Passos em económica e Sócrates em executiva
"Tão perto e tão longe, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho viajou em classe económica, obrigado pela regra que impôs a todo o governo no início do mandato. Livre de tais constrangimentos, o ex-primeiro-ministro e comentador dominical da RTP, José Sócrates, viajou em executiva. Onde, aliás, era o único passageiro."
Na bíblia o filho pródigo sai de casa, mas negoceia antes a herança do Pai para se dedicar aos seus vícios privados, quando se esgotou a fortuna, humildemente regressa à casa do Pai, pede perdão e acolhimento, e este abraça-o porque se arrependeu.
Na vida política, o político pródigo chegaria a ministro salvaguardaria e criaria condições que lhe permitissem ocupar um lugar na privada onde pudesse gerir os benefícios de concessões e adjudicações e outros dinheiros públicos que brotassem do Estado, esgotada a fortuna pública, regressaria arrogantemente à política, certo que serviçais vazios de ideias lhe estenderiam a passadeira pela sua esperteza...
PS: qualquer semelhança desta parábola com a realidade é mera coincidência.
Não é à pessoa honesta que convém um cidadão considerado respeitado cair na malha da suspeita de ilegalidades. É o corrompido, o corruptor ou o interessado em desrespeitar a lei que se sente justificado com isso.
Estranhei a euforia mostrada por muitos com a hipótese de Medina Carreira ter sido suspeito e investigado num caso de lavagem de dinheiro e fuga ao fisco… até pareciam interessados em que ele mesmo tivesse as mão sujas.
Uma coisa também importa insistir: um mentiroso pode não ser o veículo mais convincente para dizer uma verdade, mas esta não vira a mentira devido ao defeito do mensageiro; tal como as realidades que Medina Carreira tem dito, que incomodam muita gente, deixam de ser verdades, independentemente de por fugas de informação se terem agora levantado algumas suspeitas sobre a pessoa.
Não, não gosto do anúncio do refrigerante.
É paternalista, primário e apela a sentimentos básicos de uma forma que me irrita.
Não tenho o instinto da esquerda reaccionária que já inundou a rede com contra-anúncios.
Tenho sim o incómodo, talvez exagerado, de quem vê um produto e um formato que é global tomar para si valores e sentimentos nacionais dando-nos lições que depreendo como moralizadorazinhas e de algibeira.
Epá, já nos levaste o Natal, o Pai Natal, o Urso Polar, os Clubes de Futebol e uma mão-cheia de outras coisas... Agora queres mesmo o quê?
Vai passear!