Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2013
por Fernando Moreira de Sá

 

 

A escolha de Carlos Abreu Amorim como candidato a Vila Nova de Gaia é uma excelente notícia.

 

O actual presidente da Câmara Municipal de Gaia, Luís Filipe Menezes, demonstrou estar atento aos sinais e ter "faro" político. Quando Marco António Costa decidiu não ir a Gaia, naturalmente, multiplicaram-se as vontades e as ambições. Qualquer solução interna seria, como se viu noutros concelhos de Norte a Sul, abrir uma guerra de consequências nefastas. Como se viu nos primeiros dias.

 

Uma vez mais, LFM, aguentou os ataques, deixou as várias vozes gritarem na praça pública sozinhas. Nesse entretanto, fazia o trabalho de casa: convencia o Carlos Abreu Amorim, falava com todas as partes e obteve os consensos necessários. É obra!

 

O Carlos é um excelente candidato e uma grande surpresa. Um independente, conhecedor do terreno e da realidade do Grande Porto. Em Viana do Castelo todos diziam que não era conhecido, que não tinha ligação ao distrito, que isto e aquilo. No fim, teve o segundo melhor resultado de sempre do PSD em Viana...

 

O Carlos Amorim tinha tudo para recusar. É vice-presidente da bancada do PSD, está a ser um dos melhores deputados, está em várias comissões e a sua imagem interna está em alta. Além disso, existe uma tendência, uma espécie de maldição centralista, de os políticos do Norte chegarem a Lisboa e esquecerem, rapidamente, as suas origens e as suas gentes. O Carlos, uma vez mais, provou ser diferente. Prefere o risco ao conforto. Prefere lutar na sua terra e pelos seus. A bancada do PSD vai perder um dos seus melhores. Vila Nova de Gaia, o Grande Porto e o Norte ficam a ganhar.

 

Ainda bem.

 


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Sábado, 20 de Outubro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

Hoje, no Público (pág. 43) tropecei num artigo de opinião de Manuel Sampaio Pimentel intitulado “Desculpe Dr. Menezes, não posso votar em si (II)”. Pecando por não ter lido a parte I, só posso supor que a primeira não deve ter sido muito diversa no seu objectivo final.

 

O actual Director do Centro Distrital do Porto da Segurança Social, nomeado pelo actual governo, compara o endividamento da Câmara do Porto com o da Câmara de Gaia e, perante tal cenário, chega a uma conclusão definitiva: Luís Filipe Menezes não pode ser o próximo Presidente da CMP ou, coisa mais prosaica, pelo menos não o será com o seu voto.

 

Este militante do CDS, ex-vereador de Rui Rio não aprecia LFM. Está no seu direito. Não gosta da obra de LFM em Gaia. É a democracia. Porém, é bom lembrar que LFM governa Gaia em coligação com outro partido, o de Manuel Sampaio Pimentel e, pelo que sei, nunca vi o CDS de Gaia nem a Distrital do Porto do CDS criticar a gestão de LFM em Gaia. Bem pelo contrário. Nem sei se Manuel Sampaio Pimentel, quando foi nomeado para a CCDRN, em 2003, evitou aprovar ou se opôs a candidaturas de Gaia ao QREN que ajudaram, certamente, ao avolumar do tal endividamento de que agora fala tão crítica e preocupadamente. Não sei.

 

O problema não está, obviamente, em Sampaio Pimentel não apoiar uma candidatura de LFM (mesmo que o seu partido, aposto, o vá fazer). Não. É um direito seu e que merece o respeito de todos. O problema é outro: comparar o endividamento de Gaia com o do Porto. Seria o mesmo, para facilitar a compreensão de todos, que comparar o endividamento do FC Porto com o do Vitória de Guimarães. É intelectualmente desonesto fazê-lo.

 

Em pouco mais de 15 anos, Vila Nova de Gaia transformou-se de forma incrível. O valor do património que a CMGaia tinha em 1997 e aquele que hoje tem cresceu mais do triplo, atingindo um valor superior a 600 milhões de euros; foram construídas/remodeladas mais de 50 novas escolas; o apoio social à população menos favorecida ultrapassou os 160 milhões de euros; o número de empresas mais do que duplicou e o mesmo se refira quanto ao número de turistas não nacionais. O saneamento básico passou de praticamente inexistente a uma taxa exemplar em termos europeus, próxima dos 100% e, pelo caminho, Gaia tornou-se um dos territórios europeus com melhor taxa de m2 de área verde por habitante. E que dizer da recuperação da frente marítima e ribeirinha de Gaia? Ou o investimento feito no desporto, na cultura, em suma, na qualidade de vida da população?

 

Quando olho para Gaia lembro-me de um outro exemplo, anterior, a Maia e Vieira de Carvalho. Quando a Maia atingiu patamares de excelência que a tornaram uma referência europeia e Vieira de Carvalho um autarca modelo ainda hoje recordado pelo seu legado, os seus críticos apontavam o valor da dívida. Em 2002, Vieira de Carvalho faleceu e muitos vaticinaram o declínio da Maia por força do valor da sua dívida. Hoje, passados 10 anos, a Maia diminuiu o seu endividamento sem colocar em causa a qualidade de vida dos seus habitantes. Porquê? Porque a obra estava lá, a taxa de saneamento básico com cobertura de 100%, as infraestruturas que permitiram a continuidade do progresso no seu concelho como a Zona Industrial, o Parque Escolar, as rodovias, etc., ficaram. Bastou gerir o património deixado (vendendo até determinadas partes com enorme mais-valia) sem ter de fazer investimentos avultados pois esses já tinham sido realizados.

 

Luís Filipe Menezes em Gaia, como antes Vieira de Carvalho na Maia, souberam investir, estar à frente do seu tempo e apostar na qualidade de vida das respectivas populações. Querer comparar Gaia com o Porto é um duplo erro. Por um lado, porque em Gaia tudo estava por fazer e ao comparar fragiliza-se a posição e os mandatos de Rui Rio. Por outro lado, seria comparar necessidades orçamentais diversas e legados de qualidade de vida das populações muito diferentes. Jogam em campeonatos diferentes pois são duas realidades distintas.

 

Por último, não consigo perceber se existem dois CDS diferentes no distrito e por isso mesmo, fico na dúvida, qual a parte do CDS nesta história que me escapou?

 

 

Nota: Podia ser Pimental mas não é, é mesmo Pimentel. E "De" Sampaio Pimentel que nestas coisas temos sempre de ser rigorosos...


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