Segunda-feira, 1 de Julho de 2013
por Alexandre Poço

Só para refrescar algumas memórias, o supostamente milagroso PEC 4 previa que atingíssemos no corrente ano de 2013 um défice orçamental de 2%, partindo daquilo que o Governo dizia ser uma base de 7,3% em 2010. Uma redução de cerca 5% do PIB em três anos, ou seja, um ritmo de austeridade igual ao que este governo acabou por fazer. Isto porque, o défice de partida em 2010 foi revisto para cerca de 10% porque os prejuízos das empresas públicas, os buracos no BPP e no BPN, as PPP e outras desorçamentações, obrigaram à revisão das contas nacionais de 2010 até 2007. Sobre estas pequenas "distrações" não ouvimos grande coisa do ex-ministro, nem do ex-primeiro-ministro, e isso é que teria sido instrutivo.


João Cotrim Figueiredo no Diário Económico


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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2012
por Francisco Castelo Branco

Passos Coelho vai receber Merkel no Forte de São Julião da Barra. Lembram-se quem andou por lá também? Foi o Kadhafi.....................


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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

A propósito de massa, ratings e dívida soberana deixo aqui mais uma previsão: se não se levar à prática dentro de poucos meses ou talvez semanas uma grande reestruturação da dívida grega ou, pelo menos, da dívida portuguesa e se, ao invés, se ficar à espera das eleições na Alemanha, este país não manterá o seu triple A até à realização daquelas (em Setembro ou Outubro de 2013). Ou se reestrutura depressa e em grande escala ou a Alemanha perde o rating máximo.

 

Ouviste oh Merkel?!


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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

Dizia que não, dizia que não mas a verdade é que as taxas de juro não param de cair. Daqui até à armadilha de liquidez, porém, ainda falta um bocado. Até lá, ganham-se (ou perdem-se) eleições.

 

No dia 25 de Novembro passado escrevi: o Banco Central Europeu começará a injectar mais e mais dinheiro com o objectivo de contrariar os sintomas de crise e de reduzir o valor real das dívidas públicas. Esta tendência aumentará à medida que nos aproximarmos das eleições na França e na Alemanha. A primeira previsão está mais que confirmada. Esperemos agora pela confirmação da segunda.

 

 

Actualização a 12 de Janeiro de 2012: sobre Mario Draghi, sugiro este interessante texto de Viriato Soromenho Marques publicado no Diário de Notícias de hoje.


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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

Angela Merkel continua a insistir na estranha ideia de que a melhor forma de prevenir a criminalidade é ter penas de prisão muito pesadas, pena de morte e tortura, em vez de manter as mesmas penas, que até podem ser baixas, e aumentar a probabilidade de punição. O problema das regras de Maastricht/Pacto de Estabilidade e Crescimento nunca foi o seu peso, as sanções seriam até pesadas demais: o problema é que bem cedo se tornou óbvio para todos que a probabilidade da sua aplicação era baixa ou nula.

Importa pois ver até que ponto as novas sanções decididas na última "cimeira decisiva" são mais aplicáveis. Aparentemente, a nova regra para os défices é menos clara do que a do Pacto de Estabilidade e Crescimento: proibição de "défice estrutural (ou seja, corrigido das variações cíclicas e líquido de medidas pontuais e temporárias) anual  superior a 0,5% do PIB nominal" (aqui). Isto parece ser de muito mais difícil determinação e vislumbra-se já que a parte das "medidas pontuais e temporárias" será a "janela de oportunidade" (ou assim) para desculpabilizar e fechar os olhos a muita coisa.

 

Por outro lado, o Tribunal de Justiça da União Europeia passa a verificar o cumprimento das regras. Mas, em caso de incumprimento, quem é que executa as sanções? A União Europeia não tem uma polícia para ir aos países prevaricadores penhorar isto ou aquilo. Ou as sanções automáticas correspondem a qualquer coisa como um país perder parte da sua participação no FEEF? Gostaria, portanto, de ler bem explicado o que é isso do "automatismo" das sanções e a quem caberá executá-las.


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por Ricardo Vicente

Estou de acordo com Luís Naves quando afirma que esta cimeira foi uma grande vitória de Angela Merkel mas não sei se convergimos no que são os aspectos dessa vitória. Para mim, Merkel é a grande vencedora porque refutou os eurobonds (o que é mau); obteve compromissos da parte da Polónia que é um dos "bons mal comportados" da Europa (incerteza); negou a possibilidade de ter um banco central mais interveniente (negativo) e menos independente (positivo); e, acima de tudo, a chancelerina teutónica conseguiu mais uma vez não tomar nenhuma decisão daquelas que, embora possam resolver a crise, podem também destruir as suas esperanças de re-eleição (não tomar boas decisões é... péssimo, pois).


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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

... os anteriores erros e insuficiências, bem como a actual crise, têm de ser tidos em conta numa futura revisão dos tratados mas isso não significa que seja boa ideia revê-los agora e sob pressão. Sarkozy e Merkel não decidem sozinhos, é certo, mas a actual preponderância de que gozam (eles é que pagam) e a fragilidade dos países falidos colocam estes últimos numa situação de défice de "liberdade contratual" ou assim. Para além de todos os défices democráticos na história da construção europeia, é possível que venhamos a ter agora a aprovação de tratados por países, digamos, sob chantagem. O triste disto tudo é que se o objectivo é responder à crise das dívidas soberanas então a solução tem de ser mais rápida (alterar tratados é coisa para meses ou anos) e, por outro lado, não tem de passar, neste momento, por alterações institucionais de fundo: o que urge pôr em prática é uma versão não politizada de eurobonds que facilite defaults parciais e inteligentes que atinjam um óptimo entre minimização dos riscos de contágio e maximização da sustentabilidade dinâmica das contas públicas após o default...


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por Ricardo Vicente

... é claro que um país na bancarrota como Portugal não é o mesmo que um com sound financial policies... mas isso de os países serem diferentes e serem tratados de maneira diferente não pode ser aplicado quando o que está em causa é a definição das regras do jogo para todos, como parece que está para acontecer ou ser tentado com uma revisão dos tratados. Nesse momento constituinte, todos os players têm de estar ao mesmo nível: isso é uma exigência política e ética mínima. Até porque se a possibilidade de influenciar as novas regras não for simétrica, então as novas regras padecerão de falta de legitimidade ab initio e em qualquer momento futuro essa condição inquinada será lembrada por aqueles que pretendem desviar-se das ditas. Logo, as regras não se aplicarão (e as velhas já terão caducado). Não sei até que ponto Sarkozy e Merkel se apercebem destas coisas ou se as ignoram ou se muito simplesmente estão-se na tintas...


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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

O mote

 

No sítio da Rádio Renascença: "a chanceler [Merkel] quer rever o Tratado de Lisboa, e entre outras medidas, passar a impor um limite para o défice de 2% do PIB, abaixo dos actuais 3%. Esta alteração pode trazer sanções automáticas contra os prevaricadores, que podem incluir a redução dos subsídios europeus e a retirada do direito de voto".

 

 

Retirada do direito de voto

 

Isto ainda é mais bizarro do que defender que os criminosos devem perder os seus direitos políticos. Tal doutrina levada ao extremo, ou levada (quem sabe) apenas à verdadeira intenção de Merkel, pode formular-se assim: país que não respeita as regras do Reich, é anexado pelo Reich. (Publicado originalmente a 1 de Maio de 2010, republicado a 29 de Setembro de 2011).


 

Novas sanções, um mesmo problema: falta de credibilidade

 

O governo alemão erra ao acreditar que o problema está na falta de regras e de sanções não percebendo que regras e sanções já há as bastantes e o que falta é a sua credibilidade. As regras só são credíveis quando há igualdade na sua aplicação: têm de valer doa a quem doer. Se não foram aplicadas à França e Alemanha, também não serão aplicadas aos outros países. E a criação de mais regras não altera esta lógica. (Publicado originalmente a 16 de Junho de 2010).

 

Se o poder de decidir a aplicação das sanções for atribuído a um tribunal europeu, talvez se possa garantir alguma independência na tomada dessas decisões. Mas o problema principal nunca foi o de observar quais eram os países que prevaricavam (apesar do caso das contas fraudulentas gregas...) mas sim a incapacidade de aplicar sanções aos países identificados.

 

 

Os números da dívida e do défice

 

A chancelerina teutónica parece que nunca percebeu e nem nunca irá perceber que os critérios de Maastricth e do Pacto de Estabilidade e Crescimento (stock de dívida máximo de 60% do PIB, défice público máximo de 3% do PIB e regime de excepções em caso de perturbação económica) eram e são demasiado apertados para alguns países enquanto que são permissivos demais para outros.

 

Um stock de dívida de 60% do PIB é mais do que excessivo, é um mostrengo no caso de um país à beira-mar plantado que não cresce há dez anos e que não tem, actualmente, qualquer perspectiva de crescimento (se não houver default parcial e os 34 mil milhões de juros, declarados pelo actual governo, forem mesmo para pagar).

 

Já para um país com um stock de dívida de 6% do PIB (seis) e uma fortíssima expectativa de crescimento (refiro-me à Estónia), o critério do défice de 3% ou, pior, 2% não tem qualquer fundamento - isto se aceitarmos que estes critérios visam exclusivamente a sustentabilidade do euro e não a imposição de uma determinada ideologia financeira a todos os países.

 


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Domingo, 4 de Dezembro de 2011
por Luís Naves

O método do medo

O que há de comum nestes dois factos? Um ministro português é assobiado em assembleia de autarcas e a União Europeia prepara-se para aprovar uma mudança radical no Tratado de Lisboa. Aparentemente, os dois acontecimentos nada têm em comum, mas só na aparência.
E qual não é o meu espanto quando vejo que nos últimos dias e semanas tem havido um desfasamento crescente entre os comentários que leio na imprensa portuguesa e os que leio na imprensa estrangeira. Na TV ainda é pior, com a transmissão constante de dois mitos: por falta de liderança, a Europa está à beira do colapso.
A meu ver, por razões de política interna, os comentadores estão a interpretar de forma propositadamente incorrecta aquilo que se passa no exterior. Ontem, num programa de televisão, um conhecido comentador afirmava pomposamente que o Governo português não tinha uma política europeia. Segundo esta tese, Passos Coelho devia desembarcar em Bruxelas a “exigir” uma ou mais “soluções” que permitissem a continuação do statu quo em Portugal. Seria devidamente aplaudido pela assembleia de autarcas e pela assembleia geral de comentadores.

“Por favor, não estraguem a nossa vidinha” parece ser o mote da generalidade das opiniões, variação da clássica “não agitem o barco, que isto ainda vira”. Falo da elite, com acesso à comunicação. E o pior é que a ideia está a contaminar a opinião pública. Estamos falidos, mas qualquer reforma tem a oposição imediata de metade dos comentadores, que arranjam os argumentos mais descabelados, sabendo que criticam medidas que constam dos documentos da troika e que fazem parte dos compromissos internacionais do país. No caso das autarquias mais parece que alguém quer redesenhar o mapa dos Balcãs. É apenas mais um caso, mas vai repetir-se em cada semana. São 30 anos de grupos de interesses sentados à mesa do orçamento; as reformas não são difíceis, parecem até politicamente impossíveis, pois isto começa com uma morrinha de queixas, pressões, e acaba com recuos dos governantes, em nome das sondagens. O método do medo é infalível.

 

 

 


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Sábado, 3 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

 

Será possível que Sarkozy e Merkel sejam incapazes de perceber que a única maneira de dar credibilidade ao euro, tornando sustentáveis as finanças de boa parte dos países da zona, é resolver de imediato o problema da dívida de Portugal, Grécia, Irlanda e Itália? E será que eles não percebem que o modo de resolver esse problema é promovendo o crescimento nestes países? E que o único caminho para o crescimento no Sul da Europa é através de um default parcial, minimizando o risco de contágio, pois só com uma remissão de boa parte da dívida é possível relaxar as políticas de austeridade, dando folga à sociedade e criando expectativas que favoreçam novamente o investimento?

 

Sem expectativas positivas de crescimento económico não há investimento. Se o crédito não se expande não é por falta de dinheiro (a taxa de juro de referência do BCE já está nos 1,25%), é porque as expectativas estão em baixo. Injectar dinheiro só produzirá inflação. A raíz dos problemas na Europa não é monetária mas económica e financeira. E não há cura que não passe pelo default parcial das dívidas.

 

Mas eu acredito que Sarkozy e Merkel até percebem este encadeado económico. O problema está nos respectivos eleitorados, que castigarão aqueles dois caso eles consintam na reestruturação das dívidas. Mas não seria possível por uma vez ter líderes políticos que estejam acima da incompreensão económica das massas e façam o que é preciso ser feito? Sarkozy e Merkel ainda podem salvar a Europa. Se o fizerem, o mais certo é perderem as próximas eleições. Mas terão o consenso da História de que tomaram a melhor decisão.


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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

Segundo o Sol, Angela Merkel diz que os 'eurobonds' não são solução. Como pretende, então, a chancelerina teutónica realizar o default ordenado das dívidas grega, portuguesa, irlandesa e, eventualmente, italiana?

 

Ainda do mesmo jornal, «O governo alemão tornou claro que a crise europeia não será resolvida num ápice», afirmou [Merkel], acrescentando que a solução «é um processo e esse processo levará anos».

 

Eu traduzo: até Setembro ou Outubro de 2013, época em que se realizam as próximas eleições federais na Alemanha, Merkel não fará nada que possa pôr em causa  a sua reeleição, nem que para isso tenha de deixar o Sul da Europa em permanente agonia social e económica e toda a Europa em risco de desintegração.

 

A Europa está em condições de avançar para uma união orçamental. A afirmação foi deixada esta manhã pela chanceler Angela Merkel, num discurso perante o Parlamento alemão.  (...) Segundo a imprensa alemã de hoje, a chanceler quer rever o Tratado de Lisboa (no site da Rádio Renascença).

 

Por outro lado, Merkel mantém a União Europeia sob chantagem: ou os tratados da União são reformados como nós (ela) quer, ou não há solução para a crise das dívidas soberanas.

 


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por João Gomes de Almeida

 

Quando em 1987 se discutiam as questões europeias e se realizavam as primeiras eleições para o PE, houve alguém que lembrou que era preciso salvaguardar a questão da soberania. E agora?


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por Ricardo Vicente

No Diário Económico: Sarkozy revelou hoje que vai encontrar-se com a chanceler alemã na próxima segunda-feira, em Paris, para "salvar o futuro da Europa".

 

Mais uma cimeira, mais uma perda de tempo: já perdi a conta a tantas cimeiras e às respectivas mijinhas de Sarkozy e Merkel, dois políticos vulgares em tempos excepcionalmente difíceis, que estão dispostos a sacrificar a Europa inteira para não perderem os respectivos poleiros.

 

Diz Sarkozy (no Expresso): "O BCE é independente. E assim vai permanecer. Estou convencido que o Banco vai atuar face ao risco de deflacionismo que ameaça a Europa", precisando que caberá a esta entidade decidir "quando e com que meios".

 

Eu traduzo: Sarkozy quer que o BCE deixe de ser independente e se transforme numa agência do governo francês tutelada directamente por ele, Sarkozy. E o ainda presidente da França pensa que a melhor maneira de tentar que a economia europeia cresça é empurrando um fio, isto é, derramando dinheiro por toda a parte - quando a taxa de juro de referência do BCE já está nos 1,25%...

 

 

P.S.: Será que o "deflacionismo" também faz parte da política do Expresso de implementar o Acordo Ortográfico?


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Terça-feira, 29 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

A integração política da zona euro ou da União Europeia, se for forçada (como alguns prevêem, por exemplo aqui no Forte, e outros parecem desejar) tem de deixar de fora países que são "monetariamente sustentáveis", isto é, que não contribuem para a desestabilização da zona, antes pelo contrário. Isto porque uma economia partilhada não é suficiente para uma união polítca. Aliás, tirando a questão da moeda comum, a união económica não precisa de união política e até pede menos união, menos bruxelas, menos regulamentos, menos PAC, menos burocracia e menos Estado supra-estadual. A economia não é pois condição suficiente para uma união política e esta, por sua vez, não é condição necessária para aquela (como também se afirma amiúde). Declarando o óbvio: também há a política. Vamos a um exemplo: a Polónia.

A Polónia pode ser uma economia extremamente robusta e promissora e a chancelerina teutónica pode andar em pulgas para que aquele país adira ao euro, assim facilitando ainda mais as exportações alemãs. Mas enquanto a França e a Alemanha venderem armamento e treino militar à Rússia, a Polónia nunca aceitará uma união política que inclua aqueles dois países e, ainda por cima, tendo-os à cabeça. Nunca. Por muito economicamente desejável que possa ser a inclusão da Polónia numa nova zona euro mais restrita. E o mesmo vale para uma República Checa ou uma Estónia.

Forçar uma união política coincidente com uma zona euro mais reestrita levará ao estalar de fracturas profundas da geografia política europeia. E essas fracturas têm consequências económicas: se a Polónia fica de fora da união política liderada pela França e pela Alemanha, também ficará de fora da nova e mais restritiva zona euro. E se fica de fora desta, quanto tempo restará dentro da união económica? É por isso que, a bem da continuidade e abrangência da zona euro e da própria União Europeia, eu defendo que não se deve avançar para nenhuma união política. Caso contrário, vamos ter quatro ou cinco blocos políticos na Europa que estarão também separados economicamente. A fragmentação económica na Europa equivale à destruição daquilo que manteve a Europa em paz: uma economia comum. Não é preciso dizer mais nada.

Por tudo isto, alguns conselhos: não avançar com nenhuma união política; implementar as medidas institucionais necessárias e só as necessárias para que o euro seja um projecto credível; não deixar cair para fora da zona euro nenhum dos actuais membros, o que implica reestruturar as dívidas da Grécia, Irlanda e Portugal o mais rápidamente possível, o que por sua vez recomenda a utilização de eurobonds mas apenas com o objectivo da reestruturação ordenada e nunca com o propósito federalista.


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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

Não é para os próximos tempos, é para depois dos próximos. Fixem estas palavras: "armadilha de liquidez". É disto que jornalistas, blogadores, analistas, comentadores, opinadores, spinadores e políticos andarão a escrever e a falar dia e noite a seguir aos tempos mais próximos. Será mais uma daquelas expressões que, subitamente, passam da ciência sombria para o parlapiê popular (e que deveriam pagar imposto).

 

Nos próximos tempos (dentro de meses e até dois anos): o Banco Central Europeu começará a injectar mais e mais dinheiro com o objectivo de contrariar os sintomas de crise e de reduzir o valor real das dívidas públicas. Esta tendência aumentará à medida que nos aproximarmos das eleições na França e na Alemanha. (A disponibilidade de Merkel para o argumento de Sarkozy de que a independência do banco central é totalmente overrated só pode aumentar à medida que as sondagens da chancelerina teutónica se afundarem).

 

Nos tempos depois dos próximos (lá para depois daquelas duas eleições): o Banco Central Europeu, os políticos e os opinadores vão descobrir a metáfora "empurrar um fio".


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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

Olha!, olha!, uma novidade! Agrada-me ler isto: Merkel e Sarkozy já não se reúnem sozinhos, agora já há mais um líder a encontrar-se com eles. Não, não é (outra vez) o Medvedev/Putin nem o Putin/Medvedev: é o Mario Monti. Agora já só faltam os outros catorze líderes da zona euro e os oito líderes dos países que, estando actualmente de fora do euro, estão obrigados a juntarem-se à zona. E ficam ainda a faltar aqueles dois que não querem o euro nem estão obrigados à sua adesão mas que também têm a ver com o assunto (afinal temos mercado comum ou não?). Portanto, a dimensão geográfica do "conceito de soberania quando aplicado aos outros" de Sarkozy e Merkel expandiu-se hoje um bocadinho: já não é nada mau.

 

P.S.: Sarkozy, que no passado muito criticou a independência do Banco Central Europeu, deve estar esta noite aos pulinhos.


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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

 

As duas primeiras mijinhas são o Sarkozy e a Merkel: duas fraquezas europeias em qualidade humana, política e eleitoral. Valem pouco mais do que um Berlusconi. Esse, ao menos, para o bem e para o mal lá consegue mijar tudo.

As outras duas mijinhas são o quase irrelevante default parcial da Grécia e o insuficiente aumento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF).

O objectivo de reduzir a dívida pública grega para 120% do PIB até 2020 é pouco, quase irrelevante, deixando o problema essencialmente intocado. Em 2020, uma dívida de 120% do PIB continua a ser insustentável e impagável. A Grécia continuará insolvente e precisará de mais um (terceiro? quarto?) plano de resgate. Enquanto isso, até 2020 e para lá desse ano, a sociedade grega continuará a sofrer lentamente a asfixia económica.

Aumentar o FEEF de 440 mil milhões para um bilião (um milhão de milhões) já é qualquer coisa mas é notoriamente insuficiente tendo em conta (1) os efeitos do default português (lá para 2014), (2) a catástrofe que se vai avizinhando devido à incapacidade italiana para gerar crescimento económico (e, com isso, tornar as suas finanças públicas solventes) e (3) os efeitos que a bancarrota belga terá na sobre-endividada França. E estou a deixar de fora desta análise a Irlanda e a Espanha, que me parecem os dois casos onde a esperança tem maior justificação.

 

Lembram-se da última cimeira franco-alemã há pouco mais de dois meses? Na altura a dupla de mijadorzinhos do costume também estava convencida de que a dimensão do fundo de resgate era suficiente. Ao fim de dois meses lá perceberam agora que aquela mijadela não chegava para nada. Daqui até ao mínimo de dois biliões ainda veremos muitas mais mijinhas para acalmar os mercados os quais, obviamente, não se sentem atingidos nem se querem molhar...

 

Daí que, exceptuando o plano de recapitalização dos bancos, não vejo grandes razões para Pedro Passos Coelho se sentir muito mais aliviado depois desta... cimeira. De mijinha em mijinha ainda estamos longe do tempo em que o euro e a Europa estará a salvo de tanta mal-mijação.


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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

Enquanto não chegarmos a Setembro/Outubro de 2013 - isto é, às eleições na Alemanha - nenhum cenário realista será abordado em nenhuma destas cimeiras. Por exemplo, já se devia discutir (EM SEGREDO) o default inteligente da dívida portuguesa, em vez disso discute-se ainda se a Grécia recebe ou não recebe mais uma tranche, quando esse país já deveria ter sido sujeito a um default ordenado há mais de um ano.

 

O melhor que podia acontecer neste momento na Europa seria uma antecipação das eleições na Alemanha. Até lá, todas estas cimeiras serão pura perda de tempo que, obviamente, não significam nada para os mercados.

 

"A chanceler prometeu ainda empenhar-se no conselho europeu e na cimeira de líderes da zona euro de hoje à noite "a favor de soluções sustentáveis", leio no Expresso. É muito engraçado vir agora a líder dos alemães falar de sustentabilidade. Ainda há meses, os juros acordados entre Portugal e as partes europeias da tróica eram manifestamente insustentáveis (os do FMI eram mais baixos); mais tarde, essas taxas foram diminuídas para níveis mais razoáveis. Esperemos que, no futuro, a chancelerina teutónica não volte a ter o descaramento de propor a mais nenhum país taxas de juro punitivas e especulativas.


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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

"Vamos constatando a emergência de um directório, não reconhecido nem mandatado, que se sobrepõe às instituições comunitárias e limita a sua margem de manobra. Este é um caminho errado e perigoso. Errado porque ineficaz. Perigoso porque gerador de desconfianças e incertezas que minam o espírito da união".

 

"Enredada numa retórica política de recriminações mútuas, evitando reconhecer a responsabilidade partilhada, ignorando a evidência dos riscos de contágio, hesitando na solidariedade, oscilando nos instrumentos a usar, promovendo uma deriva intergovernamental, a União Europeia deu guarida a uma crescente especulação sobre a zona euro, alimentando as incertezas sobre o próprio futuro da moeda única".

 

(Ler tudo aqui).


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Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011
por Ricardo Vicente

Parlamento alemão aprovou expansão do fundo de resgate que também financia Portugal (daqui).

 

Durão Barroso já vem exigindo um reforço do FEEF há meses. Mais uma vez, a Alemanha agiu com muito atraso, a reboque dos acontecimentos e contrariada. Angela Merkel é um exemplo perfeito de uma não-liderança: em vez de tomar a iniciativa e antecipar-se ao mais que certo evoluir da situação económica, acaba por deixar sempre que os factos a forcem ao inevitável.

O problema é que estes sucessivos atrasos e renitências teutónicos têm custos económicos sérios. Mas Merkel não se interessa por custos económicos, apenas com os custos eleitorais. E só com os seus.


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Terça-feira, 27 de Setembro de 2011
por Ricardo Vicente

A partir deste post de Rui Costa Pinto, três comentários:

 

1. Sarkozy e Merkel só se preocupam com uma coisa: reeleição. Grécia, Portugal, Euro, Europa: tudo lhes é instrumental ou obstáculo para esse fim: serem re-eleitos.

2. O default parcial da Grécia é uma inevitabilidade, tal como o português, e já o era há mais de ano e meio. A saída da Grécia da zona euro não é inevitável mas será uma catástrofe não só para a moeda comum mas para a própria União Europeia.

3. Quanto ao timing do default, sugiro este meu post. Na minha opinião, o default da Grécia está a chegar com mais do que um ano de atraso. O default português virá também muito atrasado. Mas estes timings só têm a ver com política: reeleições nuns casos, estados de negação e "estado de graça" no caso português.


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Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011
por Ricardo Vicente

 

A chancelerina teutónica continua a pedir aos alemães que tenham paciência para com a Grécia. Os pedidos de mais pacienciazinha acabarão logo depois das eleições alemãs. Até lá, é preciso dizer-lhes que toda a dívida grega será paga, enquanto se continua a bombear a Grécia com mais e mais milhares de milhões de euros que terão como única consequência um default muito maior e, eventualmente, mais difícil.

Teria sido muito melhor proceder ao default parcial grego nos idos de Maio de 2010 do que deixar o problema agravar-se e estender-se ainda mais a outras economias europeias. Mas isso não seria tragável nem pelo eleitorado alemão nem pelo francês. Sendo assim, para garantir um mínimo de probabilidade de re-eleição a Merkel e a Sarkozy, o problema grego tem sido cada vez mais empolado, enquanto os respectivos eleitorados se mantém em estado de negação. Quando o grande default grego finalmente tiver lugar, será muito mais difícil realizá-lo pois o valor em dívida já será (já é) muito superior.

Seria pois muito bom para a Europa se as eleições federais na Alemanha fossem antecipadas o mais possível. Só depois dessas eleições, e apenas durante o "estado de graça" que lhes suceder, terá o poder político alemão coragem para resolver o problema grego da melhor forma para a própria Alemanha e, sobretudo, para a Europa.


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Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011
por Ricardo Vicente

Segundo o Expresso, a "Alemanha propôs hoje que o seu atual secretário [de] Estado das Finanças, Jörg Asmussen, substitua o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE) Jürgen Stark (...). O anúncio da substituição (...) foi feito hoje (...) pelo ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble".

 

Para os alemães (tal como, de resto, para Sarkozy) a independência do Banco Central Europeu não vale nada. A Alemanha não respeita nem a soberania dos outros países nem a independência necessária a instituições como o BCE.


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