Quinta-feira, 20 de Junho de 2013
por Luís Naves

O debate intelectual português é frágil e, numa conversa, depressa estala o verniz. Entre nós, fazer perguntas é difícil e contém elevados custos, sobretudo quando as perguntas são pertinentes.


Um grupo de deputados da JSD colocou uma questão e houve um coro imediato de indignações. A pergunta é política. Os deputados questionaram a origem do financiamento dos sindicatos dos professores e foram de imediato comparados com Hitler e classificados de fascistas. E, no entanto, faz todo o sentido questionar a origem dos financiamentos (dos sindicatos, dos partidos, da JSD).
No caso do sindicalismo, é conhecido o financiamento público, já que as quotizações têm vindo a baixar de forma sistemática. Ele pode até ter vantagens, mas o que espanta é alguém considerar o tema tabu. Veja-se esta reacção de Filipe Nunes Vicente ou esta de Ana Cristina Leonardo, dois autores da blogosfera que se destacam pelo pensamento heterodoxo e pela coragem de dizerem o que pensam. Neste caso, usando a ironia, mesmo o sarcasmo, os dois autores recusam que a pergunta dos deputados seja formulada.

 

Há outros temas da nossa realidade onde se pára pouco para pensar. Um dos autores mais lúcidos da blogosfera portuguesa, conhecido por mr. Brown, escreve o óbvio neste post, mostrando como é estéril e artificial a polémica em torno do pagamento dos subsídios em Novembro. Infelizmente, a sua opinião será devidamente ignorada pelos mais apressados.
E, no entanto, isto é algo que se pensa em cinco segundos: se as pessoas já estão a receber um subsídio em duodécimos, em Junho terão metade de um subsídio pago, pelo que se o outro subsídio fosse pago também em Junho, então receberiam, a meio do ano, 1,5 subsídios, o que obviamente não está previsto na lei. O argumento da oposição, ‘há dinheiro, pague-se’ não era possível em nenhum outro país civilizado. Será que o Estado só paga salários?

 


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por Luís Naves

Recentemente, entrei em simpático debate com Shyznogud, autora de Jugular, e tentei explicar uma realidade que julgo compreender bem, a situação política interna na Hungria. Argumentei que esta questão não é a preto e branco. O verdadeiro perigo na Hungria não está no primeiro-ministro Viktor Órban ou no partido conservador Fidesz, mas na extrema-direita do Jobbik, formação anti-semita e anti-cigana que inclui uma ala puramente fascista (querem, por exemplo, formar um grupo parlamentar anti-sionista).
Órban tem maioria de dois terços no parlamento e faz com os europeus uma espécie de dança de dois passos para a frente e um passo para trás. Este jogo permitiu-lhe até agora impedir a subida do Jobbik nas sondagens. Por isso, a dureza europeia em relação a Órban é sobretudo retórica. Julgo que isso explica a ausência de sanções no relatório de Rui Tavares. Nas recomendações incluem-se aliás emendas sugeridas pela direita húngara e o relatório é sobretudo útil para Órban dizer em casa que bate o pé aos europeus, fazendo depois o devido recuo de um passo (que coincidência, o Presidente recusou promulgar uma das leis contestadas por Bruxelas, sobre a transparência da administração).

 

Vou repetir-me: o problema na Hungria é a ascensão da extrema-direita, não é a existência de um PM que actua segundo a sua personagem. Órban é um dos construtores da democracia húngara e dominou a política do País nos últimos 25 anos. Falar dele como se fosse uma “criatura” desprezível é uma tontaria. Um autor do Le Monde, Yves-Michel Riols, explicou este conflito muito melhor do que eu poderia fazer, num texto que gerou grande polémica. O jornalista foi insultado pelos leitores, tentou responder com paciência, mas a força dos mitos é terrível. Incluo aqui um link para este texto, que julgo ser dos melhores que li sobre o tema, exceptuando o título exagerado. (Googlando o título é possível ler o texto completo).

 

Aproveito para incluir dados da mais recente sondagem Ipsos na Hungria (as eleições são daqui a dez meses). O Fidesz, no poder, subiu para 49% do eleitorado que não tem dúvidas sobre onde vai votar, mas tem menos de metade dos indecisos que votam certamente, o que baixaria ligeiramente a percentagem final. Os socialistas têm 27% dos que votam, e os outros partidos de esquerda 14%, mas dois deles arriscam-se a ficar fora do parlamento. O Jobbik baixou: tem agora 12% dos eleitores e proporção semelhante nos indecisos.
Em resumo, se as eleições fossem agora, o Fidesz teria maioria absoluta, para a qual devem bastar 38%. Com a economia a melhorar, o desemprego a baixar e a actuação firme durante as cheias, Órban tem grandes hipóteses de vencer, mas não repete os dois terços. Não havendo frente de esquerda, alguns pequenos partidos do centro-esquerda podem estar a sonhar em fazer uma coligação de governo com um Fidesz que não atinja estes resultados. E, claro, Jobbik em queda é excelente notícia. O Fidesz já disse várias vezes que jamais se coligará com o Jobbik.


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Quinta-feira, 2 de Agosto de 2012
por Luís Naves

João Gonçalves cita frequentemente Gore Vidal e escreve aqui sobre o escritor americano, que faleceu anteontem. Um texto com toque pessoal.

Não sou grande conhecedor da obra de Vidal, de quem li uma colecção de ensaios e dois romances, Império (julgo que menos interessante) e Juliano (que achei excelente). Por coincidência estou a ler uma curiosidade, um policial Death Before Bedtime, que o escritor assinou com o pseudónimo Edgar Box. A história é um bocado parva, mas os diálogos cinematográficos são uma pequena maravilha. 

Outro texto sobre Gore Vidal, por Eduardo Pitta, em Da Literatura.

Em A Terceira Noite, o falecido escritor de Império também merece uma pequena referência, mas não é por isso que deixo o link. A visita ao blogue de Rui Bebiano justifica-se em qualquer situação. Já o referi antes, é um dos melhores blogues portugueses, certamente um dos mais cultos e com mais para ler.

 

Por falar em cultura, habituei-me a ler regularmente Meditação na Pastelaria, de Ana Cristina Leonardo. Não partilho muitas das indignações da autora, mas é sempre uma excelente leitura. Fica aqui o protesto pela recente paragem deste blogue e uma nota de satisfação pelo recomeço dos posts regulares.

A história dos ursinhos de peluche, contada pelo Pedro Correia em Delito de Opinião é inacreditável. E também não dá para acreditar que haja admiradores portugueses do pobrezinho do ditador.

Por fim, um link para algo totalmente diferente. 

 

 


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Quinta-feira, 5 de Julho de 2012
por Luís Naves

Pedro Froufe tem toda a razão e concordo inteiramente com o que escreve Helena Matos, também em Blasfémias.

Acho muito estranha esta história, certamente ligada à anterior.

O ministro Miguel Relvas tirou a sua licenciatura na Farinha Amparo, mas não há qualquer indício de que tenha mentido ou cometido qualquer acto ilegal. Não leu Sartre? Pois, azar dele, mas não vejo a relevância política do caso. Para mais, convém lembrar que este diploma é em ciência política, área onde pode contar a experiência. Caramba, o ministro fez política prática, sabe alguma coisa do assunto e até dá para compreender que haja equivalências no curso. 

 

O que começo a estranhar é esta necessidade tão urgente de retirar Miguel Relvas do cenário, custe o que custar. A política ad hominem, como escreve Pedro Froufe. Esta sequência de casos mal contados está a parecer-se cada vez mais com uma manipulação muito bem organizada.

Tirar Miguel Relvas do cargo que ocupa, e depressa, parece ser a melhor forma de enfraquecer politicamente o governo de Pedro Passos Coelho. Não é preciso ser licenciado em ciência política para perceber isso.  


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Sábado, 9 de Junho de 2012
por Luís Naves

A propósito de Harold Bloom, João Gonçalves escreve em Portugal dos Pequeninos sobre a "escola do ressentimento" e o jargão da "vociferante matilha do espectáculo". Um post para ler várias vezes. O autor acrescenta que o custo de não pertencer aos grupinhos e de não repetir as banalidades é o isolamento. Isto dá para muita reflexão.

Blasfémias é um dos blogues que tenta ir contra a corrente. Neste post de Luís Rocha combate-se um dos mitos mais instalados, de que a estratégia do Governo não funciona. Vale a pena ler e observar o gráfico. E concordo com a frase do autor: "temos um povo fantástico e umas elites deploráveis". É isso mesmo.

Questões europeias: Tomás Vasques escreve aqui sobre a Grécia e a crise do euro. Shyznogud, em Jugular, sobre o mesmo tema.

Falta uma semana para as eleições gregas e nos blogues de esquerda escreve-se como se fosse certa a vitória do SYRIZA e a saída do país da zona euro. Tenho dúvidas sobre esse resultado. Se houver um governo pró-resgate, a Grécia continuará na zona euro, com a possibilidade de novo perdão da dívida. Afinal, é muito mais barato para o resto da Europa.

 

Continuo a dizer que o blogue de Rui Bebiano A Terceira Noite é um dos grandes blogues portugueses. Não consegui escolher um post. Por isso, deixo o link. Leiam por ali abaixo.

Mais cultura: Pedro Picoito escreve sobre Ray Bradbury, em O Cachimbo de Magritte.

E ainda a ligação a Puro Acaso, de Isabel Lucas.

 

 


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Quarta-feira, 6 de Junho de 2012
por Luís Naves

 

Tem toda a razão, o João Tordo, no que escreve neste post. Infelizmente, o contemporâneo é desprezado pelos intelectuais, apesar de ser sobrestimado pelos media, sendo esta última frase um acrescento meu. À cultura do efémero não interessa o clássico e às elites só interessa o clássico. Julgo que uma das razões para o problema levantado por João Tordo tem a ver com a dificuldade de interpretar as obras contemporâneas e a elevada probabilidade do intelectual não perceber a relevância de determinada obra. 

No seu excelente blogue Horas Extraordinárias, Maria do Rosário Pedreira tem feito muito pela divulgação do trabalho de novos autores. É uma referência na blogosfera.

Em O Escafandro, José António Abreu escreve sobre Praga. Muito interessante.

O autor faz parte da equipa de Delito de Opinião, um dos blogues excelentíssimos, e de onde destaco esta análise de Pedro Correia.

Luís M. Jorge é outro dos autores do Delito, mas pode ser lido aqui a solo. Vida Breve, um blogue que costuma ser impiedoso em relação às nossas hipocrisias e omissões.

Francisco Seixas da Costa, em Duas ou Três Coisas, faz uma forte (e justa) criítica aos media. Acrescento um pequeno comentário à história: alguns políticos têm consciência deste facto e conseguem manipular as entrevistas, dando títulos aos jornalistas.

João Miranda levanta em Blasfémias uma questão pertinente.

E ainda a ligação a um excelente blogue, Entre as Brumas da Memória, de Joana Lopes.

 

 

 

 


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Sábado, 2 de Junho de 2012
por Luís Naves

Rentes de Carvalho escreve aqui sobre Dalton Trevisan, o vencedor do Prémio Camões. Um excelente post, de um grande escritor português que mantém um blogue que leio com regularidade, Tempo Contado. A Quetzal publicou recentemente o romance de Rentes de Carvalho O Rebate, a reedição de um livro escrito em 1971 e que na altura passou estupidamente desapercebido. O livro tem tudo: ritmo alucinante, personagens desenhadas em poucos traços, arrasando os mitos do bucolismo campestre. Pelo contrário, é um mundo impiedoso, triste e pobre, povoado por figuras mesquinhas e brutas. Gostei deste livro também por me fazer lembrar um episódio da minha infância e uma história da minha família.

 

Eduardo Pitta escreve em Da Literatura sobre suplementos literários para jovens, anunciando uma iniciativa da Ler, mas destaco este texto sobretudo pelas referências ao DN Jovem, onde nunca escrevi, mas que li durante anos e vi fazer, também durante anos. Pena o DN ter acabado, primeiro com o suplemento, depois com a página, depois ainda com a plataforma digital. As maiores felicidades para o 15/25, que segundo revela o post será conduzido por José Mário Silva, autor do Bibliotecário de Babel. Está bem entregue.

 

Fica aqui também a ligação ao Pedro Rolo Duarte e à Bomba Inteligente de Carla Quevedo. Dois blogues com apurado bom gosto.

 


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Domingo, 15 de Abril de 2012
por Luís Naves

Carla Quevedo, neste post publicado em Bomba Inteligente, lança um debate sobre os méritos do twitter como ferramenta para os jornalistas. Não partilho do entusiasmo, mas julgo ser um tema de grande interesse. Alguns autores têm considerado que existe mérito no chamado "jornalismo do cidadão" e encontram muita informação no meio da tagarelice. Julgo ser fácil manipular o voluntarismo de redes sociais como twitter, mas é uma questão bem interessante.

Outro tema importante é o do Tratado Orçamental, que teve posts no Forte Apache. Na restante blogosfera, interessou-me este texto de João Gonçalves, em Portugal dos Pequeninos, onde se refere a fragilidade do documento no caso de François Hollande vencer as eleições em França. Permito-me discordar: Hollande não poderá renegociar um Tratado que o seu antecessor assinou. Se estiver disposto a não o ratificar, haverá reacção dos mercados, a Itália e a própria França afundam-se em dias. Não há hipótese de renegociação que não seja cosmética.

Uma duríssima crítica ao Tratado, pelo nosso Pedro Madeira Froufe, em O Grande Porto.

Um post de José Manuel Fernandes, em Blasfémias. Tudo pertinente.

Por falar em futuro, fica esta especulação sobre 2080. Em inglês. Muito bom.

 

Este é um grande texto, sem sentimentalismos. A vida real, ou antes, a morte a sério. (Vieram-me as lágrimas aos olhos, confesso). Parabéns à autora. 


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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
por Luís Naves

Um excelente post de Rui Tavares sobre a União Europeia. O autor, que é também eurodeputado e sabe do que fala, faz um retrato impiedoso do "vazio político" da actual Europa.

Pedro Rolo Duarte em grande forma.

Esta pequena história contada por João Gonçalves, em Portugal dos Pequeninos, revela um grande senhor: Manuel António Pina.

Helena Matos, em Blasfémias, faz uma observação que também fiz com os meus botões: as notícias que davam como certo o "prejuízo" no dia de trabalho da terça-feira de carnaval ou são absurdas ou indicam que a função pública dá prejuízo ao país.

 

Este post de Priscila Rêgo em A Douta Ignorância explica de forma muito clara o dilema europeu na Grécia. Recomendo também a leitura deste post de Mr. Brown, em Os Comediantes.

Ainda sobre a Grécia, algumas sondagens citadas por Pedro Magalhães, em Margens de Erro. A segunda aponta para uma crise após as eleições, mas provavelmente exagera a queda do PASOK. Os partidos de esquerda contrários ao plano de resgate somam 42,5% do voto, mas a Esquerda Democrática, liderada por Fotis Kouvelis (que deverá ser a surpresa) tem uma posição com nuances e é menos radical do que Syriza ou o partido comunista.

A vitória será, tudo o indica, da Nova Democracia de Antonis Samaras; o que restar do PASOK, com nova liderança, terá interesse em viabilizar um governo. O LAOS de Giorgios Karatzaferis quase desaparece. Última nota: a UE quer tudo por escrito e terá a garantia dos partidos antes das eleições. Só depois chega o dinheiro. A propósito, 130 mil milhões é muito dinheiro, somados aos 100 mil milhões que os gregos já gastaram e aos 100 mil milhões perdoados. Como é que se pode falar em falta de solidariedade?

 


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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
por Luís Naves

O blogue de João Gonçalves, Portugal dos Pequeninos, tem nova apresentação e passou para a plataforma Sapo. O blogue ficou muito bonito. Parabéns. 

Luís Menezes Leitão, em Delito de Opinião, menciona o embargo petrolífero ao regime iraniano. O autor observa que serão três países em dificuldades os mais afectados. Acrescento que os iranianos nem devem sentir o embargo, pois podem vender petróleo à China. Se querem construir a bomba, vão continuar a construí-la; se não querem, enfim, para quê o embargo? A política tem grandes mistérios.

O Fernando Moreira de Sá já o mencionou neste forte: parabéns atrasados ao Aventar pela iniciativa Blogue do Ano. Estas coisas dão muito trabalho.

 

Os leitores devem achar que cito muitas vezes Ana Cristina Leonardo, em Meditação na Pastelaria. Mas é um excelente blogue. Veja-se este post. Li 50 indignações sobre a declaração dos pastéis de nata do ministro Álvaro Santos Pereira e esta foi a única que me fez rir. De facto, comparar pastéis de nata e frango no churrasco não lembra a ninguém. É intolerável. 

Este post de João Rodrigues, em Ladrões de Bicicletas, toca num assunto importante, o modelo emergente de capitalismo de Estado.

Muito bom post de Francisco Pessanha, em Jardim de Micróbios, um blogue com escrita de alta qualidade.

E quem tiver muita paciência, faça uma visita aqui.


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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
por Luís Naves

João Pinto e Castro deve ser um grande democrata, para escrever isto. Bastava-lhe ter mudado de canal, mas não, era preciso amarfanhar a opinião da senhora, impedi-la de falar em público, humilhar e "desprezar" a sua adversária. Não bastava discordar dela.

Bem mais útil será olhar com muita atenção para este gráfico do Financial Times, visível neste post de Rui Rocha, em Delito de Opinião. Como comenta Helena Sacadura Cabral, no mesmo post, "que calafrio!"

Começo a acreditar que o cenário 1 vai superar o actual plano A (cenário 3).

 

Discordo desta opinião de Carlos Manuel Castro, em Câmara de Comuns. O facto é que os números disponíveis durante as campanhas eleitorais não se confirmaram. Por exemplo, em Espanha, houve um aumento de impostos depois de se saber que o défice orçamental de 2011 não era de 6% do PIB, mas de 8%. Um desvio de dois pontos. O mesmo sucedeu em Portugal.

Aventar faz aqui serviço público. O documentário é sobre a indústria petrolífera e a crise energética que se adivinha. Este tema vai dominar os próximos 50 anos e não pode ser excluída a possibilidade da nossa civilização não encontrar uma solução para o problema. Junte-se a isto a crise no actual modelo de capitalismo.

Discordo muitas vezes de João Miranda, mas tal como se vê aqui, é um autor heterodoxo, com invulgar capacidade de síntese. Depois de escrito, o argumento torna-se evidente. Por um lado, grita-se que a política tem de controlar a economia, mas quando surge um exemplo disso, logo surge a gritaria sobre os abusos das ligações partidárias.

Nunca tinha visto um governo que na prática está proibido de fazer nomeações políticas. A quantidade de nomeados é muito menor do que nos anteriores governos (os factos do Público desmentem o título), mas qualquer que fosse o número, seria sempre um escândalo.


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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
por Luís Naves

Uma boa crónica de Teresa Ribeiro, em Delito de Opinião.

Ligação permanente também a Portugal dos Pequeninos, de João Gonçalves.

 

Aspirina B consegue fazer melhor. Este é o género de post preguiçoso e demagógico. O problema do País não é as pessoas ganharem muito dinheiro e pagarem elevadas taxas de imposto. Critiquem os que fogem aos impostos, não aqueles que os pagam. Mas alguma esquerda continua a insistir nas tiradas populistas.

Por outro lado, esta é a discussão importante. Um texto muito forte de Luís Januário. Merece reflexão.

 

Outras leituras em:

Defender o Quadrado, de Sofia Loureiro dos Santos.

Um bom post de Hilária Quevedo, Bomba Inteligente.

O excelente Menina Limão.

Outro bom blogue: No Vazio da Onda.

Alguns destes links e outros também aqui.


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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012
por Luís Naves

Saudações a um novo blogue de qualidade, Ouriço, onde escreve o nosso João Gomes de Almeida. A blogosfera portuguesa precisa deste tipo de espaço.

Em Ouriço, num post de Mendo Henriques menciona-se a nova Constituição húngara, e com observações pertinentes. Um pormenor adicional: a frase "Deus Abençoe os Húngaros", citada no texto, é o primeiro verso do hino nacional. O hino manteve-se no tempo dos comunistas, o que é notável. E ninguém se atreveu a mexer na palavra Deus. Se há algo consensual naquele país é o sentimento patriótico (no sentido cultural e linguístico) e o respeito pelos símbolos da nação, como hino, bandeira.

Partilho da indignação de Tomás Vasques. No entanto, continuo cliente do Pingo Doce porque quem lá trabalha não tem culpa do accionista.

Interessante post de Pedro Braz Teixeira, mas a discussão é que me parece prematura. E claro que isto só podia acontecer com ajuda externa, sendo do ponto de vista dessa ajuda muito mais barato evitar o cenário do que pagar a conta.

 

Este é um blogue excepcional: Mesa Marcada.

Escrever é Triste. Saudações ao recém-chegado.

És a Nossa Fé. (Não sou do Sporting, mas gosto do conceito). A fragata holandesa em cima é uma referência ao goleador do clube.

E já me esquecia: Delito de Opinião tem novo grafismo e fez três anos. É um dos melhores blogues que conheço. Parabéns à equipa.

 


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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011
por Luís Naves

Um grande texto de Manuel Jorge Marmelo, cheio de humor. Teatro Anatómico é uma referência da blogosfera.

Um bom texto de André Abrantes Amaral, tirado de O Insurgente. Concordo no essencial com a ideia do autor, mas acrescento o seguinte: a diversidade da Europa foi de facto vítima de um longo processo de limpezas étnicas e uniformizações de teor nacionalista, mas isso foi travado pela União Europeia, que tem o efeito inverso. Há assim duas Europas, a antiga, anti-cosmopolita, e a nova, por enquanto uma espécie de utopia universalista.

Um texto sobre o choro dos norte-coreanos, de Rui Bebiano, em A Terceira Noite. Vem um pouco na linha do que escrevi mais em baixo, mas vai mais longe na descrição da tirania.

 

O excelente blogue de Joana Lopes, Entre as Brumas da Memória, merece visitas regulares. Não destaquei nenhum post em particular.

Ana Cristina Leonardo tem um dos melhores blogues individuais que conheço, Meditação na Pastelaria.

E comecei a fazer este, que vai crescer devagarinho. Chama-se Fragmentário. Façam uma visita. A abrir está um post quase igual a este, mas leiam os seguintes.


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Sábado, 12 de Novembro de 2011
por Luís Naves

Silvio Berlusconi colocou a Itália à beira da falência, mas parece que o processo democrático foi interrompido.

Na Grécia, um governo irresponsável criou uma situação que pode levar o país a um recuo sem precedentes, mas a democracia também foi interrompida.

Nestes dois países, os partidos políticos entenderam-se, substituindo governos frágeis por outros tecnocráticos, chamados de salvação nacional e com apoio parlamentar abrangente, com a missão de aplicarem programas de austeridade e cumprirem compromissos internacionais (que os anteriores executivos não conseguiam aplicar), além de prepararem eleições. Mas, para este autor, estamos perante uma interrupção da democracia. As instituições funcionaram, vai haver eleições, mas isto não é democrático; e a culpa é da Europa, essa entidade mítica. Sim: a Europa interrompeu a democracia na Itália e na Grécia, duas vítimas cuja pujante política interna ameaçava provocar um afundamento geral.

Seria bem melhor que tudo ficasse como estava.

 

Lemos os editoriais de publicações internacionais sérias e os textos são unânimes em elogiar as decisões agora tomadas pelos políticos italianos e gregos. As populações vão pronunciar-se em eleições num prazo de dois ou três meses. Acabou um impasse perigoso para todos, mas Pacheco Pereira conclui que a Europa não é democrática.

Que razão obscura levará uma pessoa inteligente a escrever um texto tão demagógico (dos pés à cabeça), cheio de conclusões erradas e que não resiste a 30 segundo de análise de um taxista ucraniano que não saiba nada de política?

Talvez seja melhor lermos autores lúcidos, como Viriato Soromenho-Marques.

E concordo com Isabel Moreira, em Aspirina B, vale a pena ouvir isto e comparar com o que a esquerda afirma em Portugal.

A Grécia precisa de um plano Marshall (chamem-lhe o que quiserem) e as regras do BCE têm de mudar, o que exige alterações urgentes nos tratados, mas no vídeo há outras afirmações interessantes.


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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
por Luís Naves

Sérgio Lavos, em Arrastão, fica indignado com o que escreve José Manuel Fernandes, num post em Blasfémias.

Isto até podia ter dado um bom debate, mas o autor de Arrastão recusa dar qualquer razão ao texto que comenta. Aqui vê-se bem o diálogo de surdos que se instalou na blogosfera e a radicalização absurda que poderá estar a espalhar-se pela própria sociedade. A senhora em causa reformou-se aos 55 anos, mas julgo que não poderá queixar-se da sua reforma baixa. A tendência será para os trabalhadores se reformarem mais tarde, resultado ditado pela demografia. As pessoas vivem mais tempo e a população está a envelhecer depressa. Os abusos que Sérgio Lavos refere são situações de privilégio a que uma geração teve acesso, mas que não se repetem. A minha geração (nasci em 1961) terá certamente reformas máximas e em valores baixos.

Mas, sublinho, é pena que os autores não tenham debatido o tema e que um deles desate logo aos tiros.

Henrique Raposo escreve com ironia sobre algo que devia ser evidente para todos os portugueses.

Este autor de Insurgente, BZ (convinha perceber a assinatura), explica com graça e simplicidade a situação das contas públicas. Isto é tudo verdade, mas não é só assim: o problema das torres de marfim é que dão para ver a floresta e perde-se a noção da árvore. Estamos a falar de pessoas e os sacrifícios no corte do défice não são distribuídos de forma ideal, antes penalizam sobretudo os mais pobres (porque são pobres) e a classe média, (porque paga o essencial da factura). Sobretudo, os poderosos não devem esquecer isto.

 

Agora, em temas menos políticos, esta brilhante crónica de Manuel Jorge Marmelo, que se lê muito melhor do que a chuva de estrelas. A propósito, fonte bem colocada garante-me que os neutrinos são demasiado fraquinhos para superarem a velocidade da luz e que deve ter ocorrido um erro instrumental.

E este é um post típico daquele que, para mim, é um dos melhores blogues nacionais, Novo Mundo, de Isabela Figueiredo. É literatura e o texto deve ser lido como tal, de preferência em voz alta. Boa escrita, temas duros, nada politicamente correcto. É incómodo, mas o mundo é assim, cruel.


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Sábado, 17 de Setembro de 2011
por Luís Naves

Este blog tem tudo: inteligência, bom gosto, boa escrita. Igual à autora, Isabel Lucas.

Também gosto muito deste blog, ainda por cima com um belo título: Uma Mulher não Chora. Façam uma visita. 

Este link chega com uns dias de atraso, mas parabéns ao Pedro Rolo Duarte, por este texto e pelos 30 anos de carreira.

Muito pertinente, este post de rui a. em Blasfémias.

Aplauso a 5 Dias pelo aniversário. E pela impressionante lista de autores.

 

Por outro lado...

Era bem melhor ficar por lá o Kadhafi. Aqui, a mesma tese, acrescentando Mubarak.

Sobre a frustração de Gabriel Silva e de Filipe Nunes Vicente, deixo um comentário: os povos árabes estão a tentar libertar-se dos seus ditadores; as únicas organizações da sociedade que funcionam têm raízes religiosas, mas isso não pode espantar ninguém e não é culpa senão das ditaduras que sufocaram a imprensa, as universidades e os partidos. Os Irmãos Muçulmanos ou grupos inspirados nas correntes fundamentalistas são fortes no Egipto, Síria, Tunísia, Palestina, Iémen ou Líbia. Alguns dos grupos dominantes da rebelião contra Kadhafi incluem radicais islâmicos (bem mais radicais do que Mustafa Jalil, que motivou os autores).

Mas que adiantam os comentários acima citados? Estão os autores a defender que a NATO devia ter bombardeado os rebeldes líbios ou ajudado Mubarak a manter o seu regime? Estão a dizer que o Islão é incompatível com a democracia? Deixava-se tudo na mesma, como se as rebeliões não existissem?

Gostava de perceber o que devia ter sido feito...


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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011
por Luís Naves

Felizmente, existe uma blogosfera que pouco se interessa com a espuma política. É onde encontramos a verdadeira qualidade e muitas reflexões que nos fazem pensar.  

Ali há de facto excelentes prosas, mas os autores são raramente citados:

Tempo Contado é o blogue de um escritor notável, José Rentes de Carvalho. Cada post é uma pequena jóia.

Em Teatro Anatómico encontramos um escritor e cronista que muito admiro, Manuel Jorge Marmelo. Acaba de lançar um novo romance, Uma Mentira Mil Vezes Repetida.

E, naturalmente, teremos sempre a Lei Seca, de Pedro Mexia.

 

Na blogosfera existe vida inteligente e destaco ainda dois blogues de autores de vasta cultura, que se especializaram na crónica: Rui Bebiano, que escreve em A Terceira Noite; e Francisco Seixas da Costa, autor de Duas ou Três Coisas.


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