Quinta-feira, 12 de Abril de 2012
por Fernando Moreira de Sá

 

O que se passou, na Páscoa, no Algarve é surreal. Como também o é alguns comentários que ouvi, nomeadamente, de turistas espanhóis. Vamos por partes.

As antigas SCUT não foram pensadas para ter portagens. Literalmente. Caso contrário, teria sido salvaguardada essa hipótese em termos de infraestrutura. Da forma como foram construídas torna-se complicado qualquer sistema de cobrança diferente do tradicional. Por sua vez, a opção de cobrança utilizada é geradora de problemas, como se está a verificar.

Não me vou alongar sobre a questão das alternativas inexistentes pois seria repetir tudo aquilo que já escrevi sobre o tema. Nem vale a pena, por agora, voltar a sublinhar o óbvio – a receita que está a ser gerada é bem inferior ao prejuízo directo e indirecto que está a resultar para o Estado e para as populações.  E já desisti de questionar uma matéria sensível: os contratos de concessão...

Quando ouvi alguns turistas espanhóis criticar ferozmente as portagens, mesmo sabendo que entro na “A52 - Autovía das Rías Bajas” e ando 300km sem pagar um tusto e através dela sigo até à fronteira francesa e pago menos do que ir, na A1, do Porto a Lisboa, tal não significa que não existam portagens nas autoestradas espanholas e, sobretudo, nas suas zonas turísticas – algumas delas igualmente surreais.  Por exemplo, na zona de Burgos, existe uma autoestrada sem portagens e outra, quase paralela, com portagens. De repente, aparece uma placa com a bandeira portuguesa e a bandeira marroquina indicando como caminho para esses dois países a tal que é paga. Os turistas desses países que não saibam, seguem pela que é pagar quando podiam ir pela que não se paga (um pouco menos de quilómetros mas que não compensa). Ou seja, podem criticar, e com razão, o inacreditável método de pagamento e não a existência de portagens, por si só. O que existe em Espanha, ao contrário de Portugal, são verdadeiras alternativas. Algumas delas, equivalentes à autoestrada com portagens.

Sendo o Turismo tão importante para a economia nacional é, no mínimo, lamentável o que se passou no Algarve. Da mesma forma que é criminoso o que se passa no Norte de Portugal. A importância do turismo galego no Norte de Portugal é tremendo e as portagens na A28, uma vez mais por causa do método de pagamento, geraram uma onda mediática muito negativa em todos os OCS galegos que se está a reflectir nos resultados turísticos da Região. Uma vez mais, as receitas de cobrança de portagens, neste caso na A28, são bem menores que os prejuízos económicos causados na Região, em especial, no litoral. Não ver isto é de uma irresponsabilidade imperdoável. Paulo Campos, o pai desta vergonha, ainda não pediu desculpas...

 

(a fotografia que ilustra o post foi gentilmente palmada AQUI)


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