossem acompanhados por música, como acontece nas touradas, mais de metade da partida teria ocorrido ao som estridente dos pasodobles, com o carrocel catalão e castelhano a provocar vertigens aos verdes devotos de São Patrício.

De vez em quando as câmaras focavam o rosto do seleccionador da Irlanda: Giovanni Trapattoni, bem conhecido dos portugueses, era a imagem personificada da impotência táctica perante a equipa que ostenta justamente os títulos de campeã da Europa e campeã do Mundo. Com cerca de dois terços de posse de bola em tempo útil, nuestros hermanos confirmaram hoje que são sérios candidatos à revalidação do título. E ninguém personificava melhor isso do que Andrés Iniesta. Fala-se muito em Lionel Messi (por bons motivos), tem-se falado também muito em Cristiano Ronaldo (por motivos menos bons), mas pouco se fala deste genial médio catalão de 28 anos que constrói jogadas impossíveis e oferece aos colegas semigolos servidos em bandeja de ouro.

Reparem em Iniesta enquanto joga: os olhos dele nunca deixam de acompanhar a circulação da bola. Como se sofresse quando não a tem e se transfigurasse sempre que a possui.

"Quem quer ver espectáculo, vá ao Scala de Milão", costuma dizer Trapattoni. Erro crasso: hoje houve espectáculo em Gdansk. No relvado, onde os espanhóis imperaram. E nas bancadas, dominadas pelos fãs irlandeses. Que nunca deixaram de vibrar do primeiro ao último minuto. Como se tivessem uma hipótese remota de ganhar quando estavam condenados a uma derrota inapelável.

 

Espanha, 4 - Irlanda, 0

 


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Quarta-feira, 13 de Junho de 2012
por Pedro Correia

Finalmente, voltaram os golos. Sem sequer necessitarmos do contributo de Cristiano Ronaldo. E numa partida em que não podíamos perder: Portugal enfrentou hoje com êxito a Dinamarca, que vinha moralizada de uma vitória contra a Holanda, marcando três excelentes golos. Aos 37 minutos, a equipa nacional já vencia por 2-0 no Arena Lviv (Ucrânia). Uma quebra de rendimento no início da segunda parte permitiu aos dinamarqueses empatar a partida, mas a vontade de vencer dos jogadores comandados por Paulo Bento ditou o rumo dos acontecimentos. E desta vez ninguém pode queixar-se de azar.

Portugal foi superior. Não devido ao factor sorte, mas devido ao factor competência. Do ponto de vista táctico e do ponto de vista técnico. A selecção demonstrou grande maturidade, física e psicológica. Superou algumas debilidades reveladas no jogo contra a Alemanha com um notável esforço colectivo. E deu-se até ao luxo de falhar duas outras soberbas oportunidades de golo, protagonizadas por um Ronaldo muito abaixo do seu rendimento habitual.

O seleccionador nacional confirmou ter fibra de líder ao recusar as intensas pressões mediáticas dos últimos dias para retirar Helder Postiga do onze titular e fazê-lo substituir pelo jovem Nélson Oliveira. Postiga, autor do segundo golo, justificou a confiança que o seleccionador nele depositou. A equipa entrará em campo no próximo domingo, contra a Holanda, muito mais moralizada com esta vitória, inteiramente merecida e justamente festejada. As bandeiras de Portugal vão regressar às varandas, não duvido.

 

Dinamarca, 2 - Portugal, 3

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Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Voltou a ser um bastião da equipa, com defesas seguras e grande personalidade entre os postes. Sem culpas nos golos dinamarqueses.

 

João Pereira - Melhor do que no jogo anterior, contra a Alemanha. Arriscou mais incursões pelo seu flanco e chegou a fazer um centro bem medido aos 52'. Perdeu no entanto o confronto individual com Krohn-Dehli na jogada que viria a gerar o primeiro golo dinamarquês.

 

Bruno Alves - Concentrado, seguro, eficaz. Continua exímio na arte de desarmar os adversários sem necessidade de recorrer a faltas. E voltou a ajudar o ataque português nos lances de bola parada, aproveitando a sua elevada estatura. Deixou Bendtner movimentar-se na grande área e marcar o primeiro golo dinamarquês: foi praticamente a sua única falha durante o encontro.

 

Pepe - Uma grande partida do central do Real Madrid, coroada no magnífico golo que marcou aos 24', de cabeça, elevando-se junto ao primeiro poste com a defesa dinamarquesa batida. Pôde assim vingar-se daquele seu remate à barra que só não chegou a ser golo por centímetros na partida contra os alemães. Foi, logo de início, o português que ganhou mais lances individuais. E manteve-se em excelente nível durante quase todo o encontro, só não conseguindo travar Bendtner na marcação do segundo golo dinamarquês, aos 79'.

 

Fábio Coentrão - Muito mais contido do que no jogo anterior, obedecendo provavelmente a indicações do técnico. O meio-campo português ressentiu-se disso. Na segunda parte perdeu alguns duelos individuais com o recém-entrado Mikkelsen, que mostrou muito melhor condição física do que Rommedahl como extremo-direito dinamarquês.

 

Miguel Veloso - O médio do Génova voltou a jogar muito concentrado, dando um contributo decisivo para anular os lances ofensivos da Dinamarca. Marcou aos 56' um excelente livre que o guardião dinamarquês defendeu com dificuldade.

 

Raul Meireles - Com uma exibição irregular, ressentiu-se do cartão amarelo que lhe foi mostrado pelo árbitro britânico logo aos 28', por travar com a mão um ataque perigoso da equipa adversária. Esta jogada, em que arriscou uma expulsão, parece ter inibido o médio do Chelsea, que hoje falhou mais passes do que é seu hábito. Muito desgastado fisicamente, foi substituído aos 83' por Varela.

 

João Moutinho - O melhor médio português, com missões constantes no corredor esquerdo e no próprio centro do terreno em apoio permanente à linha avançada. Marcou de forma exímia o canto que esteve na origem do primeiro golo português.

 

Nani - Voltou a ser o melhor português em campo, faltando-lhe apenas um golo para chegar perto da perfeição. Nunca quebrou animicamente, ao contrário de Ronaldo, e protagonizou algumas das jogadas mais acutilantes da selecção. Aos 36', fez uma assistência excelente para Helder Postiga e daí surgiu o segundo golo português. Outro passe de elevado nível para Cristiano Ronaldo, aos 49', poderia ter igualmente resultado em golo. Arrancou um cartão amarelo a Poulsen aos 55'.

 

Cristiano Ronaldo - Voltou a ser muito marcado, como já se esperava, mas desta vez só pode queixar-se dele próprio: esteve duas vezes isolado perante o guarda-redes da Dinamarca, aos 49' e aos 77', e falhou escandalosamente o golo em ambas as ocasiões. Recebeu um cartão amarelo à beira do fim do jogo.

 

Helder Postiga - Mereceu ter recebido a confiança do seleccionador. Marcou o segundo golo português, aos 36', e mostrou sempre grande dinamismo na linha avançada portuguesa. Rendido aos 63' por Nélson Oliveira.

 

Nélson Oliveira - O mais jovem elemento da selecção, único jogador de campo do Benfica no onze nacional, continua a ser levado em ombros pela imprensa desportiva portuguesa. Mas parece ainda demasiado imaturo para desafios de grande responsabilidade, ao nível da fase final de um Europeu. Entrou para o lugar de Postiga, mas não pode dizer-se que o substituiu com vantagem.

 

Varela - Substituiu Meireles, tal como sucedera contra a Alemanha. Aos 83'. Mas desta vez não falhou: quatro minutos depois de entrar, marcou o terceiro - e decisivo - golo de Portugal quando já quase todos aguardavam o empate.


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Segunda-feira, 11 de Junho de 2012
por Rui C Pinto

Falo, naturalmente, do périplo português pelo Euro2012. 

 

Vi partir a selecção com poucas expectativas. Continuo com poucas expectativas. A qualidade desta selecção está longe de entusiasmar e todos sabemos que apenas um rasgo de sorte poderia arrancar um desfecho surpreendente. Porém, tal como todos os jogadores em competição têm repetido nas conferências de imprensa, tem faltado sorte... Leva-me a crer que o regresso estará para breve. 

 

Ora, as baixas expectativas previnem a desilusão enquanto adepto. Porém, as infelizes declarações e atitudes dos atletas na última semana desiludem-me enquanto português. Não gosto de me ver representado por um grupo de jovens celebridades dando provas de pouco profissionalismo, ainda menos inteligência e inexistente humildade. Ouvi hoje o Nani desculpar-se da ineficácia do ataque da selecção com a falta de sorte. Imagino que recorra frequentemente a esse argumento na sua vida profissional quando, nos clubes por onde já jogou, foi chamado a justificar o seu salário milionário. Depois, ouvi-o queixar-se das críticas dos portugueses, subvalorizando a festa e emoção de milhões de portugueses perante as críticas de meia dúzia de comentadores ou outros agentes do business. Por último, não foi capaz de citar o nome de um jogador dinamarquês, demonstrando uma clara falta de preparação. 

 

Resta-me, portanto, esperar pelos Jogos Olímpicos para torcer pelos atletas portugueses. É certo que não nos trazem muitas medalhas, mas sempre nos representaram com dignidade.

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por Francisco Castelo Branco

Após a derrota contra a Alemanha e a respectiva fraca exibição, já poucos acreditam na passagem aos quartos-de-final. Portugal vai ter de jogar ao ataque contra os dinamarqueses e, como se viu frente à Macedónia, esta estratégia não está bem afinada. Caso consigamos vencer a Dinamarca, temo bem que Paulo Bento tente repetir contra a Holanda a mesma táctica que nos derrotou frente aos alemães. No entanto, e tendo em conta a qualidade da nossa equipa, já todos percebemos que o caneco não vem para Lisboa e assim o que interessa mais é saber o que Paulo Bento vai dizer em resposta às críticas de Manuel José e Carlos Queiroz. É disso que todos os adeptos estão à espera neste momento, sendo que o resto é secundário. O país futebolístico quer ver tudo à batatada.

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Domingo, 10 de Junho de 2012
por Pedro Correia

Aconteceu ao minuto 53 do Espanha-Itália, disputado esta tarde em Gdansk (Polónia). No meio-campo espanhol, Sergio Ramos perdeu a bola, que foi parar por capricho aos pés de Mario Balotelli. O dianteiro italiano que joga no Manchester City passou a ter apenas à sua frente, como obstáculo para fazer golo, o guardião Casillas. Com o jogo ainda empatado a zero, esperava-o daí a instantes um clamor de glória ecoando nas bancadas. Mas algo estranho aconteceu: Balotelli pareceu desinteressar-se do lance. Como se não lhe apetecesse estar ali, como se não quisesse marcar golo. Durante uns segundos, que pareceram uma eternidade, hesitou. E foi então que Ramos, que vinha de trás em corrida desenfreada, corrigiu o erro anterior e retirou-lhe a bola.

Não houve glória para Balotelli. Nem mais lugar para ele na squadra azzurra. O técnico Cesare Prandelli não tardou a mandá-lo abandonar o relvado, ordenando a entrada de Di Natale, melhor marcador italiano do campeonato. E este não entrou em campo com as dúvidas existenciais do colega, filho de imigrantes ganeses que um dia aportaram à Sicília em busca de um futuro melhor. Três minutos depois, Di Natale marcava, mostrando que não havia sombra de temor reverencial dos azuis frente à "fúria" espanhola.

Há momentos capazes de virar um jogo. Prandelli tomou a decisão correcta ao ordenar aquela substituição sem qualquer demora. Consciente de que o futebol que perdura na memória colectiva não é o que resulta da soma de falhanços: é o que resulta da acumulação de êxitos, no espaço e no tempo. A partir daí, e até ao apito final, o jogo tornou-se ainda mais emocionante, ganhou ainda mais qualidade - no plano técnico e no plano táctico. Um verdadeiro jogo de Europeu, como o José Navarro de Andrade já sublinhou aqui. Com artistas como Pilro e Thiago Motta nas fileiras italianas e os nossos bem conhecidos Iniesta, Silva e Xaví do lado espanhol.

Acabou empatado, com Fabregas a marcar para Espanha aos 63', mas não foi um jogo de empatas. Embora os italianos tenham mais motivos para sorrir: há sempre um sabor a vitória quando se empata com a selecção que ostenta os títulos de campeã da Europa e campeã do Mundo. Tudo funcionou afinal como uma eficaz acção de propaganda ao futebol de alta competição. Só mesmo Balotelli parecia deslocado naquele filme.

 

Espanha, 1 - Itália, 1


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por Maurício Barra

FACTOR MERKEL

Para aqueles que afirmavam ou insinuavam (incluindo MRS, num ímpeto de populismo acentuado) que ganhar à Alemanha era partir “partir as trombas a Merkel“ , acham que com a derrota de Portugal foi Merkel partiu as trombas a Portugal?

 

FACTOR BOSINGWA

Será que o facto de não ter sido seleccionado o nosso melhor defesa lateral direito (e recém-campeão europeu), facto a que os dirigentes federativos e o país impresso mansamente aquiesceu, não é mais um sinal do tradicional subdesenvolvimento português de colocar os egos à frente dos objectivos?

 

FACTOR HÉLDER POSTIGA

Vitórias morais? Depois de estarmos a jogar com dez contra onze? Continuamos a não retirar as lições das derrotas? Ou temos de aceitar que em Portugal os seleccionadores podem pôr as suas obsessões à frente da máxima eficácia para cumprir objectivos?


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Sábado, 9 de Junho de 2012
por Pedro Correia

Portugal estreou-se hoje a perder contra a Alemanha, uma das selecções favoritas para a conquista do Campeonato da Europa em futebol. Foi uma derrota amarga. Porque todos quantos vimos o jogo disputado em Lviv, na Ucrânia, ficámos com a sensação de que a vitória chegou a estar ao nosso alcance. Com duas bolas ao poste e um falhanço quase imperdoável de Silvestre Varela frente ao guardião adversário, Neuer, mesmo à beira do fim do encontro. Um pouco mais de ousadia do onze nacional, que jogou quase sempre com grande disciplina táctica, teria bastado para dar a volta ao resultado num desafio em que a selecção nacional dispôs de oito cantos contra apenas um dos alemães.

O nosso maior problema, como tantas vezes tem sido apontado, é a falta de capacidade de concretização em lances decisivos junto à baliza adversária. Foi, uma vez mais, o que sucedeu. Resta-nos uma consolação: estamos bem acompanhados neste grupo B, pois a Holanda - outra selecção candidata à conquista do Euro 2012 - perdeu por idêntica marca, no confronto com a Dinamarca, ocorrido três horas antes. E resta-nos uma certeza: o jogo da próxima quarta-feira contra os dinamarqueses será decisivo.

Uma espécie de tudo ou nada. Portugal até costuma dar-se bem em jogos desse género.

 

Alemanha, 1 - Portugal, 0

.................................................

 

Os jogadores portugueses, um a um:

 

Rui Patrício - Sempre atento. Seguro. O mais jovem guarda-redes português em fases finais do Europeu não teve culpa no golo solitário, sofrido aos 72'.

 

João Pereira - Receoso, ousou muito menos jogadas ofensivas pelo seu flanco em comparação com Fábio Coentrão, do lado esquerdo. Nem sempre a combinação com Nani resultou, sobretudo na primeira parte. Revelou algumas dificuldades no confronto com Podolski. E teve culpas no golo alemão, marcado por Mario Gómez.

 

Bruno Alves - Muito concentrado. Com grande capacidade de entrega ao jogo e eficaz na neutralização das ofensivas alemãs. Foi algumas vezes à baliza adversária, em lances de bola parada, para potenciar a sua elevada estatura, infelizmente sem resultados práticos.

 

Pepe - Travou alguns dos alemães mais perigosos, como Ozil, com a capacidade de entrega ao jogo que todos lhe reconhecemos. É um dos melhores centrais do mundo, muitas vezes imbatível na cobertura defensiva. E protagonizou aos 44' o lance mais perigoso de Portugal durante o desafio: um seu remate bem colocado, na sequência de um canto, fez a bola embater com estrondo na barra alemã e cair caprichosamente sobre a linha de baliza, sem a ultrapassar. Nota negativa: foi batido por Gómez no solitário golo alemão.

 

Fábio Coentrão - Um dos portugueses mais inconformados, manteve a imagem de marca que o tem caracterizado na selecção, assinando alguns dos raides mais perigosos da equipa nacional, geralmente em combinação com Cristiano Ronaldo. Recebeu um cartão amarelo aos 48'.

 

Miguel Veloso - Jogou sempre muito concentrado. Bom recuperador de bolas, seguro nos passes, mas com algum défice de ousadia.

 

Raul Meireles - Ficou a sensação de que a sua forma física está longe da ideal. Faltou-lhe muito do fulgor revelado durante a época ao serviço do Chelsea, em que marcou seis golos. O Raul Meireles a que estamos habituados não falharia tantos passes nem se deixaria bater tantas vezes pelos médios alemães. Foi substituído aos 80', aparentemente esgotado.

 

João Moutinho - Bom no passe, longo e curto: fez um excelente lançamento em profundidade que isolou Cristiano Ronaldo aos 63'. Bom no desarme aos adversários. Mas perdeu no confronto físico com os alemães, mais altos e mais duros.

 

Nani - Provavelmente o melhor português no estádio de Lviv, que tinha cerca de dois terços de alemães nas bancadas. Uma grande arrancada, aos 42', só abortou por ter sido travado em falta. Sempre inconformado, foi ganhando protagonismo na ala direita e merecia ter sido premiado com um golo aos 83' quando enviou a bola ao canto superior direito da baliza alemã num remate de grande mestria técnica.

 

Cristiano Ronaldo - Muito marcado, como já se esperava, e forçado a jogar em zonas demasiado recuadas do terreno. Nas raras vezes em que conseguiu libertar-se da marcação, fez tremer a defesa alemã - nomeadamente num remate aos 81'. Assinou alguns bons lances individuais mas que raras vezes tiveram sequência. O público alemão, que acorreu em força à Ucrânia, brindou-o com sonoras vaias. Foi a melhor homenagem que podia dispensar-lhe.

 

Helder Postiga - Percebe-se mal a insistência de Paulo Bento em Helder Postiga. Aos 12' o avançado do Saragoça já estava a receber um cartão amarelo. Ineficaz durante quase todo o tempo em que permaneceu em campo. Acabou substituído por Nélson Oliveira.

 

Nélson Oliveira - O mais jovem elemento da selecção nacional jogou cerca de 20 minutos. Recebeu um bom passe de Cristiano Ronaldo aos 76' a que não soube dar sequência. Depois mal se deu por ele.

 

Varela - Substituiu Meireles. Esteve em campo menos de um quarto de hora - tempo suficiente, no entanto, para demonstrar que tem condições para ser titular no ataque português. Pena o golo falhado aos 87' quando se encontrava frente ao guarda-redes alemão. Com um pouco mais de calma, e o recurso à técnica apropriada, Portugal empataria a partida nesse lance. Mas não há ses em futebol.


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Quarta-feira, 6 de Junho de 2012
por Pedro Correia

Aproveitando a boleia de Manuel José, que saiu a terreiro com "duras críticas" (uma redundância de que alguns jornalistas abusam até à náusea, como se houvesse 'críticas moles') à preparação da selecção nacional, Carlos Queiroz quebrou a sábia reclusão mediática em que mergulhara para deitar também achas na fogueira. Revelando que quando era seleccionador chegou a receber uma proposta para que fossem os adeptos a escolher o 23º jogador destinado a integrar o lote de futebolistas portugueses no Mundial 2010.

Ignoro se Manuel José se sente lisonjeado por ver agora a seu lado o actual seleccionador do Irão, que deixou poucas ou nenhumas saudades no seu atribulado percurso de dois anos (2008-2010) à frente dos destinos da nossa selecção. Mas espanta-me (ou talvez não) que Queiroz, havendo permanecido em silêncio todo este tempo, só agora tenha decidido revelar a nefasta influência exercida pelos patrocinadores nos corpos dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol. A três dias do decisivo jogo Alemanha-Portugal, partida de arranque da nossa campanha neste Europeu. Há coincidências que não lembram ao diabo...

Razão tem mestre Fernando Correia, que ainda há pouco escutei com a atenção de sempre na TVI 24: «O grande problema de Manuel José e Carlos Queiroz é não serem seleccionadores nacionais. Se o fossem, as críticas não seriam neste tom.»

Julgo que com isto fica tudo dito. Passemos adiante.

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por jfd

Na Ucrânia, onde milhares de jovens habitam caves abandonadas de cidades, cheirando cola para passar os dias de tormenta e fugir do frio, foram mortos cães e gatos vadios para não atormentarem o Euro 2012.

Na Polónia viva o racismo, as claques intolerantes e os saudosismos tão tristes que nem escrevo a sua forma gráfica!

Viva a UEFA. Viva o futebol!


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Sábado, 2 de Junho de 2012
por Pedro Correia

 

Não sucedia desde 1955: a selecção portuguesa perdeu hoje contra a da Turquia, no estádio da Luz, por 1-3. Confirmando alguns dos piores augúrios para o jogo do próximo sábado contra a Alemanha, na Ucrânia, já em plena fase final do Campeonato da Europa. Depois do medíocre jogo em Leiria contra a Macedónia, que pelo menos terminou em empate, esta derrota faz antever uma campanha europeia muito complicada para a selecção lusa.

A exibição foi má, o resultado foi péssimo. E algumas lacunas preocupantes ficaram bem patentes esta noite no relvado da Luz.

 

1. Equipa sem automatismos. Foram frequentes, e graves, os desentendimentos entre os jogadores. Tanto nas linhas mais recuadas como no meio-campo e até na zona mais avançada. O primeiro golo turco nasce precisamente da falta de sintonia entre o guarda-redes e alguns defesas, repetindo-se esta falha no autogolo de Pepe. Também entre os avançados foram flagrantes as deficiências de sincronia em momentos cruciais.

 

2. Falta de comando. No meio-campo português é cada vez mais flagrante a falta de um comandante com boa leitura de jogo, autor de passes certeiros em profundidade potenciando a desmarcação dos companheiros e capacidade de mobilização geral da equipa. Alguém como Luís Figo, Deco ou Rui Costa noutros tempos.

 

3. Promessas goradas. Miguel Lopes, em estreia absoluta na selecção, prometeu mais do que cumpriu. Conseguiu um penálti graças a uma inesperada ofensiva na grande-área turca. Mas o primeiro golo nasce de um erro da faixa lateral direita, que ele devia cobrir com eficácia. Custódio e Nélson Oliveira também jogaram, sem dar nas vistas.

 

4. Quem marca golos? Ao minuto 72, Hugo Almeida isolou-se perante o guarda-redes turco, Volkan. Faltou-lhe o instinto de matador que caracteriza os bons pontas-de-lança: preferiu passar a bola a Coentrão, que não a esperava e tinha pior ângulo de remate. O golo gorou-se. Foi um símbolo perfeito da falta de capacidade dos rematadores portugueses. Helder Postiga, repetindo o fracasso de Leiria, não conseguiu melhor.

 

5. Cristiano não chega para tudo. Depois de uma época muito desgastante em que se sagrou campeão de Espanha pelo Real Madrid, Cristiano Ronaldo ainda não se reeencontrou com a selecção. Falhou um penálti, atirando de forma quase displicente à baliza adversária. Toda a equipa parece dependente dele. Mas, por melhor que seja, nenhum homem sozinho consegue colmatar as deficiências de uma equipa.

 

Gostei mais. Do golo do sempre inconformado Nani, para mim o melhor português neste jogo (espero, para bem da selecção, que recupere do traumatismo do pé). E também da irreverência de Raul Meireles.

Gostei menos. Do coro de assobios que os espectadores da Luz dirigiram à selecção nacional desde muito cedo: assim é quase preferível jogar no terreno do adversário. Daqui vai a minha vaia para esses assobios.

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