Quarta-feira, 6 de Junho de 2012
por jfd

Na Ucrânia, onde milhares de jovens habitam caves abandonadas de cidades, cheirando cola para passar os dias de tormenta e fugir do frio, foram mortos cães e gatos vadios para não atormentarem o Euro 2012.

Na Polónia viva o racismo, as claques intolerantes e os saudosismos tão tristes que nem escrevo a sua forma gráfica!

Viva a UEFA. Viva o futebol!


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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
por Ricardo Vicente

A propósito deste quadro do Financial Times publicado por Rui Rocha ao qual cheguei a partir deste post de Luís Naves...

 

Se os periféricos saem do euro, fará menos sentido económico e pouco sentido político insistir que os países ainda de fora venham a aderir. E fica criado e disponível para todos o seguinte argumento nacionalista e euro-céptico: "para quê aderir ao euro se depois podemos ser expulsos pelos alemães?". Se a Alemanha quer de facto a Polónia e a República Checa no euro terá de manter a Grécia, Irlanda e Portugal.

Mas eu acho que, verdadeiramente, os alemães não sabem o que querem. E, assim, não são tão diferentes dos gregos ou dos italianos ou de quaisquer outros como eles (e nós) imaginam.


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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011
por Ricardo Vicente

Estou de acordo com Luís Naves quando afirma que esta cimeira foi uma grande vitória de Angela Merkel mas não sei se convergimos no que são os aspectos dessa vitória. Para mim, Merkel é a grande vencedora porque refutou os eurobonds (o que é mau); obteve compromissos da parte da Polónia que é um dos "bons mal comportados" da Europa (incerteza); negou a possibilidade de ter um banco central mais interveniente (negativo) e menos independente (positivo); e, acima de tudo, a chancelerina teutónica conseguiu mais uma vez não tomar nenhuma decisão daquelas que, embora possam resolver a crise, podem também destruir as suas esperanças de re-eleição (não tomar boas decisões é... péssimo, pois).


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Terça-feira, 29 de Novembro de 2011
por Ricardo Vicente

A integração política da zona euro ou da União Europeia, se for forçada (como alguns prevêem, por exemplo aqui no Forte, e outros parecem desejar) tem de deixar de fora países que são "monetariamente sustentáveis", isto é, que não contribuem para a desestabilização da zona, antes pelo contrário. Isto porque uma economia partilhada não é suficiente para uma união polítca. Aliás, tirando a questão da moeda comum, a união económica não precisa de união política e até pede menos união, menos bruxelas, menos regulamentos, menos PAC, menos burocracia e menos Estado supra-estadual. A economia não é pois condição suficiente para uma união política e esta, por sua vez, não é condição necessária para aquela (como também se afirma amiúde). Declarando o óbvio: também há a política. Vamos a um exemplo: a Polónia.

A Polónia pode ser uma economia extremamente robusta e promissora e a chancelerina teutónica pode andar em pulgas para que aquele país adira ao euro, assim facilitando ainda mais as exportações alemãs. Mas enquanto a França e a Alemanha venderem armamento e treino militar à Rússia, a Polónia nunca aceitará uma união política que inclua aqueles dois países e, ainda por cima, tendo-os à cabeça. Nunca. Por muito economicamente desejável que possa ser a inclusão da Polónia numa nova zona euro mais restrita. E o mesmo vale para uma República Checa ou uma Estónia.

Forçar uma união política coincidente com uma zona euro mais reestrita levará ao estalar de fracturas profundas da geografia política europeia. E essas fracturas têm consequências económicas: se a Polónia fica de fora da união política liderada pela França e pela Alemanha, também ficará de fora da nova e mais restritiva zona euro. E se fica de fora desta, quanto tempo restará dentro da união económica? É por isso que, a bem da continuidade e abrangência da zona euro e da própria União Europeia, eu defendo que não se deve avançar para nenhuma união política. Caso contrário, vamos ter quatro ou cinco blocos políticos na Europa que estarão também separados economicamente. A fragmentação económica na Europa equivale à destruição daquilo que manteve a Europa em paz: uma economia comum. Não é preciso dizer mais nada.

Por tudo isto, alguns conselhos: não avançar com nenhuma união política; implementar as medidas institucionais necessárias e só as necessárias para que o euro seja um projecto credível; não deixar cair para fora da zona euro nenhum dos actuais membros, o que implica reestruturar as dívidas da Grécia, Irlanda e Portugal o mais rápidamente possível, o que por sua vez recomenda a utilização de eurobonds mas apenas com o objectivo da reestruturação ordenada e nunca com o propósito federalista.


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Terça-feira, 25 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

No site da TSF: "Conversa azeda entre Sarkozy e Cameron atrasa encerramento de cimeira europeia", "Sarkozy disse estar farto das críticas de David Cameron, que insiste em estar presente na cimeira europeia de quarta-feira na qual se espera um acordo sobre o futuro da Zona Euro" e "Sarkozy defende que apenas deve estar aberto [a cimeira desta semana] aos 17 países que utilizam a moeda única".

 

Muitas vezes é o país "mal comportado" que tem razão. Por exemplo, o Reino Unido. Este país anda há décadas a criticar com toda a justiça a Política Agrícola Comum. Tem estado isolado nessas críticas, embora a reforma e, melhor ainda, a abolição da PAC beneficiasse vários países (dentro e fora da União) incluindo Portugal. Agora, exige estar presente numa cimeira dos dezassete Estados da zona euro apesar de não fazer parte dessa zona por vontade própria.

 

A verdade é que o Reino Unido e os outros países da União Europeia têm todo o interesse e legitimidade em participar dos assuntos do euro. Em primeiro lugar porque a moeda comum é inerente ao projecto maior e muito abrangente que é a própria União, sendo hoje impossível pensar no mercado comum sem considerar a importância do euro mesmo no caso dos países que mantêm moeda própria. Em segundo lugar porque os doze países dos dois últimos alargamentos da UE ficaram obrigados a integrar a zona euro precisamente aquando da sua entrada na União. Só a prepotência de países como a França e a Alemanha, tão bem ilustrada pelas "palavras azedas" de Sarkozy, pode justificar que uma economia de dimensão média como a Polónia fique de fora daquela cimeira, por sinal a única economia europeia a manter crescimento económico positivo ao longo de toda a crise.

 

A Polónia é outro exemplo de um bom "mal comportado" europeu. É um país que tem sido fustigado pela imprensa da "boa Europa" por ser conservador, católico e orgulhoso. Na velha "Europa Ocidental" só os grandes têm direito ao orgulho. A verdade é que a Polónia é dos países que mais tem feito, por exemplo, pela integração internacional de uma série de Estados europeus. Foi por exemplo a Polónia que se opôs à Alemanha e, em conjunto com os EUA, apoiou a entrada dos países bálticos na NATO. É também a Polónia que tem liderado a cooperação europeia com a Ucrânia, Bielorrússia, Moldávia e os três Estados do Cáucaso.

 

Se não fosse a actual fragilidade económica e política, Portugal poderia ser também um dos bons "mal comportados" da Europa. Deixo esta sugestão a Pedro Passos Coelho: que denuncie nos vários fóruns europeus a loucura do projecto da rede de alta velocidade europeia, um projecto tão mais absurdo quanto se pense nos serviços prestados por empresas privadas não subsidiadas e lucrativas como uma Ryanair. Sugiro que exponha que o único resultado garantido de tal projecto será um maior endividamento de boa parte das economias europeias, menos crescimento económico e uma subsidiação perdulária e injusta à indústria dos países europeus mais ricos.


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