Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012
por Pedro Correia

                  

                  

 

Dois membros do Bloco de Esquerda insurgiram-se contra a decisão, em boa hora anunciada pelo Ministério da Administração Interna, de combater as pichagens em locais públicos que conspurcam os edifícios da esmagadora maioria das nossas cidades (e falo em maioria, e não em totalidade, porque recentemente tive o prazer de descobrir Guimarães e Viana do Castelo como cidades praticamente livres deste flagelo). Há ruas inteiras em Lisboa, Porto ou Caldas da Rainha, por exemplo, onde nem um edifício escapa aos semeadores de tags que aproveitam as sombras da noite para as suas acções de poluição visual.

Pensava eu que qualquer cidadão civilizado estaria contra esta javardice. Enganei-me: aqueles dois bloquistas, João Teixeira Lopes e José Soeiro, declaram-se indignados não com quem polui mas com quem procura combater a poluição, bradando contra "o horror higienista" destes últimos. Aguardo as próximas tomadas de posição de tão ilustres sumidades em defesa da manutenção en su sitio dos milhares de beatas e dos dejectos de cão e de pombo que enchem ruas, praças e avenidas. Se a correcção política os conduz ao elogio das paredes conspurcadas, por maioria de razão devem procurar manter a mão da lei fora de jardins e passeios transformados em expositores de lixo: "horror higienista" é que não.

Lamento, mas penso de maneira oposta. Eleitor em Lisboa, prometo desde já apoiar o candidato à eleição municipal de 2013 que inclua com maior visibilidade no seu programa eleitoral o combate à degradação paisagística da cidade - o que implica ter mão firme contra os pseudo-grafiteiros, por mais que alguns procurem elevar os seus rabiscos à dignidade de "arte urbana". Mereciam tais vozes ver os prédios onde habitam "grafitados" da cave ao sótão para melhor se enebriarem com tanta "arte".

 

Estou com Alexandre Delgado, que hoje protesta sem rodeios no Público contra a confusão que alguns pretendem estabelecer entre grafitti e tags: os primeiros são defensáveis, os últimos não. "Quem faz grafitti de arte geralmente escolhe os locais próprios e contribui para enriquecer o espaço público. Até 'mensagens poéticas' são aceitáveis, quando feitas em edifícios devolutos. Os rabiscadores de tags não respeitam nada disso: eles são os primeiros a vandalizar grafitti artísticos (como os da Av. Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, ou os painéis do Elevador da Glória). Não contribuem com nada, a não ser os excrementos do seu ego invasor", defende o compositor, acentuando: "Com a legislação actual, nem vale a pena fazer queixa à polícia. O Ministério da Administração Interna quer simplesmente fazer aquilo que já se devia ter feito há muito tempo: adequar a lei e criminalizar essa forma de vandalização do espaço público. É razão para aplaudir entusiasticamente. Aqui ficam duas sugestões: que a punição dos culpados inclua obrigatoriamente raspar e pintar aquilo que vandalizaram; e que se crie um imposto extraordinário sobre sprays de tinta, destinado a limpar as pichagens que tantos lucros geram a fabricantes e vendedores, e que tantos prejuízos causam a proprietários, instituições e cidadãos em geral. Esta não é uma causa de esquerda ou de direita: é uma causa de civilização contra a barbárie."

Não posso estar mais de acordo. Se Guimarães e Viana conseguem ser cidades limpas, porque não sucederá o mesmo em Lisboa, Porto ou Faro?

 

Em cima, no sentido dos ponteiros do relógio: pichagens em Lisboa (Avenida de Roma), Porto (antigo cinema Batalha), na baixa de Faro e no centro das Caldas da Rainha. Fotos minhas.

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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

... e o resultado foi uma grande porcaria deixada a céu aberto:

 

 

 

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