Quinta-feira, 21 de Março de 2013
por José Meireles Graça

Nós, os que estamos sentados à cabeceira de Portugal, conhecemos bem o doente e julgamos saber interpretar os sintomas. Infelizmente, fazemos interpretações diferentes, donde decorrem diagnósticos também diferentes, e correlativamente as terapêuticas.

 

Sejamos claros: diagnósticos há seis (o do CDS, o do PSD, o do PS, o dos dois restantes partidos parlamentares, o do MRPP e o de Fernanda Câncio); terapêuticas igualmente seis, mas não exactamente as mesmas (os mesmos menos a Fernanda mais os anti-Euro); e prognósticos apenas um, que é o de que isto vai acabar mal.

 

Toda esta gente tem posições sobre a liberdade de expressão, e divide-se em dois, e apenas dois, grupos: a favor e contra. Sem ter isto presente, e sem entender este pano de fundo, não se consegue perceber nada. E, não percebendo nada, cometem-se erros de avaliação. Muitas pessoas da minha criação, e outras de famílias diferentes, espolinham-se hoje de indignação por causa de a "nossa" RTP ter contratado Sócrates para comentador político: que isto é abrir-lhe uma autoestrada para começar a campanha para herdar Belém; que é um palco para lavar um passado político que foi insuficientemente castigado, e um passado pessoal que apenas lhe deveria permitir entrevistas no parlatório do Tourel; que é uma jogada de Relvas para lançar a sizania no campo socialista, encravando Seguro, atrapalhando as contas de Costa, e de modo geral criando um clima favorável ao Governo, visto que os vitupérios de Sócrates, vindos de que vêm, funcionam como elogios para a maioria.

 

Será alguma coisa destas, uma mistura, ou ainda outra combinação qualquer: de teorias da conspiração vamos ter para cima de duas dúzias.

 

Sucede porém que, do ponto de vista dos interesses da RTP, o convite é uma boa jogada: Sócrates foi um dos melhores tribunos da plebe que a democracia engendrou; é um prodigioso vendedor de banha-de-cobra; seria perigoso se ainda não tivesse sido testado; e, por isto e se a lógica não for uma batata, o programa terá grandes audiências.

 

Não é isso que se espera de um canal bem gerido, que tenha grandes audiências? E  não podemos razoavelmente pensar que é também com iniciativas destas que os prejuízos que suportamos ano após ano podem ter algum alívio, mesmo que sem privatização seja ilusório pensar que a barca algum dia terá lucro?

 

Depois, ou se têm princípios ou não. Fossem as polícias, o Ministério Público e os tribunais mais eficientes e Sócrates estaria provavelmente na cadeia - é a minha convicção. Mas seja por falta de tradição, de meios ou porque o caminho está recheado de truques, minas e alçapões que o Poder Legislativo lá colocou, Sócrates não está acusado de nada. Ora, um cidadão que não está acusado de nada tem todo o direito de ser convidado para um programa de comentário político, assim como os responsáveis pelo programa devem ter a liberdade de convidar quem entendam.

 

Quem não gosta não vê. Eu, tal como, estou certo, os meus amigos, não gosto e verei. E espero ter ocasião de, da minha ignota tribuna, lhe desmontar as atoardas. Que é coisa muito diferente de lhe querer fechar a matraca.

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por jfd

Corre uma petição contra a presença de José Sócrates na RTP.

Um autêntico disparate no meu entendimento.

O senhor que venha comunicar. Tem esse direito. E assim como pedi respeito ao ex-PM Santana Lopes, também o faço para o ex-PM Sócrates.

Agora, que não se misture respeito com direito à crítica e ataque político.

É muito interessante assistir aos editoriais, opiniões e pseudo-opiniões. O twitter então está um festim.

 

 

Será que Seguro vai interromper a primeira entrevista a José Sócrates?

 


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por Alexandre Poço

A comunicação do governo ganha hoje um eficaz aliado: José Sócrates regressa para ser comentador político na RTP


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Domingo, 23 de Dezembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

Sabiam que o Centro de Produção Norte da RTP (rádio e televisão) foi, de todas as estruturas do universo RTP, a que mais pessoal reduziu ao longo dos últimos anos? 

 

Só no último plano de saídas voluntárias, executado em finais de 2011, saíram 10% dos trabalhadores do Centro, deixando várias áreas de apoio técnico completamente desguarnecidas e a obrigarem os trabalhadores que ficaram a esforços suplementares consideráveis.


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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012
por Rodrigo Saraiva

eu percebo a indignação do Fernando, e tantos outros nortenhos, com a deslocação do Praça da Alegria para Lisboa. Mas escusam de apresentar argumentos de diversas origens, nomeadamente o financeiro, e escrever vários posts quando a questão é apenas uma:

 

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Quarta-feira, 31 de Outubro de 2012
por Pedro Correia

Apetece perguntar quem é que escolhe, e com que critérios, os conteúdos que passam na grelha da TV pública.


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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2012
por Rui C Pinto

Miguel Relvas diz hoje que só "em última linha" haverá despedimentos na Lusa. Ora, dito isto no mesmo dia em que é noticiado o hipotético corte de 10% no valor mínimo do subsídio de desemprego, dá-nos mesmo que pensar... 

 

É chegado o momento de debater, na sociedade portuguesa, o que é, de facto, prioritário no que toca às despesas do Estado. É moralmente inaceitável que se corte 1 cêntimo no subsídio de desemprego de quem vive no limiar de pobreza, por cada 100 euros que não se cortem na RTP, Lusa, Carris, Metro, CP, etc., etc., etc. 


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Terça-feira, 18 de Setembro de 2012
por Rodrigo Saraiva

Gestor da Alcatel substitui vogal da RTP que desiste por causa do salário

(...) Lopes Araújo, que está na RTP há 35 anos, era director dos serviços jurídicos e institucionais, e pediu um parecer jurídico ao gabinete que trabalha para a televisão pública para poder manter o ordenado da última função — de cerca de oito mil euros antes dos cortes que os salários da função pública sofreram —, que é mais elevado do que o de administrador. Esta intenção de pedir excepção salarial terá levantando alguma celeuma, uma vez que nem Luiana Nunes, que transita da administração demissionária de Guilherme Costa, nem o novo presidente, Alberto da Ponte — ex-presidente da Central de Cervejas e ex-vice-presidente da holding holandesa Heineken, que controla a cervejeira nacional — a pediram. Ficam assim com o ordenado limitado ao do primeiro-ministro. (...)

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Domingo, 9 de Setembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

 

Foi assim em Braga esta noite. A organização (Braga 2012 CEJ) esperava umas 20 a 30 mil pessoas. Eram os concertos (Buraka, The Gift e Mafalda Arnauth), eram oito zonas temáticas e era o terceiro momento do Festival do Norte (do TPNP) com teatro de rua. Para surpresa de todos, mesmo, foram mais de 80 mil pessoas e a Protecção Civil diz que este número é muito, mesmo muito conservador.

 

O comércio esteve aberto toda a noite e madrugada. Diversos estabelecimentos de hotelaria, situados um pouco por todo o centro histórico, tiveram de encerrar mais cedo pois tinham esgotado as refeições e o mesmo aconteceu com muitos bares e pontos de venda de bebidas com stoks esgotados. A afluência de público superou, largamente, a que se regista na noite de S. João, na Semana Santa ou mesmo na Braga Romana (e ainda por cima a chuva fez a sua tradicional aparição). Foram oito espaços temáticos envolvendo teatro, dança, música (fado, reggae, clássica, rock, pop, electrónica), multimédia e os 20 espectáculos de teatro, música e projecção multimédia do "Cidades Invisíveis" no âmbito do Festival do Norte. Foi assim, absolutamente arrasadora a Noite Branca da Capital Europeia da Juventude.

 

Uma nota final que diz muito sobre um tema que continua na agenda. Este evento único do Norte, por sinal o que mais gente juntou nas ruas, tirando o S. João do Porto, em 2012 (por agora) não contou com a presença da RTP que, segundo a mesma, não tinha ninguém na redação para fazer a cobertura. As privadas: SIC, TVI e Porto Canal, com menos de metade dos meios humanos e técnicos, estiveram presentes (já nem vou falar sobre a imprensa escrita ou as rádios, em força). Ou seja, com menos os privados fazem mais. A RTP, para não variar, com mais faz menos. Depois admiram-se com a privatização...  


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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2012
por Rodrigo Saraiva

Alberto da Ponte, depois de ter colocado a Sagres (principal marca da Central de Cervejas) como líder de mercado, ultrapassando a Super Bock, ia a caminho de um desafio internacional. Com o convite para Presidente da RTP, fica em Portugal.

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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

A alteração da actual Lei Eleitoral Autárquica ficou pelo caminho. Infelizmente. As Assembleias Municipais continuarão a ser uma espécie de fiscal sem meios para fiscalizar. O CDS defendeu os seus interesses partidários. Tendo apenas uma câmara (Ponte de Lima) e vereadores em várias coligações (algumas dezenas deles), temeu a perda de boa parte com a proposta apresentada – o que diz muito da confiança nas qualidades de cada um dos seus candidatos.

 

O processo de privatização da RTP arrisca o mesmo triste fim. Uma vez mais, o CDS. O CDS entende que os portugueses, os contribuintes, devem continuar a subsidiar com os seus impostos uma empresa de comunicação social. São opções.

Até posso entender a manutenção da RTP2 que passaria a ser o espaço em sinal aberto para o tal serviço público (esperando que se elabore um verdadeiro e vinculativo manual que defina o que é serviço público) e que serviria de base à RTP Internacional assim como a existência de uma RDP Internacional. O resto, por muito que me esforce, não consigo perceber para quê e muito menos com o dinheiro dos nossos impostos.

 

Depois temos os submarinos e o próximo(a) Procurador(a) Geral da República. Realmente, esta história dos submarinos já cheira mal. O processo assemelha-se a um carro velho que hesita entre o arrancar e o parar. Ou seja, anda aos soluços. A exemplo de muita coisa na nossa justiça. Tal como no caso Freeport, o caso dos submarinos apenas tem servido para agitar as águas políticas. Uma espécie de novela sem fim à vista. Que apenas serve para queimar sem matar. Da mesma forma que sempre me custou (e custa) acreditar que José Sócrates se fosse envolver em semelhante e depois arriscar ser Primeiro-ministro, o mesmo raciocínio adopto no caso de Paulo Portas – ainda por cima sendo este um dos políticos mais inteligentes da nossa praça.

 

Só espero que a escolha do próximo(a) PGR não sirva para mais zangas. Caso contrário, o estado de espírito do CDS começa a assemelhar-se, imenso, com o do Cristiano Ronaldo... 


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Terça-feira, 4 de Setembro de 2012
por Francisca Almeida

BLOCO DE ESQUERDA

É extraordinário como a esquerda – alguma esquerda – não cessa de nos surpreender. Francisco Louçã escolheu o calor de Agosto para anunciar a sua saída. É, creio eu, benéfico para um partido que se quer afirmar enquanto tal não personalizar excessivamente a sua liderança. E Francisco Louçã é o rosto do Bloco há pelo menos 13 anos. O que é verdadeiramente assombroso é a forma despudorada como Louçã indicou (ou, pelo menos, pretendeu indicar) aqueles que hão de lhe suceder. Para um partido que bate com a mão no peito sempre que se fala em liberdade, que defende a república e que se arroga ser uma espécie de paladino da democracia e dos “valores de abril”, esta espécie de monarquia de sucessão dinástica rompe, choca - melhor dito – desmistifica, de uma vez, esse discurso. Não coloco em causa os nomes que concretamente indicou, colegas a que reconheço o valor do trabalho que vêm desempenhando. O que verdadeiramente fica em causa é esta ideia de que se pode apregoar a democracia mas deixá-la à porta de casa. E, a par desta, uma outra: uma liderança bicéfala pode bem ser uma boa estratégia de “dividir para reinar”.

 

TOURADAS

Seguramente, um dos temas quentes do Verão. Já no passado quando o governo lançou a iniciativa que visava dar voz às propostas dos cidadãos, surpreendentemente, a que congregou mais adeptos foi, justamente, a que propunha a extinção das touradas. E, na Assembleia da República, discutido e votado o assunto por várias vezes, de cada vez mobilizou mais cidadãos que, junto dos deputados, tentaram fazer valer as suas convicções. Subitamente, parece que a par de temas como o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a procriação medicamente assistida, também as touradas se tornaram mais um tema daqueles a que se convencionou chamar “questões fracturantes”. Mas sejamos claros, por muito sensível que seja – e verdadeiramente sou – aos argumentos daqueles que defendem os direitos dos animais, e por muito que toda a mise-en-scène convoque as descrições que conhecemos dos grotescos espectáculos da Roma Antiga (ainda que, valha a verdade, sem a brutalidade de outros tempos), é insofismável que as corridas de touros são hoje os motores de muitas economias locais. A tourada e os sectores de actividade que lhe estão associados dão emprego a centenas e centenas de famílias. Por isso cumpre perguntar: num momento como o que actualmente vivemos, será isto o que realmente nos preocupa, ou – dito de outro modo – nos deve preocupar?

 

RTP

Todo o alarde à volta de um cenário – e, repito, cenário – sobre a concessão da RTP a privados parece desproporcionado. Sobretudo se pensarmos que, até aqui, a solução mais provável era a da alienação. O cenário que agora se equaciona é um meio caminho, a todos os títulos, interessante: o Estado mantém a propriedade mas concessiona a um privado o serviço público. Se virmos bem, o esquema muda pouco. O serviço público até já está concessionado, mas a uma empresa do Estado suportada por todos nós à razão de 300 milhões de euros/anos. E isso é que, verdadeiramente, tem que mudar. De resto, não vejo por que razão uma empresa privada está, à partida, em piores condições para prestar esse serviço. O que temos visto vai, justamente, no sentido inverso. É hoje inegável – até para aqueles que em tempos se opuseram à abertura da televisão aos privados – que a SIC e a TVI prestam, em várias áreas, um verdadeiro serviço público. Aos telespectadores, pouco importa quem “fornece” o serviço público de televisão, contanto que o mesmo esteja assegurado. E é isso que, uma vez encontrado o modelo, verdadeiramente temos que discutir e definir: o que é serviço público e o que queremos que ele seja. A solução jurídica que há-de desenhar-se terá, evidentemente, que compatibilizar-se com os preceitos constitucionais. E estou certa que o governo tratará de assegurar isso mesmo. O que não pode é ficar tudo na mesma. Porque aqueles que hoje se opõem – ou porque a reputam de inconstitucional, ou porque alegadamente não tem paralelo no resto da Europa, ou porque simplesmente estão na oposição – não se lembraram de alegar a “inconstitucionalidade” do que lá se gastou e continua a gastar.

 

(artigo publicado no jornal Notícias de Guimarães)


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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2012
por José Meireles Graça

Ia perdendo o Comunicado da Comissão de Trabalhadores da RTP, no qual tropecei quase por acaso. Seria pena, porque tem um ar tão, tão 75: A firma está falida, custa uma fortuna mantê-la, tem um imposto que lhe está consignado e mesmo assim perde dinheiro, mas é pública e os sindicatos tomaram conta do arraial. E falam como se o poder para mudar este estado de coisas não estivesse no Governo, que representa o contribuinte, mas neles, que se representam a si mesmos.

 

Isto tem, para quem tiver a minha idade, um lado ternurento: A atitude, o plenário, o texto, as grandes tiradas sobre serviço público... Só faltam umas canções de protesto e rotular o patrão de fássista - enfim, não se pode ter tudo, que já não há revolucionários como antigamente, excepto no 5Dias.

 

A benefício de quem não disponha da experiência de vida que lhe permita interpretar com rigor o jargão sindicalista erretepiano, permiti-me alinhavar umas notas explicativas, com a esperança de com elas poder iluminar um texto que aqui e além pode parecer um tanto hermético.

 

COMUNICADO Nº. 31/12
DECÁLOGO DE UMA ADMINISTRAÇÃO ACEITÁVEL PARA
OS TRABALHADORES


Se quiser encontrar um caminho construtivo para a empresa, que viabilize a prestação de um verdadeiro serviço público de rádio e televisão, então convirá ter presentes os mandamentos que impõe um elementar bom senso:


1) O novo CA deve ser nomeado pelo parlamento. Esta proposta não é uma artimanha para invalidar as maiorias que saiam das eleições: o partido mais votado do Governo continua a ser o mais representado no parlamento. Mas é diferente esse partido, ou algumas das suas eminências pardas, fazerem o que querem na penumbra dos gabinetes, ou saberem que devem apresentar ideias capazes de resistir a um debate aberto e transparente;


1) O Parlamento, antes da Ordem do Dia, analisará a programação do dia anterior (excepto às segundas-feiras, em que se analisarão as emissões de Sábado e Domingo),  exercendo assim um papel de correcção de eventuais desvios, para já não falar no benefício da poupança na aprovação de leis daninhas, para as quais não sobrará tempo. Exclusivamente para assuntos de programação, devem ser criados lugares de deputados extra-numerários, reservados a personalidades especialistas em razão da matéria, como Pacheco Pereira;

 

2) O novo CA, sem dever, naturalmente, dar garantias hipócritas de apartidarismo, deve ter um perfil de compromisso autêntico com o imperativo constitucional do serviço público e deve pôr esse compromisso acima das suas inclinações partidárias, religiosas ou outras;


2) O compromisso do novo CA com o imperativo constitucional do serviço público garantirá que não deverá ser posta em causa a propriedade pública da RTP, pelo que o apartidarismo não deve ir a pontos de no CA se incluirem personalidades que tenham um ponto de vista diferente;

 

3) O novo CA deve ser constituído por pessoas com uma trajetória de serviço público, de preferência com tarimba feita na área da rádio e/ou da televisão – a antítese dos comissários políticos armados de lápis azul ou das comissões liquidatárias obcecadas com critérios economicistas;


3) Do novo CA não deve fazer parte quem saiba fazer contas;

 

4) O novo CA deve caracterizar-se por uma capacidade de diálogo com provas dadas, que lhe permita criar consensos com as duas componentes fundamentais do serviço público: os trabalhadores que devem prestá-lo e o público que dele deve beneficiar;


4) Para efeitos deste número entende-se como "diálogo" a cedência às reivindicações dos sindicatos e como "público" aquela parte dele que aprecia programas imensamente chatos (ver nº1);

 

5) O novo CA deve vir decidido a fixar para a RTP os mais altos e mais exigentes padrões de serviço público, aspirando a fazê-la medir-se com as estações públicas europeias e pelas “guide lines” da UER, e não como até aqui com as estações comerciais portuguesas, numa sôfrega disputa de audiências, sem escrúpulos de qualidade nem visão de futuro. É hoje possível tirar partido da assunção da dívida pelo Governo que, ao libertar a RTP da pressão pela disputa de receitas publicitárias, involuntariamente criou melhores condições para reintroduzir nas grelhas um critério de serviço público;


5) O novo CA desprezará a concorrência e as audiências, norteando-se pelo princípio "poucos mas bons". Os 5% de share que pode vir a atingir serão desde já considerados brilhantes pelas direcções do PCP, do BE e do PS, bem como por Sérgio Godinho e outros artistas com mensagem, cuja presença na pantalha tem sido dolorosamente (e dolosamente) escassa;

 

6) O novo CA deve restabelecer o diálogo interno na RTP, ouvindo os organismos representativos dos trabalhadores, em tempo útil, antes de fechadas as decisões e antes de se consumarem factos irreversíveis;


6) O novo CA terá gabinetes a criar nas sedes das centrais sindicais, por mor de grandes poupanças em deslocações;

 

7) O novo CA deve ter claro que a unidade demonstrada pelos trabalhadores não vai tolerar que se pise uma fundamental linha vermelha: a de efetuar um único despedimento ou uma única rescisão imposta com métodos de assédio moral;


7) O novo CA, além de se abster de assédio sexual, só poderá promover o despedimento daqueles trabalhadores que mostrem ser de direita, por manifesta incapacidade de entenderem a noção de empresa pública deficitária;

 

8) O novo CA deve restabelecer o respeito pela legalidade e pela Constituição, não só no que diz respeito à prestação de serviço público, mas também no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores, anulando os cortes salariais que o próprio Tribunal Constitucional considerou violadores da lei fundamental;


8) A reposição da legalidade far-se-á por levantamentos a descoberto junto da Caixa Geral de Depósitos, que rateará posteriormente o montante necessário por débito das contas daqueles clientes com saldos fascistas, nomeadamente o Pingo Doce;

 

9) O novo CA deve estar disposto a gastar no que faz falta e a poupar no que é supérfluo: nenhuma rádio nem nenhuma televisão podem funcionar sem salários justos e sem equipamentos regularmente atualizados; mas todas podem funcionar sem frotas faraónicas de carros de função, sem vencimentos excetuados para as administrações e sem mordomias para as direções;


9) O produto do leilão dos chaços do CA anterior será afectado primeiramente à aquisição de Fiat Panda e, se sobrarem fundos, ao reforço dos capitais próprios da cafetaria;

 

10) O novo CA deve estar disposto a cortar a direito numa estrutura engordada ao longo dos anos: tal como antes se decretou a redução do número de vogais do CA, chegou a altura de reduzir o número de direções – esta casa viverá bem com metade dos seus cargos de estrutura;


10) O número de direcções só poderá porém reduzir-se se os directores afectados pela medida não tiverem o perfil definido no ponto 3) para os membros do CA, caso em que esses membros não poderão ver diminuídos os seus direitos.

 

As administrações passam, os trabalhadores ficam. Mostrámos na passada quarta-feira que temos capacidade para lutar. A comissão criada no plenário avançará com medidas de força, se for necessário. Mas nem por isso deixamos de indicar as condições precisas que, do nosso ponto de vista, permitiriam o estabelecimento de um clima de diálogo dentro da empresa. Se essas condições forem tomadas em conta, não é inevitável que o próximo CA tenha o mesmo fim inglório que teve o de Guilherme Costa. Se forem respeitadas as obrigações do serviço público e os direitos dos trabalhadores, poderemos entrar num processo verdadeiramente construtivo.

 

O Secretariado da Comissão de Trabalhadores da RTP
Lisboa, 2 de setembro 2012

 

As administrações passam, os trabalhadores ficam, daí os quadros pletóricos. Mostrámos na passada quarta-feira que temos capacidade para fazer barulho. A comissão criada no plenário avançará de qualquer modo com um grande berreiro, excepto se ficar tudo como está. 

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Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012
por Rodrigo Saraiva

"Mas enquanto não se der à Constituição o tratamento que se deu ao Caniço, não há muito que se possa fazer."

Termina assim o objectivo artigo do João Miguel Tavares no Correio da Manhã, sobre RTP, serviço público de televisão e afins.

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Quinta-feira, 30 de Agosto de 2012
por Rodrigo Saraiva

"comissão de luta" ... isto veio da malta do entretenimento e ficção ou da malta da RTP Memória?

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Terça-feira, 28 de Agosto de 2012
por Rodrigo Saraiva

Depois do Conselho de Administração e do Conselho de Redacção (ah, o que seria dos jornalistas sem este fundamental fórum) da RTP, ainda falta alguém dar o seu bitaite sobre uma possibilidade de modelo?

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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2012
por Fernando Moreira de Sá

Segundo os cálculos a RTP custou aos contribuintes, de 2003 até 2011, mais de 3,7 mil milhões de euros.

 

Numa época em que só se fala de milhões, este número até pode passar despercebido mas não deve. A pergunta que importa fazer, agora, é: em quê?

 

Qual a diferença entre a RTP1 e as restantes estações de televisão? Nenhuma. O mesmo tipo de concursos, de programas da manhã, de noticiários, de indiferença a tudo o que se passa para lá de Vila Franca a Norte e Setúbal a Sul, os mesmos debates sobre bola, etc. Se assim foi e é, qual o motivo para ter de pagar tanto dinheiro dos meus impostos num putativo serviço público de televisão?

 

O que deveria, nesta altura, preocupar a Impresa e a Media Capital era, isso sim, a concorrência desleal da RTP1 que os copia mas gastando o dinheiro dos outros - o nosso, para ser mais preciso.

 

E a RTP2? Passando ao lado daqueles que mais a defendem agora são os mesmos que se deliciam com o AXN, a FOX, o Discovery Channel e o Odisseia raramente vendo a RTP2, vamos ao que interessa. Os noticiários da RTP2 são diferentes dos da SICN ou da TVI24? Os programas culturais da 2 diferenciam-se daqueles que se pode ver na cabo? Tanto num caso como noutro, não me parece. Logo, a discussão deveria ser outra: defender que a SICN, a TVI24 e mais dois ou três canais culturais da cabo possam fazer parte do pacote da TDT.

 

O resto é conversa da treta.

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por Maurício Barra

O neo-realista residente do Largo do Rato Arons de Carvalho, os comentadores da RTPN, o tremendista Miguel Sousa Tavares, a primeira página do Expresso, o "editorial" do Ricardo Costa, a notícia direccionada do Público (que iniciou há duas semanas uma campanha para criar divergências entre o PSD e o CDS), a SICN, a redacção da RTP1 (*), todos eles juntaram-se ao PC e ao BE na crítica à privatização da RTP. O PC que desde 1974 quer (e em certas fases conseguiu) controlar a RTP. Na redacção, na edição, nos sindicatos, sempre o PC enquadrou a RTP (e a RDP) como o "seu" meio por excelência para transmitir a "sua mensagem", formatando ideológicamente a informação a que os portugueses tinham direito. Ramalho Eanes enfentou-os em 1974, mais tarde Sá Carneiro obrigou-os a recuar, mas depois com as televisões privadas (contra as quais estiveram sempre contra mas a que rapidamente "aderiram") e o sucesso que estas rapidamente obtiveram baseadas em puro trabalho jornalistico e na credibilidade, o impacto da informação condicionada da RTP perdeu escala de valor.

Todos eles estão, não contra o modelo de privatização, mas contra qualquer privatização. Tout court.

Eis como um "complicómetro" (**) levantado por uma "lebre" do Governo acabou por levantar e juntar os interesses corporativos e políticos que  ao longo da nossa "democracia " se mancomunaram para nos controlar.

A perturbação é evidente. Todos vão perder parte do poder que actualmente dispôem para controlar a informação que chega aos portugueses. Um novo player obrigará a que todos possam vir a ser avaliados pelo mercado em termos de credibilidade e formatação ideológica da informação. 

Daí o pânico que grassa sobretudo nos partidos não democráticos de esquerda e, infelizmente sem surpresa, nos "órgãos oficiais" da Impresa/Balsemão, onde a estratégia da aranha dos actuais directores, que demorou anos a tecer para controlar o principal grupo privado da imprensa portuguesa, transformando-o em informação mais "amiga" da esquerda do que amiga da verdade, pode ir todo por água abaixo.

 

(*) aqui não incluo o realizador António Pedro de Vasconcelos, porque a sua questão principal é o financiamento do audiovisual português a partir de uma plataforma pública, assunto que terá de ser equacionado seja qual for o modelo de privatização que o Governo entenda accionar.

(**) de facto o Governo aparentemente ligou o complicómetro para resolver este assunto. Em vez de seguir em frente com a proposta consensual de privatizar a RTP1, RTPN e RDP, reservando a RTP2, a RTPMemória, a RTPInternacional e RTPÁfrica para o "serviço público" que a Constituição "consagra", decidiu-se por um caminho absurdo que levantará dúvidas até para quem quer a privatização da RTP . Como diz Carlos Fiolhais " queremos acabar com as PPP's e agora com a RTP querem fazer mais uma". Voltamos a uma velha   tradição portuguesa : quando há a hipótese de decidir de uma forma clara e enxuta, prefere-se avançar para soluções a  dar tiros nos pés. 


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Domingo, 26 de Agosto de 2012
por José Meireles Graça

Pode o Estado renunciar à prestação de um serviço público de media?

O serviço público de rádio e de televisão (SPRTV) pode ser “privatizado”?

E pode o Estado alienar canais do SPRTV?

O Estado não pode então adotar uma definição “minimalista” de serviço público?

Pode o serviço público de televisão ser prestado com um só canal livre de âmbito nacional?

A eliminação de segmentos importantes do serviço público é socialmente legítima?

A RTP cumpre o serviço público a que está obrigada?

 

Com uma cerrada argumentação jurídica, jpfigueiredo responde não a todas estas perguntas, com excepção da última, à qual parece responder sim.

 

Diogo Duarte Campos, porém, demonstra aqui que, por razões ligadas ao vil metal, "o problema da RTP pode ser – e em alguma medida será – um problema de serviço público, mas é sobretudo um problema financeiro."

 

Não tenho um respeito indevido pela Constituição, uma manta de retalhos saudosista do Socialismo e do PREC, revista a conta-gotas sempre que o PS achou, e tem achado muitas vezes, que afinal a última revisão que lhe foi proposta e rejeitou, até pode ficar bem jeitosinha se a edulcorar; e não duvido que, nos rasgões da manta, constitucionalistas engenhosos encontrarão excelentes razões para defender tudo e o seu contrário. Mas lá que o problema tem uma dimensão constitucional - tem.

 

E porque o Tribunal Constitucional já demonstrou que vive no mundo etéreo dos raciocínios jurídico-ideológicos de esquerda, e que entende que questões de dinheiro são questões de merceeiro, a mim sobram-me também algumas perguntas:

 

Um assunto destes não deveria chegar à praça pública em forma de decisão definitiva do Governo, sopesados todos os prós e contras? As opiniões de um consultor não deveriam ser destinadas exclusivamente a quem o contratou? Há ainda dúvidas, ao fim de mais de um ano de Governo, sobre qual é a melhor solução? A transparência da governação consiste neste cacarejar na praça pública de hipóteses, probabilidades, possibilidades, dúvidas e hesitações?

 

Já toda a gente dá, pela milésima vez, palpites; suspeita-se que, nos bastidores, os interesses rugem; e a RTP perde dinheiro - todos os dias.

 

Também eu ia juntar-me ao coro e esclarecer as massas anelantes sobre qual a minha solução. Mas não agora. Agora apetece-me dizer - bardamerda.


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Sábado, 25 de Agosto de 2012
por Rui C Pinto

 

A RTP, depois da Constituição, é a maior vaca sagrada do regime. O Fernando Mendes e o Malato agradecem, certamente.


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por Rui C Pinto


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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012
por Rodrigo Saraiva

Parece que a RTP2 tem audiências perto dos 90% e nenhum método captava este fenómeno de audiências.


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por Diogo Agostinho

 

É verdade que passamos mais tempo a discutir o acessório do que o essencial.

 

A RTP é daqueles temas que, como a Selecção Portuguesa, todos opinam. E acho muito bem. Mas, a RTP tem um Ministro que a tutela e uma Direcção própria. Não precisamos de um qualquer conselheiro a falar para a TVI e anunciar medidas futuras do Governo, no que ao canal do Estado diz respeito. Ainda por cima um Conselheiro que já foi responsável de topo de um Partido em plena crise financeira e foi incapaz de fazer Política de forma clara e que os portugueses entendessem. Pode ser muito bom a negociar e privatizar. Não coloco em causa a competência adquirida nos diferentes cargos que ocupou ou ocupa… mas, por favor, não precisa de vir à televisão falar em nome do Governo.

 

Esteve muito bem João Almeida do CDS, ao colocá-lo no seu devido lugar!


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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012
por José Meireles Graça

João José Cardoso, um dos meus inimigos de estimação, não diz em geral coisa que preste.

 

Mas hoje saiu-se com uma daquelas verdades como punhos:

 

A SIC estará para Passos Coelho como a TVI esteve para Sócrates.

E se privatizarem a RTP estarão as duas.


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Domingo, 27 de Maio de 2012
por jfd

O rico dinheiro dos meus impostos.... Para além dos cachets milionários pagam tudo o resto?

Bendito Relvas e a privatização deste monstro sorvedouro de dinheiro!

Isto sim é palhaçada. Quero lá saber da espuma dos dias... Mas isto não convém falar... Afinal o status quo.


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Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
por jfd

Um ponto de vista interessante sobre a polémica das audiências que veio abanar com o status-quo dos media televisivos nacionais.

 


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Quinta-feira, 5 de Abril de 2012
por jfd

Já aqui falei do algodão, das exigências de uma deputada e do retorno de um serviço público no que toca a investimento versus audiências e quiçá interesse.

Virá agora alguém exigir que o Governo se desloque ao Parlamento para explicar os ordinários vencimentos no serviço público? E a RDP quem investiga? Quantas pessoas são necessárias para fazer uma emissão? Um jingle? Como são utilizados os meios? Como são racionados? Onde está a poupança?

Porque paga a minha varinha mágica, a minha torradeira ou até o meu carregador de telemóvel para esta gente?

Com tanta guerra com a GFK e uma clara aversão a uma adaptação aos tempos que correm em que cada um de nós pode fazer a sua programação, que sentido faz haver um mercado de serviço público comparado com o privado? Para quê? Quem serve?

Onde estão aqueles que usam das cordas vocais aquando da passagem das caravanas?

 


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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012
por jfd

Ontem a senhora deputada Inês Medeiros exigia a presença do senhor ministro Miguel Relvas no Parlamento.

Porquê? Porque os jornalistas exigiram consequências claras e a Direcção de Informação da RDP demitiu-se. Censura politicamente orientada, ouviu-se ontem no Parlamento via João Semedo. Para mim isto tudo tem uma graça imensa. Pois de censura não se tratará. Caso fosse não teria graça nenhuma.

Mas estes arautos da transparência, verdade e liberdade dir-me-ão como reagiram num passado recente de asfixia que tanto foi por nós condenado. Mas podemos até esquecer o passado, que já lá vai.

Agora estamos noutra realidade. A realidade da transparência. Um Governo que diz ao que vem, que é consequente e que, pasmem-se!, publica quem nomeia em site público. É chato ver agora acontecer aquilo que se pediu no passado, e toca então de arranjar mais faits divers.

Estariam estes senhores incomodados com a tal falta de assunto para atacar este Governo, interessados também em publicar quanto custam as direcções e as redacções ao erário público?

Estariam estes senhores, quiça, ensombrados com a privatização no horizonte, interessados em falar ao povo qual é o ROI* que trazem ao investidor Estado e que mais-valia servem para uma audiência que claramente não os tem como preferência?

Não tinham assunto? Agora já têm!

 

*return on investment

sinto-me:

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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011
por Sérgio Azevedo

Apenas mais uma pequena nota sobre o Grupo de Trabalho para avaliação do Serviço Público de Televisão e Rádio e sobre o seu relatório. Não concordo com muitas das propostas nem com muitos das suas conclusões mas sempre se dirá que o Governo decidiu abrir este debate à sociedade civil que tem uma palavra essencial na definição de serviço publico. Graças a Deus que, ao contrário de outros, este Governo não tem a pretensão de exercer censura intelectual sobre ninguém.

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por Sérgio Azevedo

Toda esta discussão em torno da reestruturação da RTP/RDP parte, do lado dos críticos, de premissas falaciosas e pouco rigorosas. Reestruturar  a rádio e a televisão pública nada tem a ver com o tipo de informação que nelas se produzem nem tão pouco com a qualidade do serviço publico a que elas estão obrigadas.

A reestruturação das estações públicas de comunicação tem essencialmente dois objectivos. O de garantir a sustentabilidade financeira dos canais de comunicação e a adaptação destes canais não só à realidade das empresas de comunicação pública internacionais como, não menos importante, à realidade difícil e ao esforço financeiro exigente que é pedido aos portugueses.

A RTP/RDP custa hoje aos contribuintes cerca de 1 milhão de euros por dia e não me parece que o seu produto justifique tal montante. Uma das formas de defender a pluralidade de opiniões é garantir que o dinheiro público investido na comunicação social é utilizado com critérios rigorosos. Não é compreensível que, por exemplo, os custos associados à radiodifusão pública atinjam os 40 milhões de euros/ano. Também não se entende que as RTP's regionais tenham cerca de 400 funcionários e que estes custem 25 milhões de euros/ano.

É injustificável, neste período de exigência que atravessamos, que a RTP tenha custos operacionais na ordem dos 300 milhões de euros e que o seu passivo bancário atinja os 716 milhões de euros.

É pouco credível, face às exigências financeiras, que alguns salários da RTP ao nível de direcção e de alguns pivots rondem os dez mil euros mensais e que alguns contratos de prestação de serviços cheguem mesmo aos trinta mil euros mensais.

Um Estado que por um lado permite estes rendimentos num sector empresarial público e por outro corta nos salários dos trabalhadores que ganham substancialmente menos não pode ser um Estado credível.

Mais e melhor serviço público de rádio e televisão não quer dizer necessariamente mais custos e mais investimento do Estado. Portanto diabolizar um plano de reestruturação virado para a gestão atribuindo-lhe responsabilidade na quebra do serviço público e na qualidade da informação é mentir. É uma protecção corporativa de um conjunto de regalias que mais nenhum funcionário público, ou ate mesmo não público, tem.

Destaco os objectivos primaciais deste plano. Prestar serviço público de rádio e televisão com custos adequados à realidade economico-financeira do país, preservar o arquivo da televisão e rádio pública como património nacional e defender, representar e alargar a lusofonia através de emissões internacionais de rádio e televisão.

Este é um rumo, um novo rumo, que tem de ser aplicado a toda a gestão pública. Os sacrifícios devem ser de todos e para todos. Custe o que custar.

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