Segunda-feira, 5 de Agosto de 2013
por José Meireles Graça

"Mas também podia ser a descrição do último passatempo da direita portuguesa. Há dois anos, em Faro, Assunção Esteves não consegue travar a tempo e embate num veículo que estava parado em frente a uma passadeira. O impacto do automóvel da presidente da Assembleia da República foi tão violento que o carro da frente atropelou uma idosa que atravessava a rua. No ano seguinte, o presidente da Câmara Municipal de Tomar, António Paiva, também do PSD, atropelou uma criança que circulava com a sua bicicleta. Violando o limite de velocidade de 50 km/h, o veículo do autarca só conseguiu travar a 20 metros do acidente e a vítima foi projectada caindo a 17 metros de distância. Acabou por morrer. Já o candidato do PSD à Câmara Municipal de Lagoa, nos Açores, Gaspar Costa levava 1,65 gramas de álcool por litro de sangue e espetou-se contra uma árvore. Morreu um jovem de 19 anos e outra jovem ficou em estado grave."

 

E não lhes acontece nada porquê? Ora, é bom de ver: Polícia, Ministério Público, Tribunais, é tudo  a mesma corja - em se tratando de passatempos da direita portuguesa fecham os olhos.

 

E não é só em Portugal. Em Espanha a coisa não é muito diferente: um dirigente do PP tinha 45 multas acumuladas desde 2011 e nada. Mas foi a Cuba, teve um acidente que provocou uma vítima mortal e "Ángel Carromero ficou sem carta e foi condenado a quatro anos de prisão". Cuba é um estado de direito, os poderosos, lá, não têm como passatempo pôr em risco a vida dos seus concidadãos.

 

Mas, espera: Para da comparação se poder tirar uma conclusão edificante, o dirigente preso não deveria ser governante local?

 

Porque, assim, almas mal-intencionadas - fascistas, vá lá - poderão julgar que o acidente pode ter tido alguma coisa a ver com a lástima das estradas e a decrepitude do parque automóvel cubano. 


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Domingo, 4 de Agosto de 2013
por José Meireles Graça

Há com certeza textos que regulam a actividade dos Provedores de Leitores, jornal a jornal, e se calhar há também legislação - em Portugal tudo o que mexe é regulado.

 

Não vou pesquisar, que nem a legislação nem os estatutos podem iluminar o estranho caso Óscar Mascarenhas.

 

Um Provedor do Leitor tem como função puxar as orelhas aos jornalistas quando estes ofendem princípios do jornalismo são, direitos dos leitores ou o estilo do jornal (se o tiver), pontapeiam a Gramática ou ignoram o senso.

 

Age por sua iniciativa ou por reclamação dos leitores, não tem poderes hierárquicos, e é independente. A sua arma é a opinião escrita, e a força dela vem do prestígio que tiver granjeado pela sua carreira, a sua independência, o seu equilíbrio e a sua experiência.

 

Da carreira de Óscar sei nada, excepto o que pude respigar, que é um percurso anódino de jornalista, e o que pude constatar, que é uma relação com a expressão escrita, digamos assim, desconfortável; da independência ficamos conversados, que tachar de fascistas dois excelentes moços, de impecáveis credenciais académicas e percurso de cidadania exemplar, com a indemonstrada afirmação de que "nos poucos dias que levam de governo, já deram provas de terem sido aldrabões" pode excitar o universo alvar do comentarismo oposicionista mas não passa de um insulto gratuito; equilíbrio quer dizer ponderação, equidistância e contenção, tudo o que um texto espumando raiva e ressentimento não tem; e quanto à experiência, existirá decerto, mas ganhava se lhe fosse dado melhor uso.

 

Óscar Mascarenhas colou, no JN, um cartaz de campanha. A minha sugestão é que deixe o lugar de Provedor para um colega que saiba bater ao de leve nos colegas.

 

E que vá colar os cartazes nas paredes.


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Sábado, 3 de Agosto de 2013
por José Meireles Graça

Todos os dias tomo a minha ração de indignação e ternura, juntamente com três cafés. O café, dadas as suas propriedades excitantes, desperta-me do torpor e dá-me, não vontade de ir trabalhar, que apesar de tudo não se trata de um alucinogénio, mas de acordar; e a ração vou bebê-la a este sítio.

 

Hoje indignei-me, como de costume, contra eles (eles são os empresários, os consumistas, os republicanos, os accionistas das grandes empresas, os ignorantões, os mal-intencionados - os capitalistas, em suma), desta vez por causa desses patifes que andam por aí a fracturar rochas para libertar gás, que depois é utilizado em actividades criminosas.

 

E enterneci-me moderadamente com uma gata a querer dar de mamar a uns patinhos, não conseguindo todavia evitar a suspeita de a bichinha ser um pouco burra.

 

Estava o dia ganho, julgava eu. Mas o Homem põe e a comunicação social dispõe: que antes de acabar o dia fui surpreendido com a notícia de que os golfinhos foram declarados pessoas não-humanas. Isto pode ser um pequeno passo, perdão, impulso para eles, mas é um grande passo para a Humanidade. E fico agora à espera da inclusão na Declaração Universal dos Direitos do Homem das baleias-de-bossa, macacos, cães e focas.

 

Sou todo a favor dos direitos, da modernidade e assim. Mas, por amor de Deus, nem vos passe pela cabeça incluir as ratazanas. São muito inteligentes, não contesto, mas isso não.

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por José Meireles Graça

Sei de fonte limpa que a CDU vai ter direito, por sessão legislativa, a três moções de censura; a interpelar o Governo em triplicado; a dizer a mesma coisa de três maneiras diferentes; a reforçar a presença na comunicação social da voz da classe operária, do campesinato, dos intelectuais e das camadas mais esclarecidas da população.

 

Adivinha-se portanto a derrota iminente das forças da reacção. Qual silly season o quê?

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Quarta-feira, 31 de Julho de 2013
por José Meireles Graça

Já redigi centenas de posts, e tenho esperança de que, tirando o facto de residir em Guimarães e trabalhar em Fafe, pouco tenha deixado entrever da minha intimidade.

 

Mas hoje não resisto a divulgar um facto familiar alarmante: suspeito que a minha Mulher dá sinais de loucura. E, pior, dá sinais de loucura por causa do novo carteiro.

 

Explico: À volta de um ano, mudou o carteiro. E, periodicamente, passei a ser inteirado de que o digno funcionário, quando houvesse cartas registadas, se abstinha de entrar no jardim ou esperar que viessem ao portão, antes deixando um aviso na caixa de correio, que obrigava a deslocações escusadas ao posto local, que dista uns quilómetros, implicando parcómetros, filas, esperas - a tralha do costume.

 

Isto originou uma reclamação, que a minha Mulher, porventura já abalada na plena posse das suas faculdades, apresentou por escrito. E a resposta veio, esclarecendo que o carteiro tocava sempre à campainha (o texto não esclarecia se duas vezes, que no serviço de reclamações não deve haver cinéfilos), deixando o aviso em caso de não haver resposta, pelo que a reclamação não teria fundamento.

 

Há meses, fui informado de que o carteiro veio entregar uma encomenda, tocou à campainha e entrou no jardim, colheu o recibo da entrega e, apesar de lhe ter sido pedido para se certificar, à saída, de que o portão ficava fechado, por causa do cachorro, saiu com o bicho trotando alegremente atrás da motoreta, o que foi testemunhado.

 

Como o animal foi avistado perto do antigo Hospital, preso por uma trela a um miúdo que o terá vendido a desconhecidos, estes infelizes sucessos causaram grande desgosto doméstico, e colocaram o carteiro na categoria de persona non grata naquela casa. Eu próprio registei mentalmente o incidente, para o efeito de, em cruzando-me com aquele servidor dos CTT, lhe revelar alguma impressão pessoal sobre o seu comportamento.

 

Sucede que as cartas registadas devolvidas continuaram. E como, segundo a tese possivelmente alucinada que minha Mulher adiantou, está sempre gente em casa, foi apresentada nova reclamação.

 

A resposta chegou hoje. E nela, com extrema amabilidade, somos novamente informados de que o carteiro afirma "passar aviso apenas quando não é atendido".

 

Soube, a propósito do negregado plano de privatização, que os CTT são uma organização prestigiada, lucrativa, eficiente e depositária inclusive de merecidos prémios internacionais. E a carta, acima referida, diz que "Os CTT-Correios de Portugal, estão empenhados em conferir Qualidade aos seus Produtos e Serviços, de forma a satisfazer todos os Clientes, pelo que nos esforçamos por evitar e corrigir todo o tipo de situações, que possam eventualmente comprometer os níveis de satisfação a que nos propomos".

 

Já a sucessão estranha dos factos alegados me deveria ter levantado suspeitas. Mas este texto, impressionante pela sua evidente sinceridade e pela abundância de maiúsculas, lançou esta dúvida excruciante no meu espírito: ou a minha Mulher sofre de momentâneas alucinações, ou esta organização tão gabada é um logro.

 

Na dúvida, vou apoiar a privatização. Não é que os privados não enviem cartas parvas aos clientes; é que têm menos quem os defenda.

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Terça-feira, 30 de Julho de 2013
por José Meireles Graça

Barreto, estou a imaginá-lo durante a entrevista: cenho franzido, duas fundas rugas cavadas por anos de meditação sobre os males da Pátria, os olhos angustiados e errantes, e o dedo fulminante apontando a sentença definitiva, profunda e límpida:

 

"... todos os políticos e gestores de empresas públicas que lesaram o Estado devem ser responsabilizados politicamente, e judicialmente só aqueles que cometeram verdadeiras ilegalidades".

 

É isto? Cáspite!, que a gente está mesmo ao lado da solução e não é que nos passa desapercebida?

 

Mas, espera: Há alguém que ignore estes nomes? Há alguém que não saiba acrescentar à lista muitos outros? Há quem desconheça, localmente, quem são os edis que começaram os seus mandatos a tinir e os acabaram com fartos cabedais? Há algum responsável político sobre cujos desmandos, reais ou imaginários, a Oposição do dia não se tenha cansado de chamar a atenção?

 

O regime precisa ser reformado, sim: o sistema eleitoral, a legislação criminal, incluindo o processo penal, as práticas e meios de investigação; como casar a investigação do enriquecimento ilícito com a preservação da privacidade e sem reforçar os poderes de uma administração fiscal enxerida e predatória; e uma longa lista de outras matérias.

 

Para tudo isto é preciso estudar muito, discutir muito, e com muita paciência. E não ter excessivas esperanças: que no meio de um eleitorado que não hesita em eleger homens sobre cuja venalidade há poucas dúvidas não irá nascer de um dia para o outro aquele espírito de exigência e censura que é a verdadeira garantia de uma vida pública sã.

 

Agora, os já clássicos discursos de motorista de táxi não melhoram se embrulhados numa retórica mais elaborada. Fosse Barreto um blogger anódino, como este Vosso criado e muitos, e não estaria mal. Mas quando se detém uma magistratura de influência convém não dizer apenas qual é o destino, mas também como lá chegar.

 

Barreto isso não fez. E é pena, que há uma relativa abundância de quem sabe muito; e escassez de quem diga como se faz melhor.


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Quinta-feira, 25 de Julho de 2013
por José Meireles Graça

Sentença pr'àqui, sentença pr'à li, mas link é que nicles - só ficamos a saber que tem 180 páginas, mais do que alguns êxitos editoriais.

 

E eu tinha curiosidade de ler a coisa, nem que fosse em diagonal, a ver se percebo como pode justificar-se que um juiz se ache competente para suspender uma decisão política sob pretexto de que

 

"com a transferência para a Estefânia os utentes ficariam pior servidos, uma vez que os blocos operatórios e cuidados intensivos neonatais neste hospital, mesmo com obras, apresentam lacunas técnicas e de espaço. 'A reiterada expressão - divulgada nos meios de comunicação social - de que a MAC não cabe no HDE, refutada pelas requeridas, deixou de ser mera frase, pois o que se apura é que a transferência da MAC implica a redução de prestação de serviços, de que modo e em que circunstâncias, não se sabe', diz a sentença".

 

Vamos admitir que é assim, que há uma efectiva redução de serviços. Ainda que mal pergunte, o Governo não pode reduzir a prestação de serviços públicos, de Saúde ou outros, quando entenda que essa redução é necessária para assegurar a realização de outros bens - equilíbrio de contas públicas, afectação de recursos a outros fins que, erradamente embora, se estimem preferenciais, gestão mais criteriosa de meios e de espaços...nada? Se, por exemplo, o Ministério da Justiça entender amanhã que o tribunal xis deve mudar para instalações menos cómodas, ou mais longínquas, ou menos eficientes, os juízes não saem porque a oferta de Justiça, a que os cidadãos têm direito, pode piorar?

 

Não é isto uma mera decisão política? E, se é, precisamos da AR e do PR para quê? E do voto, e da opinião pública? Bastar-nos-iam os juízes, que não elegemos, para, em havendo interesses públicos ofendidos, segundo a opinião de alguns queixosos, decidirem quem está e não está no torto.

 

Entendamo-nos: eu acho que o cidadão precisa de quem o defenda do Estado e dos poderes de facto. E a única verdadeira garantia dessa defesa é a independência e irresponsabilidade dos juízes. O cidadão, não a colectividade. Que a vida desta é regulada pelo Poder Legislativo e Executivo, segundo regras que resultam de um complicado jogo de interesses, opiniões contraditórias sobre o que é o Bem Público, poderes e contra-poderes - chamamos a isso Política.

 

Que os juízes não deviam fazer. 


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Segunda-feira, 22 de Julho de 2013
por José Meireles Graça

Boa tarde Sra. Dra. xxxxx xxxxx.

 

Antes de mais, os nossos penhorados agradecimentos pela resposta, tanto mais devidos e penhorados quanto o tempo decorrido (mais de 6 meses) nos levou a pensar que esse serviço teria sido, no âmbito das reformas do Estado, extinto, ou teria havido óbitos ou outros imponderáveis  que impedissem uma resposta tempestiva. Não foi, pelos vistos, assim, e pelo facto damos graças a Deus, no caso de todos se encontrarem de perfeita saúde, e à tróica, visto que a ANACOM ainda existe, para conforto dos clientes das operadoras de telecomunicações.

 

O incidente com a Vodafone foi já há algum tempo resolvido. Pedimos licença para narrar com indisfarçável satisfação o sucedido: Deu-se a feliz circunstância de, pouco antes de expirar o período de fidelização, a Vodafone nos ter abordado para efeitos de renovação de contrato. Significámos ao representante daquela prestigiada empresa a nossa relutância em renovar contratos com uma quadrilha de ladrões, ponto de vista porventura retórico e excessivo, mas que a Vodafone aceitou com equanimidade, visto que prontamente anulou os débitos que abusivamente vinha fazendo, tendo-nos creditado os que já havia feito e que foram objecto da nossa reclamação junto de VV. Exªs.

 

Tudo está bem quando acaba em bem. Não fora esse o caso e teríamos ainda que enviar cópias de documentação, conforme o que o e-mail de V. Exª agora nos diz. E essa obrigação causar-nos-ia algum embaraço, não porque a documentação não exista, mas por nos parecer que uma entidade de supervisão não tem que duvidar do que o consumidor lhe diz, o supervisionado é que tem que fazer prova de que o cliente está no torto, se estiver.

 

Mas, enfim, isto é mais uma peguilhice da nossa parte, reconhecemos. Onde iríamos parar se o Estado acreditasse, sem provas, no que dizem os cidadãos?

 

Renovando os nossos agradecimentos, aproveitamos para apresentar os nossos mais

 

Cordiais cumprimentos.

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Sexta-feira, 19 de Julho de 2013
por José Meireles Graça

Antes que os partidos cheguem a acordo, como desejo, que o Presidente veja restaurada a sua popularidade, como seria útil, e que o PS se divida ou não, a bem da clareza, digo que as circunstâncias vão alterando aquilo que em cada momento um cidadão sensato e pragmático estima desejável, e que por isso o que ontem era a melhor escolha deixou de o ser.

 

Porque, na realidade, Cavaco fez um grande desserviço à Nação quando se pôs em bicos de pés, rejeitando a solução de um problema que os envolvidos haviam pelos seus próprios meios engendrado, e condicionando as escolhas dos responsáveis políticos, agora e, petulantemente, no futuro.

 

Passos, vendo rejeitada a solução e o elenco que apresentara, devia ter calmamente dito: O senhor Presidente não governa, quem governa sou eu. Se insiste em impôr-me a sua opinião sobre como devo proceder no exercício do meu mandato, não pode exigir-me que, em vez de fazer aquilo em que acredito, faça, sob minha responsabilidade, aquilo em que o senhor acredita, pelo que terá que ter a maçada de resolver a situação como lhe aprouver, mas sem mim.

 

Cavaco nunca, como governante, foi além da vulgata do europeísmo, porque acompanhada da cornucópia dos milhões da solidariedade da CEE, e só deixou obra feita porque no momento histórico em que assumiu funções as condições estavam maduras para a evidente necessidade de desmantelar a economia socialista e modernizar a sociedade - coisas que, por incapacidade e falta de coragem e convicção, deixou aliás a meio. Como Presidente, colaborou no governo socrático muito para além da solidariedade institucional, refugiando-se em "avisos" que por ingenuidade imagina lhe garantirão uma imagem histórica positiva. E, de forma geral, nunca, nem por palavras nem por actos, deu a impressão de estarmos perante um estadista, mas apenas um político manhoso que se faz passar por não-político, um orador menos que medíocre que tacha a oratória de "verborreia", e um economista que acredita piamente que ele e um grupo de colegas, por estarem todos albardados das mesmas qualificações académicas, ficaram ungidos da sabedoria que permite a solução de todos os problemas.

 

Cavaco, confrontado com a renuncia de Passos, provavelmente recuaria. Ou talvez não, e iria buscar ao armário do PSD a amiga Manuela, ou Rui Rio, ou outro qualquer - o PSD tem governantes potenciais para abastecer cerca de metade dos países representados na ONU.

 

Nunca saberemos. Mas que o PSD, o CDS e o PS tenham sido forçados a fazer, sob a égide de um fiscal presidencial, umas negociações grotescas fora do lugar delas, que é o Parlamento, sob pena de, se não colaborarem no humilhante exercício, se arriscarem a ser severamente penalizados nas urnas, fica como exemplo de como uma Presidência entende o exercício da Democracia.

 

Desejo o sucesso das negociações, sim. E não duvido que, se ele tiver lugar, Cavaco será aplaudido de pé não apenas pelas numerosas pessoas que sempre nele viram o que lá não está, mas também por muitas outras.

 

Por uma vez, abençoo a Constituição: não permite a reeleição.


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Quarta-feira, 17 de Julho de 2013
por José Meireles Graça

Desconhecia até hoje a existência de um parceiro social designado por Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas e não faço ideia de quem seja João Pedro Soares - no Google há vários e não tenho vagar para espiolhar.

 

No site informa-se que a CPPME está "no terreno" há três décadas e exibe-se a fotografia de um stand nas Festas da Rã, em Cascais, ao que se segue informação vária, cuja natureza não pude apurar por de momento me apetecer ir à cozinha comer cerejas.

 

Pois esta, não duvido, prestimosa organização, "apresentou ao secretário-geral da CGTP as suas propostas para o sector empresarial e para a reanimação da economia nacional".

 

Isto é realmente moderno: uma federação das federações das associações dos empresários anões, medianos e crescidinhos, "apresenta" coisas a um comunista que dirige uma feroz confederação cujo propósito é eliminar os grandes empresários, após os quais os médios, que entretanto passariam a ser os grandes, após os quais os pequenos, que seria exagero designar como grandes mas são tão exploradores como os outros, e finalmente os micros, que se empregarem nem que seja dois sobrinhos e um amigo de um filho estão-se apropriando de mais-valias e não sei quê.

 

"No final da reunião tanto a CPPME como a CGTP mostraram-se favoráveis a que se realizem eleições o mais depressa possível, por entenderem que a crise política e económica actual só pode ser superada se for dada 'a voz ao povo', houver 'um novo Governo' e se puserem em prática novas políticas".

 

Tiro o meu chapéu ao PCP: tem dois partidos políticos na AR mais outro que se imagina que não é compagnon de route; tem uma central sindical, uma nuvem de comentadores e uma presença tão vasta quanto enjoativa na comunicação social; tem uma quinta, uma Festa justamente celebrada e sabe Deus que mais.

 

Não tinha os empresários. Mas está a trabalhar nisso - parece.

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Terça-feira, 16 de Julho de 2013
por José Meireles Graça

A trela do meu cão é verde de um lado e bege do outro, mas esta delicada combinação de cores não resultou da escolha, aliás avisada, de quem a comprou, mas de puro acaso.

 

O mesmo acaso poderia ter determinado a cor amarela, e isso seria potencialmente uma grande alhada. É que a visão de um cão com uma fita amarela na trela significa que o animal "precisa de espaço", razão pela qual devemos ou afastar-nos ou dar tempo à alma compassiva que passeia o bicho para passar ao largo.

 

É pelo menos o que é defendido em 45 (!) países, tendo os materiais pedagógicos já sido traduzidos para 12 línguas.

 

A notícia não esclarece se uma dessas línguas é o Português. Mas, se esse urgente trabalho ainda não estiver feito, sê-lo-á asinha. Que não há causa parva, bandeira imbecil, ou iniciativa estapafúrdia que cá não chegue, se vier embrulhada na bandeira da defesa de causas boazinhas, em nome de "direitos".

 

Direitos dos animais, neste caso. Que não basta que quem aprecie não possa ver uma tourada; é ainda necessário que, se nos cruzarmos com um canídeo perigoso devidamente assinalado, mudemos de passeio, não vá, além de corrermos o risco de pisar o cocó do animal, ainda lhe ofendermos os sentimentos. 

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Segunda-feira, 15 de Julho de 2013
por José Meireles Graça

O moço (ia fazer 30 anos) gostava de b.a.s.e.-jumping. Desta vez, a coisa correu mal.

 

Foi entre nós mas é duvidoso que o turismo seja afectado: quem gostar de desportos radicais, mais ou menos perigosos, não se deixará desarmar por uma desgraça - os acidentes, como é geralmente sabido, acontecem aos outros; e, se não houvesse perigo, não era radical.

 

A autoridade marítima declarou, entre outras coisas, que "esta actividade não estava autorizada". É mesmo, senhor Comandante, não estava? Mas, ainda que mal pergunte, se um cidadão maior de idade e na plena posse das suas faculdades mentais crê, como Pessoa, que a alma humana é um abismo, e se por via disso se resolve atirar do alto dos penhascos, será indiscrição perguntar-lhe o que tem o nosso oficial a ver com isso? E, já agora, podemos presumir que todo o comportamento perigoso apenas para quem o adopta está proibido no caso de, como diz, "a actividade não estar autorizada"?

 

Pois olhe: o Amigo proibicionista está na carreira certa e auguro-lhe um grande futuro. Os seus superiores, mesmo à civil, o que gostam é disso. Se morrer mais alguém, vai poder fazer o gosto ao dedo: a actividade será possível apenas em locais designados para o efeito, devidamente fiscalizados, com o equipamento certificado e precedendo licença depois de um curso de formação, tudo sob a cominação de pesadas multas em caso de incumprimento. Acidentes continuará a haver, claro. Óptimo, excelente oportunidade para rigorosos inquéritos, que darão origem a regulamentações mais exigentes.

 

Os filhos-de-papá que fizeram o Maio de 68 ficaram célebres por serem muito traquinas de esquerda, e por uma série de coisas profundas que lhes inventaram, muito lembradas quando se comemora a data. Mas, no intervalo de partir montras, levantar pavimentos e incendiar carros, saíram-se com uma bem boa: é proibido proibir. É a minha variedade de soixante-huitard. Não somos muitos, infelizmente.


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Sexta-feira, 12 de Julho de 2013
por José Meireles Graça

Gosto de Heloísa Apolónia por causa do que diz, que é uma espécie de cantochão tranquilizador porque familiar e previsível. Excepto quando discursa, por o dizer vários decibéis acima do tolerável.

 

Pois Heloísa vai censurar o Governo, os colegas da bancada comunista vão secundá-la e a boa gente do BE também. Se ela tiver cuidado com a censura, o PS acompanha, se não abstém-se - na realidade nem interessa. Incidentalmente, a censura dá jeito à maioria - serve para mostrar que existe, coisa que anda um pouco esquecida.

 

Por razões misteriosas, porém, toda a gente finge que os Verdes não são um artifício para o Partido Comunista ter mais tempo de antena. E porque tal expediente é legal, talvez não fosse despropositado os outros partidos, agora que Cavaco resolveu, a benefício da estabilidade como a interpreta o seu profundo umbigo, antecipar as eleições, os partidos democráticos, e o BE, lançarem os seus mais coloridos departamentos sob a forma de partidos, de modo a que àquelas eleições concorram apenas coligações.

 

O PSD bem poderia parir o Partido da Âncora, destinado àqueles seus simpatizantes que têm ideias muitíssimo lúcidas sobre o que o Estado deve fazer como investidor, em particular no que toca ao mar que nos rodeia por todos os lados menos dois, dado que o mar em questão contém uma Zona Económica Exclusiva que o sector privado incompreensivelmente despreza.

 

Do PS poderia brotar o Partido Neo-trotskista do Calote Permanente, aproveitando aqueles seus militantes que têm na matéria posições definidas. O uso de brinco, ainda que não obrigatório, poderia ser a marca identitária do novo movimento.

 

No CDS sente-se a falta dolorosa de uma autonomização da ala sacrista, que defende o governo do País a golpes de encíclicas papais e a reza do terço antes da Ordem do Dia. Imagino que a designação Partido das Bulas seria do melhor gosto.

 

Finalmente, o BE bem poderia desentranhar-se no Partido das Quotas, destinado à defesa de lugares cativos para lésbicas negras, grávidas de dador anónimo e residentes em bairros de lata.

 

Creio que, com este alerta, de mim não se poderá dizer que não sou civicamente empenhado.


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Quinta-feira, 11 de Julho de 2013
por José Meireles Graça

Quem tiver vivido a presidência de Jorge Sampaio lembrar-se-á vagamente que era um tipo que falava bem Inglês, recomendava serenidade a todos os propósitos, mesmo quando não havia razão para nervos, e declarava torrencialmente coisas que, quando se percebiam, eram ou banalidades da esquerda soft ou irrelevâncias. Ainda hoje, se inquirido, Jorge conserva a capacidade de falar muito e não dizer nada, que Deus o conserve por muitos anos e bons. Um homem de Estado para leitores do Courier International e Tino de Rans, em suma.

 

Mas Sampaio deixou marca quando declarou para a posteridade que havia vida para além do défice, e mais ainda quando demitiu um governo com maioria parlamentar, oficialmente por ser liderado pelo ex-secretário de Estado dos Teatros, na realidade por as sondagens mostrarem que o PS tinha maioria. E deixou marca sobretudo porque criou um precedente, que tinha pernas para se constituir num costume constitucional: sempre que o Presidente for de uma maioria diferente da que apoia o Governo, e logo que a opinião pública simpatize com o cavalo ganhador da mesma seita que o Presidente, este demite.

 

Não há mal nenhum em ter costumes constitucionais: o regime e as pessoas adaptam-se e, se a coisa for por demais inconveniente, há as revisões periódicas da Constituição.

 

Isto julgava eu, porque a inversa seria que sempre que o Presidente fosse da mesma cor que a maioria, o Governo iria, mesmo que aos tropeços, até ao fim do mandato. Mas Cavaco veio baralhar os dados, com a criação de rajada de novas figuras: i) Os governos podem estar em plenitude de funções, mas a prazo - assim como quem diz um bocadinho grávidos da sua própria demissão; ii) Se os governos forem de coligação, o líder do mesmo partido que o Presidente tem de ser da simpatia deste, e não apenas dos militantes e dos eleitores comuns que o elegeram; iii) Pelo(s) lídere(s) do(s) partido(s) minoritário(s) coligado(s) o Presidente não pode nutrir um ódio profundo, senão fica autorizado implicitamente a fazer-lhe(s) a cama; iv) O interesse nacional não é matéria de opinião, pelo que os partidos coligados têm de ter a mesma opinião entre si, que tem de coincidir com a do Presidente; v) O Governo não pode encontrar os seus apoios apenas no Parlamento, tem também que ter encontros num hotel com a Oposição, sob a égide de um velho de barbas brancas da confiança do Presidente; vi) Se tudo falhar, o Presidente está autorizado a escrever um artigo com a fábula tradicional da boa e da má moeda, incluindo um anexo em que liste os numerosos momentos em que fez avisos de que as coisas, em não correndo bem, poderiam correr mal.

 

Mas estas inovações não terão a menor hipótese de vir a adquirir a dignidade de costumes constitucionais. De asneirol, a Constituição já tem avonde.


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Quarta-feira, 10 de Julho de 2013
por José Meireles Graça

A difusa nuvem dos meus queridos amigos de Direita é gente que, no geral, quer o Estado longe da economia, acha que despesas públicas de 50% do PIB são uma carga excessiva que a nossa economia produtiva tem dependurada ao pescoço, que o Estado investidor é quase sempre um irresponsável a brincar aos empresários, que a burocracia pública, entregue a si própria, cresce indefinidamente, que a fiscalidade é predatória e opressiva, que a despesa pública não pode ser superior à receita, que sem superavits orçamentais a dívida pública não pode nominalmente baixar, que o dirigismo é um entrave a eliminar... e um longo etc. Neste longo etc. cabe a redução de quase tudo ao mercado, à eficiência, às diferenças de capacidade produtiva e aquisitiva dos indivíduos e um certo darwinismo social que, no limite, a mim me desperta a instintiva desconfiança de quem acredita quase nada no progresso das pessoas,  pouco no das instituições e bastante no científico e tecnológico.

 

Claro, o mix destas coisas e muitas outras varia consoante a doutrina exacta de que cada qual se reclama, quando se reclama de alguma, e mesmo assim há diferenças - no limite quase tantas quantas os indivíduos, felizmente.

 

Sou cliente deste aglomerado. E compro, a feitio, conservadorismos, liberalismos e libertarianismos sortidos, nos quais ocasionalmente, como quem deita um condimento exótico num prato conhecido, enxerto elementos de outras cozinhas, se achar que fica bem. Pragmático, é o que é, nem todos temos vocação de seguidores de textos sagrados e excessivo respeito pelos doutores das Igrejas.

 

É que são raras as grandes desgraças das nações e das sociedades que não sejam originadas num corpus doutrinário; e o que distingue os intelectuais dos cidadãos portadores de ignorância e senso é serem áulicos de teorias que explicam o mundo como julgam que ele é, afirmam como deveria ser, e enunciam os meios para lá chegar. Gente perigosa, portanto, ao mesmo tempo que indispensável.

 

Dou um exemplo: Este meu estimado blogger acha que, no país dele, se deveria aprender com a Austrália, que mitigou admiravelmente o problema de falta de rins e fígados para transplante, com o expediente de compensar monetariamente os dadores, que assim passaram à condição de vendedores. E na Austrália ainda é, parece, o Estado; Mark J. Perry não é de modas e recomenda a compra e venda directa, do produtor ao consumidor.

 

Prof. Mark, meu querido, pá: estás a abrir a porta a coisas do carago, que ofendem o que a tua Constituição protege, como o direito à dignidade humana, com a qual nascemos, que não nos pode ser retirada e da qual não podemos dispôr. E desculparás, mas um indivíduo que, por necessidade ou ambição, vende um rim, ou um bocado de fígado, ou outra víscera, é um escravo, ou da necessidade ou de uma avaliação deficiente do respeito que à sua condição deve.

 

Há mais coisas debaixo da roda do Sol do que o compra e vende; e quem isso não perceber instintivamente não está em condições de entender a explicação.


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Quinta-feira, 4 de Julho de 2013
por José Meireles Graça

A história que se está fazendo conta-se aqui, com fundamentos sólidos nos factos que são do domínio público.

 

Enquanto Portas não falar, ou não verterem mais informações, é o que há a dizer.

 

Numa alegria histérica estão os comunistas e os primos; os socialistas, muitos, veem tachos e negócios no horizonte e, alguns, os mais lúcidos, franzem os sobrolhos de ansiedade e preocupação porque não é altura - as castanhas ainda estão ao lume, diabo de governo incompetente que não deixou as coisas prontas para o business as usual; até mesmo no CDS a oposição interna arreganha os dentes, Portas sempre foi um eucalipto e há muita planta que gostaria de crescer para o Sol.

 

Já a laranjada, essa, está num irritantezinho alvoroço, a boa obra pretérita do guru Gaspar num bolso, o superior interesse nacional no outro, a incompreensão pelos estados de alma daquele partidozeco a que deram boleia para o Governo nos bestuntos, e a incontinência verbal nas entrevistas e nos textos.

 

Convém lembrar: A saída do número dois não comoveu a bolsa, ou os mercados, ou a tróica. E o próprio fez pública uma carta em que reconhece a parte má do seu trabalho, num exercício de lucidez que nem sempre o assistiu enquanto governante. Já a saída do número três fez chover raios e coriscos. E isto devia fazer parar para pensar: ser sócio-gerente de uma empresa, ainda que com quota minoritária, não é a mesma coisa que ser um funcionário - Passos que aprenda esta lição de Direito Comercial.

 

Depois, do que seja o interesse nacional há tantas opiniões quantos os partidos, mais outras muitas que andam para aí avulsas. Mas, a menos que se seja comunista, ignorante, ingénuo, socialista, ou intelectual, é difícil negar que as eleições, agora, sob a sombra da tróica, mergulhariam o País numa horrenda barafunda.

 

meu interesse nacional é que se entendam. E que, não podendo amar-se, e mesmo que vivam em quartos separados, guardem entre si e mostrem a terceiros aquele mínimo de respeito que garantia a sobrevivência de muito casamento vitoriano.


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Sábado, 29 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

O jornalista conta uma história às três pancadas, não fala com toda a gente, não investiga, não consulta especialistas. Nunca trabalhei em jornais, admito que contar um incidente com princípio, meio e fim, fique caro, e suponho que por estes dias recursos é o que os jornais têm de menos.

 

Mas isto irrita, ler uma notícia sobre um fait-divers e sobrarem dúvidas:

 

i) Um tipo está num café e decorre um jogo de bingo, mas não está a jogar. Vem a GNR e leva-o "apenas" para interrogatório no posto, mas "sem ficar detido em cela". Perguntas: A polícia não pode no local fazer as perguntas pertinentes? Se não pode, por que razão não pode? Porque não notifica a testemunha, ou lá o que é, para comparecer no Posto à hora xis? Em Tribunal, leva uma multa de 150 Euros e "três meses de pena suspensa". Como?! Mas a suspensão de três meses é para a "pena" dos 150 aéreos ou para pena de prisão?

 

ii) Os celerados criminosos britânicos tinham entre 23 e 76 anos. O senhor dos 76 anos também foi na ramona? E esteve quanto tempo no Posto, dado que a operação policial se iniciou por volta das 23H00 e "só depois das 3h da manhã puderam sair do posto"?

 

iii)  A legislação que regula estas coisas é de quando? E as molduras penais são como, mínimos e máximos? Porque se, como o texto insinua, houve uma pena de três meses por "testemunho de jogo ilegal", então, se o jogo não fosse a biscoitos e fosse por exemplo roleta, podemos razoavelmente supor que a pena poderia ser, sei lá, cem chibatadas no pelourinho local.

 

Seja a legislação assim ou assado, em tudo isto há abuso, desmedida, falta de senso e lesão de um interesse económico relevante, que é o turismo, para já não falar da hospitalidade. E que a GNR, numa região famosa pela criminalidade violenta contra residentes, se tenha dado ao trabalho de enviar adiantadamente dois agentes "à paisana" para o local do crime, e tenha remetido mais doze para deter a maralha, justificaria que o jornalista nos tivesse inteirado dos nomes e declarações do comandante da força, de quem decidiu a operação, e do Juiz.

 

Para que lhes pudéssemos dar razão, se a história não tiver sido exactamente como foi relatado, ou pudéssemos colar as fotografias de todos estes guardiães da Lei e da Ordem num alvo do jogo de dardos - se não for ilegal.


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Quinta-feira, 27 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

Acho bem a greve de hoje, pela mesma razão que compreendo a necessidade das válvulas nas panelas de pressão. E quanto mais entusiastas forem os jornalistas, criativos os cartazes, veementes os insultos, confiantes os comunistas que dirigem a coisa e os socialistas que se lhes colaram, bem como a massa anónima de funcionários que está em luta - melhor. A greve é uma festa, pá.

 

Porque realmente quem não está a trabalhar são funcionários públicos, e uns quantos do sector privado que ou são comunistas, ou têm genuínas razões de queixa, ou não têm outro remédio porque não se podem deslocar. E, sendo as coisas assim, para a maioria das funções (as excepções óbvias são a saúde e os transportes), um dia a mais ou a menos não faz diferença. E até, no que toca a uma quantidade razoável de funcionários, se entrassem definitivamente em greve seria um grande benefício, não para eles, coitados, que não escolheram povoar serviços inúteis ou daninhos, mas para quem é obrigado a sustentá-los.

 

Isto é, em parte, retórica, claro. Que, conforme ficou demonstrado com a recentíssima greve dos professores, a berrata e a intimidação surtem algum efeito, ao contrário do que imaginei sucederia.

 

Mas uma coisa é os professores fazerem uma listinha de reivindicações e darem um chega-pr'a-lá na reforma, nos outros funcionários e na troica, e outra os gerais, incluindo portanto os privados, fazerem o mesmo. Porque, se são todos, não fica ninguém para comprimir. Donde se deduz que os Arménios desta vida, e na circunstância os idiotas que lhes servem de compagnons de route, o que querem é agitação e instabilidade, reivindicando eleições não porque imaginem que as vão ganhar, mas porque o PS não fará nada de substancialmente diferente. E, não fazendo, confiam em que, de exclusão em exclusão, as massas se voltem para eles, sob a lúcida direcção do camarada Jerónimo.

 

Jerónimo, meu chapa, esquece: não vai suceder. Esta multidão que engrola a Grââândola vai-te cravar um facalhão nas costas nas eleições próximas, e nas seguintes, e nas outras, dando-te uma vitória histórica, com pouco mais de 10% dos votos. E mesmo acrescentando os votinhos do teu alter-ego verde, e os dos teus doentes infantis bicéfalos, não chega.

 

Entretanto, vamos cantando neste dia de comunhão, e chorando nos restantes.


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Quarta-feira, 26 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

No actual Governo, tal como em todos os anteriores, não há gente que represente os interesses das PMEs, e isto tem tido, e continuará a ter, consequências.

 

Entendamo-nos: na classe dirigente lisboeta (incluindo os importados do resto do País) não há falta de economistas nem de gestores, e uns e outros às vezes não são completamente idiotas. E acontece chegarem ao Parlamento, ao Governo, à banca, às associações patronais, aos jornais, à televisão, pessoas que intuem alguma coisa sobre o funcionamento da nossa economia, e que têm algumas noções sobre a realidade, e de como esta persiste em desmentir pressupostos, insistindo ela, a realidade, no facto de ter razão, como não a tem quase nunca a teoria livresca com que a querem vestir para futuro.

 

Cabe perguntar então, antes de mais, porque não há pequenos empresários, mesmo de sucesso, senão dentro das suas chafaricas, dos quais se tem notícia apenas em artigos raros, para ilustrar fantasiosas bondades da política x ou y, ou em publicações de especialistas que nisso têm interesse profissional, ou em panegíricos para evidenciar que no nosso desgraçado País há gente de sucesso que faz coisas do arco-da-velha.

 

As razões são várias:

 

A um político exige-se que tenha concepções globais sobre o funcionamento do Estado (ou ao menos de uma autarquia, benza-o Deus), experiência ou intuição sobre o jogo político e as inclinações do eleitorado, e capacidade para articular e expôr, num todo convincente. Mas, desgraçadamente, as qualidades que se requerem para a carreira política não são as mesmas que fundam o sucesso empresarial: o torrencial palavreado de um troca-tintas notório, como o malogrado Sócrates, poderia ser aproveitado para dar um bom vendedor, mas dificilmente chegaria para pôr de pé uma fabriqueta.

 

Depois, a menos que estejamos a falar de um empreendimento na área das novas tecnologias, ou outra que requeira conhecimentos técnicos específicos, os quais façam germinar na cabeça do estudioso a ideia de um novo processo, um novo produto, uma nova técnica que este queira, possa e saiba converter numa organização para ganhar dinheiro, o tempo alocado a estudar formalmente é quase sempre, para este efeito, perdido. Ao contrário da ingénua crença nas virtudes da educação para aumentar o empreendedorismo, o que o pode promover são condições culturais para tentar e falhar, de facilidade regulamentar e financeira para nascer, de viabilidade por satisfazer uma necessidade, e fiscais para sobreviver e atrair. A educação interessa, apenas, como condição adjuvante - e muitas vezes nem isso. Essa gente que se queixa da "falta de formação dos nossos empresários" anda a nanar: a PME nasce quase sempre da circunstância, da ambição e do tipo que vê o que os outros não veem, e isso não se ensina. Ora, isto que vale para o empreendedorismo não vale para a carreira política: o canudo é indispensável (temos disso patéticas provas) e o político, mesmo que nunca tenha lido um livro e se limite a ler as trincas e mincas da comunicação social, precisa de saber afectar que leu e sabe.

 

Mas há mais: Os próprios empresários, se conhecidos e inquiridos sobre questões de ordenamento da nossa vida colectiva, dão respostas que com frequência fazem rir ou chorar - depende do feitio e dos preconceitos de quem ouve. E, decerto por ser assim, não se lhes pergunta nada e qualquer rapazinho que ainda há pouco se livrou do acne que lhe atazanou a adolescência, ou qualquer prestigiado professor de economia suficientemente imbecil para imaginar que sabe de ciência certa alguma coisa, são perfeitamente capazes, quando chegam ao Poder, de causar danos sérios às PMEs, de cuja realidade e vidas têm uma noção muitas vezes colhida noutras realidades e com frequência romântica.

 

Finalmente, o empresário tem mais que fazer: a pequena empresa é uma amante totalitária. Quando algum aparece no espaço público a opinar e fazer lobbying com assiduidade, ou já não é pequeno, ou não é empresário, ou não vai longe, ou tem algum esquema. E com a aceleração da concorrência, os condottieri empresariais de hoje ou estão ocupados a subir a ladeira do sucesso, ou assoberbados a evitar - ou adiar - o escorregão da falência.

 

O Governo socialista era, por definição, inimigo das empresas: estas precisam de tribunais que funcionem, leis de trabalho que permitam despedir, contas públicas equilibradas, impostos baixos e muitas outras coisas; mas não precisam de ajudas - a própria noção de ajudar umas empresas e não outras é em si deletéria; e, na medida em que todos os governos, incluindo o actual, acrescentaram sempre novas obrigações para as empresas, pode dizer-se que a maior ajuda que o governo actual pode dar é não fazer nada, a não ser reverter parte do asneirol que tem vindo a ser diligentemente construído há décadas.

 

É nesta linha - fazer marcha-atrás - que vejo com olhos benevolentes estas declarações. Mas - lá está - se me perguntassem se isto servirá realmente para alguma coisa, diria que mal não fará, mas se é para atrair investimento seria bom que pensassem em alguma coisa de revolucionário, algures entre 10 e 15% de IRC. Se ficar, como suponho, muito longe disso, e for portanto apenas uma poupança significativa para grandes empresas, trocava por outras medidas: que tal o Estado pagar as suas dívidas vencidas às empresas, permitir a conta/corrente fiscal, eliminar adiantamentos compulsivos, ao menos no âmbito do IRC, instituir o IVA de caixa para empresas maiores do que um vão de escada, reformar o funcionamento da máquina fiscal, acabando com a ideia daninha que se instalou nos serviços e na legislação de que os resultados é que contam, os meios para lá chegar não ... isso é que era.

 

Não vai suceder, é claro, nem nada de parecido: estas e muitas outras são coisas pequenas, miúdas, não têm originalidade nem panache.  Mesmo assim, chapeau a Frasquilho: não acha que as empresas sejam vacas leiteiras que possam dar cada vez mais leite, comendo cada vez menos. A maior parte dos colegas, do partido, dos outros partidos e da profissão, nem isso sabe.


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Sábado, 22 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

Para fazer meio quilo de seda natural é necessário assassinar barbaramente entre dois e três mil bichos-da-seda. Por aqui já se vê que, para confeccionar um elegante vestido de Verão, daqueles que devastam corações ou que usa a senhora Christine Lagarde, estamos a falar de verdadeiros genocídios.

 

Os bichos em questão, quando terminam o seu processo de transformação em insectos, têm o desagradável hábito de perfurarem os casulos para se porem na senhora da alheta, e esta perniciosa tendência estraga algumas valiosas fibras. Daí que os criadores, com oportunista prudência, cozam os casulos, com as lagartas lá dentro, em água fervente.

 

Isto gela o coração: os pobres animais indefesos, os ocelos (ou lá o que é) arregalados de pavor, revendo num instante as suas até aí confortáveis vidas, e os quilos de folhas de amoreira que devoraram. Ai credo!, que se tivesse aqui à mão um formulário, não sei se não era desta que me inscrevia no budismo ou no PAN.

 

Mas para as (e os) elegantes com um coração de esquerda (esta modernice dos seres sencientes e não sei quê é, como quase todas as causas, uma coisa de esquerda e de lunáticos, com perdão da redundância), há a alternativa da seda da paz: o insecto Eri vai à vida e os locais recolhem os casulos vazios, com os quais confeccionam à mão uma seda extremamente compassiva.

 

Se porém ainda isto for demais, há uns filamentos de uma árvore, e umas sementes de uma erva - também dão seda, sobre cuja qualidade o artigo, infelizmente, diz nada.

 

Já estou por tudo, desde que não se estenda o amor pela Natureza até às bactérias maléficas e aos vermes nojentos, e se deixe Braga em regime de extra-territorialidade.

 

É que hoje encaro a hipótese de jantar arroz de lavagante na cidade dos Arcebispos, num estabelecimento cujo nome não divulgo. E é claro que não tenciono inquirir de que forma, exactamente, se deu o falecimento do infeliz animal.

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Sexta-feira, 21 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

As manifs no Brasil não têm propósito ou, melhor, têm os propósitos de cada grupo ou manifestante que se queixa do Estado porque é corrupto ou incompetente, porque não fez o suficiente pelos pobres, porque os políticos, mesmo os sérios, têm um estatuto e proventos que são para a maioria dos cidadãos uma miragem, porque há ainda, e cada vez mais, milionários cujo nível de vida é visto como um insulto para os que apenas têm um par de alpergatas, um prato de feijão e uma renda mínima; e ainda pelos comunistas, radicais e lunáticos de múltiplas declinações, especialistas da rua porque só ela lhes pode dar poder (a democracia burguesa do um homem/um voto pode eleger demagogos como Dilma, trapaceiros como Collor, e sindicalistas como Lula, mas comunistas só se forem travestidos de outra coisa qualquer). E há lugar ainda para os que farejam que os breves anos do crescimento via aumento de consumo e exportação para os outros tigres estão à beira do ocaso, que o acordo tácito entre o lulismo e o capital (pagais mais um pouco, com isso distribuímos milho aos pardais, e a bomba-relógio da revolta fica desarmada) já deu o que tinha a dar, e para inúmeros outros que acham que o Estado faz coisas que não devia fazer (estádios de futebol, por exemplo), em vez de lhes dar o dinheiro a eles.

 

Gente conhecedora da realidade brasileira, e sábios, grupos aos quais não pertenço, haverão com tempo de encontrar pontos comuns entre esta primavera e as outras que a antecederam ou que ainda decorrem, e falarão de redes sociais e aumento do nível de conhecimento, e por conseguinte de exigência, das massas, e de outras coisas que ignoro. E explicarão, caso a caso, as imensas diferenças: um Brasileiro não é um Turco, e os dois não fazem decerto um xiita ou sunita ou wahabita, ou qualquer outro dos fanáticos que por aqui ou por ali se matam alegremente.

 

Por mim, e enquanto espero que me iluminem, não dou nada para o peditório da suposta superioridade moral desta multidão festiva. Primeiro porque não sei o que pensam os que estão em casa, e esses são uma imensa maioria; depois porque o poder do dia, abominável a meus olhos, foi eleito e não tem feito nada que seja radicalmente diferente do previsível. E finalmente porque o exercício do direito à manifestação implica uma medida e um propósito: a medida consiste em não contender indefinidamente com os direitos, que são comprimidos, de quem não se quer manifestar; e o propósito consiste numa intenção anunciada. Os manifestantes contra a guerra do Vietname queriam que os soldados regressassem; os Líbios queriam o fim do regime de Khadafi (os que queriam). Estes nossos irmãos folgazões querem o quê? Mistério - até, muitas vezes, para os próprios.

 

O Poder já cedeu às reivindicações concretas (aumento do preço dos transportes, p. ex.), coisa que aliás não deveria ter feito, a menos que reconhecesse, com boas razões de interesse geral, que foi um erro. Porque se o Poder eleito cede perante a berrata porque tem medo, ou escolhe a facilidade, sem explicar claramente os seus motivos, o que a rua conclui é que ganhou. Mas a rua só ganha na aparência: há sempre o risco de aparecer o clássico caudilho para cavalgar o descontentamento.

 

O caudilho pode estar na própria Presidenta - a personagem de gramática sabe nada mas de rua, pés-descalços e demagogia sortida pede meças ao seu mentor, o intocável Lula.

 

Não vai suceder, creio. Que esta multidão cansar-se-á, e o Planalto atirará possivelmente mais algum milho aos pombos, e um açafate de promessas de virtude.

 

Pobre BRIC.


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Quinta-feira, 20 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

Uns moços deputados perguntaram quanto nos custam os sindicatos do sector da educação. Isto diz a notícia. E quase o mesmo diz este este post: "... quanto custam ao erário público os sindicatos da educação".

 

Na realidade, trata-se de sindicatos de professores. E este é o primeiro equívoco: educação e "professores" não é a mesma coisa, e os interesses dos professores não são os interesses do ensino. Os sindicatos representam legitimamente os interesses dos professores, mas o ensino - o que se ensina, onde, como, até que idade, por que preço, com que meios - é um assunto da comunidade, que é representada pelos seus eleitos. E esses são sobretudo, no nosso ordenamento, os deputados, por muito que sejam desprezados ou não se deem ao respeito.

 

Daí que a pergunta seja pertinentíssima, natural, e estranha apenas na medida em que uma tal informação deveria há muito estar disponível. Só por isto, são menosprezáveis as reacções descabeladas da Esquerda de todas as declinações, como insolente foi o comentário do apparatchick sindical Nogueira. É mais que certo que a pergunta não é inocente, isto é, que se enquadra no conflito que opõe o Governo aos sindicatos, e tem um lado mesquinho. E depois? Um governo sob ataque não se pode defender, expondo no tribunal da opinião pública os interesses de sindicalistas dependurados no Orçamento?

 

Mas, no post acima referido, a banal confusão entre ensino e professores, e entre professores e sindicatos, não é a única. Diz Daniel Oliveira: "...os professores que estão nos sindicatos recebem o seu ordenado e os sindicatos são pagos pelos associados". Como?! Se o Estado paga os salários aos sindicalistas que trabalham em exclusivo para os sindicatos, o que faz é subsidiar fortemente os próprios sindicatos, aliviando-os de custos salariais. Pode achar-se isto bem e pode achar-se isto mal, mas a nenhuma luz se aceitam redacções que escamoteiam o facto.

 

Depois continua, insinuando que porque o grupo dos deputados é oriundo, ou pertence, à JSD, deveria estar caladinho porque a JSD pertence ao PSD, e o PSD vive, como os outros partidos com representação parlamentar, de dinheiro público.

 

Esta coisa de os partidos viverem de dinheiro público é discutível. Mas Daniel, que defende "que os partidos políticos devem ser financiados pelo Estado", já não vê com bons olhos que o PSD gaste algum desse dinheiro com a JSD, um notório antro de malfeitores. Ou seja, dinheiro público está bem, mas só para maiores de idade; e os partidos podem receber o estipêndio, desde que não o gastem com juventudes.

 

"O que não suporto é ver quem desde a adolescência olha para a política como uma simples carreira a substituir o debate democrático sobre uma greve pela mais reles das demagogias", conclui Daniel, com aquela superioridade moral que é a marca d'água do discurso de esquerda.

 

Sim? Todos? Só os da JSD, ou também os da JS, ou da JCP, ou da JP? E o "debate democrático" é o quê? Uns a chamar "ladrões", "gatunos" e coisas piores a outros, e os outros a responderem "VV. Ex.ªs poderiam permitir que aventemos a hipótese, sem querer incomodar, da sombra de uma suspeita de haver no vosso seio carreiristas e oportunistas"?


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Quarta-feira, 19 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

Suponhamos que odeio burocratas, burocracias, regulamentos e palermices sortidas; que vivo em Lisboa ou Porto (não vivo, felizmente), que me saiu o Euromilhões (não saiu, uma grande injustiça - tem saído a cada camelo que só visto), que a visão de um velho a dormir num vão de escada numa noite fria de inverno me incomoda, e que num momento de generosa loucura resolvia fazer um lar para idosos.

 

A consequência seria que me candidatava a autos e processos por "falta de certificado de vistoria higio-sanitária, de licença de utilização das instalações, de regulamento interno, de director técnico, de um plano de actividades e ausência do livro de registo de admissão."

 

Regulamento interno?! Director técnico?! Plano de actividades?! Alvará?!

 

O Estado já inovou criando um imposto de 20% sobre os prémios do Euromilhões, E as multas, então, as multas? Não seja por isso: de acordo com o diploma hoje aprovado haverá subidas na ordem dos 301%, no caso do valor máximo, que passará para 40 mil euros (face aos 9.975,97 euros actuais). No caso do valor mínimo, a subida é de 702%, passando para 20 mil euros (face aos 2.493,99 euros actuais).

 

Nada, nada, é muito melhor ter os velhinhos a dormir na rua. Mas os que, por sorte ou cunha, tiverem lugar nas instituições do Estado, podem estar descansados que têm director técnico, regulamento interno e um Plano, que a Lei não esclarece se quinquenal. E, se não tiverem, também não há problemas, que o Estado não passa multas a si mesmo.


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por José Meireles Graça

Se fosse convidado pela Caritas a pronunciar-me sobre o problema do cancro da próstata, confessar-me-ia preocupado com a incidência do fenómeno, não porque acredite que o problema tem sido descurado, mas por defender que não deve ser objecto de descaso.

 

Isto sem esconder que esta é uma matéria para o plano médico, não para mim que estou mais virado para fabricar frigoríficos, ainda que não deixe de avisar que se o problema não for encarado fica por resolver.

 

Adiantaria ainda que, sem prejuízo do que antecede, o assunto em apreço me lança num estado de grande aflição, pelo que defendo mecanismos que mitiguem o impacto do processo de tratamento.

 

Para mim, é evidente que há pessoas, umas mais velhas e outras nem tanto, que vão sofrer um tratamento radical sem retorno, o que obriga à criação de condições para que possam retornar.

 

E, dever cumprido, creio que mereceria o aplauso de quem, com a atenção que mereço, me estivesse a ouvir.

 

Isto diria eu, se ganhasse a vida a dizer coisas.


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Terça-feira, 18 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

Graças a Deus que a evolução tecnológica e a dos costumes enxeridos ainda não foram a pontos de permitir que se me veja a imagem enquanto laboriosamente redijo este post. É que hoje venho falar-vos, com licença, de merda. E não retoricamente, assim como quem acha que os sindicatos a puseram na ventoinha, ou se lembra do Euro ou do último discurso de Durão Barroso, mas merda propriamente dita. E daí que a minha tez naturalmente pálida se encontre por esta maré tingida de algum rubor, devido ao acanhamento.

 

Mas que não faço eu pela divulgação científica? E o caso é que a resistência que algumas bactérias, nomeadamente a clostridium difficile, adquiriram aos antibióticos, tem vindo a ser combatida eficazmente, parece, com transplantes de matéria fecal de indivíduos sãos.

 

Porém, a FDA, que é, creio, uma espécie de Infarmed, em mais sofisticado, nos EUA, meteu-se ao barulho e a milagrosa e imaginativa solução que alguns espíritos engenhosos encontraram para o problema encravou: A FDA não vê com bons olhos a variabilidade do produto, razão pela qual a certificação da merda e o estabelecimento dos adequados protocolos de transplante se afigura difícil. Vai daí, há médicos a desistir.

 

A história está contada aqui e, à boa maneira americana, já se lobriga no horizonte merda artificial devidamente etiquetada. Mas ainda estamos longe, e este hiato cria, de toda a evidência, uma oportunidade no âmbito do turismo de saúde, que é uma área de negócio que se tem vindo a expandir entre nós. Técnicos não faltam, instalações também não, e julgo desnecessário salientar a natural abundância de matéria-prima, em que a nossa terra é pródiga. Creio mesmo que não é excessivamente aventureiro supor que se a mecânica funciona no domínio intestinal com aquele difícil clostridium, talvez possa também funcionar com bactérias meníngicas, desde que para o efeito se utilize merda de origem cerebral. E desta há igualmente ricos depósitos - nem é preciso sair da blogosfera.

 

Fica o alerta.


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Sexta-feira, 14 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

Não contesto o direito à greve: por razões históricas (foi um direito duramente conquistado lá onde foi conquistado - entre nós veio com a quartelada do 25 de Abril, dado que, tirando alguns episódios a que a historiografia de esquerda atribui a importância que não tiveram, o povo era sereno); por razões práticas - o preço de negar com repressão o exercício do direito é maior do que reconhecê-lo; e porque permite ajudar a resolver situações de abuso, que existem quando a vara esteja na mão do vilão, como muitas vezes está.

 

E portanto acho muito bem que os sindicatos dos professores decidam fazer greve - são lá coisas deles, e dos agitadores profissionais a la Mário Nogueira ou Pasionaria Avoila, e dos partidos de que são os braços para o mundo do trabalho.

 

E que os professores adiram, porque compram o discurso do PCP, ou do BE, ou do PS, que por este então está esquerdista mêmo mêmo, ou por oportunismo, ou por ingenuidade - também acho bem.

 

O que não acho bem é o diálogo. Porque o tempo do diálogo não é o tempo da greve - ela representa precisamente a falência dele.

 

E como desta vez há miúdos cuja serenidade e interesses fazem parte da equação; e como, quaisquer que sejam as ideias que tenhamos sobre o que sejam esses interesses futuros, não se admite que se os ofendam desde já; e como a luta não é entre interesses profissionais legítimos e autoritarismos patronais abusivos, mas entre o modo de ver as coisas que os derrotados nas eleições têm e a que têm os que as ganharam:

 

Apreciaria que a Crato não doessem as mãos. E que, no diálogo que toda a gente recomenda para todas as situações, usasse apenas uma frase:

 

A comunidade, que representamos, agradece o vosso recuo.


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Quarta-feira, 12 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

 

 

Por estes dias não tenho escrito nada, o que terá penalizado sobremaneira os meus leitores. Ainda que estes, num cuidado que me sensibiliza, se tenham em geral abstido de manifestar a sua carência, por certo no intuito de não me perturbar nos meus afazeres.

 

E afazeres tenho tido, com resultados magros perante o esforço, mas ainda assim bem reais: por exemplo, conquistei um cliente novo, na Bélgica, um homem que adquire equipamentos para aluguer e vai - espero - passar a alugar também dos meus.

 

E, para começo de conversa, comprou 36 vitrinas frigoríficas, das quais as primeiras 12, em dois tons de cinza do melhor gosto, lindas, saíram ontem, ao romper da alba, aconchegadas num TIR e numas gaiolas de madeira - a embalagem standard.

 

Mas as PMEs põem e o Estado dispõe: o viajante de há 200 anos tinha, ao atravessar desfiladeiros e montanhas, que se defender dos ladrões, armados de canhambulos; e o actual tem que se defender das brigadas da GNR, armadas de grossos tomos do Diário da República.

 

E paf, conforme melhor se vê pelo auto acima as tais gaiolas seriam de pinho, e pinho não pode ser, por causa, suponho, do nemátode. Isto é curioso: que Portugal importa uma quantidade prodigiosa de merda, que chega ao mercado sem abalos de maior; mas as autoridades preocupam-se com o que exportamos, não vá os destinatários, por burrice, correrem o risco de se lhes impingir pragas.

 

Sucede porém, ó agentes ceguetas da GNR, que não era pinho - a empresa não adquire pinho, apenas choupo e eucalipto.

 

Depois da produção de declarações escritas do fornecedor de madeiras, e-mails, inúmeros telefonemas e diligências, o problema resolveu-se e o camião-bomba seguiu caminho. Que o cliente, do lado de lá, já rosnava umas coisas pouco abonatórias sobre o novel fornecedor e as suas histórias à dormir debout.

 

Resolveu-se o problema é como quem diz. Que agora o assunto foi remetido à ASAE, e um destes dias vem por aí um auto e multas e ameaças - o ordinário daquela organização terrorista.

 

Santos, Santos, pá: mesmo descontando o exagero retórico, e acrescentando espaço para o disparate comicieiro, fica difícil levar-te a sério. Thatcher queria menos Estado. E não dizia querer um Estado menos grotesco porque não precisava. Mas tu precisas - e não sabes.


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Sexta-feira, 7 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

Se perguntasse às mulheres da minha família onde vivem os Hotentotes ou onde fica Kamchatka, haveria fortes probabilidades de a aspereza da resposta me deixar absorto.

 

Se porém fizesse a mesma pergunta a uma amostra dos meus amigos, por sinal uma boa récua de ignorantes, acredito que teria mais sorte - alguns saberiam pelo menos uma das respostas.

 

Isto tenho eu como certo, como tenho por seguro todo um recheado catálogo de preconceitos sobre mulheres, homens, alemães, segurança rodoviária e inúmeras categorias de pessoas, situações e assuntos.

 

Houve um tempo em que não era assim: o preconceito parecia-me sempre fundado na ignorância, pelo que era, bem... preconceituoso.

 

Porém, a vida ensinou-me que há preconceitos que se fundam na experiência: parece-me indesmentível, por exemplo, que o facto estatístico de as mulheres ao volante terem menos acidentes do que os homens resulta de se escamotearem do universo em análise os que elas provocam. E é assim em muitas coisas: escolhem-se uns dados e não outros, e chega-se ao resultado pretendido.

 

Mas se num concurso à escala nacional, sobre conhecimentos geográficos, com as mesmas regras para todos, os meninos ganharem sistematicamente às meninas (23 dos últimos 25 anos), e isto mesmo quando, lá como cá, elas vêm crescentemente evidenciando melhores resultados, teremos que concluir que entre homens e mulheres, afinal, há talvez mais diferenças do que as que saltam abençoadamente aos olhos.

 

E em a diferença traduzindo alguma superioridade masculina (a feminina não suscita reparos, a título de vingança por milénios de opressão, e compensação por em muitos lugares da terra essa mesma opressão ser ainda a regra) logo os maluquinhos do igualitarismo arreganham os dentes. O Professor Eric Clausen, que deve ser americano de gema, e por isso um litigante contumaz, levou o assunto a tribunal: tem que haver discriminação, senão os resultados são incompreensíveis.

 

A notícia não diz se o juiz era homem ou mulher. E, já agora, não sei a resposta à pergunta que este ano garantiu o título a um rapaz do Massachusetts. Se houver por aí alguma amiga que saiba, agradeço.

 


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Segunda-feira, 3 de Junho de 2013
por José Meireles Graça

Se, no google maps, se procurar "rua Mário Soares", encontram-se resultados na Póvoa de Lanhoso, em Pias (Lousada), Vila Pouca de Aguiar e Vagos; se a procura for por "avenida", a colheita é Abrantes, Oeiras e Chaves. De praças ou pracetas, nada, e nada também para travessas.

 

Isto é estranho: que eu em 1975 já trabalhava e era atento, e se não estive na Fonte Luminosa estive nas Antas e tenho bem presente quem liderou o movimento de resistência anti-comunista. E mesmo que seja verdade, se for, que o PCP recuou na 24ª hora para evitar uma guerra civil; ainda que, se Soares não existisse, outro desempenhasse o papel; mesmo que a nossa localização geográfica, a importância da Igreja, a existência de numerosos pequenos proprietários e empresários, e uma já razoável classe média, tudo se conjugasse para inviabilizar uma revolução tão obsoleta como o partido e satélites que a impulsionavam, nem por isso Marocas deixará de ter o seu lugar na História - uma meia-página se a História for concisa, que é mais do que está reservado às outras personagens que nos povoam a memória da época.

 

Se Soares, cuja marca está tão presente no Portugal desde então, se vê escassamente representado na toponímia, isso é porque, depois do seu papel de herói civil no Verão Quente de 1975, nunca foi mais do que um chefe partidário como os outros, e como os outros votado à experimentada desconfiança e desprezo que os Portugueses reservam aos seus líderes. Ah!, tivesse ele morrido providencialmente, e o País inteiro estaria coberto com urbanizações e pontes e pavilhões multi-usos com o seu nome. E dir-se-ia hoje, com um encolher de ombros desalentado e soturno: se Soares fosse vivo, nada disto teria acontecido.

 

Sucede porém que, com diferenças de grau e de estilo em relação aos colegas da arena política, o Portugal que Soares quis e para o qual trabalhou, é o Portugal que temos: europeu do Sul nos costumes, atento, venerador e obrigado a internacionalismos vários, bem-pensante, com uma diplomacia ágil e competente na chupice de fundos, abrigado debaixo de uma Constituição surreal que garante os direitos económicos de todos desde que os nossos parceiros e os ricos paguem.

 

No Portugal de Soares, a chuva e o bom tempo vêm do Euro, da UE, do Estado patrão e do Estado investidor; e como, subitamente, o Euro se revelou um fato apertado a uns e solto a outros, curto ou comprido nas mangas, e de forma geral de mau corte, por ser a moeda de uma raça de trabalhadores disciplinados nos dias úteis, e borrachões de fim-de-semana; como a UE é um conjunto suspeito de instituições desacreditadas, recheadas de funcionários parasitas e metediços, afogados em privilégios e tretas; como o Estado patrão alargou o número de dependentes até ao infinito, para garantir votos para os eleitos do dia; e como, na pele de investidor, cobriu os montes de ventoinhas, as esquinas de abastecedores para carrinhos eléctricos, e as escolas maternais de computadores para ver as aventuras do Noddy - a bonanza durou o tempo que durou o crédito.

 

É aqui que estamos. O Governo que temos, desastradamente embora, quis pôr ordem na tourada. Pôr ordem na tourada quer dizer fazer marcha-atrás. E fazer marcha-atrás é o nosso caminho inelutável, o da UE e o do papel dos Estados - tudo aquilo em que Mário Soares acredita, e a que dedicou a vida.

 

É a esta luz que se deve interpretar o que se passou na Aula Magna: todos os que lá estiveram querem evitar o inevitável, embora nem todos pelas mesmas razões. E, se me é permitido, mil vezes o velho discurso republicano, jacobino e socialista do homem que, mais do que outro qualquer, é responsável pela abjecção a que o nosso País chegou, do que os arroubos líricos do Professor Sampaio da Nóvoa, que não tem a desculpa de ter uma obra a defender nem uma vida de fé que as consequências abalam todos os dias, mas é reincidente nestas lides.

 

O homem está xéxé, dizem-me próximos. Não está não, digo eu: tem o mesmo síndroma de Cunhal, que manteve a fé no céu terreno mesmo depois da queda do muro de Berlim.


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Terça-feira, 28 de Maio de 2013
por José Meireles Graça

Vi num blogue uma receita de um amigo, ilustrada com fotografia, e ocorreu-me que nunca inteirei os leitores das minhas preferências culinárias, uma falha que jamais me foi assacada, seja porque, prudentemente, conhecendo as minhas inclinações políticas, lhes escasseia o desejo de conhecer as gastronómicas, seja porque acreditem que não há cozinha de esquerda e direita, ou ainda por serem tímidos.

 

Mas  cozinha de esquerda e direita. E a minha, lamento informar, é reaccionária, monárquica, comunista, conservadora e nacionalista. Isto ela é. Não é fast, internacional, elitista, francesa, ou castelhana ou italiana, de autor, exótica, nem de ou para parvalhões com a mania que são finos.

 

Explico: Reaccionária porque desconfia da novidade, que em geral despreza; monárquica porque as receitas vêm na sua maior parte do tempo em que o país não era presidido; comunista porque os pratos são daquela parte do povo que os podia pagar, que eram os lavradores ricos, e não do povo propriamente dito, que esse comia caldo de unto ou de couves e meia sardinha num bocado de pão de milho, reservando as ementas de luxo para dias santos - ou seja, sendo todo o povo igual, uma parte dele era mais igual, que é uma definição tão boa como outra de comunismo; conservadora porque ao produto moderno e processado prefere o natural e tradicional; e nacionalista porque guarda para o gosto estrangeiro incompreensão e descaso, e para o nacional familiaridade e estima.

 

Seja assim. E porque a pressão da vida moderna, a macaqueação da abominação estrangeira e o desprezo pelo mos maiorum vai soterrando preciosidades, deixo consignada nesta tribuna obscura a receita do bacalhau fritado.

 

Bacalhau frito toda a gente sabe o que é: umas postas bem demolhadas (o que levanta aliás problemas - postas de espessuras diferentes não devem ter o mesmo tempo de demolha, e a adição de sal necessária por excessiva demolha é coisa de maçaricos) são envolvidas num polme de farinha e ovo e fritas em óleo. Vão para a mesa com uns raminhos de salsa e azeitonas, em geral daquelas de frasco, inchadas da solução de lixívia em que foram previamente banhadas, a fim de serem perfeitamente higiénicas e insipidas.

 

Isto não é nada. Porque o bacalhau fritado só pode fazer-se com bacalhau de cura amarela, seco ao vento como já quase não há (o bacalhau, não o vento - desse há sacos, sobretudo na opinião publicada). E o preço deste bacalhau é superior ao da lagosta. Isto é aborrecido, e mais ainda porque, mesmo que se esteja disposto a pagar, não é fácil de encontrar. Eu sei onde comprar, mas só divulgaria se corrompido com convites de valor muito superior ao da informação.

 

Temos então o bacalhau xpto, embrulhado em jornais e guardado sem frio artificial meses a fio. Cortado em postas sobre o pequeno, vai a fritar em azeite, depois de envolvido em ovo de quinta batido mas sem farinha triga, ao contrário do outro.

 

O azeite pode ser, mas não precisa ser, novo - usado de frituras anteriores de bacalhau serve perfeitamente. A sertã não precisa de estar irrepreensivelmente limpa: se tiver sido lavada às três pancadas não vem daí mal ao mundo, desde que não haja resíduos de detergentes. Durante a fritura há que virar as postas, mas a operação deve ser feita com um gancho de cabelo, e convém que este esteja embebido de algum leve resquício de gordura natural. Hoje tal operação é praticamente impossível, por não se encontrarem cozinheiras de puxo enrolado no cocuruto da cabeça, de onde um gancho providencial possa ser retirado para este fim imprescindível.

 

Após a fritura, o bacalhau vai repousar, disposto numa travessa de cerâmica, eventualmente craquelée pelo uso e esbotenada, para um armarinho em lugar fresco (frigorífico nunca), protegido de excesso de luz, e dos insectos por uma rede, a fim de o ar circular. Pode consumir-se logo, mas o estágio no armário melhora-o para os dias seguintes.

 

As azeitonas, curtidas em casa e conservadas no respectivo cântaro (atenção: usar apenas colher de pau) ou em frasco com azeite, acrescentam-se na hora. O raminho de salsa fresca pode também acrescentar-se, por haver sempre quem aprecie paneleirices.

 

Simples, não é? Quem não gostar - do bacalhau ou do texto - pode pôr na beirinha do prato. 

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