Quinta-feira, 7 de Março de 2013
por Francisca Prieto

7.50 da manhã, Rita Prieto no seu melhor. "Ó mãe, ainda foi há pouco tempo que tu eras jovem, não foi?", "Ó Rita, eu ainda sou jovem", "Não mãe, a sério".

 


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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013
por Francisca Prieto

Mãe ajuda Manuel Prieto a estudar para teste de inglês, sabendo de antemão que será necessário proceder a retrato físico e psicológico de uma personagem. “Olha lá para o teu irmão e diz-me como é que ele é”. Rapaz apressa-se a responder num inglês irrepreensível “he is ugly”. Segue-se a réplica “Ai é? And you are stupid and...loser”.

Mãe felicíssima por vocabulário ainda não se ter sofisticado ao ponto de incluir adjectivos do tipo “asshole” ou “duchebag”.


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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013
por Francisca Prieto

Rapazes a assistir ao Benfica. Oiço a voz indignada do Manel Prieto "Pinto, diz-se negro, não é preto. Gostavas que a mãe fosse negra e a tratassem por preta? Gostavas??? Grande estúpido". Adoro ver o grau de tolerância e compaixão dos meus filhos para com o próximo.


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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012
por Francisca Prieto

Rita Prieto, no banco traseiro do carro "ó mãe, em que dia é que a Xiquinha faz anos?", "é no dia doze". Vai a miúda e entra em modo minimal repetitivo "doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze, doze". E digo eu, já irritada "podes parar com isso, se faz favor?". "Ai, desculpa, mãe. Avariei".


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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2012
por Francisca Prieto

Estou para aqui a indagar se, na qualidade de Directora Geral da Família, deverei aderir à greve e deixar um rapaz no treino de futebol até amanhã de manhã.

(tentador, tentador)

 


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Terça-feira, 30 de Outubro de 2012
por Francisca Prieto

Xiquinha Prieto apresentou-se na farmácia puxando pela sua melhor cara trissómica. Ao balcão ofereceram-lhe logo uma fantástica mochila da Uriage, a ida à caixa rendeu-lhe duas amostras de pasta de dentes. Sou definitivamente a favor de discriminação.


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Sábado, 13 de Outubro de 2012
por Francisca Prieto

Embora às vezes fujam de mim como o diabo da cruz, a rapaziada está careca de saber que o beijo maternal matinal não é facultativo. Hoje, mediante uma certa resistência, fui forçada a gritar "Vem imediatamente dar um beijo à tua velha mãe". Astuto, respondeu-me já no quarto degrau das escadas "Não vou não. A mãe não é velha". É com estas e outras que me enrolam. Sabem muuuuito.

 


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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012
por Francisca Prieto

Nunca fui grande coisa a matemática, mas estou em crer que, na ficha do meu filho Rodrigo, o rapaz se deve ter distraído quando respondeu "5 metros" à pergunta "quanto terá de crescer o Rui para atingir a altura do João?"

 


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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012
por Francisca Prieto

“...então, o Lobo Mau vestiu as roupas da avózinha e prendeu-a no armário” (...blá, blá, blá...) “depois, o Caçador entrou, o Lobo fugiu a correr de camisa de noite, e o Capuchinho destrancou o armário onde estava a avó sozinha, triste, cansada....(intervém Rita Prieto de olhos esbugalhados)...E NUA”.


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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012
por Francisca Prieto

Rita Prieto, zangadíssima: "Eu nunca, mas nunca mais falo com a mãe. NUNCA MAIS. Nem uma palavrinha". Ó meu Deus, quem me dera que cumprisse a ameaça pelo menos por um par de dias.


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Terça-feira, 11 de Setembro de 2012
por Francisca Prieto

Rodrigo Prieto viu um anão no Pingo Doce e ficou fascinado pelo tema. Ando há dois dias a responder a perguntas absurdas sobre anões e, apesar de não estar particularmente informada sobre a problemática, ontem à noite pude assegurar-lhe que um anão recém-nascido não é do tamanho de um Playmobil. Help, please.


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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2012
por Francisca Prieto

Manelito Prieto tem o grave defeito de ser um rapaz com uma grande falta de modéstia. Ele é o melhor a jogar ténis, o rei das ondas nos mares mais revoltos e o campeão dos cavalinhos de bicicleta.

Um destes dias, o irmão, farto de tanta fanfarronice, gritou-lhe: "sabes o que é que tu és, sabes? És um C-O-N-V-E-N-C-I-D-O". E apressou-se a acrescentar: "aposto que se eu escrevesse a palavra convencido no youtube iam aparecer moooontes de vídeos teus".

 


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Terça-feira, 31 de Julho de 2012
por Francisca Prieto

Hoje, na farmácia: "Uma caixa de Valdispert, por favor". "250 ou 400?". "Dê-me o de 400. É que vou de férias com a família".


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Quarta-feira, 25 de Julho de 2012
por Francisca Prieto

 

Os meus rapazes hoje estão-se a portar tão mal que temo

cometer uma loucura destas. 

Do meu lado, já estou em brasa.

 


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Segunda-feira, 2 de Julho de 2012
por Francisca Prieto

O problema de se ser Directora Geral da Família é que não há ilusões quanto ao subsídio de férias. Bem, na realidade, também não há férias. E os chefes são prepotentes, gritam muito e nem sempre lavam os dentes.


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Sexta-feira, 22 de Junho de 2012
por Francisca Prieto

Fui levar um caganito a uma camioneta para ir jogar futebol a Passos Brandão e não consegui evitar verter uma lágrima e abanar os braços até o veículo virar a esquina. Nunca esperei isto de mim, sinceramente.


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Quinta-feira, 7 de Junho de 2012
por Francisca Prieto

 

 

Aqui há uns tempos, uma amiga das lides profissionais que se dedicou a matérias alternativas, foi tirar um curso de numerologia. Já se dedicava a leitura de auras, meditações e afins e resolveu complementar a sua formação de “maga” com o mistério dos números. Depois precisou de uma cobaia para ensaiar as primeiras leituras e, como o resto do grupo desse tempo tem uma paradoxal relação de atracção/pânico por estas coisas, mandou-me à frente para desbastar caminho.

 

Ora cá do meu lado, sou uma rapariga terra-a-terra, de maneira que, achando absurdo que o destino se possa encerrar nos números, nas auras, nos astros, ou no que quer que seja, fui destemidamente enfrentar as profecias matemáticas.

 

Levei logo, para início de conversa, com a certeza de que vivia esta jornada com uma dívida karmica, o que me deixou ligeiramente crente na ciência numerológica. Estupefacta, a minha amiga confessava-me que eu era a última pessoa em quem esperava encontrar tal défice cosmológico, já que me conhece com uma aura de trevo de quatro folhas.

A dívida, sei eu muito bem como foi aniquilada, mas não é assunto sobre o qual vá dissertar agora.

O que interessa desta lengalenga é que passei a olhar para a vida como sendo merecedora de tudo e de mais um par de botas a que possa ter direito. Assim que me aparece uma qualquer oportunidade pela frente, lembro-me da tal da dívida karmica e apresso-me a aproveitar enquanto é tempo, não vá o cosmos lembrar-se subitamente de encarnar o cobrador do fraque.

 

Foi então assim que, na semana passada, à primeira deixa, me atirei para dentro de um avião, rumo a São Paulo, onde vive uma grande amiga que disponibiliza estadias grátis em troca de boa converseta. A par comigo, seguiu um terceiro elemento que completou o trio das amigas do coração, encerradoras de segredos milenares, jamais divulgáveis para lá dos limites da confraria.

 

Marido e filhos na vida quotidiana de cá e eu, por lá, a gozar à tripa forra o privilégio de me terem sido concedidos seis dias provenientes directamente do céu.

 

Quando regressei foi-me perguntado se tinha feito muita coisa, se tinha visitado muitos lugares, se tinha visto muita gente. Fui forçada a confessar que, não obstante ter ido um par de vezes ao teatro e a uma ou outra exposição, a jornada, na sua essência, tinha consistido numa longa “pijama party”, tal e qual como quando era adolescente e convidava amigas para dormir em minha casa.

 

Há pessoas com as quais temos uma dinâmica tão peculiar que é irrelevante o lugar do mundo onde nos encontramos. Seja em São Paulo, seja em Lisboa ou até em Calcutá, é certo e sabido que este trio rebenta em gargalhadas guturais pelos motivos menos previsíveis, que se entende sem ser preciso dizer grande coisa e que se respeita nas suas diferenças.

 

De maneira que o que fiz, na prática, foi optar claramente por gozar aquilo que São Paulo de melhor me tinha para oferecer naquela semana, querendo lá saber se alguma personalidade interessantíssima palestrava num auditório da metrópole.

Escusado será dizer que não tive qualquer prurido em sugar a folga até ao tutano, que depois das notícias numerológicas, não me resta qualquer dúvida de que, em qualquer relação com o karma, pelo sim, pelo não, o melhor é garantir créditos. 


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Quarta-feira, 6 de Junho de 2012
por Francisca Prieto

(face a um desenho)

"Ai que linda que eu estou, Rita, até me fizeste uns caracolinhos". " Não são caracolinhos, mãe, são piolhos".

Obrigadinha, é o que me ocorre. Raismapartam.


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Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
por Francisca Prieto

Rita Prieto: "Mãe, queres brincar aos castelos? Eu sou a rainha, tu és a majestade e a Xiquinha é o monstro".

Estou estupefacta com a sensibilidade inclusiva desta minha filha.


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Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
por Francisca Prieto

 

Como escrevinhadora fico com os nervos de pantanas com as gralhas que se infiltram pelos textos que nem térmitas ou com as falhas de concordância que se transmutam a seu bel prazer a cada revisão, e dá-me ganas de fazer um curso de harakiri quando me apercebo de um deslize de ortografia daqueles de palmatória que dariam direito a usar orelhas de burro se ainda andasse na escola primária.

 

Como mãe, detectei, no entanto, um quarto inimigo da expressão escrita. Ora uma progenitora de vasta prole vê-se obrigada a dar asas à sua verve ou debaixo de fogo cerrado (posso comer um chocolate? posso, posso, posso, posso? Mãe, mãae, mãaae, mãaaaaae, mãaaaaaaaaaaaae. quero fazer cocó. tenho fome. preciso de um lápis) ou à noitinha, muito à noitinha, quando a cabeça já atingiu um estado de centrifugação a 1400.

A consequência, não sendo grave, pode tornar a retórica estapafúrdia. Ainda um dia destes recebi um par de emails de perfeitos desconhecidos a avisar-me de que tinha apresentado o meu filho Manel como “o progenitor”, o que não fazia lá muito sentido dado que o rapaz só tem dez anos e ainda não entrou na puberdade. É evidente que à meia-noite de um domingo, numa cabeça centrifugada, um primogénito é muito facilmente tomado como irmão gémeo de um progenitor e que, só na segunda feira, se tornará claro o incesto do parentesco.

 

Isto para vos rogar, caros leitores, que se um dia destes, no meio de uma frase bucólica em que “Pedro dava a mão a Leonor (está quieto, não mexas aí) enquanto cruzavam o olhar cúmplice (queres agrafar um dedo, é?) de quem sabe ter encontrado o verdadeiro amor (eu avisei, não avisei?)”, vierem a dar conta de elipses despropositadas, façam a caridade de avisar esta que por ora vos escreve, à meia noite de domingo.


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Domingo, 6 de Maio de 2012
por Francisca Prieto

Mediante a infindável lista de eventos desportivos a que vários membros da família queriam assistir durante este fim de semana, na tentativa de conseguir salvar algumas horas para actividades mais culturais, atrevi-me a sugerir que, no Sábado à noite, se disputasse uma partida Sporting-Potro.


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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
por Francisca Prieto

Ontem à noite, após ecos de pancadaria, Rodrigo Prieto entra-me pelo quarto que nem um tornado e grita: “o Manel que vá viver para Espanha, isso é que era um alívio”. Não percebi de imediato o que tinha motivado esta súbita vontade de exportar o irmão para o país vizinho. Porém, hoje de manhã dei-me conta de que o primogénito tinha andado a rejubilar com a vitória do Bilbao. Indignada pela falta de patriotismo, agarrei-o por um braço e lancei a estocada fatal: “a partir de hoje tu, para mim, serás o Manolo”.


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Quarta-feira, 4 de Abril de 2012
por Francisca Prieto

 

Quando era pequena a minha mãe andava sempre atarefada. E, como me calhava a mim o derradeiro lugar na fiada dos cinco filhos, sobravam escassos momentos de exclusividade materna. Só me recordo de conseguir aproximação especial em dois tipos de situações: ou através do processo de invasão (que partia de mim) ou através da abordagem cultural (que partia dela).

 

A primeira situação era facílima de operacionalizar porque bastava apanhar a minha mãe a dormir. Ora a senhora andava sempre estafada, pelo que encontrá-la abandonada aos braços de Morfeu era canja. Depois, era só deitar-me mesmo ao lado, de preferência debaixo da mantinha, e deixar-me ficar ali muito quieta.

 

Ser alvo de um convite é que era um acontecimento mais raro. Fora uma ida ao cinema para ver o Pinóquio em que, já que falamos nisso, a minha mãe adormeceu durante grande parte da sessão, mesmo nas partes mais trágicas, não me lembro de nenhuma outra deslocação que não tivesse por detrás um objectivo cultural.

O alvo preferido, dela e meu, era o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian. Para além dos Galgos de Amadeo, que era uma das minhas obras de eleição, havia no acervo uma divertidíssima escultura chamada O Beijo, onde uma balzaquiana platinada e de formas generosas a rebentar de um vestido vermelho se encontrava sentada num banco de jardim a ser beijada por um senhor enfezado de fato.  Era o momento alto da exposição. Eu e a minha mãe trocávamos  um par de gargalhadinhas cúmplices enquanto rejubilávamos mediante o par insólito.

 

Depois de completar a volta, almoçávamos no self-service que, para mim, era a mesma coisa que me dizerem que íamos dar uma voltinha às cozinhas do Buckingham Palace.

(enquanto fui escrevendo estas linhas, lembrei-me que numa destas incursões fomos ver uma história de Maria Alberta Menéres, contada pela própria, com projecção de ilustrações de Amadeo de Souza Cardoso, e adormecemos as duas no auditório).

 

Vieram-me estas recordações à memória a propósito de, no outro dia, ter resolvido levar a Prieta mais caganita a ver a exposição da Beatriz Milhazes ao Centro de Arte Moderna da Gulbenkian.

A sodôna Rita é a mais pequena na fiada dos quatro filhos (déjà vu? déjà vu?) e é verdade que, por variadíssimos motivos, aos quais o facto de ela não se calar por um segundo não será alheio, acabo por ter menos paciência e por lhe dar menos atenção. De maneira que, encarando um sábado de chuva e havendo na capital uma mostra de uma artista plástica brasileira de renome que faz colagens com papeis de chocolate, resolvi aliviar a consciência e fazer um programa de mãe e filha.

Não contava era com a estranheza de passar pela porta do edifício, de Rita pela mão, de me aproximar do balcão da bilheteira e de ser invadida por um súbito ataque de esquizofrenia que me fez ter vontade de desatar aos berros com a senhora do museu. Que ela havia de estar enganada, que era eu a pequenina, que eu não podia ser a senhora, como é que eu podia ser a senhora se vinha ali de mão dada com a minha mãe?

 

Raio de coisa. Onde é que se enfiaram os trinta e cinco anos, meu Deus?


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Segunda-feira, 2 de Abril de 2012
por Francisca Prieto

7.45 da manhã. Mãe e filho defronte do espelho da casa de banho. Ele escova os dentes, ela dá um retoque final de brilho nos lábios. “Tcharaaam. Vá, diz lá que a tua mãe está linda”. Filho revira as órbitas oculares e encolhe os ombros com impaciência. Mãe resolve tomar medidas: “Ó homem, não me digas que não sabes que eu sou a mulher mais importante da tua vida. Nunca ouviste falar no Freud?”.

E assim, passo a passo, se vai assegurando toda uma idade adulta de psicoterapia.


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Quinta-feira, 22 de Março de 2012
por Francisca Prieto

Ando para aqui a pensar que devia exercer o meu direito à greve como Directora Geral da Família. Queres fazer xixi? O que é que eu tenho a ver com isso? Uma Cérelac? Amanha-te, pá. Não queres tomar banho? Who cares?

Era lindo.


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Terça-feira, 13 de Março de 2012
por Francisca Prieto

Chego à sala aperaltada. Rita Prieto: "mãe, porque é que estás nesse estado?". "Qual estado?". "Assim, com essa roupa". "Vou sair". "Mãaaaae, já falámos sobre isso". "Sobre isso, o quê?". "Sobre essas saídas com o pai. Não gosto nada disso."

Esta miúda vai dar uma boa mãe de adolescentes.


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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012
por Francisca Prieto

A minha querida mãe, tendo-me visto ontem em estado cataclítico de volta dos meus quatro descendentes, hoje resolveu mandar-me alento por SMS. Escreveu: "Penso em ti. Forca!".

Ainda estou esperançada de que não passe de uma gralha.


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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012
por Francisca Prieto

Dividida entre achar graça ou pespegar um tabefe num filho que, dada a minha velha mania de lhe roubar batatas fritas, se atreveu a sugerir que o meu endereço de e.mail devia ser francisca.gorduchona (arroba) batatas.come.


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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
por Francisca Prieto

 

A minha filha Rita é vítima de um fenómeno insólito. Nasceu senhora quarentona, daquelas baixinhas e assim para o gorducho, que andam sempre com uma malinha no braço. Das que emitem muitas opiniões sobre todos os assuntos e se metem na vida de toda a gente.

 

Um dia, foi à máquina de lavar, encolheu e perdeu misteriosamente a fala.

 

São evidentes os esforços que tem feito para voltar ao estado normal. Mas os avanços têm sido claramente mais morosos do que ela gostaria.

 

Passa o dia a correr pela casa a dar muitas instruções, a liderar movimentos e a meter o bedelho onde não é chamada.

Não perde pitada de uma conversa e tem sempre opinião convicta sobre muitos assuntos, não se inibindo de a expressar de dedo em riste e sobrancelha franzida.

 

Nasceu a exigir toda a atenção a que tem direito, sabendo que, por ser a quarta, só com muita gritaria poderia deixar bem demarcado o seu território. De tal maneira que, em pequena, não se safou de ficar conhecida por “menina Odete”, por associação directa à histórica deputada Odete Santos com quem tem várias parecenças de temperamento.

 

Quando lhe pedimos para enunciar a sua lista de desejos para a carta ao Pai Natal, foi peremptória: “Quero dois presentes cor-de-rosa”. Porque é evidente que no seu mundo não existe outro tom que não seja o cor-de-rosa.

 

A Rita está destinada a grandes feitos. Acredito que chegue a Primeiro Ministro da Nação. É infinitamente chata mas tem carisma comprovado junto de todas as baby-sitters que alguma vez lhe prestaram assistência, não dá confiança mas lança um charme irresistível a qualquer visita e tem sempre o cabelo num estado de compostura de fazer inveja à Manuela Eanes.

 

Mas às vezes comporta-se como um perfeito bebé (o que nem se pode considerar dissonante no quadro da política actual). Um destes dias, estando-se a portar mal, peguei-lhe ao colo e perguntei-lhe em tom zangado: “o que é que a Rita é?”. Respondeu-me baixinho “É o bebé da mãe”.

 

É gira, a minha filha Rita. Só não sei bem é o que é que lhe hei-de fazer. 


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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
por Francisca Prieto

Mãe miserável entra na cozinha às 7.45 em busca de comprimido para fulminante ataque de sinusite. Filha nº4: "estás doente, mãe? tens de ir já ao médico". Mãe comove-se com a preocupação filial por breves instantes, até ouvir "é que tens de levar pessoas à escola". Quem me dera que fosse ficção.


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