Quinta-feira, 11 de Julho de 2013
por Carlos Faria

A utopia dá-nos muitas vezes força para caminhar, mas a maioria das vezes leva à desilusão quando sentimos que os pés se cansam para uma meta inalcançável.

Cavaco pôs em primeiro lugar a necessidade de ética política para salvar a Nação de uma forma sustentável a longo-prazo: em resumo, considerou imprescindível que os líderes dos partidos nacionais que dizem acreditar no sistema democrático ocidental, integrado na União Europeia e com as condicionantes do atual sistema de economia globalizada devem colocar os interesses fundamentais para a sobrevivência do futuro de Portugal acima dos interesses pessoais e de grupo que presidem e para acabarem com os jogos tendentes a meras vitórias passageiras de fação que prejudicam o que é essencial no País.

No campo dos princípios estou de acordo com a ideia de Cavaco Silva, o primeiro problema é se for impossível reunir um número mínimo de líderes nacionais de partidos chamados à ordem que coloquem de facto em primeiro lugar o interesse de Portugal.

O segundo é que na impossibilidade de resolução pela via dos líderes partidários, eu não vejo como os mesmos viabilizarão em seguida uma solução presidencial que coloque os interesses de Portugal acima dos das fações que eles defendem.

 


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Domingo, 26 de Maio de 2013
por Alexandre Poço

"Ou, para usar o léxico em voga, os políticos não têm credibilidade. Ai, quanta saudade do tempo em que os políticos eram credíveis. Lembro-me como se fosse hoje de quando elegíamos gente cumpridora, unicamente preocupada com os célebres interesses do País e alheia quer a interesses partidários quer pessoais. Gente altruísta que sacrificava a popularidade a fim de servir o bem-comum. Gente ponderada, que nunca criaria as condições para entregar a nação ao FMI. Gente lúcida, que jamais permitiria a destruição, paga em cheque, do sector primário. Gente esclarecida, que sabia aplicar com rigor e parcimónia os "fundos" europeus. Gente determinada, que não cedia à atracção dos sindicatos pelo caos. Gente precavida, que se negou a autorizar o crescimento incessante da máquina estatal. Gente racional, que preferiu perder votos a alimentar a ficção de um assistencialismo desaconselhável e inviável. Gente insubmissa, que não sossegou enquanto não desmantelou uma Constituição devotada ao socialismo e acarinhada pelos comunistas. Gente avisada, que sempre preservou o equilíbrio das contas públicas. Gente decente, que combateu por dentro os naturais apetites do Estado para controlar a ralé desde o bolso até ao hábito. Gente democrática, que acautelou a probidade do sistema judicial. Gente visionária, que garantiu a exigência e a qualidade do ensino. Etc."

 

"Para os media e os "especialistas" da política e da economia, logo para a vasta maioria da opinião pública, a austeridade em que caímos é opcional. O Governo desatou a empobrecer os portugueses só porque retira farto gozo do exercício e não porque uma dívida descontrolada nos deixara próximos do colapso e em plena dependência da caridade (a juros) do exterior. Poucos se dão ao trabalho de notar que sem os apertos vigentes (e os que faltam) a troika não nos atura, que sem a troika os apertos serão imensamente maiores e que no mundo real não há descontos: os golos sofrem-se muito antes dos 92 minutos."


Alberto Gonçalves no Diário de Notícias


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Quarta-feira, 20 de Março de 2013
por Carlos Faria

Na bíblia o filho pródigo sai de casa, mas negoceia antes a herança do Pai para se dedicar aos seus vícios privados, quando se esgotou a fortuna, humildemente regressa à casa do Pai, pede perdão e acolhimento, e este abraça-o porque se arrependeu.

Na vida política, o político pródigo chegaria a ministro salvaguardaria e criaria condições que lhe permitissem ocupar um lugar na privada onde pudesse gerir os benefícios de concessões e adjudicações e outros dinheiros públicos que brotassem do Estado, esgotada a fortuna pública, regressaria arrogantemente à política, certo que serviçais vazios de ideias lhe estenderiam a passadeira pela sua esperteza...


PS: qualquer semelhança desta parábola com a realidade é mera coincidência.


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Sábado, 23 de Fevereiro de 2013
por André Miguel
Juan Arias no seu blogue "Vientos de Brasil" lança uma discussão sobre um tema deveras interessante e que tão ausente tem andado do espaço público.

Vivemos um tempo surreal, um tempo em tudo acontece depressa demais, um tempo que em duvidamos do que queremos, do que fazemos, desconhecemos para onde vamos. Um pequeno livro com o curioso título de "A Cauda Longa", de Chris Anderson, revela bem como o mundo mudou nas ultimas duas décadas, nomeadamente a economia, mostrando como vivemos tempos de abundância de escolhas, com uma oferta quase infinita à distância de um clique (paradoxalmente ao mesmo tempo que atravessamos a maior crise económica de sempre). Na cauda longa de hoje acabou a economia da escassez da prateleira, diante de nós temos a oferta infinita ao preço que cada um estiver disposto a pagar; a internet e as redes sociais foram os impulsionadores deste fenómeno, revelando aquilo que os consumidores querem ao mesmo tempo que o mercado cada vez mas alarga a oferta; quem não se adaptar fica para trás, hoje mesmo. Refiro isto apenas para mostrar como a sociedade evoluiu freneticamente, a evolução foi espantosa, assim como a capacidade de adaptação da mesma a esta nova realidade em que agentes económicos e consumidores se alinham incrivelmente rápido às necessidades de uns e outros, no entanto uma parte da sociedade, aquela que talvez mais influencia tem nos nossos destinos, continua praticamente inalterada desde há séculos. Resulta assombroso constatar como as instituições políticas, os seus agentes, as suas práticas, continuam praticamente as mesmas desde há muito, demasiado, tempo, chegando sempre tarde e a más horas à realidade do momento e quase sempre com resultados catastróficos. Veja-se como as decisões acontecem sempre muito depois do acontecimento. Até a crise financeira em que estamos mergulhados não foi mais que a cauda longa a funcionar nos mercados financeiros, onde estes se adiantaram incrivelmente rápido a toda a restante sociedade, deixando os políticos atordoados com que se passava à sua volta. No mundo das redes sociais assistimos ao acontecimento praticamente em tempo real, o mesmo é difundido a uma velocidade estonteante e em minutos todos tomamos conhecimento de determinado facto. Não é chavão, de todo, dizermos que a economia está sempre um passo à frente da política, mas o pior é que não é só a economia, mas todo o mundo em que vivemos. Podemos até ver como as respostas da classe política a qualquer crise chegam sempre tarde e a más horas; não há antecipação, porque não há análise, não se olha em redor.

Isto acontece porque a política detesta o risco, na política exigem-se resultados e estes são tão mais seguros quanto menor o risco das decisões a tomar, daí que o socialismo tão bem tenha vingado ao longo da história. O socialismo pressupõe o planeamento central, o controlo dos meios de produção, quando não mesmo os resultados dessa produção, e isso pressupõe a limitação das liberdades individuais como forma de eliminar o risco subjacente à escolha infinita, mas como Hayek tão bem provou, no "Caminho para a Servidão", é de todo impossível a um grupo restrito de indivíduos processar toda a informação da sociedade para decidir e planear com sucesso. E aqui chegamos ao político obsoleto perante a cauda longa que se estende diante do cidadão comum, o qual aos poucos vai fazendo ouvir as suas escolhas, bem como a sua voz, nas ruas, nos blogues, nas redes sociais e já não apenas com a cruz no boletim de voto. No entanto, por incrível que pareça, perante a ineficácia do Estado a maioria pede ainda mais Estado, mas há indícios de que algo, aos poucos, começa a mudar. Haja esperança.


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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013
por Dita Dura

Não sou militante de nenhum partido. Nunca fui e não me estou a ver como político, ainda mais com os partidos que temos: não seria capaz de apoiar o PS ou o PSD, os responsáveis pela desgraça em que vivemos. Depois há o CDS, dos submarinos, das trapalhadas, da incoerência, dos deputados que não defendem a vida e apoiam o lobby LGBT, o CDS muito PP e pouco democrata-cristão. Do outro lado, temos o BE que, embora defenda valores que não são os meus, tem militantes que sabem servir as causas e não eles próprios, que normalmente acreditam no que dizem e levam-no até ao fim, que não beneficiam de cargos, cunhas ou favores. Por exemplo, a coordenadora Catarina Martins, que é frontal e inteligente. E o Francisco da Silva, de quem esperamos grandes coisas e que nos faz querer voltar a acreditar nos políticos.

 

Não sou de direita ou esquerda, embora normalmente diga que sou de direita para desviar a conversa e escapar a explicações que a maior parte das pessoas não entenderia. Venho de uma família profundamente conservadora, com sólidos valores cristãos e assente em raízes tradicionalistas. No entanto, fui profundamente tocado na infância por uma tia de esquerda, assistente social e várias vezes enclausurada pela PIDE.

 

O propósito geral da direita é puro e inerente às necessidades e exigências da pessoa humana. O objectivo primordial da esquerda é mais artificial, mas é uma resposta às injustiças sociais e uma ambição fundamental inerente a todos os seres humanos. A direita foi corrompida por uma minoria que se apropriou dos seus valores para mascarar intenções individuais. A esquerda foi estragada por outro minoria, que se aproveitou da ingenuidade da maioria que jurou defender. Entre cada uma existe o centro, que é uma mentira que alguns escolhem acreditar. No final, quem perde são sempre os mesmos. É assim desde sempre.

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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012
por Carlos Faria

Embora não esteja de acordo com tudo o que Passos Coelho e o seu Governo têm dito ou feito nos últimos tempos, pelo menos tenho de reconhecer o mérito de o atual Primeiro-ministro agir não com um espírito populista, mas sim de acordo com um projeto que considera ser o melhor para Portugal.

Este comportamento de Passos Coelho consegue unir por vezes campos opostos, quando uns estão interessados em obter dividendos políticos face a medidas impopulares do Governo e outros em defender regalias pessoais, de classe, de grupo ou mesmo de partido.

As palavras de Passos Coelho sobre as reformas mais elevadas tiveram o mérito de mostrar algumas pessoas de esquerda, várias a favor do rompimento dos compromissos com a troika e os credores que consideram injusto, agora a pôr em primeiro plano o respeito pela palavra dada, os compromissos assumidos e até a defender os direitos de alguns privilegiados num sistema de reformas que permitia reformas douradas dentro de pessoas que trabalharam nalgumas instituições públicas, no que antes mereciam oportunisticamente crítica.

Nem sempre é possível manter a coerência de discurso quando o oportunismo políticos impera em cada momento e se existem incoerências ao longo do tempo nas palavras de Passos Coelho, não existem menos do lado de alguns opositores e esta, infelizmente, nem sempre surge por razões de Estado ou de altruísmo ou defesa dos mais fracos.


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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012
por Francisco Castelo Branco

O líder do PS está cada vez mais na corda bamba e nenhuma proposta lhe sai bem. Seguro vem defender a redução de deputados, numa altura em que o país discute o Orçamento de Estado. Ora, o secretário geral socialista fazia melhor se apresentasse alternativas às medidas do governo e que ajudasse a resolver os problemas do défice, porque foi também para isso que assinou o memorando da troika. 

Estar nesta altura preocupado com o corte de deputados não me parece de bom senso. Além do mais, ao propôr esta medida está a abrir as portas a uma revisão constitucional desejada pelo PSD. Seguro está a dar a possibilidade ao PSD de "alterar" a Constituição à sua medida. 

Enquanto que António Costa avança no terreno fazendo ouvir a sua voz, Seguro está cada vez mais perdido ao tentar inovar em cada proposta que faz. 


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Domingo, 23 de Setembro de 2012
por André Miguel

O actual governo não serve, pronto. O povo saiu à rua, os senadores da nação falaram, os jornalistas escreveram, os comentadores comentaram e é ponto assente: este governo não serve.

Da mesmo forma que outro também não serviria. Guterres não servia, Durão não servia, Santana nem se fala, mas Sócrates até era fixe. E quem vier depois deste governo certamente vai lançar saudades de PPC. É infalível; a lusitana saudade adoça sempre o passado. E pessimistas como somos a coisa atinge níveis próximos da patologia, já que o imediato é tudo, o longo prazo não existe e o resultado final, não se vislumbrando, não existe. Em Portugal parece que nos importamos mais como o campeonato começa do que como acaba. Vai daí tomar medidas não é para qualquer um, procuramos um resultado futuro mas sem prejudicar os efeitos imediatos. Adoramos a equidade (seja lá o que isso for), pois temos que agradar a gregos e troianos. E toda a gente opina, toda a gente comenta, todos sabem como sair da crise, todos governam (é Tribunal Constitucional, é Conselho de Estado...), mas não nos sabemos governar e já pedimos ajuda três vezes.

Ora corta subsídios ora não corta subsídios, ora privatiza RTP ora não privatiza, ora mexe na TSU ora já não mexe na TSU... Bem sei que por vezes é necessário dar um passo atrás para de seguida dar dois em frente, mas Portugal além de dar o passo atrás (empobrecendo ou limitando-se à sua real condição) já anda em zig-zag, o que talvez seja mais perigoso, pois com tanta curva e contra-curva a malta acaba ainda mais desorientada e corremos o risco de despiste.


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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012
por Rodrigo Saraiva

Há políticos que entre o país e as eleições escolhem o país. Há políticos que entre o país e as eleições escolhem uma qualquer % de votos.

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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012
por Carlos Faria

Outubro deve coincidir com as próximas eleições legislativas regionais dos Açores e com a novidade de o Presidente do Governo Regional, Carlos César, não se recandidatar ao cargo, apesar de estranhamente ainda se manter como líder do PS-Açores.

Assim, pelo PS teremos Vasco Cordeiro, Secretário Regional da Economia e demissionário desde a primavera para passar a deputado e dedicar-se à sua campanha eleitoral. Um candidato fotogénico mas cuja personalidade, como normal na política, tem vivido à sombra do líder do seu partido.

Pelo lado do PSD a candidata é Berta Cabral, Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada e líder da oposição nos últimos 4 anos, uma rival que goza de grande popularidade na maior ilha da Região, S. Miguel, que após Vasco Cordeiro se ter demitido foi alvo de pedidos da área do PS para a sua demissão, de modo a não se servir do seu cargo em proveito da sua campanha.

Há alguns indícios de possíveis mudança, pelo que os restantes líderes políticos açorianos: Artur Lima (PP), Zuraida Soares (BE), Aníbal Pires (CDU) e Paulo Estevão (PPM) esforçam-se para que após o duro combate que está a desenrolar-se este verão não surja uma maioria absoluta, independentemente de ocorrer ou não alguma troca no partido do governo.

Uma coisa é certa: a acalmia política típica da silly season não deverá este ano ocorrer nos Açores e merece ser acompanhada dentro e fora da Região.


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Terça-feira, 17 de Julho de 2012
por jfd

Sempre disse que um político, eleito pelo povo para a causa pública, deveria ser escrutinado até ao tutano pela comunicação social.

Sempre disse que esta se deveria assumir. Dizendo ao que vem e quem defende. Desvirtuando-se de imparcialidades fabricadas e mantidas com fios de algodão.

Sempre disse também que a esses políticos atacados e acossados pela comunicação social lhes caberia responder quando assim o entendessem. Pois não são por ela governados, nem para ela deveriam governar.

Ora este meu último pensamento terá ficado ligeiramente pervertido pela existência do primeiro e real manipulador da comunicação social em causa própria: José Sócrates. As teias foram profundas. Os exércitos bem mantidos e motivados. As manobras bem calculadas. E as tácticas bem bellow the belt; quando não ia de encontro ao seu desígnio, a fera-tornada-cordeiro-e-depois-fera-de-novo lá mostrava as garras e tudo voltava ao lugar.

 

Ora agora temos um outro, dito, caso. Enquanto antes a diversão para com a comunicação social serviria de distracção daquilo que nos levou à beira do fim, agora temos esta utilizada como distracção daquilo que está a ser tomado como medidas sem as quais não nos poderemos afastar do mesmo abismo.

Reformas corajosas e que influenciam; de norte a sul, da direita à esquerda - com os poderes instalados. As forças do deixa andar e do status quo.

 

Manifestações convocadas por elites intelectuais que encontram no Estado financiamento para suas aventuras.

Manifestações de desdém para com um Processo de Bolonha por parte dos que até agora estavam de boca calada.

Manifestações que exigem dignidade e transparência mas que em legislaturas anteriores nada reclamaram.

Manifestações de células sindicais que vão acordando à passagem de caravanas governamentais e com tácticas pouco democráticas.

Fogo amigo de pessoas que legitimamente se deixam manipular pelas capas, opinadores e outros que tais. E fogo amigo que de amigo apenas tem a origem - encerrando em si um rancor que muito tem de irresponsável tendo em conta os desígnios do País, e muito mais de desejo pessoal de protagonismo e de vingança.

 

Faz-se neste momento pelo futuro de Portugal.

Pouco interessa a eloquência abundante e estéril de bispos, opinadores, amigos e pouco amigos.

Já grave e interessante é quem, não respondendo directamente por quem escreve ou fala no órgão A ou B, se refugia editorialmente nas opiniões desses protagonistas como sendo suas e não dos meios que dirigem. Limpando cobardemente as mãos e permitindo que ataques ad hominem passem em branco manchando cada vez mais o bom nome de certas publicações e programas. Vistos e ouvidos.

 

O que já me interessa é que está um Governo no leme de Portugal. Com um plano. Em um ano ganhou a confiança do exterior. Graças aos sacrifícios de todos nós. Estamos a penar. Num caminho de pedras. Mas se antes tínhamos um caminho de rosas cujo final era uma queda para o nada sem fim, agora temos uma luz no fundo do túnel. E não uma luz utópica ou retórica. É tão real como o sangue que temos nos pés que caminham sobre as pedras da austeridade.

 

Sei que o Governo está empenhado. Todo ele. E no que toca ao Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, nem que veja o fim da sua carreira política, levará a água ao seu moinho - as reformas serão feitas. Gostem ou não gostem os que serão afectados.

E estranho o povo que não entende que o ruído criado apenas serve para que não lhe chegue a mensagem do que realmente está em causa. Daquilo que alguns querem defender. 

 

Não há conspirações nem campanhas negras. Existem factos. E esses estão na presença de quem os quiser abanar, retirar-lhes o ruído e areia, e constatar.

 

Tudo o resto é conversa. Tudo o resto é treta.


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Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
por Alexandre Guerra

Embora cansado e já sem a gravata que tinha levado para o Conselho de Ministros, foi num registo informal e de boa disposição que Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia, recebeu alguns bloguers para um jantar num restaurante em Lisboa, ontem à noite, depois de um dia que o próprio considerou de “histórico”, por causa das medidas aprovadas que visam cortes de 1.800 milhões de euros até 2020 nas rendas excessivas pagas às produtoras de electricidade.

Mais uma medida que Álvaro Santos Pereira considera inédita e que nenhum outro Governo tinha ousado até agora adoptar. Aliás, foi interessante ver o ministro liberto das amarras protocolares que a sua função o obriga, para assumir um registo mais desafiante face à Endesa, empresa que ontem reagiu criticamente às medidas anunciadas pelo Governo.

Álvaro Santos Pereira acredita que as medidas anunciadas ontem representam um abanão no “status quo” que estava instalado, sobretudo entre o Estado e as eléctricas, nomeadamente a EDP.

António Costa, no Diário Económico desta Sexta-feira, parece partilhar, de algum modo, essa ideia: “Tudo somado, o Governo fez o que nenhum outro tinha feito. Cortar 1.800 milhões de euros de apoios às produtoras eléctricas até 2020 corresponde a poupar às famílias e às empresas o pagamento de 1.800 milhões de euros na factura de electricidade.” 

O problema é que apesar dos bons propósitos de Álvaro Santos Pereira e da sua eventual vontade de enfrentar interesses instalados, o ministro da Economia reconhece que não está a conseguir chegar às pessoas. A mensagem simplesmente não passa. E não passa porquê? Perguntou Álvaro Santos Pereira aos bloguers.

A verdade é que as razões são várias, mas, acima de tudo, o ministro da Economia terá que perceber que se, por um lado, os portugueses têm uma grande capacidade de resiliência para encaixar as mais duras medidas e encontrar formas de responder à “crise”, por outro lado, as pessoas precisam de se sentir confortadas pelos seus líderes e ouvir da sua boca palavras inspiradoras.

Quando se trata de chegar à mente e ao coração das pessoas, por vezes, é preferível dar menos enfoque nas “medidas” e nos “indicadores” e ser-se mais emotivo, de modo e envolver a comunidade.

Até porque nalguns casos, mais do que as medidas impostas, os portugueses ficam é revoltados com o silêncio absoluto do Governo perante situações que enfrentam no seu quotidiano, tais como as greves e as chantagens infindáveis das empresas do subsector dos transportes, quase todas falidas, que prejudicam milhares de pessoas. Este é apenas um exemplo entre muitos.

Os portugueses esperam que os seus políticos dêem um “murro na mesa” e partilhem com eles a sua indignação perante situações objectivamente condenáveis e injustas. Mas nada disso acontece.

Pelo contrário, a maioria dos membros do Governo, independentemente das medidas tomadas, limita-se a palavras de circunstância, refugiando-se no enquadramento legal e jurídico, não fazendo qualquer ruptura com o discurso tradicional (neste campo, muito há a aprender com a forma de se fazer política nos Estados Unidos e em Inglaterra).

Perante isto, as pessoas sentem-se revoltadas e desinteressam-se de tudo o resto, das "medidas anunciadas", por mais meritórias que sejam. É por isso importante que o ministro Álvaro Santos Pereira compreenda que uma coisa é demonstrar a sua vontade reformadora num jantar com alguns bloguers, outra coisa é exteriorizar essa sua determinação e emoção para os milhões de portugueses. 

 

Texto publicado originalmente no PiaR.


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Quarta-feira, 28 de Março de 2012
por José Adelino Maltez

 

A decadência não é uma causa, é um sintoma, onde a quantidade não rima com a qualidade, não porque a massificação seja pior que o elitismo da sociedade fechada, mas porque a meritocracia não consegue furar o esquema salazarento que esmaga a democracia. Logo, fragmentados por conflitualismos sectários, passámos a ser dominados por lutas de poder pelo poder, onde os jogadores pensam que ganham tanto quanto os adversários perdem e onde a unidade se transforma em unicidade centralista e concentracionária e a diferença, em dissidência a abater pelos vigilantes que estão ao serviço do verticalismo.

 

Há momentos de apetecer desistir, são exactamente aqueles onde importa lutar ainda mais. Sobretudo quando vendem produtos políticos falsificados, de total ausência de autenticidade, dos que proferem teorias e nós sabemos vivencialmente que, na prática, a teoria sempre foi outra. A do habitual taxímetro e a do sistema clássico de compra e venda do poder. Com música celestial. Basta medirmos os efeitos. Sem os salamaleques de quem quer abocanhar, nem que seja o croquete do evento.

 

Um situacionista de sucesso é aquele que apostou em todos os cavalos, que traiu todos os cavaleiros, que retirou o cavalinho da chuva, quando estavam a molhar a respectiva capela. E que, na altura certa, se passou para o cavalo do novo poder, quando este precisava de mostrar que até se dava com alimárias que fingiam ser da outra cavalariça. Só que cavalo em cima de cavalo apenas dá cavalgadura e o lombo, com molho, nem com condimentos se safa. Sabe sempre a palha.

 

Por seu frutos os conhecereis. Mesmo uma árvore que se diga de causas mede-se sempre pelas consequências. Pelos espinhos que gera e pelas consequências que ela própria escolhe. Antecipando os maus frutos.

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Sexta-feira, 16 de Março de 2012
por jfd

Sendo um fanático pelo politico made in USA, aliás como o meu caro colega de forte Francisco, não poderia deixar de comentar a recente adaptação do livro Game Change ao pequeno grande ecrã.

Delirei, como é claro, com o relato de David Plouffe sobre as marcantes eleições de 2008. Uma visão muito democrata e com todos os detalhes possíveis de relatar que me remeteram para aqueles tempos de mudança e luta política renhida. Partilho também a leitura que teve o meu caro Nuno Gouveia do mesmo livro. Caro este, que escreve no Era Uma Vez na América e que é um blog obrigatório para pessoas que partilhem da minha patologia.

Depois com a leitura de Game Change, tive uma visão mais ampla da coisa. Confirmei as coincidências e preenchi os vazios. Fui um insider e partilhei aquelas eleições com aqueles protagonistas. Voltei ao passado e senti na pele da imaginação a pertença no espaço em que comentaram Keith Olbermann, Bill O'Reilly, Rachell Maddow, Sean Hannity ou o respeitável e infelizmente já falecido Tim Russert do Meet the Press, entre muitos outros que são actores num palco que muito me ensina e diverte (ênfase aqui!).

 

Mas o assunto aqui é TV, e foi a TV que já me tinha dado a ver o espectacular filme sobre a recontagem de votos Bush vs Gore na Florida, que me trouxe, pelas mãos do mesmo realizador, o Game Change. E ainda bem que assim foi. Está muito bom e é um excelente pedaço de televisão. Para junkies como eu então, viciante e demasiado excitante para ser visto com quem não partilha nem um pouco da experiência e paixão.

 

Claro que para muitos o expoente máximo é uma Julianne Moore que interpreta Sarah Palin como nem Tina Fey o fez nos divertidos momentos de SNL. Mas o filme é muito mais que isso. É sobre o processo, é sobre McCain e os seus assessores e como lidaram com a escolha para VP. Principalmente a personagem de Woody Harrelson, Steve Schmidt - o estrategista principal e a forma como lida com todas as nuances que advêm da escolha de Palin. Este foi recrutado para a campanha por um McCain moribundo mas que rapidamente ganhou fôlego, a nomeação e, com a escolha de Palin para VP, ganhou um balanço cujo o resto é história.

Recomendo.

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