Quarta-feira, 8 de Maio de 2013
por João Villalobos

 

«O Acordo Ortográfico é tecnicamente insustentável, juridicamente inválido, politicamente inepto e materialmente impraticável.» O Pedro Correia, sem papas na língua. Pessoalmente não partilho deste ponto de vista tão radical, mas vou obviamente ler este seu novo livro com toda a atenção. 


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Segunda-feira, 6 de Maio de 2013
por João Villalobos

 

A reflexão por parte de Pedro Santana Lopes sobre o modelo mais adequado de regime político para Portugal não é de hoje, e vários foram os espaços de intervenção onde nos últimos anos os conteúdos essenciais deste "Pecado Original" - amanhã apresentado publicamente - surgiram explicitados, embora com menor detalhe.

O ponto fulcral em que assenta a reflexão do autor é este: "Qual o equilíbrio desejável de poder fáctico entre um Governo, o Presidente da República e a Assembleia? Colocada por outro político com um passado similar de altas responsabilidades de Estado, a questão já seria em si mesma interessante. Mas a circunstância de ser Santana Lopes torna a leitura duplamente mais estimulante.

Em primeiro lugar, porque o autor vivenciou como muito poucos o que significa liderar um Executivo tendo o próprio PR como activo antagonista, terminando Jorge Sampaio - como bem sabemos - por demiti-lo num acto inédito no período constitucional. Esta é, digamos, a face de Janus que encara o passado. Mas, em segundo lugar, também porque é impossível retirar o nome de Santana Lopes da lista de possíveis candidatos nas próximas eleições presidenciais, temos a face do mesmo Janus que olha para o futuro. Não sou, aliás, o primeiro a prever que a disputa entre PSL e António Costa que ocorreu nas últimas autárquicas em Lisboa pode replicar-se nessas mesmas eleições.

Entender Santana Lopes como político ambicioso tout court é não o entender de todo. O que o move não é o poder pelo poder, mas o poder pela capacidade de fazer. E nesse aspecto, a análise que faz sobre a capacidade interventiva do PR é um trabalho operativo, não especulativo. 

PSL aprendeu a ser mais paciente, a deixar o tempo correr a seu favor, a permitir aos adversários políticos - os internos e os externos - que ocupem o palco que sabe hoje ser fugaz, porque montado e desmontado de acordo com a lógica do espectáculo. Este não é um livro sobre a relação institucional entre Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho, embora seja mediaticamente oportuno o timing da sua publicação. É um manual de procedimentos para o exercício do poder e não um repositório de teorias de ciência política. É, em suma, uma explanação de reflexões pragmáticas. O futuro comprovará para que serviram.       


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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2013
por João Villalobos

João Gonçalves pode falar de Bento XVI com a propriedade de o ter feito desde o primeiro minuto. A favor de muitos e contra outros tantos. Lembrar o seu fio de prumo entre as suas tergiversações é reconhecer-lhe coerência onde ela mais tem razões para existir. 
Não sou, hoje, católico por uma variada ordem de razões. Mas para entender Deus (ou o que Lhe queiramos chamar) há que partilhar uma raíz de entendimento. Ter fé (essa palavra hoje quase proibida). Acreditar que a vida começa antes do Eu e do Nós biológico. E que, esse Algo que começa no Antes, é o Agora e o que Será.


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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013
por João Villalobos

'Confiança' continua a ser a palavra chave para o regresso aos mercados. E só deixará de sê-lo quando - individualizando as diferentes figuras que compõem essa concreta mas abstratizada entidade chamando-lhes Senhora Mercado ou Mrs Market - percebermos que a dita persona é igual em modo de funcionamento à nossa Ex-Mulher (Que Deus a preserve, mas de preferência sem saldo no telemóvel e reparem como a trato duplamente em caixa alta).

Todos os homens que alguma vez se divorciaram (Pronto, vá lá, há excepções mas não sou uma delas) sabem que a sua separação decorreu do facto de terem tido um comportamento reiterado ao longo do tempo que fez perder a paciência da respectiva cara-metade.

No que concerne a este texto, a parte masculina do casal é Portugal e a parte feminina – passe o apenas aparente paradoxo para quem ainda não viveu o suficiente – as mais racionais agências de rating e quejandas instituições puramente financeiras.

Falemos então da palavra 'Mudança'. Substantivo que, na sua forma verbal, deu título ao livro do actual primeiro-Ministro em tempo de campanha pré-eleitoral. Alguém pode, hoje, colocar em dúvida que Portugal está a mudar? Quanto a mim, as medidas que o Governo anuncia indicam que sim.

Mas...Tendo isto em conta - e 'Conta' é aqui agora a palavra seleccionada a dedo - a Senhora Mercado o que faz? Duvida, naturalmente. Tem a perfeita consciência de que ainda não demos provas concretas suficientes. Acha que, se tudo parece mudar, é apenas para esse tudo continuar na mesma, parafraseando o 'Cândido' de Voltaire (Sim, sou um gajo instruído e podia ter colocado o título em francês).

Em suma - e para não perderem a paciência de leitura que já deve estar mais curta do que uma vela acesa ao Santo Expedito - a opção que se coloca é (do ponto de vista metafórico) conjugal e aritmeticamente binária; Ou bem que Mrs. Market sai de casa, ou bem que saímos nós. No primeiro cenário, convém sabermos como vamos pagar a renda de casa e as despesas associadas. No segundo, quanto nos custará a pensão de alimentos da senhora e crias geradas.

Não desejando a ruptura, talvez seja boa ideia Portugal – o qual somos nós tod@s, agora sem distinções sexistas redutoras para efeitos pretensamente literários - explicar que sim, mudámos mesmo e já não vamos reiterar aquela cena, “tipo marada, estás a ver?”, de tratar os dinheiros públicos como que joga fichas no casino europeu delapidando a massa que não tem mas que a família há-de safar, de preferência em cash.

Se, por outro lado, continuarmos a negar a adição ao 'jogo', talvez a nossa cara-metade Senhora Mercado opte por colocar o seu rendimento e pachorra em lares mais organizados e que lhe prestem a atenção devida. As senhoras, posso afirmá-lo com propriedade, preferem amar a apaixonar-se. Sabem bem distinguir entre a conta a prazo e a conta à ordem quer no bolso quer na carteira dos sentimentos.

E pronto. É isto que me apraz dizer. Em sequência, espero um convite para a redação do 'The Economist', porque em terra pátria já sei que só me espera pancada de todos os lados e ambos os sexos, não podendo eu alegar violência doméstica. Koniec

 


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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2013
por João Villalobos

Mas, a culpa para o presidente da CML António Costa, das tais partículas poluentes que andamos a snifar na Avenida da Liberdade agora é dos transportes públicos?! Não chega boicotar os automóveis? Eu não me importo de andar a pé mas então que me coloquem à disposição uma personal trainer, ao preço mensal do passe social da Carris.


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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012
por João Villalobos

  

A coisa explica-se assim: Eu hoje fui ao café local e pedi bica em chávena fria mas veio escaldada. Moro em frente ao Parlamento. Miguel Relvas costuma ir ao Parlamento. De quem é a culpa do meu café mal servido? De Miguel Relvas, pois está claro.

Outro dia, fui ao cinema nas Amoreiras e sucedeu que o filme teve uma paragem inexplicável a meio. Meses antes, sou capaz de jurar que vi Miguel Relvas a sair da mesma sala de cinema. Quem conluiou com Rodrigo Costa para me estragar o visionamento? Pois, obviamente, Miguel Relvas.

Mais: Tenho um amigo que tem por sua vez outro amigo com quem me juraram Miguel Relvas uma vez falou. Esse amigo do meu amigo passou por mim outro dia na Baixa e não me deu bola. Estou certo de que só uma pessoa no universo pode ser responsável por essa desmedida falta de educação. Escuso-me a dizer quem só para os fazer pensar. Aliás, se o mundo acabar mesmo no dia 21 deste mês é porque Miguel Relvas esteve na América do Sul numa vida passada. Só pode.       


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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012
por João Villalobos

 

 

É preciso ler esta entrevista, na íntegra já agora, para perceber aquilo que pensa - mas mais do que isso aquilo que faz - Carlos Oliveira. É inevitável que o comum dos portugueses não saiba quem é. É inevitável também que opinion makers sarcasmem com o facto de ele ser jovem. Tontos são.

Carlos Oliveira diz: "Esta batalha sem tréguas à burocracia é fundamental para assegurar que temos um Estado que não dificulta a vida aos empreendedores". Algo que só quem nunca quis ou precisou de investir em Portugal desconhece. E diz mais: "Sabemos que o país (está) nos limites nas iniciativas fiscais, dado o momento em que se encontra e o programa subscrito pela maioria parlamentar". Abstenho-me aqui de colocar a bandarilha.

E acrescenta, em resposta à pergunta: Porque demorou tanto tempo a reorganizar o capital de risco público e a criar a Portugal Ventures?
"Estou muito satisfeito com o tempo que demorámos. Foi pouco, sabendo que outros no passado pensaram fazê-lo e não conseguiram. Em menos de 12 meses, pensámos, executámos e, à data de hoje, só num dos programas (específico para novos empreendedores) recebemos 184 projectos, de 360 promotores, com um total de investimento previsto de 140 milhões de euros". Grande verdade de quem já tem uma marca para deixar onde outros não a conseguiram.

Ele é novo mas fez. Outros, mais antigos, ou mais velhos, ou mais comprometidos, não fizeram. Deixo o aviso: Quem não o levar a sério, comete um erro.  Quem minorizar o seu discurso não quer que o país avance. O resto é conversa e fogos postos.


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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2012
por João Villalobos

É importante que todos - e reforço o todos - aqueles que falam do regresso aos mercados, consigam fazer a ligação desse discurso com aqueles que ouvem e querem voltar aos supermercados. 
É que as duas coisas, estando interdependentes, só o são se quem consegue fazer contas de Estado ajudar a perceber quem faz contas de mercearia (Sem, obviamente, qualquer menorização das últimas, muito menos nos tempos que correm).


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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2012
por João Villalobos

Ficamos, através da leitura desta notícia, a saber que para o Doutor António Costa uma manifestação de apoio político transmitida através de uma intenção de voto é uma tentativa de controle. Seguindo o seu desviado raciocínio, quando o Doutor António Costa voltar a apoiar alguém saberemos assim quem ele quer controlar e, quando for apoiado, quem por sua vez o controla a ele. Ou mesmo se alguém disser que vota nele. Ou vice-versa. Enfim. Acho que já perceberam a ideia.

 


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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2012
por João Villalobos

"Plans to create a eurozone banking union hit a brick wall after Germany's influential finance minister cautioned over moving too quickly, casting doubts over whether the EU would seal a deal by the end of the year".

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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2012
por João Villalobos

 

Leio por aí que o Doutor Pacheco Pereira, no seu último programa, entre o vídeo viral do PSY-Gangnam Style e o livro de Fernando Rosas sobre Salazar, exibiu uma espigarda-metralhadora Kalashnikov. Espero que não a leve também para o Quadratura do Círculo mas, caso assim o entenda na sua liberdade de expressão e para o reforço de qualquer argumento, sugiro a versão com coronha retrátil que é bastante mais maneirinha. 


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Terça-feira, 27 de Novembro de 2012
por João Villalobos

"CGTP prevê elevada participação na manifestação de terça-feira e diz que protesto não será violento."


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Domingo, 25 de Novembro de 2012
por João Villalobos

O vereador Sá Fernandes quer "esplanadas topo de gama" em toda a Lisboa. E faz muito bem. Quer no fundo uma cidade em que, "de uma ponta a outra", cada restaurante tenha a dignidade estilizada de um Bica do Sapato. Capaz de, deslumbrando com cada canto e recanto desde a Mouraria a Marvila, ofuscar com a sua ordem e vanguardista beleza os turistas americanos e nórdicos que folheiam as páginas da Monocle, da Wallpaper e do New York Times para que nos visitem e larguem aqui as suas moedinhas. Nada dessas pindéricas cadeiras de plástico. Proibam-se os pirosos tapa-ventos. Alguém já viu um tapa-vento em Oslo? Quem pode discordar do vereador Sá Fernandes? Só alguém de muito más famílias, depauperada educação ou assim.  

Terminada a ironia, imagino que pouco deve importar ao vereador Sá Fernandes - e a bem dizer igualmente ao presidente António Costa - a tempestade perfeita que já atravessa o sector da restauração. Prova-o a cereja em cima do bolo que é, de acordo com as instruções e diretivas estéticas dos senhores, a decisão de que as "esplanadas topo de gama" não poderão ostentar essa coisa horrorosa, toda ela kitsch e digna de cidades terceiro-mundistas que é a publicidade. Publicidade, essa, sem a qual os profissionais de restauração não poderão eventualmente manter nem a sua actividade de negócio, quanto mais os preços.  

Em qualquer outra cidade, estou certo de que um executivo camarário que acumulasse experiências envolvendo duplas rotundas, interditasse a circulação de veículos com base em critérios de discutível subjectividade, obrigasse todo um sector a sofrer retaliações como esta e, ao mesmo tempo, fosse ampla e repetidamente criticado por toda uma panóplia de serviços que não presta com a qualidade devida, seria penalizado nas urnas nas próximas eleições. Tratando-se de Lisboa, não aposto nem a feijões. 

Entretanto, a notícia do Público linkada acima também fala do outro lado desse "topo de gama". O do gamanço. Mas isso, ao que parece a quem lê, já não é com o vereador Sá Fernandes.


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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2012
por João Villalobos


Ora bem...vejamos....hmm...(pigarrear)...Assim de repente não me ocorre nada de especial e este regresso à blogocoisa exigia um concentrado de pérolas de sabedoria inolvidáveis, partilháveis, um texto quiçá mesmo viral, termo que nos dias que correm continua a ser sinónimo de algo infecto-contagioso mas, por alguma razão que me escapa, já não é visto como doença. 

Vivemos tempos interessantes, para citar a conhecida maldição chinesa. E se Deus continua vivo e Marx parece ter ressuscitado, eu continuo a não me sentir lá muito bem. Hoje leio no Correio da Manhã sobre a nossa implosão demográfica e, em seguida, Elvira Lindo na última página do El País. A cronista é uma rapariga assim para a minha idade. Recorda as esfusiantes matinés infantis de quando era nova no Cine Moratalaz, tal como eu recordo as do Casino Estoril. Agora só há uma idade, a terceira, escreve ela. Pois. É assim do lado de cá e de lá da fronteira que já não existe. Mas parece que do lado de cá somos campeões nesse abdicar da descendência e assim não há PIB que resista ou qualquer dia sequer que exista.

Há múltiplas razões para isso, claro. Objectivas e subjectivas, associadas à prática das empresas, ao desinvestimento do Estado, ao comportamento umbiguista dos casais, à desfragmentação das famílias, à falta de tempo, à falta de tudo, em suma. Mas mesmo assim...

Em breve regressarei ao assunto. É necessário que a ele regressemos sem preconceitos, chavões de protesto, vistas curtas e frases obnubiladas por demagogias de pacotilha. Não estamos, nós todos, em lados opostos da barricada. Todos queremos, se não ter filhos pelo menos que outros possam tê-los. Todos queremos um mundo melhor para eles e, sejamos francos, é deles que depende o mundo melhor para nós daqui a duas ou três décadas. Não é possível que a única idade seja a terceira idade. Não é mesmo. Porque um país com poucas crianças não é só triste, como escreve Elvira. É um país com prazo de validade.

P.S. Um abraço amigos para as pessoas deste blogue que não conheço, e que são muitas. Agora aturem-me.

 


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