Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
por Luís Naves

A crise na Guiné-Bissau está a dar-me para a nostalgia. E encontrei este texto antigo, publicado numa revista (Grande Reportagem?) em data que não recordo, talvez 2003 ou 2004.

É uma reportagem, tudo verdade, mas podia ser ficção. Efeito da distância, a história real pode ser lida como algo de inventado. 


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por Luís Naves

Era um pacato jornalista da área da economia em Junho de 1998 e houve uma perturbação militar na Guiné-Bissau. Devido a uma série de acasos, acabei no meio de um conflito armado, a fazer de repórter, sem saber ler nem escrever. A minha história lembra o divertidíssimo romance de Evelyn Waugh "Enviado Especial" (foi agora reeditado, se o encontrarem nas livrarias, não hesitem), sobre um correspondente de jardinagem de um grande jornal que por erro é enviado à guerra da Abissínia.
Na sequência deste episódio, e nos anos seguintes, fiquei a saber alguma coisa sobre as complexidades da política guineense. Entretanto, escrevi um romance, publicado pela Quetzal no ano passado, onde usei vivências desse período num contexto romanesco. Chama-se Jardim Botânico, título algo cínico que resulta de uma frase numa das reportagens que escrevi: tem a ver com o contraste entre a beleza do sítio (a simpatia das pessoas) e o extremo horror da violência.


Ontem, houve mais um golpe militar na Guiné, que resulta de um fenómeno pouco conhecido e ainda menos falado em Portugal: a estrutura talvez única da política guineense.
Como há eleições democráticas, muitos observadores pensam que o poder está nas mãos dos políticos eleitos. Trata-se de uma ilusão. Na realidade, existem dois poderes paralelos, o militar e o civil, sendo que o primeiro tutela o segundo, e não o inverso. Os líderes eleitos têm espaço de manobra limitadíssimo: podem decidir sobre questões do quotidiano, mas nada de estratégico ou que belisque os interesses dos oficiais mais graduados.

 


 


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Sexta-feira, 23 de Março de 2012
por Sónia Ferreira

«Não há segunda volta nem terceira volta, porque não reconhecemos o resultado.» Palavras do candidato Kumba Ialá, que ficou em segundo no escrutínio presidencial da Guiné-Bissau. Qual será o desfecho desta eleição, que para já fica interrompida?


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Quinta-feira, 22 de Março de 2012
por Sónia Ferreira

Os candidatos às eleições presidenciais de domingo na Guiné-Bissau Carlos Gomes Júnior e Kumba Ialá vão disputar uma segunda volta em 22 de Abril.

Carlos Gomes Júnior obteve 48,97 por cento dos votos e Kumba Ialá 23,36 por cento. Em terceiro lugar ficou Serifo Nhamadjo, com 15,75 por cento. Em quarto, Henrique Rosa, com 5,40 por cento, seguindo-se Baciro Djá (3,26 por cento), Vicente Fernandes (1,4 por cento), Afonso Té (1,38 por cento), Serifo Baldé (0,46 por cento) e Luís Nancassa (0,37 por cento).

O representante de Kumba Ialá pediu a anulação do escrutínio e a consequente realização de um novo recenseamento de raiz dos eleitores.

Serifo Nhamadjo, Henrique Rosa, Serifo Baldé, Afonso Té e Kumba Ialá, alegam ter ocorrido fraude generalizada e actos de corrupção durante as eleições.

Cerca de metade dos guineenses inscritos nos cadernos eleitorais não votaram nas eleições presidenciais, no que constitui a mais alta taxa de abstenção, cerca de 45 por cento,  alguma vez vista nas eleições na Guiné-Bissau.

A candidatura de Carlos Gomes Júnior às presidenciais de domingo na Guiné-Bissau esperava obter melhor resultado, mas diz-se pronta para ir à segunda volta com Kumba Ialá, pedindo mais participação dos eleitores.


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Segunda-feira, 19 de Março de 2012
por Sónia Ferreira

 

Decorreram ontem as eleições presidenciais na Guiné-Bissau, que de acordo com relatórios dos observadores decorreram com normalidade e sem incidentes dignos de registo, apesar de o antigo chefe dos serviços secretos ter sido assassinado já depois da realização do escrutínio, aparentemente num crime sem qualquer relação com o acto eleitoral.

Estavam no terreno mais de 150 observadores nacionais e estrangeiros. Espera-se agora o apuramento dos resultados.

Já as duas semanas de campanha eleitoral tinham decorrido de forma pacífica. Dada a instabilidade social em que o pais está mergulhado e os sucessivos golpes de Estado ocorridos nos últimos anos, havia o receio de que se registassem distúrbios, o que felizmente não se confirmou.

Este relativo apaziguamento na Guiné-Bissau pode significar a vontade do povo e das elites de que o país vire a página da sua história mais recente e que enverede pelo caminho que alguns países  africanos tomaram, tentando ultrapassar a instabilidade e construir um país mais democrático.

Não nos devemos esquecer que a democracia não é um bem adquirido. Temos sempre de  lutar pela sua permanência e manutenção.

Estas eleições colocaram nove candidatos na corrida para a presidência, entre eles Carlos Gomes Júnior, candidato do PAIGC, Henrique Rosa, independente, Serifo Nhamadjo, presidente interino da Assembleia Nacional, e Baciro Djá, Ministro da Defesa, ambos membros do PAIGC mas concorrendo como independentes, e Kumba Ialá, ex-presidente.  

Ao que tudo indica, Carlos Gomes Júnior vai à frente na contagem dos votos. Foi Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau e caracterizou-se por ser um adepto da estabilidade e do desenvolvimento.

O próximo Presidente terá pela frente um caminho difícil, cheio de desafios, mas com muitas oportunidades de trazer a Guiné-Bissau para o grupo dos países que lutam pela democracia. Urge agora uma reforma do sector da defesa nacional: os militares são ali um dos maiores problemas, logo a seguir ao narcotráfico.


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